9.7.05

Banda Desenhada: The Monsters in my Tummy

Roman Dirge é uma das joias da coroa da Slave Labor Graphics. Brilhante escritor e desenhista de comics, tem uma estética algo doce e amarga, juntando monstros e personagens fantasmagóricas com violência, mas condimentando tudo com uma inocência quase pura, ao melhor estilo de Tim Burton. A sua obra maior e mais afamada dá pelo nome de Lenore, The Cute Little Dead Girl, sobre a qual dissertarei em breve.

Mas não é isso que vos trago hoje.

Uma faceta pouco divulgada de Roman Dirge é a sua capacidade magistral para escrever contos ilustrados. A minha proposta deste mês é um pequeno livro intitulado The Monsters in My Tummy, por considerar este como o seu melhor conto até à data e por se referir a uma situação com que lido na minha vida pessoal.



The Monsters in My Tummy, escrito em verso e ilustrado pelo próprio Dirge, é uma pequena história acerca de uma situação com a qual muitos de nós já se viram confrontados, o fim de uma relação afectiva de longo termo. A história pode parecer banal à primeira vista, mas não o é. Começa com o final da relação propriamente dito, e depois desenvolve-se com as emoções negativas que nos afectam. Eventualmente, essas emoções acabam por dar lugar a outras mais alegres, como é normal neste tipo de situações.



Porém, as emoções estão representadas neste livro por monstros. A Dor, a Solidão, a Traição, são todos monstros, com personalidade própria e astutamente representados graficamente. A forma como as emoções lidam umas com as outras está muito bem conseguida, e o final deixa uma sensação de vazio inexplicável. Muito, muito, muito bom!

Não acredito que esta obra alguma vez venha a ter uma versão em Português. A única hipótese é encontrarem uma loja que venda Bd de importação. Comprei a minha cópia de The Monsters in My Tummy através da Shop Suey Comics. Para os interessados, dirijam-se a Rua Barão de Viamonte nº 50, em Leiria (na Rua Direita, perto da loja de Tatoos). Garanto que vale a pena. Esta loja possui também imensos de Comics da Slave Labor e de outras empresas mais Mainstream, portanto, aproveitem a dica.

5.7.05

Livros: Morte em Pleno Verão

Yukio Mishima foi um brilhante escritor Japonês do século XX, nomeado por três vezes para o prémio Nobel da Literatura, apesar de ser mais conhecido pelo facto de se ter masturbado à conta de uma fotografia do Papa. Um perfeito caso de actos menores que ofuscam as obras maiores.



Mishima nasceu numa família descendente de Samurais, e foi educado na primeira infância pela sua avó, que o forçava a massajá-la todos os dias e o obrigava a brincar às bonecas com as primas. Com 12 anos, voltou a viver com os pais. O seu progenitor era um homem austero, simpatizante dos ideiais nazis, e sempre procurou incutir um sentido militar no seu filho. Esta educação desiquilibrada fez de Yukio Mishima um homem à procura do seu lugar no mundo, um eterno caso de homosexualidade fechada no armário.

A sua primeira grande obra foi mesmo a sua autobiografia, que o tornou uma celebridade no seu País com apenas 24 anos.

O seu espólio literário conta com 40 romances, 18 peças de teatro tradicional Japonês (Kabuki), 20 livros de Histórias curtas e mais de 20 ensaios.

Revelando uma doentia obsessão pela morte, Yukio praticava culturismo e era mestre na arte espadachim dos Samurai, como maneira de adiar a velhiçe. Gostava também de se auto-fotografar, simulando suicídio.



Estas fotografias eram encaradas como treino para a sua morte, que viria a acontecer à boa maneira Samurai, abrindo o seu estômago ao mesmo tempo que era decapitado por um colaborador.

Os seus livros abordam quase sistemáticamente os temas do amor e da morte. Gostaria de sugerir o Morte em Pleno Verão, por ser um dos seus livros que mais facilmente se encontra nas livrarias nacionais.

Morte em Pleno Verão consiste em três histórias curtas, todas relacionadas com a morte, acidental, auto-inflingida e espiritual. A primeira história centra-se na dor de uma mulher que acabara de perder os seus filhos, afogados numa estância balnear. A sua cunhada, ao ver os cadáveres dos sobrinhos, sucumbe a um ataque cardíaco. Toda esta história acompanha o processo de cura da mulher, e como os sentimentos se desvanecem. A segunda história fala de um antigo Samurai desonrado, que vê o seppuku como única opção. A terceira história está relacionada com um homem que encontra uma antiga geisha de quem tinha sido intimo.

Todos estes contos são escritos em tom sereno, sem uma ponta de ironia, abordando os problemas existênciais das personagens de uma forma belíssima. Destaco a segunda história, uma verdadeira obra prima. Mishima consegue transformar a brutalidade de um suicídio assistido em algo muito belo e extremamente erótico. Sente-se ternura nos gestos da esposa do Samurai, enquanto o auxilia a abrir o estômago com um punhal.

Morte em Pleno Verão é das poucas obras de Mishima traduzidas para Português, portanto, qualquer boa livraria possui este livro. É barato, lê-se muito bem e é lindíssimo.

16.6.05

Tascas: Tasca 7

Falando agora de outros tipos de cultos, gostaria de começar por falar um pouco de uma das melhores tascas de Leiria, que infelizmente vai caindo no esquecimento da população, a Tasca 7!



A Tasca 7, no meu tempo de estudante, era um antro onde Doutores e Semi-Doutores de capa e batina conviviam alegremente com trolhas e pedreiros com cimento seco agarrado às calças. Era um ambiente saudável e ameno, que descambava sempre em bebedeiras de caixão à cova!



Esta taberna, situada numa rua transversal entre a Praça Rodrigues Lobo e a Rua Direita, tem como nome original qualquer coisa como "O Retiro do Abade", mas é mais conhecida como Tasca 7 devido ao número que está na porta. A decoração está plena de motivos tauromáquicos, portanto, goste-se ou não de tourada, a conversa vai sempre parar a esse tema nas primeiras visitas ao estabelecimento.

Entrado na Tasca 7, depois de escolhida a mesa, lá vem o Sr. Carlos, sempre de fato e gravata como os taberneiros de antigamente, espetar uma garrafa de tinto na mesa. Depois é escolher o petisco. Aconselho a lentrisca, tiras de entremeada cortada aos pedaçinhos e regada com muito picante, como manda a lei. Fujam dos ossos cozidos. Não ligam muito bem com o vinho.



Gostaria de realçar que o Sr. Carlos não suporta fumadores compulsivos (eu era sempre moralmente obrigado a ir fumar para a porta), mas é uma joia de pessoa. Uma vez, depois de ter bebidos uns litros, esqueci-me do meu relógio na Tasca. Passado duas semanas, quando lá voltei, fui recebido com o meu relógio enfiado no gargalo de uma garrafa de tinto. Não são todos os taberneiros que fazem isto, digo eu que percebo de tascas!

11.6.05

Filmes: Toxic Avenger

AVISO: Filme de Série Z!!!!

O Vingador Tóxico é um Super-Herói de culto que toda a gente já viu em qualquer lado mas que ninguém conhece. Recentemente o Canal Panda passou uma série de animação baseada nesta personagem chamada Toxic Crusaders, e o Toxie entra inclusivé no videoclip do Moby, We Are All Made of Stars. O Vingador Tóxico é uma personagem da empresa de filmes independentes Troma, portanto se seguiram o programa Troma Rija, na Sic Radical, de certeza que já estão familiarizados com este ser.

Mas afinal, o que é isto do Vingador Tóxico?



Este é o Vingador Tóxico...

O Filme que vos trago hoje é o primeiro de uma série de quatro até à data, e o único que eu tive oportunidade de ver.

A história é a seguinte: Um jovem faxineiro dum ginásio trabalha de sol a sol e é gozado por toda a gente que o conhece. Um dia, os matulões do ginásio resolvem atirá-lo pela janela, aterrando mesmo dentro de um bidon de lixo tóxico que por acaso estava mesmo ali, numa carrinha de caixa aberta. A reacção química tornou o franzino rapaz num mutante grotesco, detentor de um radar interno para o mal, e de uma força bruta capaz de desfazer qualquer um em pedaços! Claro que, não sendo um mostro maléfico, Toxie também possui sensibilidade para o bem. É vê-lo a ajudar velhinhas a atravessar a passadeira e a abrir jarros de compota a donas de casa. Um amor...

Uma cena clássica é aquela em que o Toxie conhece a namorada. Estão um grupo de 3 malfeitores num restaurante de Fast-Food a molestar uma cega, quando entra em cena o nosso amigo. Rapidamente, arranca o braço ao primeiro, dando-lhe de seguida com o membro na cabeça. Ao segundo, agarra nas suas mãos e coloca-as a fritar no óleo das batatas. O terceiro vê a sua cabeça enfiada numa máquina de fazer batidos, terminando todo cortado e coberto de chantily, mas com a cerejinha no topo, como manda a lei. Com um salvamento destes, obviamente que a cega se apaixona pelo Vingador Tóxico. Quem é que não se apaixonaria? Para ver um excerto desta cena, visitem este site.

Este filme já passou na RTP1 há alguns anos, mas encontrá-lo em Portugal é uma tarefa muito dífícil. Procurem na loja do Fantasporto, uma autêntica mina de maravilhas como esta, ou então no Amazon.




Trailer:

10.6.05

Discos: Estradasphere - Buck Fever

Órfãos dos Mr. Bungle, não chorem mais! Temos sucessor! Apresento-vos os Estradasphere!



Os Estradasphere são uma banda de Santa Cruz, nos Estados Unidos. O seu estilo de música é uma salganhada que vai do Swing ao Trash-Metal, com muito, muito Jazz pelo meio, para além de Ska, Surf Rock, Disco, Folk e até músicas retiradas directamente dos jogos de NES. Não há estilo musical que estes senhores não toquem! As suas composições são maioritáriamente instrumentais, e todos são músicos extremamente competentes, o que torna as suas composições Jazzisticas um deleite para os ouvidos.

Os seus albuns costumam ser conceptuais. O meu preferido é o Buck Fever, um album sobre a caça grossa. Quase que nos sentimos no meio duma floresta densa, com partes muitos negras e ambientais, que descambam no mais violento trash metal, acabando num delírio versão Big-Band dos anos 40. Espectacular!



No caso de estarem interessados em conhecer os Estradasphere, visitem o site dos mesmos ou dirigam-se à Fnac. O último album é ao vivo e traz um DVD de oferta, o que por si só já é muito atractivo. Experimentem, à confiança!

9.6.05

Banda Desenhada: Johnny The Homicidal Maniac

Dos Estados Unidos chega-nos muita da BD, denominada por Comics, que alimenta o imaginário de milhões de pessoas de todo o mundo. Os afamados Comics da Marvel, da DC, e até da Image já conheceram adaptações cinematográficas com maior ou menor êxito e qualidade, e o merchandising gera biliões de dólares em receitas para essas empresas... Porém, há um outro lado na Bd americana, os Comics Independentes.

Dessas empresas independentes, gostaria de destacar a Slave Labor Graphics, por ser a que conheço melhor e também por ser um consumidor compulsivo de tudo o que me chega às mãos desta empresa.

A primeira sugestão desta casa é então Johnny The Homicidal Maniac, a obra-prima de uma senhor muito doentio chamado Jhonen Vasquez. Esta obra, totalmente a preto e branco, é a prova de como uma pessoa pode ser tão maléfica e perversa, e ao mesmo tempo fazer-nos rir. A história de uma pessoa normal que conversa com jarros de compota e passa a vida a atormentar o seu vizinho, o pequeno Squee. Tudo corre bem até ao dia em que resolve pintar uma parede branca que possui em casa. A cor escolhida é o vermelho-sangue. Então, para poder decorar o seu lar a seu gosto, Nny começa a matar compulsivamente todas as pessoas que pode, utilizando o seu sangue como tinta. Só que o sangue eventualmente seca e perde a vivacidade. Então, há que matar mais pessoas para a parede ganhar mais cor. Tudo muito perturbador, mas deliciosamente divertido!!!




Johhny The Homicidal Maniac não conhece tradução em Português, pelo que a única maneira de o adquirir é através de lojas de Bd de importação, como a Bdteca do Porto, ou a Shop Suey Comics, em Leiria. Esta última vende por encomenda, e possui uma compilação com vários números de JTHM, portanto qualquer dúvida contactem shopsueycomics@iol.pt

7.6.05

Livros: The Hitchhicker's Guide to the Galaxy

Ok, começemos então por algo completamente novo para mim. Um certo Sueco residente na Alemanha recomendou-me vivamente uma obra intitulada The Hitchhicker's Guide to the Galaxy, uma obra de ficção científica com toneladas de comédia e muitas teorias existêncialistas.

Tudo começou com um programa de rádio da BBC, género rádio-novela, depois evoluiu para uma série de televisão. Os episódios foram transcritos para o papel posteriormente.

Então, The Hitchhicker's Guide To The Galaxy é precisamente um guia da galáxia. Em que planetas se come melhor, qual a melhor altura para se visitar um certo planeta, evitar comprar lembranças em certos planetas pois são demasiado caros, etc... Tudo se inicia quando uns certos seres ultra inteligentes decidem dar resposta à grande questão da Vida, do Universo e de tudo o resto. Para este fim esses seres fabricam um computador extremamente poderoso, capaz de dar essa resposta. Passados 7 milhões e meio de anos, o tempo que o programa demorou a concluir os seus cálculos, o computador preparava-se para dar a resposta! Uma grande festa foi preparada para o efeito! Finalmente! Todos os seres saberiam que a resposta para a Vida, o Universo e tudo o resto era...

42...

Ou seja, agora que o computador dara a resposta, faltava saber qual era a pergunta! E para isso foi construido outro super-computador, chamado planeta Terra!!! E é assim que a história começa.

The Hitchhicker's Guide To The Galaxy não tem tradução em Português, mas poderá ser adquirido na sua versão original em grandes livrarias como a Fnac ou a Bertrand. Espera-se uma tradução para Português em breve, uma vez que está para estrear uma adaptação cinematográfica desta obra, com o mesmo nome. Por isso, se são daqueles maluquinhos por humor surreal e ficção científica, e gostam de conhecer as coisas boas da vida antes de se tornarem massificadas e mal cheirosas, corram a comprar o Hitchhicker's Guide To The Galaxy!

5.6.05

Nota de abertura

Chega!! Depois de um ano registado no blogger, a escrever nos blogs dos outros e a criar e oferecer blogs a quem os quisesse apanhar, está na altura de criar um cantinho só para mim.

Será neste espaço que darei azo aos meus devaneios sem sentido, e onde procurarei divulgar aquilo que realmente gosto: o cinema, a literatura, a BD e a música independente.

Obrigado e até breve.