17.8.05

Sortido: Manuel João Vieira

Depois da morte de Salazar, Vieira é o exemplo mais notável de "culto do chefe" pós-25 de Abril.



Manuel João Vieira é a mente iluminada por trás de bandas como os Ena Pá 2000 e Irmãos Catita, para além de uma carreira irregular como artista plástico e actor. Ser de outro planeta, pedante e grosseiro como todos nós gostariamos de ser, Manuel João Vieira é também uma alma generosa. Lembro-me que no início deste ano, para ajudar as vítimas do Tsunami no Sudeste Asiático, Vieira resolveu colocar a sua namorada à venda num leilão On-Line...

Hoje, trago-vos o Manuel João Vieira Candidato à Presidência da República.


Certamente estarão recordados da sua corrida à cadeira do poder em 2001. Das promessas sábias que fez e não cumpriu (porque não lhe deixaram!) De uma patinadora Russa para cada Português e de um bailarino Cubano para cada Portuguesa! De um Ferrari para cada Português! Da promessa de que todo o Português devia ser preso pelo menos uma vez na vida! Da prisão prepétua para os Delfins! De uma alcatifa a cobrir Portugal de lés a lés! De desejar a independência dos Açores e da Madeira, para depois os afundar! De tantas outras...

Manuel João Vieira criou bastante expectativa à sua volta! Recolheu assinaturas, promoveu palestras de Norte a Sul, teve direito a tempo de antena! E para quê? Para ver a sua candidatura censurada só pelo simples pormenor de ter entregue juntamente com as assinaturas, desenhos de crianças e Pokemons... Uma cabala, meus amigos, uma verdadeira cabala!

Saiu para o mercado no mês passado um DVD contendo o concerto de celebração dos 20 anos dos Ena Pá 2000. Além desse concerto, o DVD traz também um documentário desta brilhante candidatura, contendo excertos de entrevistas, comícios e especiais televisivos, e muitas imagens e declarações do Candidato Vieira On The Road. Um verdadeiro pedaço de história da democracia Portuguesa, mais importante que muitos de vós poderão pensar. Um hino à liberdade de expressão!



2006 aproxima-se... Com 2006, aproximam-se também as eleições presidênciais... Vieira prepara-se para voltar! Sinto-o! E para o comprovar, estejam atentos ao seu site oficial... Nos próximos meses, toda a nossa ajuda, fiéis Vieirenses, será necessária! Pensem na bailarina Russa...

Juntos conseguiremos colocar Vieira na corrida à Presidência da República! Só desistiremos se Vieira for Eleito!

12.8.05

Filmes: Charlie and the Chocolate Factory

Charlie And The Chocolate Factory é aquilo a que podemos chamar um clássico instantâneo! Segundo um grande amigo meu que me acompanhou ontem à estreia nacional, "há muito tempo que não via um filme tão bom no cinema!"

A última obra de Tim Burton é um remake de Willy Wonka And The Chocolate Factory (de 1971), que por sua vez adaptava o clássico da literatura infantil anglo-saxónica. Conta com Johnny Depp (o melhor actor independente a trabalhar em Hollywood, segundo ouvi dizer) no papel de um mestre chocolateiro alucinado, enclausurado voluntariamente dentro da sua fábrica de doces e é simplesmente fabuloso!



Esta é a história de Charlie, um rapazinho pobre e feliz que vive com os pais e os avós perto da fábrica de Willy Wonka, um génio que ninguém avista há mais de 20 anos. Um dia, o mestre chocolateiro oferece a oportunidade de uma visita guiada pelo seu mundo de fantasia a cinco crianças de todo o mundo! Além deste fabuloso prémio, uma dessas cinco crianças tem ainda a oportunidade de receber uma surpresa que vai para além do imaginável! As outras quatro receberão também surpresas, mas não aquelas que estarão à espera... Charlie é um dos felizes contemplados...

Charlie And The Chocolate Factory é um delírio visual! A fotografia é realmente brilhante, o contraste de cores funciona na perfeição, os interlúdios musicais a cargo dos Oompa Loompa (os misteriosos homens minúsculos que trabalham na fábrica) são de morrer a rir, e a adaptação foi devidamente avacalhada pela mão do mestre Burton. Nota-se que talvez a história original não fosse bem assim a nível de diálogos...

"Nesta fábrica podem comer tudo! Até me podem comer a mim! Claro que isso é canibalismo! E o canibalismo é um acto reprovado pela maior parte das sociedades..." (Willy Wonka)

Este filme recebeu a classificação para maiores de 6 anos no nosso País! Realmente, o filme contém chocolate, algodão doce, guloseimas, felicidade extrema e um ritmo alucinante, tão alucinante que chega a causar algum medo e tensão... Uma sensação semelhante a uma sobredose de guloseimas... Mas esta obra contém também piadas inteligentes, trocadilhos rebuscadíssimos, crueldade, imbecilidade e um tipo de humor inacessível a alguém com menos de 20 anos ou que só pense em compras e nos Morangos com Açucar!



Charlie And The Chocolate Factory encontra-se no cinema um pouco por todo o País. Se ainda possuem algumas dúvidas, vejam o Teaser! Quando o Teaser acabar, desliguem o Pc e corram até à sala de cinema mais próxima! Ficarão positivamente surpreendidos...



Trailer:

9.8.05

Discos: Badly Drawn Boy - About a Boy

Agosto. Sensivelmente há 2 anos atrás. Sempre tive uma grande vontade de conhecer o Festival Sudoeste. Nunca lá tinha ido. Por desinteresse pelo cartaz, ou por não encontrar companhia para ir comigo. Em 2003, fartei-me dessa situação e fui para a Zambujeira do Mar. Sozinho. Duas T-Shirts, um frasco de repelente de mosquitos, alguma roupa interior e um saco cama. E até hoje não me arrependo. Fazia o que queria, encontrava pessoal amigo e conhecido, construía amizades com a consistência de um castelo de areia, via os concertos que queria, participava nos workshops, dormia ao relento e era feliz.

Se tivesse ido a este Festival com mais malta, provavelmente não via nem metade dos concertos que vi. Por exemplo, com companhia, se calhar entretinha-me na tenda a beber e a fumar substâncias ilícitas e acabaria por perder o magnífico concerto do Badly Drawn Boy...



Ao todo deviam estar umas 200 pessoas nesse concerto. Lembro-me que todos olhavam cumplices uns para os outros com um sorriso nos lábios. "Este é o nosso momento..." Badly Drawn Boy, sozinho com a sua guitarra e o seu piano. Lembro-me da sua simpatia. Lembro-me de me apaixonar pelas suas músicas, apesar de não conhecer nem uma. Lembro-me da invasão de palco por parte dos roadies e amigos, e de um deles ter sido literalmente expulso a pontapé passados largos minutos do concerto ter terminado. Lembro-me do Badly Drawn Boy cantar, na música Once Around The Block "Take a left, a sharp left and another left... Meet me on the corner, we'll start again..." enquanto o sol se punha. Lembro-me perfeitamente da felicidade que sentia naquele momento e de lacrimejar... Lembro-me que este foi o melhor concerto da minha vida!

O Badly Drawn Boy em disco não é tão bom como o Badly Drawn Boy ao vivo, não querendo isto dizer que seja mau. Os seus discos são realmente excelentes, mas acabam por ser um pouco homogéneos. São predominantemente acústicos, com algumas incursões experimentais pelo meio. Destacar um dos seus trabalhos revela-se difícil. Ainda assim, arrisco em sugerir About A Boy.



About A Boy é simultaneamente um Album e uma banda sonora para o filme com o mesmo nome (bastante bom, por sinal). Todas as canções cantadas por este senhor estão divididas por deliciosos interlúdios instrumentais. Destaco Silent Sight, Donna And Blitzen (que podia ser perfeitamente uma canção de Natal) e Above You, Below Me.

Este album, bem como os restantes 3, estão disponíveis na Fnac. Não têm de quê...

4.8.05

Banda Desenhada: The Book of Bunny Suicides

Fartos de viver, um grupo de coelinhos brancos, queridos e fofinhos, decide por termo à vida da maneira mais original possível. Esta é a história dos Bunny Suicides!



The Book of Bunny Suicides foi escrito e desenhado por Andy Riley, génio por trás da série Big Train, que passou há não muito tempo na Sic Radical. E o que Andy Riley nos oferece? Coelhinhos brancos a suicidarem-se. O livro é só isso. Coelhos a morrer. Das maneiras mais estupidas e inacreditáveis! Não há muito mais a explicar sobre este livro. Não há um fio condutor. Não há espaço para enredos elaborados! Temos apenas coelhos e morte! Que combinação!

Em termos de ilustração, Bunny Suicides é directo. Os desenhos são a preto e branco, simples e sem rodeios nem floreados. A maior parte das mortes ocupa apenas uma prancha...



As situações mais hilariantes para mim são as mortes mais elaboradas e engenhosas. Vejamos esta, por exemplo...





The Book of Bunny Suicides é pequeno e lê-se bem duas ou três vezes de seguida! Será talvez doentio e perverso, sem qualquer sentido, mas não deixa de ser extremamente divertido! Todas as pessoas a quem tive oportunidade de mostrar este livro tiveram uma destas duas reacções: repulsa ou um ataque de riso incontrolável!



Este livro, bem como a sua sequela (The Return of the Bunny Suicides), encontra-se à venda na Fnac. Check it out!

2.8.05

Livros: Como Ficar Estupidamente Culto em Apenas (10) Minutos

Agosto! Pico do Verão, auge da Silly Season... Altura de meter o cérebro de molho e descansar a cabeça... Não será a melhor altura do ano para ler, de certeza, a não ser a chamada literatura de praia, livros levezinhos sem sumo, só para matar o vício...

O livro que vos trago este mês intitula-se Como Ficar Estupidamente Culto em Apenas (10) Minutos. Não é um livro pesado. Também não é um livro leve. É um livro... Assim como... Enfim, é bom para o Verão!

Como Ficar Estupidamente Culto em Apenas (10) Minutos, de Nuno Amaral Jerónimo e José Carlos Alexandre, é algo que se lê bem. Possui duas grandes vantagens: está escrito em linguagem vulgar, o que facilita a sua leitura, e adquire-se conhecimento falso e inútil sobre os mais variados temas. O livro pretende ser uma enciclopédia non-sense, em que o leitor adquire imensas frases feitas para fazer passar por suas, e um vasto conhecimento falso sobre variadíssimos temas.

Neste compêndio encontram-se:

- Resumos Literários (Ulisses estava farto de estar em casa e saiu para comprar tabaco. Voltou vinte anos depois quando a mulher já se andava a rir para os vizinhos. Odisseia, por Homero)

- Resumos Cinematográficos (Um grupo de extraterrestres de borracha aterra nos Estados Unidos para comer uma bifana antes de seguir viagem. Um deles afasta-se para dar uma mija e perde-se dos amigos. É normal que um estranho se perca na América, quando metade dos americanos não sabe indicar no mapa onde fica a sua própria casa. ET, por Steven Spielberg)

- História de Portugal (A Batalha de Aljubarrota foi ganha pela Ala dos Namorados. A voz de Nuno Guerreiro deixou as tropas espanholas em estado de choque psicológico e era vê-los correr em direcção aos bordéis de borda de estrada para lá de Badajoz)

- Geografia (Espanha - Bocado de terra que se sacrifica há anos para que Portugal não tenha fronteiras com França)

- Provérbios (Deus snifa direito umas linhas tortas)

- E muitas outras informações de fazer corar o almanaque borda d'água...

Portanto, Como Ficar Estupidamente Culto em Apenas (10) Minutos (com prefácio de Ricardo Araújo Pereira), é perfeito para quem gosta de ler e não tem paciência para Tolstoi quando estão 40 graus à sombra... Vende-se em tudo o que é livraria.

16.7.05

Sortido: Berlenga

Existem pessoas que têm como destino de férias ideal uma semana na República Dominicana com tudo incluido, ficando 7 dias fechados num hotel com praia privada, ignorando que fora dos muros da unidade hoteleira as pessoas assassinam-se umas às outras por dá cá aquela palha.

Outras pessoas há que preferem os parques de campismo nacionais, seja a esterqueira de um avançado na Costa da Caparica, seja uma tenda montada na Praia da Galé.

Para mim, o meu destino de férias ideal é apenas e só a Ilha da Berlenga, alvo de veneração bairista por parte de muitos dos meus conterrâneos...



Situada a cerca de 10, 11 quilómetros de Peniche, o arquipélago da Berlenga é formado pelos Farilhões, pelas Estelas, Forcadas e pela Ilha da Berlenga. Durante todo o ano esta reserva natural encontra-se fechada ao público, mas na época balnear, as portas do seu parque de campismo abrem-se para quem quizer conhecer esta pérola perdida no Atlântico.

Tudo nesta ilha me traz excelentes recordações: A atribulada viagem de barco, com mais de metade das pessoas a largar engodo para os peixinhos do mar, os garrafões colocados estratégicamente ao sol para no final do dia termos água quente para nos banharmos, os longos passeios à volta da ilha, as visitas guiadas às grutas, os escaldões, as cervejas no bar quando a praia está à pinha, as sardinhadas oferecidas pelos pescadores, as bebedeiras e guitarradas até às 4, 5, 6 da manhã, adormecer com o cantar das pardelas, acordar com o grasnar das gaivotas, entre outros inúmeros pormenores demasiado pitorescos para serem lembrados aqui...


Este ano, compromissos profissionais impedem-me de visitar o meu destino ideal de férias. Porém, para os interessados, podem reservar lugar no parque de campismo no Posto de Turismo de Peniche, ou na sede da Reserva Natural da Berlenga. Procurem os números de telefone nas Páginas Amarelas. Duvido que ainda haja espaço nos próximos 15 dias, mas ainda ssim, não custa tentar. Até Setembro ainda vão a tempo.

12.7.05

Filmes: Dawn of the Dead

Sabem aqueles filmes que são tão maus, tão maus, que acabam por se tornar num clássico? Dawn Of The Dead é um desses filmes.

Parido da mente afectada do mestre George A. Romero, grande impulsionador dos filmes de baixo orçamento (denominados filmes de série B, por servirem de alternativa aos filmes de Hollywood) explorando a temática dos mortos vivos, Dawn of The Dead (o original, de 1978) é a sequela do também ultra-clássico Night Of The Living Dead(1968). Este filme tornou-se num ícone tão forte que até recentemente foi realizado um remake (nada mau, por sinal) e uma paródia!



O enredo: Depois de um ataque inexplicado a nível global por parte de Zombies, um grupo de 4 pessoas procura abrigo num centro comercial, apinhado, claro está, destes seres. Enquanto tentam sobreviver matando tudo o que se mexe, estas pessoas ainda têm tempo de ir às compras e jogar aos Space Invaders! O apelo ao consumismo é mais forte do que o instinto de sobrevivência, pelos vistos...

Como toda a gente sabe, um zombie só morre quando recebe um tiro na cabeça (é lógico!). É aqui que entra um dos pormenores técnicos que tornam este filme num clássico intemporal. Se pararmos a imagem no preciso momento em que um zombie recebe uma bala entre os olhos, podemos ver que o morto vivo não passa de um manequim de montra cheio de visceras de porco.



Outro pormenor engraçado é a caracterização dos zombies. Basta uma pessoa encontrada ao acaso na rua pintar a cara de cinzento (não vale a pena pintar os braços ou tronco, basta a cara) e está pronta para entrar num filme de George A. Romero!



A minha cena preferida deste filme é aquela em que um gang de motoqueiros resolve estragar a festa aos herois e decide pilhar o centro comercial. É vê-los a roubar tudo e todos os que encontram, incluindo zombies! Isso mesmo, os motoqueiros roubam joias aos zombies, e ainda lhes espetam com tartes na cara! É nesta altura que quem vê este filme pela primeira vez mete as mãos à cabeça e exclama “O que vai na cabeça deste realizador para meter motoqueiros a assaltar mortos-vivos?”

Dawn of the Dead é um “must-have” para todos os apreciadores do cinema fantástico. Já o vi à venda na Fnac, na secção de importação. Porém, a minha cópia foi comprada num quiosque de jornais banal. Portanto, fiquem atentos! Os zombies atacam onde menos se espera!



Trailer:

10.7.05

Discos: Devendra Banhart - Rejoicing in the hands & Niño Rojo

Devendra Banhart, um vagabundo com sorte.



Devendra Banhart é um dos melhores cantores da chamada “Nova-Folk”. Munido com a sua guitarra acústica e a sua voz sobejamente peculiar, Devendra encanta com a musicalidade das suas músicas, quer cante sobre amores perdidos, amigos reencontrados ou sobre os seus dentes que já não mordem mas ainda podem dançar.

Este senhor foi encontrado através de uma gravação artesanal que andava a circular pelas ruas Norte-Americanas. Depois de alguma busca, descobriu-se um Devendra Banhart andrajoso e mal-nutrido a tocar num bar Irlandês para sobreviver. Nesta altura, Devendra era já um sem-abrigo há alguns anos, não sem antes ter percorrido o mundo com a mochila às costas.

Rapidamente, Devendra foi levado para um estúdio, onde gravou compulsivamente cerca de 30 e muitas músicas. O resultado dessas gravações encontra-se nos Albuns-gémeos “Rejoicing In The Hands” e “Niño Rojo”.

Ambos estes albuns, editados em 2004, seguem a mesma direcção. Devendra, sozinho à guitarra, por vezes com alguns instrumentos extra adicionados posteriormente. A sua voz, estranha mas ao mesmo tempo bela, a sua falta de jeito com os microfones (por vezes a respiração encobre a guitarra), a sua guitarra desafinada, a sua tendência para inventar acordes, as letras imbecis, as letras lindíssimas, as melodias que se entranham nos nossos cérebros e corações. Devendra Banhart respira genialidade e sinceridade. E é por isso que “Rejoicing In The Hands” e Niño Rojo” nos colocam a sorrir e a trautear pelo dia fora.

Gostaria de destacar no album Rejoicing In The Hands” a música “This Beard is For Siobhán”…



No album “Niño Rojo”, o destaque vai para “At The Hop”...



Todas as restantes músicas são realmente boas, mas estas duas oferecem-me emoções distintas. A primeira, a alegria infantil. A segunda, a tristeza camuflada de esperança. Devendra Banhart é grande!

9.7.05

Banda Desenhada: The Monsters in my Tummy

Roman Dirge é uma das joias da coroa da Slave Labor Graphics. Brilhante escritor e desenhista de comics, tem uma estética algo doce e amarga, juntando monstros e personagens fantasmagóricas com violência, mas condimentando tudo com uma inocência quase pura, ao melhor estilo de Tim Burton. A sua obra maior e mais afamada dá pelo nome de Lenore, The Cute Little Dead Girl, sobre a qual dissertarei em breve.

Mas não é isso que vos trago hoje.

Uma faceta pouco divulgada de Roman Dirge é a sua capacidade magistral para escrever contos ilustrados. A minha proposta deste mês é um pequeno livro intitulado The Monsters in My Tummy, por considerar este como o seu melhor conto até à data e por se referir a uma situação com que lido na minha vida pessoal.



The Monsters in My Tummy, escrito em verso e ilustrado pelo próprio Dirge, é uma pequena história acerca de uma situação com a qual muitos de nós já se viram confrontados, o fim de uma relação afectiva de longo termo. A história pode parecer banal à primeira vista, mas não o é. Começa com o final da relação propriamente dito, e depois desenvolve-se com as emoções negativas que nos afectam. Eventualmente, essas emoções acabam por dar lugar a outras mais alegres, como é normal neste tipo de situações.



Porém, as emoções estão representadas neste livro por monstros. A Dor, a Solidão, a Traição, são todos monstros, com personalidade própria e astutamente representados graficamente. A forma como as emoções lidam umas com as outras está muito bem conseguida, e o final deixa uma sensação de vazio inexplicável. Muito, muito, muito bom!

Não acredito que esta obra alguma vez venha a ter uma versão em Português. A única hipótese é encontrarem uma loja que venda Bd de importação. Comprei a minha cópia de The Monsters in My Tummy através da Shop Suey Comics. Para os interessados, dirijam-se a Rua Barão de Viamonte nº 50, em Leiria (na Rua Direita, perto da loja de Tatoos). Garanto que vale a pena. Esta loja possui também imensos de Comics da Slave Labor e de outras empresas mais Mainstream, portanto, aproveitem a dica.