dEUS existe e vive na Bélgica!

Liderados por Tom Barman, os dEUS são uma força criativa que surgiu na Bélgica a meio da década de 90. O ecletismo e estranhesa das suas composições granjeou-lhes algum sucesso na Europa, contando com um culto considerável à sua volta na França e em Portugal, tendo já visitado o nosso país pelo menos uma dezena de vezes. Após uma pausa de 5 anos, depois de Barman se aventurar pela
realização e da debandada geral de todos os membros desta banda, o novo album
Pocket Revolution chegou às lojas este ano, e, apesar de manifestamente inferior, é um bom disco de Rock.
Os dEUS são conhecidos pela sua sensibilidade Pop misturada com momentos de introspecção e aquilo que eu gosto de chamar de “caos ordenado”, com todos os instrumentos a tocar para seu lado, mas compondo uma sinfonia perfeita. Gostaria de sugerir duas obras distintas deste grupo:
dEUS para nÃO cRENTES
O fantástico segundo album
In A Bar, Under The Sea, de 1996. O album indispensável para todos os que se assumem seguidores de dEUS e o mais inspirado até à data. Pop, Noise-Rock, algum Punk e Disco Sound (?) compõem o trabalho. As faixas deslizam umas a seguir às outras, enquadrando-se e completando-se naturalmente. A jovialidade de
Fell Off The Floor, Man pode parecer distante da sussurrada
Serpentine, mas no conjunto, estas canções foram feitas para viverem juntas no mesmo cd. Todas elas. Destaque para a magnífica
Roses. Uma composição esquizofrénica, que começa calmamente, nem se dando pelos instrumentos à medida que vão entrando e nos vão envolvendo completamente até nos darmos conta de estarmos a ser alvos de um ataque sonoro por todos os lados. O final deixa-nos à espera de mais. Há quem não goste. Sinceramente, não quero saber...
dEUS para cRENTES
O estranhíssimo EP
My Sister is My Clock, de 1995. Originalmente pensado como um EP de 4 faixas, My Sister is My Clock acabou por tornar-se num mini-album de 13 canções misturadas umas com as outras, inseridas na mesma faixa de 20 e poucos minutos. Todos os membros dos dEUS criaram as faixas individualmente, juntando-as depois num cocktail agri-doce que pode cair mal a quem nunca ouviu falar nesta banda. Ruído, violinos, poesia em Croata, sininhos, distorção e muitas outras experiências neste workshop sonoro.. Só para fãs Hard-Core de dEUS. Destaque para
Middlewave,
Void e a magnífica
Little Ghost, interpretada pelo membro fundador entretanto dissidente Stef Camil Carlens, o preferido das pitas, que entretanto se dedicou a tempo inteiro ao seu projecto
Zita Swoon.
Com o regresso desta banda às lides discográficas, os albuns (quatro mais um EP) deverão estar disponíveis na maior parte das lojas. Se não conhecem, comprem sem ouvir primeiro! Vão odiar! E depois, vão começar a gostar um bocadinho... Mais um tempo e já gostam de uma faixa ou duas... Garanto que à quarta audição estão agarrados a dEUS! A religião é o ópio do povo, já dizia um certo senhor de barbas...