21.10.05

Discos: Elliott Smith

Quem me conhece pessoalmente, já esperava por este post. Ainda assim, não deixa de ser particularmente difícil para mim escrever sobre um dos meus tesouros mais bem guardados, a música de Elliott Smith...



Nascido Steven Paul Smith em 1969, Elliott foi um dos mais acarinhados cantores folk do século XX, e ao mesmo tempo o mais injustamente esquecido. A sua carreira musical começou nos Heatmiser, uma banda pós-grunge com forte incidência na distorção e nas guitarras eléctricas. Daí que o primeiro album a solo de Elliott Smith (intitulado Roman Candle) tenha causado alguma surpresa entre os seguidores daquela banda, por trocar a electricidade pela velhinha guitarra acústica. O Lo-Fi e a candura na sua voz representam os primeiros albuns do cantor, verdadeiros diamantes escondidos numa produção deficiente.

Elliott Smith saiu da obscuridade mais ou menos em 1997, quando o realizador Gus Van Sant resolveu incluir algumas das composições no filme O Bom Rebelde, valendo a Smith o reconhecimento internacional e a nomeação para um Oscar pela música Miss Misery.

Seguiu-se um contrato com a Dreamworks, do qual resultaram albuns mais ambiciosos, ultra-produzidos e belíssimos, ainda que um bocadinho difíceis de apreciar para alguém com o ouvido destreinado. Elliott Smith entrava numa fase infantil, de um músico a transbordar de talento com uma guitarra de caixa a cair de podre que se deixa deslumbrar por um estúdio cheio de instrumentos, e que não descansa enquanto não os experimentar a todos. Oiçam a Waltz #2, do album XO, e observem como se transforma uma valsa numa canção pop sem mácula, por exemplo.

Quer os seus primeiros albuns, quase totalmente acústicos, quer os seus mais recentes trabalhos, mais orquestrais, valem a escuta atenta. Porém, não podendo dar especial destaque a todos os 6, saliento o Either/Or, aquele que considero o album introdutório perfeito para um ouvinte novo de Elliott Smith.



Either/Or, o terceiro registo, é uma album de transição. A guitarra acústica está lá, mas já se começam a ouvir guitarras eléctricas, baixo e bateria nalguns temas. A postura recatada encontra-se presente, a delicadeza da sua melodiosa voz é algo de outro mundo e Elliott Smith prova aqui de uma vez por todas o seu valor como escritor de canções! Quase todos os dias oiço este album, e continuo sem me cansar dele... Destaque para Say Yes, Angeles e aquela que considero a minha música preferida de todos os tempos (por várias razões que não mencionarei aqui), Between The Bars...

A maior parte dos trabalhos de Elliott Smith podem ser encontrados na Fnac. Ironicamente, a sua obra mais recente, From A Basement on a Hill, provavelmente será a mais difícil de encontrar. Mas ela anda por aí. Procurem-na bem.

Elliott Smith faleceu precisamente há 2 anos, nesta data. Foi genuinamente uma boa pessoa, para além de um excelente músico. Espero ter conseguido homenageá-lo decentemente. Rest peacefully, old friend...

12.10.05

Banda Desenhada: Death Jr

Death Jr , o filho do Grimm Reaper, é um bom miúdo, que gosta de estar com os amigos e nunca se mete em confusões. Tudo isso muda quando, acidentalmente, liberta um mal que pode destruir tudo aquilo que lhe é querido. Cabe a si e aos seus companheiros a erradicação desse mal, antes que o seu pai descubra...



Death Jr. É uma proposta recente da Image , vindo directamente das mãos dos autores de Gloomcookie... No fundo, a personagem principal é um menino bem comportado com cara de caveira, que gosta tanto da mãe como do pai e vai à escola todos os dias... Tem como grupo de amigos Pandora, a menina gótica, Smith & Weston, os gémeos siameses, Stigmartha, a menina que sangra pelas mãos quando se enerva, e The Seep, um estudante estrangeiro sem braços e pernas que vive num jarro. O menino deseja um dia seguir as pisadas do seu pai, o responsável pela morte, mas o seu coração não consegue distinguir muito bem a diferença entre viver e morrer.

As suas aventuras são deliciosas. Death Jr., apesar de feio e de matar tudo o que toca, é ternurento e optimista em relação à vida. O humor negro está presente, é certo, mas o que sobressai nesta obra é o pensamento positivo e a alegria de viver. Outra novidade em relação a outras obras do género é a utilização de cor nas pranchas, o que torna a atmosfera muito mais leve e refrescante.

Recentemente saiu um jogo de computador alusivo a esta personagem para a nova consola da moda, a PSP. Não estando a recomendar o jogo (que não conheço), recomendo a visita ao seu site oficial. Neste site encontra-se disponível na secção de downloads o número zero desta obra (em preto e branco, ao contrário dos outros). É um livro pequeno, mas serve de aperitivo para este comic. Tirando isso, Death Jr. Só pode ser encontrado em lojas de BD de importação, até ver.

5.10.05

Livros: The Story of Ferdinand

Era uma vez um touro chamado Fernando, que vivia em Espanha. Todos os pequenos touros com quem Fernando vivia corriam e saltavam e batiam com a cabeça uns nos outros, mas não o Fernando. Ele preferia sentar-se calmamente e cheirar as flores.



The Story of Ferdinand é um conto infantil, escrito por Munro Leaf e magistralmente ilustrado por Robert Lawson. Através de um vocabulário simplista, Leaf conta a estória de Ferdinand, um touro pacifista que nunca se envolve em lutas e disputas de território próprias da espécie, preferindo sentar-se de baixo de um carvalho e cheirar flores durante todo o dia. Uma reviravolta no conto e Ferdinand dá por si a caminho de Madrid, para lutar numa praça de touros. Mas aí, algo inesperado acontece...

The Story of Ferdinand, apesar de parecer simplista à primeira vista, é uma grande lição de pacifismo e presença de espírito. Lá porque os touros são famosos por serem criaturas ferozes e violentas, não quer dizer que TODOS os touros sejam assim...

Por incrível que pareça, este livro, escrito em 1936, foi banido de inúmeros países de extrema-direita durante a segunda guerra mundial, como a Alemanha e Portugal. Entretanto, veio a revolução dos cravos, mas a obra nunca chegou ao nosso território até hoje. Assim sendo, para ler este clássico na íntegra, visitem este site.

26.9.05

Séries: Monty Python's Flying Circus

E agora para algo completamente diferente, um homem com três nádegas.



Primeiro de tudo deixem-me explicar que não planeava algum dia escrever sobre os Monty Python neste cantinho... Não por não gostar dos mesmos (o que é uma calúnia hedionda), mas por achar que qualquer coisa que escreva ou possa escrever sobre aquela que é considerada a mais brilhante fábrica de sketches do século XX nunca fará juz à magnificência da trupe. Porém, coincidências felizes impelem-me a discursar sobre o fenómeno Pythoniano. Desculpem qualquer coisinha...

Monty Python’s Flying Circus foi um Ovni humorístico que aterrou na cinzenta Inglaterra em 1969, partindo para parte incerta em 1974. Esta série deu origem a vários filmes, discos e livros e o culto à volta destes seres nunca mais parou de crescer até aos dias de hoje.

Os cinco Pythons, Graham Chapman (o morto), Terry Gilliam (o Americano), Michael Palin (o simpático), Terry Jones (o chato), Eric Idle (o solitário) e John Cleese (o alto) apostavam num humor extremo e a roçar os limites do aceitável, no seu estilo único, misturando o non-sense com uma inventividade emulada por imensos cómicos desinspirados ao longo de mais de 30 e tal anos, tudo ligado por brilhantes animações, inspiradas na época vitoriana.

Uma das inovações que este grupo trouxe ao humor televisivo foi o facto de a punch-line (aquela parte da piada gasta no final de cada sketch dos Malucos do Riso, para quem não percebe nada daquilo de que eu estou a falar) ser opcional. Os seus sketches consistiam muitas vezes de momentos loucos de punch-lines atrás de punch-lines, terminando abruptamente com o ataque de um cavaleiro de armadura empunhando um frango de plástico, ou por um coronel que exigia o final do dito sketch por este ser demasiado parvo (Esse oficial do exército de sua magestade foi copiado e adaptado à realidade Portuguesa na personagem de Diácono Remédios).

Um skecth memorável: Um grupo de extraterrestres semelhantes a Molotov resolvem atacar a Inglaterra, transformando todos os Ingleses em Escoceses (com direito a Kilt e barba ruiva). Os Ingleses transformados em Escoceses rumam instantaneamente para as Terras Altas, deixando a Inglaterra vazia. O objectivo dos extraterrestres: Vencer o torneio de Wimbledon. É um facto conhecido que os Escoceses não sabem jogar Ténis...

Tudo isto para dizer que a RTP Memória resolveu passar na íntegra TODOS os episódios de Monty Python’s Flying Circus! É verdade! Hossana nas alturas! Um oportunidade de ouro para rever (e rever, e rever, e rever) uma das melhores séries televisivas de sempre, e a horas decentes... Os Malucos do Circo (infeliz título em Português), aos Sábados, 15 e 30 e Domingos, 21 e 30.

21.9.05

Filmes: Delírio em Las Vegas

O filme que vos trago hoje está ligado directamente com o post de literatura de culto deste mês. Trata-se da adaptação cinematográfica do clássico livro de Hunter S. Thompson, Fear and Loathing in Las Vegas (em Português, Delírio em Las Vegas).



Delírio em Las Vegas conta com Terry Gilliam (o Americano dos Monty Python) na realização, e tem como actores principais Johnny Depp no papel de Raoul Duke (baseado no próprio Thompson) e Benicio Del Toro, interpretando o advogado Samoano Dr. Gonzo. Estamos em 1971, quando Duke e Gonzo viajam até Las Vegas, com o intuito de fazer a cobertura jornalistica a uma corrida de motas pelo meio do deserto. Se bem que isso acaba por ser secundário quando se possui uma mala cheia de erva, cocaína, alcoól, éter, mescalina, ácidos vários e muitas outras drogas no banco de trás do carro. Tem-se uma percepção do que será este filme logo nos primeiros minutos, quando Duke pega num mata-moscas e resolve matar uns morcegos gigantes que de repente se lembram de o atacar (ou pelo menos é para aí que a sua imaginação o leva).

Este filme é uma ode às drogas. Durante toda a película, nunca há um momento de sobriedade. Ou Duke está pedrado e Gonzo sóbrio, ou Duke está sóbrio e Gonzo pedrado, ou Duke está pedrado e Gonzo está pedradíssimo! Acompanhamos então as alucinações e bad trips desta dupla pela cidade dos Néons e casinos, sem saber muito bem onde nos leva o enredo. Apesar de parecer alegre, frenético e de possuir luminosos momentos de humor a espaços (como por exemplo, quando as personagens principais se vêm envolvidas numa palestra anti-drogas para polícias), Delírio em Las Vegas é um filme feio e sujo. É assustador quando um Dr. Gonzo completamente alucinado convençe uma menina de 14 anos a partilhar a sua cama oferecendo-lhe um sortido de drogas. E a sensação de vergonha alheia na cena em que Hunter (perdão, Duke) acorda num quarto completamente destruido, enquanto somos bombardeados por Flashbacks auditivos de fazer corar um morto, é indescritível...

Para quem já viu este objecto de culto, fica a dica de que Benicio Del Toro engordou mesmo 14 quilos para interpretar o arrepiante Dr. Gonzo e sim, Thompson era mesmo assim como Depp e Gilliam o recriam. Tanto pessoalmente como na sua escrita. Os seus livros são autênticas dores de cabeça. Quem vir Delírio em Las Vegas até ao fim e não ficar com a sensação de exaustão cerebral, é porque não esteve muito atento ao que se estava a passar na televisão.

Disponível no seu videoclube.



Trailer:

14.9.05

Discos: dEUS - In a Bar Under the Sea & My Sister = My Clock

dEUS existe e vive na Bélgica!



Liderados por Tom Barman, os dEUS são uma força criativa que surgiu na Bélgica a meio da década de 90. O ecletismo e estranhesa das suas composições granjeou-lhes algum sucesso na Europa, contando com um culto considerável à sua volta na França e em Portugal, tendo já visitado o nosso país pelo menos uma dezena de vezes. Após uma pausa de 5 anos, depois de Barman se aventurar pela realização e da debandada geral de todos os membros desta banda, o novo album Pocket Revolution chegou às lojas este ano, e, apesar de manifestamente inferior, é um bom disco de Rock.

Os dEUS são conhecidos pela sua sensibilidade Pop misturada com momentos de introspecção e aquilo que eu gosto de chamar de “caos ordenado”, com todos os instrumentos a tocar para seu lado, mas compondo uma sinfonia perfeita. Gostaria de sugerir duas obras distintas deste grupo:

dEUS para nÃO cRENTES



O fantástico segundo album In A Bar, Under The Sea, de 1996. O album indispensável para todos os que se assumem seguidores de dEUS e o mais inspirado até à data. Pop, Noise-Rock, algum Punk e Disco Sound (?) compõem o trabalho. As faixas deslizam umas a seguir às outras, enquadrando-se e completando-se naturalmente. A jovialidade de Fell Off The Floor, Man pode parecer distante da sussurrada Serpentine, mas no conjunto, estas canções foram feitas para viverem juntas no mesmo cd. Todas elas. Destaque para a magnífica Roses. Uma composição esquizofrénica, que começa calmamente, nem se dando pelos instrumentos à medida que vão entrando e nos vão envolvendo completamente até nos darmos conta de estarmos a ser alvos de um ataque sonoro por todos os lados. O final deixa-nos à espera de mais. Há quem não goste. Sinceramente, não quero saber...

dEUS para cRENTES



O estranhíssimo EP My Sister is My Clock, de 1995. Originalmente pensado como um EP de 4 faixas, My Sister is My Clock acabou por tornar-se num mini-album de 13 canções misturadas umas com as outras, inseridas na mesma faixa de 20 e poucos minutos. Todos os membros dos dEUS criaram as faixas individualmente, juntando-as depois num cocktail agri-doce que pode cair mal a quem nunca ouviu falar nesta banda. Ruído, violinos, poesia em Croata, sininhos, distorção e muitas outras experiências neste workshop sonoro.. Só para fãs Hard-Core de dEUS. Destaque para Middlewave, Void e a magnífica Little Ghost, interpretada pelo membro fundador entretanto dissidente Stef Camil Carlens, o preferido das pitas, que entretanto se dedicou a tempo inteiro ao seu projecto Zita Swoon.

Com o regresso desta banda às lides discográficas, os albuns (quatro mais um EP) deverão estar disponíveis na maior parte das lojas. Se não conhecem, comprem sem ouvir primeiro! Vão odiar! E depois, vão começar a gostar um bocadinho... Mais um tempo e já gostam de uma faixa ou duas... Garanto que à quarta audição estão agarrados a dEUS! A religião é o ópio do povo, já dizia um certo senhor de barbas...

7.9.05

Banda Desenhada: Squee!

Este mês, mais uma proposta da Slave Labor Graphics (para não variar muito). Escrito por Jhonen Vasquez, a sequela de Johnny The Homicidal Maniac, Squee!



Squee foi uma personagem secundária da primeira série de Johnny The Homicidal Maniac (e última até à data, apesar de estarem planeados novos livros deste mítico ser), o típico puto tão querido que é dificil resistir à necessidade básica de lhe espetar uma faca num olho e de o abrir ao meio.

Após o desaparecimento misterioso do seu vizinho Nny, o pequeno Squee respira de alívio e espera que a sua vida regresse à normalidade... Puro engano. Logo na sua primeira aventura a solo, duas raças diferentes de extra-terrestres lutam entre si pela sua posse. Mas não é só. Mais à frente, Squee recebe uma visita de si próprio, vindo do futuro, o seu boneco de peluche revela-se uma “esponja de traumas”, absorvendo toda a maldade à volta do seu dono, e Pepito, o filho da união de Satanás com uma mulher terrestre, resolve ser o seu melhor amigo e convida-o para jantar em casa dos seus pais...



Enquanto tudo isto acontece na vida desta inocente criança, os seus próprios progenitores passam o tempo todo a ignorá-lo e a desejar que morra. A minha prancha preferida de toda esta obra é aquela em que o pai de Squee vê o video do nascimento do seu filho... Em reverse!

Squee é uma obra que pode não cair bem a toda a gente, por conter alguma violência gráfica e conceitos que vão totalmente contra as regras da moral e bons costumes... Ainda assim, a sua leitura revela-se bastante fácil, desde que se domine minimanente o inglês (esta obra não foi nem será editada na nossa lingua). Procurem o Trade Paper Back com todos os números desta mini-série (intitulado Squee’s Wonderful Big Giant Book Of Unspeakable Horrors) na Shop Suey Comics (shopsueycomics@iol.pt), Rua Barão de Viamonte nº 50, Leiria. Digam que vão da minha parte e recebam um par de estalos e insultos sortidos, totalmente grátis!

1.9.05

Livros: Diário a Rum

Hunter S. Thompson foi um jornalista completamente alucinado dos anos 60, apaixonado por motas, mulheres e drogas, muitas e variadas drogas...



Nascido em 1937, Thompson dedicou a sua vida ao jornalismo de investigação, passando por revistas tão importantes como a Rolling Stone Magazine e a Playboy. Absolutamente louco, decidiu a certa altura juntar-se ao lendário grupo de motoqueiros Hell’s Angels. Vagueou com este grupo durante meses, até os motoqueiros se fartarem da sua companhia e lhe terem oferecido uma valente surra. Após este incidente, nasce Hells Angels: The Strange And Terrible Saga of the Outlaw Motorcycle Gang, a sua primeira grande obra. Hunter acreditava que a sua experiência pessoal ajudava a sua escrita. Daí que todos os seus livros contenham inumeros pormenores auto-biográficos, e daí também a inclusão de pitorescas personagens baseadas em amigos, como o famoso Dr. Gonzo, baseado no advogado Oscar Zeta Acosta, defensor dos direitos Chicanos.



Hunter S. Thompson suicidou-se em Fevereiro deste ano, enquanto falava ao telefone com a sua esposa.

As suas obras podem ser consideradas peças jornalísticas alucinogénicas. Destaco o Diário a Rum, por querer guardar a sua obra-prima para o próximo filme de culto...

O Diário a Rum é então a experiência de um jovem jornalista Americano em Puerto Rico, no final dos anos 50. Thompson relata com precisão um paraíso Sul-Americano antes de se tornar naquilo que é hoje. Antes do Flower Power, antes da guerra do Vietname, antes das marchas de protesto e inclusivé antes do boom das drogas. Só lagostas, mulheres nuas, galinhas, voodoo, ódio (ancestral?) contra os Americanos, e Rum, Rum, Rum! Um livro honesto e bem escrito, contendo a curiosidade de ser esta a primeira obra de Thompson, apesar de só ter sido editada oficialmente em 1999!



Consta que esta obra será adaptada ao cinema por volta de meados de 2006. Entretanto, o Diário a Rum encontra-se à venda na Bertrand

17.8.05

Sortido: Manuel João Vieira

Depois da morte de Salazar, Vieira é o exemplo mais notável de "culto do chefe" pós-25 de Abril.



Manuel João Vieira é a mente iluminada por trás de bandas como os Ena Pá 2000 e Irmãos Catita, para além de uma carreira irregular como artista plástico e actor. Ser de outro planeta, pedante e grosseiro como todos nós gostariamos de ser, Manuel João Vieira é também uma alma generosa. Lembro-me que no início deste ano, para ajudar as vítimas do Tsunami no Sudeste Asiático, Vieira resolveu colocar a sua namorada à venda num leilão On-Line...

Hoje, trago-vos o Manuel João Vieira Candidato à Presidência da República.


Certamente estarão recordados da sua corrida à cadeira do poder em 2001. Das promessas sábias que fez e não cumpriu (porque não lhe deixaram!) De uma patinadora Russa para cada Português e de um bailarino Cubano para cada Portuguesa! De um Ferrari para cada Português! Da promessa de que todo o Português devia ser preso pelo menos uma vez na vida! Da prisão prepétua para os Delfins! De uma alcatifa a cobrir Portugal de lés a lés! De desejar a independência dos Açores e da Madeira, para depois os afundar! De tantas outras...

Manuel João Vieira criou bastante expectativa à sua volta! Recolheu assinaturas, promoveu palestras de Norte a Sul, teve direito a tempo de antena! E para quê? Para ver a sua candidatura censurada só pelo simples pormenor de ter entregue juntamente com as assinaturas, desenhos de crianças e Pokemons... Uma cabala, meus amigos, uma verdadeira cabala!

Saiu para o mercado no mês passado um DVD contendo o concerto de celebração dos 20 anos dos Ena Pá 2000. Além desse concerto, o DVD traz também um documentário desta brilhante candidatura, contendo excertos de entrevistas, comícios e especiais televisivos, e muitas imagens e declarações do Candidato Vieira On The Road. Um verdadeiro pedaço de história da democracia Portuguesa, mais importante que muitos de vós poderão pensar. Um hino à liberdade de expressão!



2006 aproxima-se... Com 2006, aproximam-se também as eleições presidênciais... Vieira prepara-se para voltar! Sinto-o! E para o comprovar, estejam atentos ao seu site oficial... Nos próximos meses, toda a nossa ajuda, fiéis Vieirenses, será necessária! Pensem na bailarina Russa...

Juntos conseguiremos colocar Vieira na corrida à Presidência da República! Só desistiremos se Vieira for Eleito!