27.4.06

Filmes: O Último Filme de Terror

Há pouco aconteceu-me uma coisa estranhíssima. Estava eu a ver um filme-pipoca de terror para adolescentes chamado O Último Filme de Terror, quando de repente a imagem ficou desfocada e o filme terminou abruptamente. Subitamente apareceu-me no ecrã da minha televisão um tipo inglês chamado Max Parry, que resolveu gravar um documentário sobre a sua vida por cima da porcaria de filme que eu estava a ver.



Fiquei a saber que o Max é um tipo porreiro e inteligente, que filma casamentos mais como hobby do que como fonte de subsistência. Tive a oportunidade de o ver em almoços e jantares com a família e a socializar com os amigos. Também aprendi a matar, enforcar, mutilar e incendiar seres humanos em grande estilo eliminando qualquer hipótese de ser apanhado, porque este documentário poderia muito bem intitular-se "Como Assassinar Pessoas Aleatoriamente e Continuar a Viver uma Vida Normal".

Max é um Serial Killer frio e metódico. Juntamente com o seu assistente, este senhor rapta pessoas para brincar aos médicos-legistas, rebenta-lhes com os miolos à martelada no meio da rua e chega mesmo a arrombar casas para esfaquear quem quer que esteja lá dentro. Mas nunca deixa de ser uma pessoa encantadora. Como a certa altura do filme comunica, "Alugaste um filme de terror porque querias ver sangue e morte, e eu dou-te sangue e morte". No fundo, quem gosta de filmes de terror é um voyeur que se delicia com a desgraça alheia, e nesse sentido, Max Parry entretém-nos plenamente com a sua crueldade.



O Último Filme de Terror revelou-se uma proposta completamente original e inesperada, filme fortíssimo pleno de humor negro e crueldade, que nos faz rir e meditar sobre a fragilidade da vida humana. Um relato verdadeiramente fascinante sobre a mente de um assassino em série, que nos agarra desde o primeiro ao último segundo. Procurem-no nas lojas do Público, incluído na Série Fantas.



Trailer:

23.4.06

Discos: Fiona Apple - When The Pawn...

Fiona Apple é uma cantora/pianista Norte-Americana com um culto considerável à sua volta. As suas composições estão incluidas no universo do Jazz, passando pela Pop e Blues, criando um produto de música alternativa verdadeiramente original.



O seu início de carreira deu-se em 1996 com Tidal. Apple, na altura com 18 anos, espantava o mundo com as suas músicas melodiosas e a forte componente sexual do videoclip para Criminal, o que lhe valeu o reconhecimento instantâneo da indústria discográfica sob a forma de Grammy, rotulando-a de Next Big Thing. Seguiu-se When The Pawn em 1999, fortemente atacado pela crítica especializada por ser completamente o oposto daquilo que seria esperado de Fiona.

Abandonada e prestes a cair no esquecimento, Fiona Apple passou por tempos difíceis para conseguir editar o seu mais recente Extraordinary Machine. Produzido em 2002, a Sony decidiu que este não possuia qualidade suficiente para ser editado e resolveu guardá-lo na prateleira, o que levou a uma desmoralização e final de carreira abrupto por parte da autora. Porém, hoje em dia temos uma coisinha chamada internet. Alguém conseguiu o album e colocou-o online, o que levou a que milhares de pessoas fizessem o download do mesmo, levando a Sony a pensar se a sua acção teria sido a mais acertada. Tudo culminou com os escritórios da empresa discográfica a serem inundados de maçãs vindas de todo o mundo por parte dos admiradores de Fiona. Extraordinary Machine acabou por ser refeito e editado no final do ano passado, e, surpresa (ou não), revelou-se um excelente disco e um grande regresso de Fiona Apple.

Mas este mês, sugiro When the Pawn Hits the Conflicts He Thinks Like a King What He Knows Throws the Blows When He Goes to the Fight And He'll Win the Whole Thing 'Fore He Enters the Ring There's No Body To Batter When Your Mind is Your Might So When You Go Solo, You Hold Your Own Hand And Remember That Depth is the Greatest of Heights And If You Know Where You Stand, Then You Know Where to Land And If You Fall It Won't Matter, Cuz You'll Know That You're Right.




When The Pawn é sem sombra de dúvida, o meu disco preferido de Fiona Apple. O difícil segundo album marca um corte radical entre a candura do seu album de estreia, levando e elevando o seu piano por territórios alternativos e inexplorados, numa Pop jazzística com algum Trip-Hop pelo meio e muita maturidade, o que destruiu a reputação e o "promissor" futuro como princesinha Pop de Fiona, fazendo com que muitos dos seus antigos fãs adeptos da sua faceta baladeira a abandonassem, ao mesmo tempo que fortaleceu a sua base de adeptos fiéis. Este é o album mais injustamente esquecido de que tenho conhecimento. Liricamente assombroso, musicalmente complexo, algo agressivo, muito, muito sexy! Para ouvir em repetição contínua! Destaques:

1- On The Bound
2- To Your Love
3- Limp
4- Love Ridden
5- Paper Bag
6- A Mistake
7- Fast As You Can
8- The Way Things Are
9- Get Gone
10 - I Know

Como curiosidade, When The Pawn possui o record do Guinness de Album com o Maior Título.

17.4.06

Banda Desenhada: The Goon

Gangsters sisudos, Zombies imortais, macacos, gorilas e outros que tais. The Goon.



The Goon, a obra maior de Eric Powell, é um dos mais refrescantes comics da Dark Horse, tendo coleccionado já imensos prémios, incluindo Melhor Narrativa Ilustrada no International Horror Guild Awards de 2004.

Colorido e ultra-ritmado, The Goon narra a história de um suposto capanga dum Gangster chamado Labrazio, numa cidade plena de zombies, vampiros, lobisomens e outros seres sobrenaturais. Um monstro musculado, de aspecto simiesco, cego de um olho e desfigurado, The Goon mal sabe falar e aparenta possuir o QI de um recém-nascido. Não será bem o tipo de herói a que nos habituaram as grandes casas de banda desenhada, e esse é o trunfo principal da série (mas não será o único). Do lado contrário da barricada temos o Feiticeiro Sem Nome, que insiste e criar hordas de mortos vivos para aterrorizar a cidade, o que garante emprego constante ao nosso anti-herói.

A estética e o sentimento transmitido por este comic são de film-noir com cedências à vida moderna. The Goon e o seu parceiro Franky rebentam cabeças de mortos vivos com tacos de basebol e vendem protecção a taberneiros e vendedores de gelados tal como nos loucos anos 30 (o meu avô conta-me que um zombie roubou-lhe todas as couves da sua horta em mil-nove e trinta e cinco), mas no entanto não abdicam de encomendar pizza às Sextas nem de retalhar um gigantesco pirata-choco com uma motoserra, por exemplo.

O exagero e a estranheza das personagens elevam The Goon ao estatuto de meu comic preferido do momento. Um anão com uma bola de bowling presa na mão não é bem o vilão que inspira medo, mas sim compaixão (credo, tanta aliteração). O humor é negro e non-sense, mas estranhamente, tudo faz sentido na obra de Powell.

Para os curiosos, existe o primeiro TPB à venda por aí, intitulado The Goon Rough Stuff (comprei o meu na Ghoul Gear, Travessa da Trindade 30, Faro.) A Shop Suey Comics volta e meia oferece um comic do The Goon por compra, portanto se forem clientes, peçam-no na vossa próxima visita.

4.4.06

Livros: Porno

No seguimento do post sobre o Trainspotting, o Literatura de Culto deste mês debruça-se sobre algo de que toda a gente gosta mas nem todos o admitem, Porno...

Porno é o sétimo romance de Irvine Welsh, escritor Escocês obcecado por drogas duras e cultura Pop. Este romance é simultaneamente a sequela literária de Trainspotting, e a sua acção decorre 10 anos após as primeiras aventuras. Desta feita, o sexo é a droga que vem substituir a heroína como força motriz.

Porno é um livro direccionado apenas a quem leu/viu Trainspotting, pois voltamos a encontrar o mesmo grupo de indigentes que aprendemos a amar e mais alguns de outra obra de Welsh, intitulada Cola. Após a sua famosa fuga no final do primeiro livro, Mark Renton torna-se num infeliz proprietário de uma discoteca em Amesterdão. Begbie está obviamente na cadeia, recebendo todos os meses um pacote de revistas pornográficas gay sem conhecer o seu remetente. Spud (ou Batata) continua um pobre coitado agarrado ao cavalo, imaginando formas de salvar a sua mulher e filho da miséria, seja na vã tentativa de escrever um livro sobre a sua terra natal, seja por tentar que o assassinem de modo a que a sua família receba uma compensação pela perda.

Sick Boy, esse, toma o papel central no palco deste livro. Proprietário de um Pub Escocês, sonha com grandezas que tardam a chegar e deseja vingar-se de Renton com todas as suas forças. Um dia, um dos amigos do seu grupo de coquinados aparece no Bar com ideias de filmar um filme pornográfico na arrecadação do mesmo. A estrelinha da sorte brilha com mais vigor sobre Sick Boy! Entretanto Begbie é solto, e juntamente com o seu amigo pornógrafo, descobre Renton na Holanda. Mark borra-se de medo de Begbie, e para evitar ser descoberto por ele aceita financiar o filme pornográfico de Sick Boy. O plano de vingança é posto em prática.

Apesar de divertido e muito mais light do que a obra anterior, Porno acaba por revelar-se mais do mesmo. Algumas situações são apenas reciclagens doutras vividas 10 anos antes, e as personagens não mudaram um bocadinho. Sick Boy continua maquiavélico, Begbie não amoleceu um grama, Renton mantém-se falso e Spud é a personificação perfeita do agarrado. Ainda assim, é óptimo voltar a encontrar estas personagens e saber o que têm feito desde que largaram a heroína (quase todos, pronto).

Porno será adaptado ao cinema um dia, quando os actores de Trainspotting tiverem envelhecido o suficiente. Enquanto isso não acontece, o livro anda por aí e não é nada difícil dar com ele.

1.4.06

As previsões de Maria Graciette



Irá haver um atentado na Ponte 25 de Abril
  • Morrerá uma grande figura da cena internacional este ano
  • Pedro Santana Lopes será apanhado num grande escândalo com contornos homosexuais
  • A canção "Zumba Zumba" será o grande hit deste Verão
  • Haverá uma mudança radical no template deste blog lá mais para o final da semana!
  • 24.3.06

    Sortido: Ricardo III

    Aqui vai o chamado post-expresso, totalmente sem rede e em cima do joelho:



    O Teatro Municipal de Faro tem a honra de apresentar, em estreia absoluta no nosso país, a peça Ricardo 3º de William Shakespeare, dirigida e adaptada por Àlex Rigola.

    Até aqui tudo bem, não fosse o facto de este Ricardo 3º ser uma adaptação que mistura a estética dos Sopranos com os Rolling Stones e todo um universo kitcsh. A acção, segundo me confidenciou o próprio Ricardo 3º e Lady Anna, é passada num bar bem 70's. Ricardo é um pistoleiro, os membros da realeza são barmans e barmaids, existe um ventríluco mafioso e um videowall a passar imagens subversivas, para além da banda a tocar clássicos de Rock and Roll em Inglês, Catalão, Francês e Castelhano! Uma maradiçe a não perder numa curta temporada de duas datas. Se residem nas redondezas aconselho vivamente esta peça, mas se não puderem vir ao Algarve (que é longe de tudo menos do próprio Algarve em si), fiquem atentos, pois é existe a forte probabilidade de Ricardo 3º voltar a entrar em cena em Lisboa ou no Porto. Ficam desde já avisados! Pelo amor de tudo o que é kitcsh, não percam a oportunidade de irem ao teatro ver o Ricardo 3º!! Se não for agora, pode ficar para a próxima... Mas vejam mesmo!

    Deixo-vos com algumas fotografias da peça...







    E um excerto em video neste link...

    Esqueci-me de referir um pormenor importante: A peça é em Catalão, legendada em Português! Como se legenda uma peça de teatro, perguntarão vocês? Não sei, mas irei descobrir amanhã. Tenho a sorte de ter um emprego simplesmente espectacular, onde volta e meia conheço pessoas ligadas ao teatro. E essas mesmas pessoas são sempre muito simpáticas e oferecem-me muito bilhetinho para espectáculos... Sou um sortudo ordinário, não sou?

    RICARDO 3º, HOJE E AMANHÃ, NO TEATRO MUNICIPAL DE FARO!

    22.3.06

    Filmes: Trainspotting



    Trainspotting: Hobby comum em países Aglo-Saxónicos, que se baseia na observação e anotação detalhada de todos os comboios, os seus números de série e anos de serviço, informação essa a ser partilhada entre outros Trainspotters.

    Trainspotting: O título do primeiro romance de Irvine Welsh, editado em 1993. Uma colecção de histórias curtas interligadas pelo fio condutor da dependência pela heroína, numa Escócia cinzenta e depressiva. Vencedor do Booker Prize de 1993.

    Trainspotting: Um filme de 1996, baseado no livro de Welsh. Realizado por Danny Boyle e interpretado por Ewan McGregor, Robert Carlyle, Jonny Lee Miller e muitos outros. As aventuras de um grupo de amigos envolvidos em drogas duras. Os seus assaltos, as suas tentativas de recuperação, as suas sobredoses, as suas mortes, as suas tragicomédias, observadas pacientemente pelo fantasma do vírus da SIDA.

    Trainspotting: Um marco numa geração. A melhor campanha anti-droga alguma vez feita. Desperta um misto de curiosidade e desconforto, mas faz-nos desejar nunca termos de lidar com os mesmos problemas que as personagens do filme.

    Trainspotting: Um bebé morto que caminha no tecto. Uma sanita com a profundeza de um oceano. Uma realidade a acontecer na vossa cidade, no vosso bairro, na vossa rua.

    Trainspotting: Um filme independente escuro e doentio, que ainda assim conquistou audiências pelo mundo fora, nomeado na categoria de Melhor Argumento Adaptado nos Óscares de 1999.

    Trainspotting: Um filme que completou 10 anos de idade no mês passado, mas que continua tão actual como sempre.

    Trainspotting: Uma obra a rever regularmente. Dos melhores filmes dos anos 90. Disponível em tudo o que é sítio.



    Trailer:

    15.3.06

    Discos: Bright Eyes - Lifted

    Há tempos, foi aqui falado de uma loja de discos em Leiria chamada Alquimia, cujo proprietário era exímio na arte de impingir discos de qualidade aos seus clientes, acertando nos seus gostos e preferências. Sempre que lá entro dificilmente saio sem um disco nas mãos, que não poucas as vezes desconheço completamente. Foi o que aconteceu no caso de Bright Eyes.



    Bright Eyes é o nome de uma banda que se mistura com o nome de Conor Oberst, o mentor e único músico a figurar em todos os albuns do projecto. Conor pratica uma Pop com tendências megalómanas, sempre prestes a sair do obscurantismo, mas falhando perpetuamente uma e outra vez, até ao salto definitivo que tarda em chegar. Um dos seus albuns chegou a número 10 na tabela de discos mais vendidos nos Estados Unidos, e ainda assim poucos ouviram falar de Bright Eyes e ainda menos pessoas desconfiam que existe um multi-instrumentista chamado Conor que edita o seu cancioneiro desde os 13 anos de idade. Com uma carreira bastante intensa (só o ano passado, Bright Eyes editou/editaram dois discos de originais e um ao vivo), este é um nome a ter em conta num futuro próximo, tal a qualidade e espírito meio mainstream, meio underground que carregam as músicas deste projecto.


    O Album sugerido este mês tem o título de LIFTED or The Story is in the Soil, Keep Your Ear to the Ground.



    Lifted assume-se como um album conceptual, em que as músicas só fazem sentido se ouvidas de seguida, de tal forma que a linha onde acaba uma e começa outra é muito ténue e por vezes imperceptível. O tema base é o rescaldo dos atentados de 11 de Setembro, mas a toada é melosa (e o facto de algo ser meloso não significa propriamente que seja mau) e aquilo que seria uma reacção de uma América ferida torna-se antes um grande disco sobre o amor e outros sentimentos menores. A voz de Conor é estranhíssima, afinada "alternativamente", e a grandiosidade dos arranjos mistura-se com momentos rock "in your face" e cantinhos intimistas.

    Mas o grande valor de Lifted é mesmo o seu conteúdo lírico, escrito detalhadamente num booklet muito bem ilustrado e pensado ao pormenor. Além de um grande album, ainda se ganha um grande livro de poesia que facilmente sobreviveria sem a componente musical. Sem o booklet, admito, este album seria demasiado estranho até para mim e creio que o teria descartado. Mas a experiência de acompanhar as letras à medida que as músicas nos entram pelos ouvidos tornaram Lifted numa escolha recorrente sempre que vasculho os meus "Discos Compactos". Para ouvir de olhos bem abertos.

    14.3.06

    A corrente (partida) da BD!

    O El Gordo teve a gentileza de se lembrar de mim ao pedir-me que exponha 5 traços da minha personalidade enquanto leitor de BD. Creio que o meu percurso enquanto leitor de BD ajuda a traçar o meu perfil.

    Iniciei-me na Banda Desenhada desde tenra idade, tendo herdado a gigantesca colecção de BD do meu irmão, nomeadamente clássicos da Disney e da Turma da Mônica (que adorava mas que agora abomino), com um ou outro Capitão América pelo meio (nunca gostei deste em particular). Como desde sempre possuí o vício de leitura a partir do momento em que aprendi que letras juntas formam palavras, devorei a mesma colecção vezes sem conta. Os meus pais apoiavam-me, julgando ser uma fase passageira própria da infância e que um dia quando fosse mais velhinho deixasse de ler BD, como havia acontecido anteriormente com o meu irmão.

    Quando tinha 10, 11 anos, visitei a casa de uns primos meus de Lisboa, na altura recém-casados. Enquanto passeava pela casa, deparei-me com aquilo me transformaria no leitor assíduo de banda desenhada que sou hoje, para grande desgosto dos meus pais: Uma divisão da casa bastante espaçosa transformada em BDteca! Fiquei maravilhado com os milhares de títulos disponíveis, todos ordenados cronologicamente, por autor e título. Sentei-me no sofá e lá fiquei horas a fio, enquanto descobria pela primeira vez o Asterix, o Tintin, o Garfield, o Gaston Lagaffe e tantos, tantos, tantos outros... Lembro-me que nem sequer jantei nesse dia, e a minha mãe conta-me que deu por mim a dormir no meio de um monte de livros com um sorriso estampado nos lábios... A partir daí esse meu primo (que nunca mais voltei a ver) passou a enviar-me regularmente livros de banda desenhada durante uma série de anos.

    Era já adolescente quando comprei o primeiro livro de banda desenhada com o meu próprio dinheiro. Foi este:



    Na altura acontecia uma verdadeira revolução de Comics Americanos em Portugal. De um momento para o outro, passaram a surgir regularmente nas bancas títulos dos X-Men, Homem-Aranha, Spawn, Batman, Gen13 e o universo 2099. A semanada esgotava-se perante a variedade e qualidade de títulos disponíveis. As histórias cruzavam-se umas com as outras, as personagens evoluíam nos livros, apaixonavam-se, lutavam entre si, adoeciam e morriam, o que constituía uma novidade absoluta para mim. Um puto cheio de testosterona e com a mania da perseguição identificava-se e sofria com os personagens. O ideal dos X-Men, um grupo de mutantes super-poderosos distintos do humano comum, lutando pelo seu direito de igualdade agarrou-me de tal maneira que ainda hoje vou seguindo com alguma regularidade as suas aventuras.

    A minha primeira experiência profissional "a sério" foi há alguns anos no Parque Nacional da Peneda-Gerês. Durante a minha temporada minhota partilhava um chalet com muita gente, boas almas na sua maioria. Foi aqui que me veio parar às mãos o meu primeiro comic independente. Tratava-se de Lenore, The Cute Little Dead Girl. Fiquei apaixonado! Um universo muito próprio, boa arte, bom humor negro, perfeição! Aquele livro era eu! Iniciei então a minha demanda para encontrar os livros de Lenore, o que me levou a procurar lojas especializadas em Bd de importação. A primeira que encontrei não tinha nada de Lenore, mas possuía outro dentro da mesma estética, Johnny The Homicidal Maniac! A partir daí, enquanto procurava pela Lenore, fui construindo a minha colecção de comics Indie quase sem dar por ela. Hoje em dia não tenho ainda uma divisão da casa cheia de BD até ao tecto, mas possuo uma colecção de grandes comics Indie misturados com clássicos Mainstream em constante mutação e crescimento, pelos quais tenho um imenso carinho e orgulho.

    Assim, 5 traços:

    1- Prefiro o formato Trade Paper Back, pois os livros ficam mais bonitos na estante e duram mais do que o formato single. Além disso, se os perder perco logo tudo de uma vez, não fico com colecções incompletas.

    2- Prefiro livros de humor negro e nonsense a histórias pesadas.

    3- Odeio crossovers. Deixei de comprar livros que me passam ao lado só porque se ligam directamente com aqueles que compro regularmente. Além disso, a qualidade dos crossovers tende a decair cada vez mais (House of M, o maior barrete da história da Marvel)!

    4- A primeira coisa que faço quando entro numa loja de Comics é cumprimentar os donos. A segunda é correr para a secção Indie. A terceira é queixar-me do preço dos Comics. A quarta é ficar indeciso entre 3 ou 4 comics diferentes. A quinta é sair da loja com os esses mesmos 3 ou 4 comics.

    5- Compro Comics por autor. Se o livro diz Roman Dirge ou Jhonen Vasquez na capa, nem penso duas vezes.

    Agora seria a altura em que passaria esta corrente a outras pessoas que partilhem a minha paixão por BD, mas acontece que nenhum dos meus amigos Bdéfilos é detentor de um blog, e, sinceramente, não estou mesmo a ver a quem possa passar isto. Paciência...