16.11.06

Os melhores blogues 2006?

Descubro hoje que decorre uma votação para a eleição de "Melhor Blogue" de 2006, destinado a todos os blogues de Portugueses para Portugueses, promovido pelo Geração Rasca.

Pessoalmente, a minha opinião em relação a esta eleição está dividida. Por um lado, considerar-se um blogue o melhor é um terreno perigoso e subjectivo. Creio que um blogue é o espelho de uma personalidade. Se for feio ou bonito, lixo ou luxo, para todos ou só para alguns, um blogue é sempre um pedaço da alma de quem o mantém, requer sempre algum empenho, nem que seja mínimo. Considerar um blogue melhor ou pior em detrimento de outros é ferir um ego.

Porém, como disse o camarada Papo-Seco e muito bem, esta é uma excelente maneira de conhecer outros blogues que de outra maneira passariam despercebidos. Assim, elaborei a seguinte lista, tendo em conta os seguintes factores dois pontos parágrafo travessão:

- Blogues que me agradam;
- Blogues que visito regularmente;
- Blogues onde me sinta bem e sem constrangimentos;
- Blogues que me tenham marcado de alguma maneira em 2006;
- Blogues aos quais me linko.


Encarem esta lista não como os "melhores blogues", mas sim como mais uma série de recomendações...

"Melhor Blog" Individual Feminino: Insustentavel Leveza e Escrita, pela honestidade, simplicidade e boa onda.

"Melhor Blog" Individual Masculino: Por aqui tenho vários. O Ironia do Destino e o Abrupto Sexual conseguem sempre colocar-me um sorriso na cara, o 9-9 é uma bela fonte de informação musical, e o Contra Cultura é um blogue como o meu só que em bom. Incluo nesta categoria também o Dias Úteis. Apesar de ser um blogue de uma figura pública, transmite-me muita serenidade e paz de espírito, levando-me a crer que o Pedro Ribeiro é um tipo porreiro. Agora reparo que não me linko a ele. Vou já tratar disso.

"Melhor Blog" Colectivo: Desconfio de blogues colectivos. Demasiados egos à mistura. Um blogue colectivo do qual gostava era o BlogCafé. Estava a ir no bom caminho, até começarem todos à bulha e aquilo implodir. Mas mesmo a implosão teve a sua pinta.

"Melhor Blog" Temático: O TóColante (postais de propaganda do antigamente) e o E Deus Criou a Mulher (meninas bonitas). Já não sei muito bem se o Cromo dos Cromos (cromos de futebol) é um blogue ou um site, mas pelo sim pelo não, incluo-o à mesma nesta categoria.

"Melhor Blog": Não é segredo para ninguém. O meu blogue favorito é o Uma Sandes de Atum. Por não ter pontuação, por não ter preconceitos, e principalmente, por não ter pretensões.

"Melhor Blogger": W., por ser o blogger mais porreiro que conheço pessoalmente!



Edit: Reparo agora que me esqueci de muitos outros blogues dos quais gosto e por onde passo momentos agradáveis, mas agora também não vou alterar nada. Desculpem qualquer coisinha...

14.11.06

Discos: Gogol Bordello - Gypsy Punks Underdog World Strike

De pé, oh vítimas da Pop! De pé, famélicos da música! Está para estalar mais uma revolução! Chegam ao Contraculturalmente os Gogol Bordello!



Gogol Bordello é uma banda Punk de New York, que se distingue das demais pelo ecletismo dos seus instrumentistas e pela extravagância do seu front-man, o inenarrável Eugene Hütz. Por aqui pontuam um baterista, um baixista e uma bailarina Norte-Americanos, um acordeonista e um violinista Russos, uma outra bailarina Tailandesa, um guitarrista Israelita e um vocalista Ucraniano, compondo um caldeirão musical que junta a fúria do Punk versão The Clash e da música cigana Balcânica ao dub Jamaicano, passando pelos ritmos latinos. Longe de serem indigestos, os Gogol Bordello são antes uma força da natureza tanto em estúdio como ao vivo, muito por culpa do violinista, das bailarinas/performers e do Che Guevara de Chernobyl, Sr. Hütz, o que se pode comprovar numa breve saltada ao Youtube.

Album mais recente, recomendação óbvia, Gypsy Punks Underdog World Strike, de 2005.



Gypsy Punks Underdog World Strike é um album insano, pleno de humor e boa disposição, visível em títulos como Think Locally, Fuck Globally e Start Wearing Purple. O vocalista, no seu carregado sotaque de Leste, diverte-se apelidando todas as mulheres de "Sally" nas letras de Gogol Bordello, num misto de Ucraniano, Árabe, Espanhol e Inglês. Por detrás de toda a festa e alegria, existe também em Gypsy Punks Underdog World Strike um lado de consciência política que poderá escapar numa primeira audição. A música Immigrant Punk destaca-se pela critica ao tratamento recebido pelos emigrantes nos Estados Unidos (e no mundo, já agora). Um pouco à maneira de Manu Chao, mas, e eu como fã de Manu Chao e Mano Negra nunca pensei em dizer isto, ainda mais festivo e forte, um grande circo misturado com casamento cigano, festarola de aldeia e Punk cosmopolita. Uma ode à vida! Legalize Gogol Bordello!

9.11.06

Banda Desenhada: Superman Vs Muhammad Ali

Possuo um ódio de morte pelo Super-Homem. Poderia justificar esse meu ódio recorrendo ao velho ensinamento que meu pai me transmitiu um dia (homem que veste cuecas vermelhas por cima das calças nunca poderá ser super), mas não o vou fazer. O meu ódio é muito mais profundo e justificável. Citando directamente o genérico da série de animação subordinada à personagem, Superman, um ser perfeito, inquebrável e invencível, luta pela verdade, justiça e o "American Way". Ora, tendo em conta os eventos do passado mais recente envolvendo a política externa dos Estados Unidos, juntar "American Way" às palavras justiça e verdade não cola. A primeira aparição de Superman, aliás, foi na forma de um vilão superpoderoso com pretensões à conquista mundial. Que positivo para nós que Superman tenha sido posteriormente convertido à causa americana...

Posto isto, adoro quando o grande herói Americano de Krypton leva uma bela sova. Especialmente quando essa sova é aplicada pelo autodenominado "maior lutador de todos os tempos", o grande, o inimitável, o artista anteriormente conhecido por Cassius Clay, Muhammad Ali!



Superman vs Muhammad Ali é apenas um dos muitos livros de banda desenhada nos quais celebridades de carne e osso se unem a personagens da 9ª arte, um género muito em voga nos anos 70. E se a ideia de se juntar o maior pugilista de todos os tempos ao maior canastrão desenhado de todos os tempos vos parece ridícula (porque é), o certo é que este livro vendeu como ginjas nos idos de 1978.

A história começa com uma invasão extra-terrestre. Os aliens, sedentos de sangue, propõem à humanidade que eleja o seu melhor lutador para defrontar o campeão inter-galáctico num combate de boxe. Se o campeão terrestre vencer, os invasores partirão em paz. Caso contrário, espera-nos milénios de escravidão, dor e sofrimento.

Dois lutadores assumem a responsabilidade. Superman (que devia ter sido desclassificado logo à partida por não ser terrestre) e Muhammad Ali. Ambos têm de lutar para se decidir qual será o representante do planeta azul na maior batalha de todo o cosmos (segundo os entendidos).

Superman vs Muhammad Ali é um livro de banda desenhada datado, que reflecte o mundo nos anos 70. Muitos dos extra-terrestres são claramente inspirados no Star Wars, que havia estreado poucos meses antes, Muhammad Ali havia perdido o título de campeão mas continuava a ser o maior, Sony Bono ainda tinha a cabeça em cima dos ombros (se olharem bem para capa, poderão ver a sua cabeça sobre o ombro do Batman) e Superman, apesar de canastrão, era simpático e divertido, à imagem dos heróis de BD mainstream da época. A arte deste livro, hoje em dia muito retro, ganha pontos especialmente por isso mesmo, e este livro é constitui bonita uma curiosidade para todos os amantes de banda desenhada.

E, caso estejam interessados no resultado do combate...



Superman levou tautau! Muhammad salva a terra! Obrigado, salvador Ali! Na verdade o Superhomem que leva tautau do senhor Ali era um impostor e o verdadeiro Superhomem disfarça-se de Clark Kent para poder fugir ao combate e salva assim o mundo, o que não deixa de ser uma cobardia da parte do "homem de aço"...





Comprovem a canastriçe machista de Superman em Superdickery.com.

4.11.06

Livros: Sr Bentley o Enraba-Passarinhos

Senhor Bentley, o Passarinheiro, o Passarão, O Enraba-Passarinhos. O Lambe-Lambe, o paneleiro corno-de-merda, peneirento, o caga-lume, o apaga-lume, o arrebita-a-nabiça, ai arrebita-arrebita!; Senhor Bentley, o Visitador de Cemitérios. Ó.



Tenho por hábito visitar várias livrarias semanalmente especialmente para saber as novidades em termos de livros técnicos. Passo sempre um bom bocado a folhear livros de ornitologia (a minha actual profissão centra-se essencialmente na observação e identificação de aves), espremendo-os até perderem completamente o interesse. Depois, agarro num romance e levo-o para casa, deixando os livros de passarinhos para outra altura.

Numa visita recente a uma dessas livrarias, encontro, entalado entre títulos como "Onde Observar Aves no Sul de Portugal" e "Collins Bird Guide", algo que me chamou a atenção. Um pequeno livro rosa-choque, perdido naquela secção mas completamente desavergonhado, de seu nome Sr. Bentley O Enraba Passarinhos, escrito por uma tal Ágata Ramos Simões. Compro-o só pela subversidade e coragem do título. E ainda bem que o fiz.

Descubro que Ágata Ramos Simões é uma jovem operadora de Call-Center que alterna a sua profissão com a paixão da escrita, sendo Sr. Bentley o Enraba Passarinhos já o seu terceiro livro. Escrito algures entre 2003 e 2004, e tendo sido recusado por 17 (dezassete!) editoras até conseguir chegar à tipografia graças à Saída de Emergência já em Janeiro de 2006, Sr. Bentley é um belo livro sobre um homenzinho sádico, crápula e mau de indumentária vitoriana que se diverte a enganar, manipular e ridicularizar todos os que o rodeiam. Completamente non-sense e agressivo, fruto de uma relação improvável entre Boris Vian e Happy Noodle Boy, mas com um toque muito seu, Virgílio Bentley é simplesmente hilariante! As visitas a campas desconhecidas no cemitério, os chazinhos com a enfadonha Miss Joyce, as conversas com o próprio diabo, as idas às casas de putas, as conversões aos tele-evangelistas, tudo é escrito com um refinado sentido de humor, que nos aperta o estômago e nos faz verter uma ou outra lágrima de tanto rir! Verdadeira pedrada no charco!


Sigam o trabalho de Ágata Ramos Simões no seu blog, escrita.blogspot.com.

Leiam a entrevista à autora, cortesia Bad Books don't E-Zine.

E passem os olhos pelo primeiro capítulo de Sr. Bentley O Enraba Passarinhos, aqui.

1.11.06

Troca de Galhardetes

Hoje, o meu contador de estatísticas revelou-me uma agradável surpresa: descobri que tenho (mais) um irmão!

O Contra Cultura (contraculto.blogspot.com) é um blog de estética similar ao Contraculturalmente. Nesse cantinho da blogosfera, analisam-se filmes, livros, jogos de computador, BD e muita música, destacando-se pelo bom gosto que falta quase sempre aqui pelo meu espaço. O primor e empenho que Bruno Taborda imprime aos seus textos transpira amor e dedicação, e apesar de as postagens não serem muito frequentes, vale toda a pena visitá-lo. Memorizem então a morada, e acolham-no.

31.10.06

Tascas: Calotas

Como Portugueses, três aspectos nos distinguem das demais nações. O primeiro aspecto é a eterna melancolia na qual estamos envolvidos. O fado, a saudade, o saudosismo... Não há por esse mundo fora outro povo que se entregue com alma e coração a estes sentimentos, que os abrace e guarde com tanta ternura como nós. O Segundo, a nossa história. Existimos oficialmente como nação desde 1143, apesar de o nosso território ter sido alvo de imensas conquistas e reconquistas desde há pelo menos 5000 anos. A nossa história é forte, é inegável, é nossa! O Terceiro, a variedade, complexidade e uso abusivo de palavras aumentadas sinteticamente utilizando o sufixo "ões". Palavrões, portanto.

Em Faro, estes 3 aspectos reúnem-se em harmonia no café Bombordo. Situado bem no centro do núcleo histórico da capital algarvia, a Vila Adentro, perto da estátua de D. Afonso III, o rei que tomou o Algarve aos mouros, o Bombordo resiste ao avanço galopante do turismo que invade o sotavento algarvio esgotados que estão os recursos do barlavento. Uma réstia de Portugalidade e tipicidade, lutando ingloriamente contra o seu destino...

Uma esplanada com mesas e cadeiras de plástico, espaço fechado com 4 metros quadrados, especializado em Sagres, Super Bock e Carlsberg, o Bombordo, longe de ser uma taberna como outra qualquer, destaca-se das demais pelo atendimento e serviço prestado pelo seu proprietário, de tal modo que o café em si é conhecido não pelo seu nome de baptismo mas sim por outro bem mais apropriado: o Calotas!




O Calotas é conhecido por tratar todos os seus clientes por igual, não olhando a raça, credo ou sexo. Não interessa se é o Zé das Couves ou o Pedro Miguel Ramos, o Calotas não faz distinção entre clientes. Dali, toda a gente sai insultada! TODA! Recordo aqui com alguma saudade a minha primeira experiência no Calotas, sem qualquer aviso prévio daquilo que me esperava:

- Quero uma cerveja...

- Vai buscar, caralho!

- Vou buscar? Como assim?

- És burro ou comes merda? Vai buscar a puta da cerveja à puta da arca, caralho!

Amor à primeira vista. A partir daí, todas as vezes que visitei o Bombordo, sou insultado de formas cada vez mais originais, o que me faz ter sempre vontade de voltar. Da última vez, o Calotas deu-me uma lição de civismo, misturando regras de etiqueta com ameaças à minha integridade física. Uma experiência extra-sensorial. O Bombordo está sempre cheio, mesmo em noites frias e chuvosas, o que me leva a crer que não seja o único a encarar os mimos distribuídos aleatoriamente pelo Senhor Calotas como elogios gratificantes! Ninguém sai dali magoado, e o próprio comportamento do proprietário é fomentado e encorajado pela sua clientela.

Encarem este post como um aviso ou um convite. "Mija no espaço, consome no espaço!"

27.10.06

Filmes: Ataque dos Tomates Assassinos

Attaaaaaaaack of the killer tomatoes!
Attaaaaaaaack of the killer tomatoes!
They'll beat you, bash you,
Squish you, mash you,
Chew you up for brunch,
And finish you off, for dinner and lunch!

O Ataque dos Tomates Assassinos (Attack of The Killer Tomatoes, no original) é um clássico de série-B de 1978. Quando se fala de filmes terrivelmente maus, muitos são os que o usam como referência. Porém, quantos de vós viram realmente este filme? Eu próprio, que me assumo como tarado por filmes de baixa qualidade e orçamento nulo só mesmo muito recentemente tive a oportunidade de analisar as complexidades filosóficas desta obra. Segue-se resumo breve e sucinto da minha experiência com os Tomates Assassinos:



Objecto de estudo: Attack of the Killer Tomatoes (2 Disc Special Collectors Edition)

Tentativa #1

Dia: Quarta-Feira à tarde

Estado: Ressacado

Análise: Muito barulho, muito tomate, muita histeria, muita música de fundo, muita cantoria, muito sono, pouca paciência para tomates.

Veredicto: Sofá 1 Tomates Assassinos 0



Tentativa #2

Dia: Terça-Feira à noite

Estado: Cansado, mas desperto

Análise: O mundo vê-se a braços com um ataque planeado por tomates, que atacam indiscriminadamente toda a raça humana. Um grupo de cientistas altamente qualificados é designado para estudar a melhor maneira para erradicar o problema, e concluem que a solução passa por destruir os tomates a tiros de caçadeira. Mas como evitar uma hecatombe quando até o próprio sumo de tomate se revela letal? Nada melhor do que juntar uma task force de profissionais! Incluídos nesta equipa temos um mergulhador, um paraquedista, uma atleta que come cereais chamados "Steroids" ao pequeno almoço, e um mestre do disfarce com a missão de se vestir de tomate e infiltrar-se no acampamento inimigo. Tudo se revela infrutífero, até se descobrir que a única forma de dominar os tomates é através de uma canção ("Puberty Love" é o seu nome) verdadeiramente insuportável, tanto para fruta com pretensões a vegetal como para seres humanos (e espectadores).



O Ataque dos Tomates Assassinos está carregado de um amadorismo enternecedor. Os actores não têm noção de timing, alguns diálogos são (mal) dobrados, e os ataques que dão nome ao filme são inacreditáveis. No início da película, os tomates são vulgares, iguais aos que comemos na salada. Simplesmente rebolam para perto das vítimas, resmungando. A vítima grita, o tomate resmunga, a vítima cai para o chão, o tomate sobe para cima da vítima. Ataque consumado! Mais tarde, os seres maléficos evoluem, e tornam-se bolas vermelhas de papel celofane, resmungando ainda mais alto e rebolando mais rapidamente (graças a um complicado sistema de rodinhas e fios de nylon)! Em alguns dos ataques, é perfeitamente visível que os tomates estão a ser atirados para cima dos actores. Metade do orçamento deste filme foi gasto na mercearia. O restante foi utilizado para pagar o helicóptero emprestado que se despenha logo no início do filme, quase matando o actor principal e a equipa técnica.

A edição especial vem carregada de extras bem interessantes. Encontra-se nesta secção uma curta metragem de 8 milímetros que deu origem ao filme, uma visão sobre o que aconteceu aos actores passados quase 30 anos da sua estreia (o chefe da task force é agora dono de uma suinicultura, e Matt Cameron, que canta a inacreditavelmente irritante "Puberty Love", tornou-se no baterista dos Pearl Jam) e um peculiar documentário baseado na tentativa de impedir a criação deste filme por parte do governo dos Estados Unidos, bem antes de se começarem a produzir alimentos alterados geneticamente, entre muitas outras guloseimas.

Veredicto: Ataque dos Tomates Assassinos não se limita a ser estúpido. Ataque dos Tomates Assassinos eleva a estupidez a um patamar nunca antes alcançado! A estupidez de Ataque dos Tomates Assassinos chega a ser insultuosa! O Ataque dos Tomates Assassinos é o teste cooper da estupidez! Assistir aos 83 minutos de Ataque dos Tomates Assassinos pode tornar-se numa experiência transcendente, onde os limites da estupidez lutam constantemente com os da paciência. Ladrões de mercearias tornam-se budistas após o visionamento do Ataque aos Tomates Assassinos. O Ataque dos Tomates Assassinos deveria ser mostrado nos ciclos preparatórios em campanhas de prevenção contra a violência escolar.

É mau, e no entanto, hipnotizante e magnético. Filme obrigatório!

Excerto:

25.10.06

Discos: Damien Jurado - Rehearsals For Departure & On My Way To Absence

A beleza de se ter um blog é que podemos planear o que queremos fazer dele, quando queremos. Escolhemos um tema, arrumamos as ideias na cabeça, definimos o que queremos escrever, e quando finalmente temos algum tempo para meter mãos à obra, acabamos por não fazer nada daquilo que pensámos fazer. De que vale estar um mês a planear um post quando, no dia que definimos para o redigir, acordamos com vontade de escrever algo completamente diferente?

Tudo isto para dizer que hoje era para estar aqui um post relacionado com outra banda. Acontece que acordei com a música de Damien Jurado na cabeça, de modo que não vejo outro remédio senão libertá-la aqui...



Damien Jurado é um contador de histórias mascarado de singer-songwriter. Originário da chuvosa Seattle, Jurado imprime às suas criações o cinzentismo próprio do ambiente em que vive, com alguns (poucos) rasgos de luminosidade aqui e ali, predominando a guitarra acústica tocada com cuidado e primor. A sua peculiar voz e estilo musical valem-lhe a comparação ao grande Nick Drake, cuja influência Damien não nega, ao colocar recentemente na internet uma soberba versão do clássico de Drake, Pink Moon.

Damien Jurado possui de momento 8 albuns no seu curriculum, sendo o mais recente And Now That I'm In Your Shadow, editado este mês. Destaco da sua discografia duas obras, por razões distintas:



Rehearsals For Departure, de 1999, é um album sobre relações humanas. Sobre as pessoas com quem vivemos, com quem crescemos, com quem nos cruzamos na rua, com quem criámos laços de amizade e amor. E sobre a fragilidade desses laços, de como tendem a partir-se. Um album acústico, simples, um tanto ou quanto amador, mas muito bonito, especialmente a nível lírico. O disco perfeito para reler cartas de amor antigas e rever fotografias de outros tempos em que tudo o que fazia sentido na altura deixou entretanto de o fazer. Destaque natural para Ohio, a primeira faixa, sobre uma jovem adulta que havia sido raptada pelo pai em pequena e deseja regressar para casa da sua mãe, no longínquo estado de Ohio.

Aprecio Rehearsals For Departure pela carga emocional que carrega na minha vida. Este foi o primeiro disco de Damien Jurado que me foi dado a ouvir, emprestado por uma pessoa com quem partilhei uma forte amizade mas que neste momento já não se encontra no meu restrito círculo de amigos. Lá está, laços partidos...

Por ser extremamente difícil de adquirir (só agora finalmente o encontrei, após anos de busca, graças à maravilhosa Alquimia), recomendo também o seu album de 2005:



On My way To Absence aponta para uma mudança no rumo musical para Damien Jurado, sem no entanto comprometer as suas raízes folk. Por aqui ouvem-se mais guitarras eléctricas e até laivos de electrónica, e liricamente, o desespero vai dando lugar à esperança. Um disco muito relaxante, melancólico sem ser depressivo, tido como o seu melhor até à data. Destaque para Fuel (gosto de músicas simples em viola de caixa), e a agridoce Simple Hello.

Damien Jurado é um artista que no vai ofertando pequenos tesouros quase envergonhados, quando a consistente qualidade do seu trabalho teima em não ser reconhecida. Creio no entanto que se Damien Jurado procura algo na vida, não será com toda a certeza reconhecimento.

20.10.06

Banda Desenhada: The Tick

Pergunta-me um amigo há uns tempos, no meio de uma conversa ultra-geek sobre banda-desenhada:

- Se pudesses ser um super-herói, quem serias?

Ao que eu respondi, alto e com convicção:

- The Tick!



- The Tick? O que é isso?

- The Tick era um super-herói que atingiu notoriedade nos anos 90, na altura do boom dos comics norte-americanos. The Tick, que em português significa "o carraça", funcionava como uma paródia a todo esse frenesim de livros de banda desenhada, ao mesmo tempo que prestava homenagem aos grandes ícones da BD, satirizando-os. A personagem ganhou algum culto em seu redor quando as suas aventuras foram transpostas para a uma série de animação e, mais recentemente, para uma outra série com personagens de carne e osso.

- Mas em que é que assentava esse comic?

- Basicamente, The Tick era um tipo vestido com um fato azul de carraça que combatia o crime, juntamente com Arthur, um contabilista envergando um traje de traça. No entanto, combater o crime revelava-se uma tarefa bastante difícil, uma vez que o mundo já se encontrava completamente lotado de super-heróis, que lutavam entre si pela captura dos vilões. Entre eles, existia por exemplo o The Caped Wonder (uma paródia ao Super-Homem, que perdia os poderes se lhe partissem os óculos), The Visible Man (um homem invisível, só que ao contrário), Wonder Maid (a Criada-Maravilha, baseada na Mulher-Maravilha) e The Running Guy (mais rápidos que dez homens rápidos).

A verdadeira força deste livro baseava-se na toada completamente surrealista e disparatada das desventuras deste personagem. Um dos poderes de The Tick era algo chamado "Drama Power", que lhe permitia ganhar um incremento de força à medida que as situações por ele vividas ficavam mais dramáticas. Os seus dentes eram à prova de bala e o herói tornava-se completamente invulnerável à noite, além de possuir um disfarce completamente original que lhe permitia passar despercebido entre a multidão.



- E isso encontra-se por aí?

- Dificilmente. A série original foi publicada originalmente em 1988, e é praticamente impossível de encontrar hoje em dia. No entanto, volta e meia surgem no mercado de importação algumas mini-séries, como por exemplo, a excelente The Tick: Days of Drama, editado pela New England Comics. A primeira temporada da série de animação saiu também recentemente em DVD.

- Hum, tudo isto me parece muito estúpido...

- Ah sim? Então e que Super-herói é que gostavas de ser?

- O Homem-Aranha.

- Então e qual é a diferença entre um homem com poderes de aranha e um com poderes de carraça?

- ...







Na verdade, a conversa decorreu mais ou menos assim:

- Se fosses um super-heróis, quem serias?
- The Tick. Um gajo vestido de carraça tem o seu charme com as meninas. E tu?
- O Homem-Aranha.
-Que falta de originalidade! Bora beber minis...