23.11.06

Filmes: The Bikini Bandits Experience

Assumo-me como fã das Bikini Bandits. Porquê? Não sei bem. Gosto do conceito. Míudas giras envergando diminutos bikinis e armas potentes é uma combinação ganhadora. O tal Girl Power que as Spice Girls tanto apregoaram para venderem mais uns disquitos. Só que esse Girl Power aplicado às Bikini Bandits transforma-se em machismo disfarçado de feminismo. Ou será que é ao contrário? Não me consigo decidir. As Bikini Bandits confundem-me.



As Bikini Bandits são na sua essência uma homenagem aos filmes de exploitation dos anos 70 e aos grupos de heroínas do estilo Anjos de Charlie. Consistem num bando de mulheres de pouca roupa e boas curvas (strippers de profissão, na vida real) que praticam o bem e a justiça de forma distorcida, lutando contra a G-Mart Corporation. As suas curtas-metragens obtiveram um culto considerável na internet, ganhando ainda mais notoriedade depois de serem as estrelas no videoclip de A Perfect Circle, The Outsider.

O relativo sucesso deste videoclip despertou a curiosidade (chamemos-lhe assim) de muitos, e as Bikini Bandits começaram a aventurar-se nas longas-metragens. A primeira foi baptizada de Bikini Bandits Experience.



O que dizer de Bikini Bandits Experience? A capa categoriza-o de "Pointlessly Depraved" e "A B-Movie Epic". É tudo verdade.

Não tem sentido. Tentar encontrar um sentido em tudo o que nos é mostrado à velocidade de uma rajada de metralhadora neste filme é um exercício herculeano. Imagens das Bandits a lavar carros com o seu próprio corpo são substituídas por excertos animados, que por sua vez são substituídas por conversas entre os produtores do filme, que por sua vez são substituídas por anúncios de produtos da G-Mart, que por sua vez são substituídos por imagens das Bandits a disparar contra a polícia. No meio disto tudo, temos uma espécie de enredo. Mas já lá chegaremos.

É depravado. Tudo neste filme transpira depravação. Anjos excitados, amor lesbiano, vilões que disparam raios laser do pénis, sexo com débeis mentais, um herói chamado Dirty Sanchez. E no entanto, de erotismo este filme tem muito pouco.

É um épico. Um épico amoral, mas ainda assim, um épico. O filme começa com um acidente de automóvel. As Bikini Bandits são enviadas para o inferno, onde o próprio diabo (Maynard James Keenan!), lhes faz uma proposta: Desvirginar a Virgem Maria (e assim prevenir o nascimento de Jesus), ou enfrentar uma eternidade de frigidez. As Bandits aceitam a missão, mas no momento em que estão prestes a desencaminhar Maria, são abordadas pelo Papa Ramone (Dee Dee Ramone!!), e decidem enfrentar o Diabo e todo o seu séquito. Salvando-se do seu destino, as Bikini Bandits estão livres para seguirem o seu estilo de vida, ajudando um grupo de ninjas (liderado por Corey Feldman!!!) a desmantelar uma rede de tráfico de débeis mentais que eram utilizados em filmes pornográficos (presidida por Jello Biafra!!!!)


É um filme de Série-B. Violência, depravação, bikinis, estrelas Rock, mau gosto, actores que não o são nem o sabem ser. Não sendo um bom filme, tem os seus momentos de magia. Se vale a pena ver ou não, isso depende do gosto (ou da falta de gosto) de cada um.


Trailer:

17.11.06

O melhor site de poesia brasileiro incluído num portal para escritores amadores

E já que andamos numa onda de enunciar os melhores do ano à la Hollywood, partilho hoje uma descoberta que me fez muito feliz.

Há uns meses atrás tive o privilégio de trabalhar com um indivíduo de 2 metros meio desajeitado de seu nome David (a malta chamava-lhe Dáviiiii) Quartieri. O David, além de ser uma jóia de moço, era também uma pessoa com uma cultura músical e bedéfila bem acima da média, e de fácil trato. Facilmente nos tornamos amigos. Depois, o David desapareceu e nunca mais se soube nada dele.

Até que nos entretantos recebo um e-mail, no qual descubro que não só o David está vivo e de saúde, como resolveu partilhar comigo uma das suas facetas que desconhecia: o David escreve (e bem, na minha opinião)! Assim, porque gosto do rapaz e da sua escrita, resolvi partilhá-la com todos vocês. O link é este.


Hoje pela manhã,
minha poesia me assassinou.
Não houve projéteis ou facas
motivos ou avisos.
Simplesmente me assassinou

Minha poesia me assassinou.
E já não encontro razões
pra navegar à deriva
comemomorar os meus dias,
ou refazer-me da dor.

Minha poesia me assassinou.
Sem cúmplices ou testemunhas;
seu crime perfeito me prostra
meu sangue é a sua resposta
em uma carta que ela criou.



David Quartieri ganhou sem margem para dúvidas o prémio de "Melhor Nova Amizade 2006". E, afinal, é isso que realmente conta.

16.11.06

Os melhores blogues 2006?

Descubro hoje que decorre uma votação para a eleição de "Melhor Blogue" de 2006, destinado a todos os blogues de Portugueses para Portugueses, promovido pelo Geração Rasca.

Pessoalmente, a minha opinião em relação a esta eleição está dividida. Por um lado, considerar-se um blogue o melhor é um terreno perigoso e subjectivo. Creio que um blogue é o espelho de uma personalidade. Se for feio ou bonito, lixo ou luxo, para todos ou só para alguns, um blogue é sempre um pedaço da alma de quem o mantém, requer sempre algum empenho, nem que seja mínimo. Considerar um blogue melhor ou pior em detrimento de outros é ferir um ego.

Porém, como disse o camarada Papo-Seco e muito bem, esta é uma excelente maneira de conhecer outros blogues que de outra maneira passariam despercebidos. Assim, elaborei a seguinte lista, tendo em conta os seguintes factores dois pontos parágrafo travessão:

- Blogues que me agradam;
- Blogues que visito regularmente;
- Blogues onde me sinta bem e sem constrangimentos;
- Blogues que me tenham marcado de alguma maneira em 2006;
- Blogues aos quais me linko.


Encarem esta lista não como os "melhores blogues", mas sim como mais uma série de recomendações...

"Melhor Blog" Individual Feminino: Insustentavel Leveza e Escrita, pela honestidade, simplicidade e boa onda.

"Melhor Blog" Individual Masculino: Por aqui tenho vários. O Ironia do Destino e o Abrupto Sexual conseguem sempre colocar-me um sorriso na cara, o 9-9 é uma bela fonte de informação musical, e o Contra Cultura é um blogue como o meu só que em bom. Incluo nesta categoria também o Dias Úteis. Apesar de ser um blogue de uma figura pública, transmite-me muita serenidade e paz de espírito, levando-me a crer que o Pedro Ribeiro é um tipo porreiro. Agora reparo que não me linko a ele. Vou já tratar disso.

"Melhor Blog" Colectivo: Desconfio de blogues colectivos. Demasiados egos à mistura. Um blogue colectivo do qual gostava era o BlogCafé. Estava a ir no bom caminho, até começarem todos à bulha e aquilo implodir. Mas mesmo a implosão teve a sua pinta.

"Melhor Blog" Temático: O TóColante (postais de propaganda do antigamente) e o E Deus Criou a Mulher (meninas bonitas). Já não sei muito bem se o Cromo dos Cromos (cromos de futebol) é um blogue ou um site, mas pelo sim pelo não, incluo-o à mesma nesta categoria.

"Melhor Blog": Não é segredo para ninguém. O meu blogue favorito é o Uma Sandes de Atum. Por não ter pontuação, por não ter preconceitos, e principalmente, por não ter pretensões.

"Melhor Blogger": W., por ser o blogger mais porreiro que conheço pessoalmente!



Edit: Reparo agora que me esqueci de muitos outros blogues dos quais gosto e por onde passo momentos agradáveis, mas agora também não vou alterar nada. Desculpem qualquer coisinha...

14.11.06

Discos: Gogol Bordello - Gypsy Punks Underdog World Strike

De pé, oh vítimas da Pop! De pé, famélicos da música! Está para estalar mais uma revolução! Chegam ao Contraculturalmente os Gogol Bordello!



Gogol Bordello é uma banda Punk de New York, que se distingue das demais pelo ecletismo dos seus instrumentistas e pela extravagância do seu front-man, o inenarrável Eugene Hütz. Por aqui pontuam um baterista, um baixista e uma bailarina Norte-Americanos, um acordeonista e um violinista Russos, uma outra bailarina Tailandesa, um guitarrista Israelita e um vocalista Ucraniano, compondo um caldeirão musical que junta a fúria do Punk versão The Clash e da música cigana Balcânica ao dub Jamaicano, passando pelos ritmos latinos. Longe de serem indigestos, os Gogol Bordello são antes uma força da natureza tanto em estúdio como ao vivo, muito por culpa do violinista, das bailarinas/performers e do Che Guevara de Chernobyl, Sr. Hütz, o que se pode comprovar numa breve saltada ao Youtube.

Album mais recente, recomendação óbvia, Gypsy Punks Underdog World Strike, de 2005.



Gypsy Punks Underdog World Strike é um album insano, pleno de humor e boa disposição, visível em títulos como Think Locally, Fuck Globally e Start Wearing Purple. O vocalista, no seu carregado sotaque de Leste, diverte-se apelidando todas as mulheres de "Sally" nas letras de Gogol Bordello, num misto de Ucraniano, Árabe, Espanhol e Inglês. Por detrás de toda a festa e alegria, existe também em Gypsy Punks Underdog World Strike um lado de consciência política que poderá escapar numa primeira audição. A música Immigrant Punk destaca-se pela critica ao tratamento recebido pelos emigrantes nos Estados Unidos (e no mundo, já agora). Um pouco à maneira de Manu Chao, mas, e eu como fã de Manu Chao e Mano Negra nunca pensei em dizer isto, ainda mais festivo e forte, um grande circo misturado com casamento cigano, festarola de aldeia e Punk cosmopolita. Uma ode à vida! Legalize Gogol Bordello!

9.11.06

Banda Desenhada: Superman Vs Muhammad Ali

Possuo um ódio de morte pelo Super-Homem. Poderia justificar esse meu ódio recorrendo ao velho ensinamento que meu pai me transmitiu um dia (homem que veste cuecas vermelhas por cima das calças nunca poderá ser super), mas não o vou fazer. O meu ódio é muito mais profundo e justificável. Citando directamente o genérico da série de animação subordinada à personagem, Superman, um ser perfeito, inquebrável e invencível, luta pela verdade, justiça e o "American Way". Ora, tendo em conta os eventos do passado mais recente envolvendo a política externa dos Estados Unidos, juntar "American Way" às palavras justiça e verdade não cola. A primeira aparição de Superman, aliás, foi na forma de um vilão superpoderoso com pretensões à conquista mundial. Que positivo para nós que Superman tenha sido posteriormente convertido à causa americana...

Posto isto, adoro quando o grande herói Americano de Krypton leva uma bela sova. Especialmente quando essa sova é aplicada pelo autodenominado "maior lutador de todos os tempos", o grande, o inimitável, o artista anteriormente conhecido por Cassius Clay, Muhammad Ali!



Superman vs Muhammad Ali é apenas um dos muitos livros de banda desenhada nos quais celebridades de carne e osso se unem a personagens da 9ª arte, um género muito em voga nos anos 70. E se a ideia de se juntar o maior pugilista de todos os tempos ao maior canastrão desenhado de todos os tempos vos parece ridícula (porque é), o certo é que este livro vendeu como ginjas nos idos de 1978.

A história começa com uma invasão extra-terrestre. Os aliens, sedentos de sangue, propõem à humanidade que eleja o seu melhor lutador para defrontar o campeão inter-galáctico num combate de boxe. Se o campeão terrestre vencer, os invasores partirão em paz. Caso contrário, espera-nos milénios de escravidão, dor e sofrimento.

Dois lutadores assumem a responsabilidade. Superman (que devia ter sido desclassificado logo à partida por não ser terrestre) e Muhammad Ali. Ambos têm de lutar para se decidir qual será o representante do planeta azul na maior batalha de todo o cosmos (segundo os entendidos).

Superman vs Muhammad Ali é um livro de banda desenhada datado, que reflecte o mundo nos anos 70. Muitos dos extra-terrestres são claramente inspirados no Star Wars, que havia estreado poucos meses antes, Muhammad Ali havia perdido o título de campeão mas continuava a ser o maior, Sony Bono ainda tinha a cabeça em cima dos ombros (se olharem bem para capa, poderão ver a sua cabeça sobre o ombro do Batman) e Superman, apesar de canastrão, era simpático e divertido, à imagem dos heróis de BD mainstream da época. A arte deste livro, hoje em dia muito retro, ganha pontos especialmente por isso mesmo, e este livro é constitui bonita uma curiosidade para todos os amantes de banda desenhada.

E, caso estejam interessados no resultado do combate...



Superman levou tautau! Muhammad salva a terra! Obrigado, salvador Ali! Na verdade o Superhomem que leva tautau do senhor Ali era um impostor e o verdadeiro Superhomem disfarça-se de Clark Kent para poder fugir ao combate e salva assim o mundo, o que não deixa de ser uma cobardia da parte do "homem de aço"...





Comprovem a canastriçe machista de Superman em Superdickery.com.

4.11.06

Livros: Sr Bentley o Enraba-Passarinhos

Senhor Bentley, o Passarinheiro, o Passarão, O Enraba-Passarinhos. O Lambe-Lambe, o paneleiro corno-de-merda, peneirento, o caga-lume, o apaga-lume, o arrebita-a-nabiça, ai arrebita-arrebita!; Senhor Bentley, o Visitador de Cemitérios. Ó.



Tenho por hábito visitar várias livrarias semanalmente especialmente para saber as novidades em termos de livros técnicos. Passo sempre um bom bocado a folhear livros de ornitologia (a minha actual profissão centra-se essencialmente na observação e identificação de aves), espremendo-os até perderem completamente o interesse. Depois, agarro num romance e levo-o para casa, deixando os livros de passarinhos para outra altura.

Numa visita recente a uma dessas livrarias, encontro, entalado entre títulos como "Onde Observar Aves no Sul de Portugal" e "Collins Bird Guide", algo que me chamou a atenção. Um pequeno livro rosa-choque, perdido naquela secção mas completamente desavergonhado, de seu nome Sr. Bentley O Enraba Passarinhos, escrito por uma tal Ágata Ramos Simões. Compro-o só pela subversidade e coragem do título. E ainda bem que o fiz.

Descubro que Ágata Ramos Simões é uma jovem operadora de Call-Center que alterna a sua profissão com a paixão da escrita, sendo Sr. Bentley o Enraba Passarinhos já o seu terceiro livro. Escrito algures entre 2003 e 2004, e tendo sido recusado por 17 (dezassete!) editoras até conseguir chegar à tipografia graças à Saída de Emergência já em Janeiro de 2006, Sr. Bentley é um belo livro sobre um homenzinho sádico, crápula e mau de indumentária vitoriana que se diverte a enganar, manipular e ridicularizar todos os que o rodeiam. Completamente non-sense e agressivo, fruto de uma relação improvável entre Boris Vian e Happy Noodle Boy, mas com um toque muito seu, Virgílio Bentley é simplesmente hilariante! As visitas a campas desconhecidas no cemitério, os chazinhos com a enfadonha Miss Joyce, as conversas com o próprio diabo, as idas às casas de putas, as conversões aos tele-evangelistas, tudo é escrito com um refinado sentido de humor, que nos aperta o estômago e nos faz verter uma ou outra lágrima de tanto rir! Verdadeira pedrada no charco!


Sigam o trabalho de Ágata Ramos Simões no seu blog, escrita.blogspot.com.

Leiam a entrevista à autora, cortesia Bad Books don't E-Zine.

E passem os olhos pelo primeiro capítulo de Sr. Bentley O Enraba Passarinhos, aqui.

1.11.06

Troca de Galhardetes

Hoje, o meu contador de estatísticas revelou-me uma agradável surpresa: descobri que tenho (mais) um irmão!

O Contra Cultura (contraculto.blogspot.com) é um blog de estética similar ao Contraculturalmente. Nesse cantinho da blogosfera, analisam-se filmes, livros, jogos de computador, BD e muita música, destacando-se pelo bom gosto que falta quase sempre aqui pelo meu espaço. O primor e empenho que Bruno Taborda imprime aos seus textos transpira amor e dedicação, e apesar de as postagens não serem muito frequentes, vale toda a pena visitá-lo. Memorizem então a morada, e acolham-no.

31.10.06

Tascas: Calotas

Como Portugueses, três aspectos nos distinguem das demais nações. O primeiro aspecto é a eterna melancolia na qual estamos envolvidos. O fado, a saudade, o saudosismo... Não há por esse mundo fora outro povo que se entregue com alma e coração a estes sentimentos, que os abrace e guarde com tanta ternura como nós. O Segundo, a nossa história. Existimos oficialmente como nação desde 1143, apesar de o nosso território ter sido alvo de imensas conquistas e reconquistas desde há pelo menos 5000 anos. A nossa história é forte, é inegável, é nossa! O Terceiro, a variedade, complexidade e uso abusivo de palavras aumentadas sinteticamente utilizando o sufixo "ões". Palavrões, portanto.

Em Faro, estes 3 aspectos reúnem-se em harmonia no café Bombordo. Situado bem no centro do núcleo histórico da capital algarvia, a Vila Adentro, perto da estátua de D. Afonso III, o rei que tomou o Algarve aos mouros, o Bombordo resiste ao avanço galopante do turismo que invade o sotavento algarvio esgotados que estão os recursos do barlavento. Uma réstia de Portugalidade e tipicidade, lutando ingloriamente contra o seu destino...

Uma esplanada com mesas e cadeiras de plástico, espaço fechado com 4 metros quadrados, especializado em Sagres, Super Bock e Carlsberg, o Bombordo, longe de ser uma taberna como outra qualquer, destaca-se das demais pelo atendimento e serviço prestado pelo seu proprietário, de tal modo que o café em si é conhecido não pelo seu nome de baptismo mas sim por outro bem mais apropriado: o Calotas!




O Calotas é conhecido por tratar todos os seus clientes por igual, não olhando a raça, credo ou sexo. Não interessa se é o Zé das Couves ou o Pedro Miguel Ramos, o Calotas não faz distinção entre clientes. Dali, toda a gente sai insultada! TODA! Recordo aqui com alguma saudade a minha primeira experiência no Calotas, sem qualquer aviso prévio daquilo que me esperava:

- Quero uma cerveja...

- Vai buscar, caralho!

- Vou buscar? Como assim?

- És burro ou comes merda? Vai buscar a puta da cerveja à puta da arca, caralho!

Amor à primeira vista. A partir daí, todas as vezes que visitei o Bombordo, sou insultado de formas cada vez mais originais, o que me faz ter sempre vontade de voltar. Da última vez, o Calotas deu-me uma lição de civismo, misturando regras de etiqueta com ameaças à minha integridade física. Uma experiência extra-sensorial. O Bombordo está sempre cheio, mesmo em noites frias e chuvosas, o que me leva a crer que não seja o único a encarar os mimos distribuídos aleatoriamente pelo Senhor Calotas como elogios gratificantes! Ninguém sai dali magoado, e o próprio comportamento do proprietário é fomentado e encorajado pela sua clientela.

Encarem este post como um aviso ou um convite. "Mija no espaço, consome no espaço!"

27.10.06

Filmes: Ataque dos Tomates Assassinos

Attaaaaaaaack of the killer tomatoes!
Attaaaaaaaack of the killer tomatoes!
They'll beat you, bash you,
Squish you, mash you,
Chew you up for brunch,
And finish you off, for dinner and lunch!

O Ataque dos Tomates Assassinos (Attack of The Killer Tomatoes, no original) é um clássico de série-B de 1978. Quando se fala de filmes terrivelmente maus, muitos são os que o usam como referência. Porém, quantos de vós viram realmente este filme? Eu próprio, que me assumo como tarado por filmes de baixa qualidade e orçamento nulo só mesmo muito recentemente tive a oportunidade de analisar as complexidades filosóficas desta obra. Segue-se resumo breve e sucinto da minha experiência com os Tomates Assassinos:



Objecto de estudo: Attack of the Killer Tomatoes (2 Disc Special Collectors Edition)

Tentativa #1

Dia: Quarta-Feira à tarde

Estado: Ressacado

Análise: Muito barulho, muito tomate, muita histeria, muita música de fundo, muita cantoria, muito sono, pouca paciência para tomates.

Veredicto: Sofá 1 Tomates Assassinos 0



Tentativa #2

Dia: Terça-Feira à noite

Estado: Cansado, mas desperto

Análise: O mundo vê-se a braços com um ataque planeado por tomates, que atacam indiscriminadamente toda a raça humana. Um grupo de cientistas altamente qualificados é designado para estudar a melhor maneira para erradicar o problema, e concluem que a solução passa por destruir os tomates a tiros de caçadeira. Mas como evitar uma hecatombe quando até o próprio sumo de tomate se revela letal? Nada melhor do que juntar uma task force de profissionais! Incluídos nesta equipa temos um mergulhador, um paraquedista, uma atleta que come cereais chamados "Steroids" ao pequeno almoço, e um mestre do disfarce com a missão de se vestir de tomate e infiltrar-se no acampamento inimigo. Tudo se revela infrutífero, até se descobrir que a única forma de dominar os tomates é através de uma canção ("Puberty Love" é o seu nome) verdadeiramente insuportável, tanto para fruta com pretensões a vegetal como para seres humanos (e espectadores).



O Ataque dos Tomates Assassinos está carregado de um amadorismo enternecedor. Os actores não têm noção de timing, alguns diálogos são (mal) dobrados, e os ataques que dão nome ao filme são inacreditáveis. No início da película, os tomates são vulgares, iguais aos que comemos na salada. Simplesmente rebolam para perto das vítimas, resmungando. A vítima grita, o tomate resmunga, a vítima cai para o chão, o tomate sobe para cima da vítima. Ataque consumado! Mais tarde, os seres maléficos evoluem, e tornam-se bolas vermelhas de papel celofane, resmungando ainda mais alto e rebolando mais rapidamente (graças a um complicado sistema de rodinhas e fios de nylon)! Em alguns dos ataques, é perfeitamente visível que os tomates estão a ser atirados para cima dos actores. Metade do orçamento deste filme foi gasto na mercearia. O restante foi utilizado para pagar o helicóptero emprestado que se despenha logo no início do filme, quase matando o actor principal e a equipa técnica.

A edição especial vem carregada de extras bem interessantes. Encontra-se nesta secção uma curta metragem de 8 milímetros que deu origem ao filme, uma visão sobre o que aconteceu aos actores passados quase 30 anos da sua estreia (o chefe da task force é agora dono de uma suinicultura, e Matt Cameron, que canta a inacreditavelmente irritante "Puberty Love", tornou-se no baterista dos Pearl Jam) e um peculiar documentário baseado na tentativa de impedir a criação deste filme por parte do governo dos Estados Unidos, bem antes de se começarem a produzir alimentos alterados geneticamente, entre muitas outras guloseimas.

Veredicto: Ataque dos Tomates Assassinos não se limita a ser estúpido. Ataque dos Tomates Assassinos eleva a estupidez a um patamar nunca antes alcançado! A estupidez de Ataque dos Tomates Assassinos chega a ser insultuosa! O Ataque dos Tomates Assassinos é o teste cooper da estupidez! Assistir aos 83 minutos de Ataque dos Tomates Assassinos pode tornar-se numa experiência transcendente, onde os limites da estupidez lutam constantemente com os da paciência. Ladrões de mercearias tornam-se budistas após o visionamento do Ataque aos Tomates Assassinos. O Ataque dos Tomates Assassinos deveria ser mostrado nos ciclos preparatórios em campanhas de prevenção contra a violência escolar.

É mau, e no entanto, hipnotizante e magnético. Filme obrigatório!

Excerto: