
A Year in the Merde narra a história de Paul West, cidadão britânico solteiro e bem-apessoado, que se desloca à capital francesa contratado para planear a abertura de uma cadeia de salões de chá no país da Torre Eiffel. Ao longo de um ano, Paul West descobre uma nação onde a liberdade sexual impera, onde as greves se acumulam de semana para semana, onde toda a gente diz bom dia e boa tarde e se cumprimenta com dois beijinhos (ai que medo, os germes), onde existem feriados e pontes e o país pára nos meses de Verão, onde as prostitutas de rua declamam poesia popular e onde nem toda a gente fala inglês (que horror!). Tudo é escrito num tom bem-humorado, com recurso ao estereótipo e a uma sucessão de azares e mal-entendidos.
A Year in the Merde é uma leitura leve e bem-conseguida. O grande problema (ou ponto de interesse) deste livro é a sua tendenciosidade. Paul West (ou melhor, Stephen Clarke, o autor de A Year in the Merde) é um inglês com ares e manias de cavalheiro superior, ridicularizando para isso os Franceses por terem uma cultura diferente da sua. O simples facto das tomadas de electricidade serem diferentes é motivo de chacota. Os Franceses que tentarem falar Inglês sem dominarem a língua são rebaixados, quando a própria personagem não consegue articular duas palavras seguidas de Francês. Dei por mim a fazer o impensável: Defender os Franceses e torcer para que este indivíduo sufoque com um croissant mal mastigado.
A Year in the Merde mostra ao leitor que os Ingleses não só não entendem os Franceses (e os países latinos de um modo geral), como também estão demasiado maravilhados com o seu próprio umbigo para repararem no adubo que os cãezinhos largam nos passeios dos nossos países e assim partirem as suas perninhas e bracinhos. Das centenas de pessoas que são hospitalizadas todos os anos na França por escorregarem em bosta de cão, mais de 80% são turistas, e uma larga parte desses mesmos turistas são provenientes de países Anglo-Saxónicos. Depois deste livro, não tenho pena nenhuma deles.











