22.2.07

Séries: Invader Zim

Invader ZIM é um pequeno soldado alienígena do planeta Irk, banido após ter praticamente destruído o seu mundo natal na sua primeira missão. Após muita insistência, é-lhe oferecida uma segunda oportunidade a ZIM como forma de redenção: contribuir para a expansão do império Irkeano, tendo para isso a missão de conquistar um planeta longínquo nos confins do universo, com o estranho nome “Terra”. Chegando a esse tal planeta “Terra”, ZIM procura aniquilar a raça humana, tendo como única força de oposição um menino obcecado pelo oculto e paranormal de seu nome Dib Membrane.



Mais uma criação do genial Jhonen Vasquez, que aqui se estreia na animação, Invader ZIM é um desenho animado infantil direccionado para gente grande, razão pela qual a série acabou por ser cancelada pela Nickelodeon a meio da segunda temporada. Sem grande surpresa, o enredo de Invader ZIM gira em torno do alienígena e de GIR, o robô com estupidez artificial possuidor de uma estranha fixação por porcos e derivados, e da sua demanda em transformar a terra na próxima estância de férias dos Irkeanos, um pouco à semelhança do que os Ingleses fizeram do Algarve.

Os episódios são completamente imbecis, sendo a estupidez de ZIM e GIR especialmente insultuosa. Num dos episódios, uma borbulha nasce na testa de ZIM, que descobre que a sua pequena erupção cutânea tem o poder de hipnotizar os humanos. Para disfarçar, desenha-lhe uma cara e baptiza-a de Pustulio.

As edições em DVD de Invader ZIM são também um mimo. Os episódios comentados pelo realizador Ted Raimi e pelos argumentistas Jhonen Vasquez e Roman Dirge (Lenore, the Cute Little Dead Girl) poderão, por exemplo, ser substituídos por comentários suínos, e nas opções de legendagem, podemos ver a série legendada em Irkeano (embora o Português não esteja disponível, sendo este um DVD que se encontra em lojas de importação ou por encomenda na internet).



Para quem conhece o trabalho de Vasquez em BD (Johnny The Homicidal Maniac, Squee!) Invader ZIM é essencial. Para quem gosta de desenhos animados, imbecilidade, bons diálogos, piadas escatológicas e, acima de tudo, suínos, Invader ZIM é uma excelente proposta.

19.2.07

Filmes: Frankenhooker

Jeffrey, Um electricista com apetência para a ciência participa num barbecue na casa de sua sogra, resolvendo nesse evento testar a sua mais recente invenção, o corta-relvas comandado à distância. Subitamente, como se ganhasse vida própria, o corta-relvas ataca a namorada de Jeff, deixando apenas um braço e a cabeça por retalhar. Jeffrey passa a ter como missão trazer de volta ao mundo dos vivos a vida ceifada por aquele corta-relvas do inferno. É este o início de Frankenhooker, de 1990.



Frankenhooker é o filme que junta pela primeira vez o fascinante universo de Frankenstein com o não-menos fascinante mundo da prostituição de rua. Jeff, consumido pela culpa, utiliza todos os seus conhecimentos para reanimar a sua namorada retalhada. Para tal, resolve utilizar pedaços de prostitutas para completar o corpo da sua amada. O problema é que Jeff é um homem de princípios, e como tal, assassinar está fora de questão. Solução: Um espectacular novo invento, uma droga que, a ser fumada, causa a explosão do corpo da vítima. Jeffrey reúne assim um assinalável grupo de senhoras da vida para uma orgia de sexo e drogas, completa com luz, cor, nudez explícita, nádegas e seios voando pela sala fora. Reunidas as partes corporais necessárias, subitamente a falecida amada regressa à vida. Porém, com um corpo refeito à base de várias prostitutas, a reacção natural da Frankenhooker é voltar a atacar na rua...



Frankenhooker não é, obviamente, um filme de terror, mas sim uma comédia negra das mais imbecis. Como se tudo o que foi escrito até aqui não chegasse para convencer o leitor desse facto, acrescente-se que o cientista necessita de efectuar esporadicamente escavações na sua própria cabeça recorrendo ao auxílio de um berbequim para o ajudar a pensar com mais clareza, e qualquer acto de cariz sexual com Frankenhooker implica reacções eléctricas e mais membros explosivos, desta feita órgãos reprodutores dos infelizes clientes desta amálgama de prostitutas. Divertimento sem malícia para toda a família!

Frankenhooker dificilmente se encontra à venda, pelo que a solução para encontrar esta maravilha da 7ª arte terá de passar pelo download ilegal (coff*torrents*coff). Um fantástico filme mau. Um terrível filme bom. Uma bosta com pinta!

Trailer:

15.2.07

Noutros assuntos...





Já sei que LOVE
Tu me ensinaste, é amar, é acarinhar
Canta comigo, amor:
LOVE!
Se me enganar nas sílabas
Vamos recomeçar!



FELIZ DIA DOS ENCALHADOS!

14.2.07

Discos: Suburban Kids With Biblical Names - #3

Existe um brinquedo novo para todos os melómanos que dá pelo nome de Last.fm. Este programa/site analisa toda a música ouvida nos nossos computadores pessoais, criando listas das nossas preferências musicais, e apresentando tanto pessoas com gostos similares como sugestões baseadas naquilo que ouvimos. Obviamente que o programa não se limita a estas opções, existindo ainda a oportunidade de ouvir "rádios" baseadas em tags que vão sendo atribuídas às musicas pelos utilizadores, e um milhar de outras pequenas opções que só fazem sentido para quem usufrui desta maravilha dos tempos modernos. Resumindo, um last.fm bem utilizado pode dar a conhecer praticamente tudo o que se faz musicalmente pelo mundo fora, com tudo o que de bom e de mau possa resultar da experiência. As possibilidades são infinitas.

Entre as descobertas que me foram apresentadas, a que me assentou melhor até à data foi uma pequena banda independente chamada Suburban Kids With Biblical Names.




Os Suburban Kids With Biblical Names são dois jovens Suecos, praticantes de uma Pop simples e bem-humorada, criada nos corredores e armazéns da casa de seus pais, e depois transposta para computador onde são adicionados uma série de efeitos que lhes dão vida. As suas músicas encontram-se repletas de referências a outros bons artistas (Pavement, The Smiths, Silver Jews, aos quais foram buscar o nome para a banda), e ainda que este projecto não se deixe levar muito a sério, os Suburban Kids With Biblical Names editaram já dois EPs e um album, intitulado #3.



#3, o curioso disco de estreia dos Suecos, é simples, directo e estranhamente viciante. Às melodias acústicas são coladas batidas electrónicas, palmas, uivos, xilofones e tudo o que se soltar da imaginação da dupla. Deste caldeirão saem belas cantigas de fazer bater o pé no soalho. Grande parte das canções saltitam entre o alegre e o eufórico, apesar das vocalizações serem graves, por vezes soturnas. Exemplo perfeito encontra-se no tema Funeral Face, uma canção Kuduro-Callypso-Mariachi-Eurodance cheia de energia sobre um stalker que não sabe sorrir.

Aliadas às melodias estão as letras meio idiotas. O refrão de Rent A Wreck não passa de uma repetição de "babababababababa". Em Trees and Squirrels pode-se ouvir "That silly night I did the Macarena with somenone named Karina... Woke up with sore lips and a belly full of cappucino!". Um disco inteligente e inocente, para pessoas bem dispostas ou em vias de boa disposição.

13.2.07

Banda Desenhada: Battle Pope

(Eu sei que vou para o Inferno por isto. No dia em que a minha alma for pesada, tenho a certeza que o São Pedro vai dizer "Hum... Tu escreveste isto assim assim... Desculpa lá, pá, não temos vagas aqui no nosso clubinho!". Mas isto é bom demais para não partilhar. Paciência, logo penso nisso quando o mafarrico me estiver a fritar no seu wok...)



Battle Pope narra a vida de um possível Santo Padre, treinado desde tenra idade pelo Papa anterior e pelo próprio Bruce Lee para se tornar no líder da igreja católica. No entanto, Battle Pope perde-se nos prazeres da carne e nos vícios da bebida, vivendo uma existência amoral, bem longe dos ideais que supostamente deveria defender. Inevitavelmente, o dia do juízo final chega à terra, e de entre um punhado de escolhidos para entrar no reino dos Céus, Battle Pope encontra-se na lista dos 668848300 condenados (número aproximado) a uma eternidade de dor e sofrimento. A raça humana entra numa sangrenta batalha contra os demónios de Belzebú pelo domínio da terra. Eventualmente, um tratado de paz é assinado entre os senhores do mundo e o Mafarrico, encerrando-se os portões do Inferno. Porém, um punhado de demónios procura ainda causar o caos no nosso planeta. Nosso Senhor não tem outra opção senão recorrer ao seu filho Jesus H. Christ e a Battle Pope para manter a paz na terra, dando-lhes a missão de resgatar o guardião do planeta azul, Saint Michael, entretanto raptado pelas forças do mal.



Uma Banda Desenhada que não se quer levar a sério, Battle Pope pega na fé de milhões e atira-a ao chão violentamente, espezinhando-a e varrendo-a de seguida para debaixo do tapete. E fá-lo com uma grande pinta. Um Papa que fuma charuto, pragueja como uma carroceiro e ainda tem uma fivela no cinto com a inscrição Pope para que não haja dúvidas quanto à sua identidade é de uma heresia muito cool. Todos os chavões associados ao Catolicismo estão nesta série, devidamente destorcidos. A título de exemplo, no número 3, Jesus é crucificado pelos demónios. Quando Battle Pope lhe pergunta se está em agonia, Jesus responde "Não é tão mau como parece, chavalo, é como tomar um duche quente, dói como o caraças ao princípio, mas depois um gajo habitua-se...".

Para os interessados, Battle Pope é editado pela Funk-O-Tron, e pode ser encomendado nas lojas da especialidade, podendo eventualmente ser encontrado à venda no nosso país com muita, muita sorte. O primeiro número encontra-se disponível online (a cores, pela primeira vez) e é completamente grátis! Clicai aqui, hereges sacripantas!

12.2.07

Livros: Producções Fictícias - 13 Anos de Insucessos

Tiros Certeiros:

- Entrevistas Históricas, Boião de Cultura e Herman Zap, para o Parabéns (RTP1, 1992 a 1995);

- Contra Informação (RTP 1, 1996 a esta data);

- Herman Enciclopédia (RTP 1, 1996 e 1997);

- HermanDifusão Portuguesa (Antena 1 e Antena 3, 1998, ainda as tenho em cassete BASF gravadas à pressa antes de ir para a escola);

- Major Alvega (RTP 1, 1998);

- Conversa da Treta (Antena 1, 1998 e SIC, 1999);

- Paraíso Filmes (RTP 1, 2001, queremos a série completa em DVD );

- O Programa da Maria (SIC, 2002);

- Gato Fedorento (Em Blog, livro, 4 edições em DVD e roupa interior masculina perfumada, SIC Radical e RTP 1, 2003 a esta data);

- Inimigo Público (Suplemento do Público, 2003 a esta data).

Todos estes produtos foram gerados na casa que continua a marcar o ritmo do humor no audiovisual Português: As Produções Fictícias.




O livro Produções Fictícias - 13 Anos de Insucessos procura traçar o percurso desta produtora, desde a sua pré-história na sala número 27 da Travessa da Fábrica dos Pentes até aos projectos para 2006 (altura em que o livro foi editado). Num misto de historial com antologia e album de família, neste livro temos acesso livre às almas criadoras que ajudaram a provocar as mais sonoras e memoráveis gargalhadas na última década e meia, os seus amores e desamores (relatos de violência física pelo meio) entre eles próprios, as private jokes e as alarvidades que caíram na boca do povo, os processos de escrita o meio do caos, ilustrando que Roma e Pavia não se fizeram num dia, com quase tantos tiros certeiros como tiros ao lado, sem ignorar os dolorosos e necessários tiros no pé.

Pistas para desvendar o grande mistério sobre o verdadeiro autor d'O Meu Pipi, a inclusão da versão original não-censurada da infame "A Última Ceia" (será que ninguém mete isso no Youtube?), os flyers e notas de imprensa da Paraíso Filmes, a génese do Gato Fedorento e dos Cebola Mol, relatada com um tom quase nostálgico mas longe da lamechice, e uma grande imensidão de humor de primeira apanha, tudo condensado num potente e volumoso canhenho que se lê em duas viagens de autocarro Faro-Lisboa, Lisboa-Faro.

Destaque para o seguinte trecho, sobre um certo senhor que neste momento está a ser (injustamente, a meu ver) crucificado na sua própria casa por muita gente com ideias pré-concebidas sobre um certo programa com muito potencial para crescer (aposto que para o mês que vem anda meio Portugal a papaguear "Beijinho booom"... Lembram-se da tareia que o Herman Enciclopédia levou aquando a sua estreia? Pois, eu também já me tinha esquecido), trecho esse que, embora possa parecer apatetado tirado assim do contexto, revela que este senhor é um ser humano e não um macaquinho que existe para entreter :

"Enquanto Pina, o do humor corrosivo e espontâneo, lançava as mãos à cabeça, perguntando «Mas como é que este gajo [vulgo: Miguel Viterbo, o do humor imperceptível] até sabe de pintura de barcos?!», Markl, o novato assustado, fugia com frequência para perto de um microondas, pondo o prato rotativo a funcionar com um bule de chá dentro por lhe proporcionar uma sensação de calma capaz de superar os berros de Nuno e Viterbo, disputando decibéis em discussões sobre sintaxe e semântica ou sobre férias no campo ou na praia.

Parece que, certa noite, desesperado por um raio de sol, Nuno Artur desabafou: «Quem me dera ir para a praia! Estou farto!» Segundos depois já Viterbo, cuja mundividência se caracteriza por ser diferente da do mais comum dos mortais, se lançara furiosamente no combate desta declaração: «Isso de ir para a praia é uma ideia absolutamente deprimente! Férias na praia! Que deprimente!» E continuaram por aí fora: «Mas deprimente porquê?», perguntava Nuno; «É um conceito estúpido, esse do calor e da praia», ripostava Miguel; «Mas porquê?», insistia Nuno. Markl evadiu-se para o seu improvisado estúdio zen no momento em que o tema em apreço resvalou para «o lazer nas sociedades contemporâneas». Em frente ao microondas, já nem queria saber dos cinco textos que tinham que entregar a Herman José às dez horas dessa mesma manhã..."

11.2.07

Diz-se por aí que me ando a baldar para este blog...

...e é absolutamente verdade! Não tenho tido tempo/paciência/vontade de escrever aqui nos últimos meses, e como resultado o volume de trabalho acumula-se como nunca aconteceu por estas paragens. Envergonha-me o definhamento do meu espaço justamente na altura em que é publicada uma entrevista que dei sobre ele...

Assim sendo, como pessoa desorganizada, pouco metódica, relaxada e perguiçosa que sou, aposto a vida do meu blog em como irei publicar os 10 posts que estão em falta até ao final do mês!

Or else...

30.1.07

Sortido: Almanaque Borda D'Água

"Chamamos-lhe o Velho da Cartola. Era o homem que fazia as previsões. Este jornalito que traz debaixo do braço pensamos que vem do tempo em que se punha a informação à beira dos rios para quando chegavam os nossos navegadores terem notícias. O Velho da Cartola era o meteorologista da época e pendurava esta folhinha na margem do rio, com uns alfinetes ou umas molas. Assim terá nascido o Almanaque Borda d'Água". Narcisa Fernandes, sócia-gerente da Editorial Minerva.




Com praticamente 80 anos de existência, o Almanaque Borda D'Água é uma das mais antigas publicações Portuguesas em actividade. Geração após geração, milhares de Lusitanos ainda cumprem o ritual de adquirir nas bancas o velhinho Almanaque a um preço ainda relativamente simpático, impresso em papel ordinário que se torna amarelecido passadas poucas semanas, abrindo de seguida o canivete para separar as páginas cheias de ciência, mezinhas e sabedoria popular que continuam a vir teimosamente coladas umas às outras.

Hoje em dia, o Almanaque Borda D'Água enquadra-se na categoria a que eu gosto de apelidar "Literatura de Viagem de Curta Distância". É cada vez mais difícil parar num semáforo num dos nossos "grandes" centros populacionais sem sermos abordados por emigrantes de Leste que, mesmo sem saber ler nem falar o Português, nos tentam enfiar um almanaque pela janela das nossas viaturas. Perde-se no pregão, ganha-se em divulgação.

E no que consiste o maravilhoso Almanaque? Bonitas histórias da Disney? Lindas fotonovelas da Gina? Infelizmente não. Basta ler a capa para se saber exactamente com o contamos: "Reportório útil a toda a gente, contendo os dados astronómicos, cívico e religiosos e muitas indicações de interesse real." Ou seja, o Borda D'Água é Portugal em 24 páginas.

A edição de 2007 abre com um editorial relacionado com a situação no Médio Oriente, o perigo dos pesticidas e a necessidade de regressar à agricultura biológica. "Os governos e políticos, apesar de todo o seu alarido, passam, mas os agricultores continuarão trabalhando com suor e amor, abrindo as suas almas aos raios e brisas, unindo conscientemente o céu e a terra, gerando frutos belos e bons, e vendo e sentindo bem a omnipresença Divina na Natureza pródiga." Resumindo, só Deus e a agricultura biológica salvam!

Depois temos: Eclipses, festas e romarias, informações astrológicas, melhores alturas do ano para plantar abóbora e espinafre e batata e couve e todas as leguminosas, tabelas de marés, orações, um útil capítulo intitulado "Da Influência da Lua na Agricultura", e lindos ditados populares ("Não faças tanto caso das coisas pequenas que das grandes te olvides").

Destaque maior para a rubrica Manual de Sobrevivência, um texto que almeja a melhoria da qualidade de vida do leitor. Pérolas da rubrica:

- Sinais de reconhecimento de derrame cerebral: peça para sorrir, para levantar os braços e para dizer uma frase simples. Se houver dificuldades, dirija-se a um serviço de urgência;

- Cuidado com os alimentos rançosos;

- Tenha cuidado com o telemóvel no bolso direito ou junto do coração e carregue as baterias longe de si;

- Quanto mais amor der às plantas e animais, mais qualidade recolherá nos frutos e em si próprio;

- A melhor colheita é de manhã. Mas a do Amor humano e divino, a toda a hora, é para a Eternidade.


Na próxima edição da rubrica "Literatura de Viagem de Curta Distância", a revista Cais.

14.1.07

Filmes: Coffee and Cigarrettes

Roberto Benigni e Steven Wright encontram-se para tomar café e conversar um pouco, mas não se conseguem entender. Às tantas, Steven despede-se, dizendo que tem de ir ao dentista. Roberto, num acto de boa-fé, oferece-se para ir por ele, já que tem algum tempo livre.

Joie Lee e Cinqué Lee encontram-se para tomar café e discutir sobre o quão diferentes são um do outro, apesar de serem gémeos. O empregado, Steve Buscemi, ao reparar no grau de parentesco dos seus clientes, não consegue conter-se e desata a disparatar sobre a teoria de que o irmão gémeo de Elvis não morrera à nascença como se pensa, mas terá substituído o Rei quando este decide acabar a sua carreira. Só assim se justificam as roupas horríveis, a obesidade e o período Las Vegas de Elvis Presley.

Iggy Pop encontra-se com Tom Waits para tomar café, e decidem fumar uns cigarros para celebrarem as suas respectivas longas abstinências de nicotina. Iggy Pop é um fã deslumbrado de Tom Waits, Tom Waits é arrogante e agressivo para com Iggy Pop.

GZA e RZA dos Wu Tang-Clan encontram-se para tomar chá e conversar sobre os malefícios do café e os benefícios das medicinas alternativas. O empregado do bar é Bill Murray, que resolve trabalhar no local para satisfazer os seus vícios de café e cigarros. Como solução para acabar com o seu catarro, os rappers incitam Murray a beber uma solução de água da torneira com água destilada.



Estes são apenas alguns dos momentos mais bem conseguidos de Coffe and Cigarettes, uma colecção de 11 curtas-metragens em torno do acto social de beber café e fumar cigarros. Este projecto que Jim Jarmush desenvolveu entre 1989 e 2003 está cheio de excelentes momentos de humor, estranheza, melancolia e conversa despretensiosa, num misto de diálogos ensaiados e improvisados, e de silêncios desconfortantes. Alguns segmentos são bem melhores que outros, mas com toda a certeza este filme representa um retrato coeso de um acto que para nós é considerado banal e corriqueiro. Os vícios do ser humano acompanhados pela necessidade de socializar e trocar experiências. Se estão a tentar deixar a nicotina e/ou a cafeína, afastem-se de Coffee and Cigarettes. Caso contrário, abracem-no.



Trailer: