3.7.08

Discos: Sigur Rós - Með Suð í Eyrum Við Spilum Endalaust

Sigur Rós, a banda Islandesa mais internacional do momento, volta à carga este ano com o seu quinto album de originais.



O mais recente de Sigur Rós, baptizado com um impronunciável Með suð í eyrum við spilum endalaust é um disco que merece ser ouvido. E faz por merecê-lo por ser completamente diferente dos registos anteriores, sem perder as características etéreas que são a sua imagem de marca. O primeiro avanço, Gobbledigook, é alegria e delírio puro, assim como Við spilum endalaust. Nota-se neste disco uma banda à procura de novos portos, largando a melancolia e abraçando a esperança. No entanto, é em faixas mais aproximadas aos Sigur Rós de antigamente que este album brilha. Festival representa tudo o que de bom podem entregar os Islandeses. Destaque ainda para All Alright, a primeira canção dos Sigur Rós cantada em Inglês.

Em suma, temos aqui um disco que agradará certamente aos fieis da banda, e ao mesmo tempo com capacidade para alargar ainda mais o culto. Vale a pena embarcar em mais um capítulo e deixar-se levar ao sabor da maré. É um delírio, é um deleite, é um prazer. Concerto no dia 11 de Novembro, no Campo Pequeno de Lisboa.

Site Oficial: www.Sigurros.com

MP3: Festival

27.6.08

Re-abertura

Era uma vez um rapaz que tinha um blog. E o rapaz gostava de o ter. Todos os meses, esse rapaz enchia o seu lar digital com resenhas de discos, filmes, livros e pedacinhos de etc. E as pessoas gostavam. E o rapaz ficava feliz.

E depois as coisas descambaram. A vida começou a correr menos bem ao rapaz, os posts começaram a rarear, as pessoas foram deixando de gostar do que o rapaz escrevia, e o rapaz foi deixando de gostar de ter um blog. E então o blog começou a perseguir o rapaz, qual tamagotchi, implorando por comida e atenção. E o rapaz tomou uma atitude:



E enquanto os coveiros tapavam a campa e as carpideiras cuspiam nas pedras, o rapaz mudou. Mudou de ares, mudou de amores, mudou de mentalidade. E, eventualmente, voltou a ser feliz. E o seu blog ergueu-se da campa e saltou para nova morada.

Resumindo, reactivei o Contraculturalmente, mas com algumas diferenças:

1 - O blog vai deixar de ter obrigatoriamente um número fixo de temas mensais. Se me apetecer passar um mês inteiro a falar de música, ficarei um mês inteiro a falar de música.

2 - O blog vai deixar de ter número fixo de posts por mês. Há-de ficar à míngua muitos meses...

De resto, vou tentar recuperar alguns dos posts do blog antigo (os que interessam) para o arquivo deste, antes de o apagar de vez. E vou tentar escrever coisas novas. Já lá vai um tempo, mas como diz Nuno Prata, "há futuro enquanto conseguirmos rir". E eu rio-me com pouco.

1.10.07

Fim





Vou-me embora, mas deixo os posts. Até à próxima!

5.6.07

Sortido: Nada

Este mês, na secção "Outros Cultos" tenho simplesmente zero. Nicles. Népia. NADA!

NaDa™ é um dos poucos softwares que faz precisamente aquilo para o qual foi programado, sem qualquer bug ou falha técnica. NaDa™ não acelera a placa gráfica. NaDa™ não toca MP3 nem reproduz vídeo. NaDa™ não altera os icones do computador. NaDa™ não crasha. NaDa™ é um programa que, simplesmente, não faz nada! E fá-lo muito bem!

Segundo os autores:

NaDa™ é um simples documento que o fará sentir-se bem consigo mesmo.
NaDa™ não ocupa espaço significativo no disco rígido, tendo apenas um byte.
NaDa™ não faz nada com extrema eficiência.
NaDa™ não rebenta com os ciclos do processador porque na verdade não está lá a fazer nada.
NaDa™ não utiliza memória.

Portanto, e resumindo, o NaDa™ é apenas um dos muitos programas que temos nos nossos computadores e que nunca usamos e que acabamos por nos esquecer deles. Só que o NaDa™ foi mesmo desenhado especificamente para ser esquecido. E só pela sua honestidade e pelo facto de, bem, não fazer nada, toda a gente devia fazer o download desta maravilha do Software moderno. Funciona perfeitamente em qualquer computador, sistema operativo e mesmo telemóvel.

O download pode ser feito na página oficial do produto (que é como quem diz, aqui).

1.6.07

Filmes: O Ninja das Caldas

Isto passou-se há muitos anos, quando entrei para o Ensino Superior pela primeira vez. A entrada para o ensino superior é uma altura muito crítica na vida do jovem adulto, em que tudo é novidade, e há um montão de pessoas diferentes para conhecer, e segredos para partilhar. No meu ano de caloiro foi-me partilhado um segredo muito bem guardado: um apartamento a cair de velho, por cima de um café frequentado por toda a escória de Leiria, onde as cenas de pancadaria se sucediam todos os dias. A renda era extremamente barata e a sala era suficientemente grande para poderem pernoitar 10 pessoas ao mesmo tempo, fora todas as outras espalhadas pelos quartos. Além disso, a casa ficava muito bem localizada, perto da escola e dos bares. Naturalmente, a casa do Colonial, como ficou baptizada, passou a ser o ponto de encontro de todos os meus amigos, conhecidos e mesmo pessoas com quem tivesse trocado um "olá" um dia. Numa altura em que o conceito de privacidade era uma miragem na minha própria casa, não era invulgar chegar à sala e deparar-me com cenas de sexo entre pessoas que desconhecia totalmente, e cheguei ao cúmulo de mandar embora uns 4 ou 5 marmelos que nunca tinha visto na vida, quando os mesmos me tocam à campainha com uma pizza e 3 garrafas de cerveja nas mãos... Bons tempos...

28.5.07

Discos: The Polyphonic Spree - The Beggining Stages of The Polyphonic Spree & Together We're Heavy

Mais do que uma banda, os The Polyphonic Spree são antes um cruzamento entre uma comunidade Hippie, um culto religioso e um grupo coral que ficou aprisionado dentro de um Peyote gigante nos anos 70, conseguindo sair para o mundo real apenas para ver nascer o novo Milénio.







Os Polyphonic Spree nasceram da mente de Tim DeLaughter, vocalista, ensaiador e única face visível e identificável do colectivo. DeLaughter havia feito parte dos Tripping Daisy até 1999, altura em que a banda implodiu com o falecimento do seu guitarrista. Em 2000, os membros sobreviventes dos Tripping Daisy foram convidados para abrir um concerto de Granddaddy. Em vez de reabrir feridas antigas, Tim DeLaughter e os seus comparsas dedicaram-se a criar uma nova banda que misturasse Rock Sinfónico com coros. À volta deste conceito juntaram-se 13 músicos, baptizados The Polyphonic Spree. Actualmente, o número de músicos ronda os 20-25, mudando constantemente face a disponibilidade das pessoas envolvidas.



A banda em si consiste num grupo coral com mais de uma dezena de elementos, complementado com guitarra, órgão, bateria, baixo, violino, trompete, theremin, harpa, teclados, trombone, ferrinhos, caixinha chinesa, reco-reco e todo e qualquer instrumento possível e imaginário. Com esta variedade de instrumentos, é de esperar que o seu som seja cheio e pormenorizado, pleno em harmonia, nunca deixando que o ouvinte se deixe levar por sentimentos mais negros, antes pegando-lhe pelos pulsos e soltando-os pelo ar. The Polyphonic Spree são uma celebração de alegria e bondade entre os homens, claramente radiosos numa época em que esses valores caíram em desuso. Lembram-se dos Up With People, nos programas do Júlio Isidro dos anos 80? The Polyphonic Spree faz lembrar a energia desse colectivo, mas com muito melhor gosto musical.



Além da banda sonora para Thumbsuckers (que teria sido composta por Elliott Smith, se o mesmo ainda fosse vivo), os Spree possuem 2 albuns de originais, com mais um na calha. Enquanto não é editado The Fragile Army (previsto para 19 de Junho), podem ir-se ambientando com os dois discos da banda, The Beggining Stages Of..., de 2002:







E Together We're Heavy, de 2004:







Ambos os discos são bastante coesos, ficando Together We're Heavy a ganhar por possuir uma produção mais cuidada e um som mais cheio. No entanto, em The Beggining Stages of... encontra-se aquela que é simplesmente a melhor música dos The Polyphonic Spree, o maior levantador de moral que tive de oportunidade de ouvir nos tempos mais recentes, uma pequena injecção de felicidade perigosamente extrema que na contracapa do cd se denomina como Section 9 (Light & Day/Reach for the Sun). A título de curiosidade, todas as músicas encontradas na discografia oficial dos Spree são baptizadas de Sections, como se cada secção formasse um todo, o que reforça ainda mais a ideia de coesão e continuidade. Por exemplo, o primeiro album termina com a Section 10 (A Long Day), enquanto o segundo arranca com a Section 11 (A Long Day Continues/We Sound Amazed).




Para os interessados em saber em que universo se move a música dos The Polyphonic Spree, o tempo investido em www.questfortherest.com é bem gasto. Este site consiste num jogo (estilo aventura gráfica) no qual Tim DeLaughter tem de encontrar a sua restante trupe. Este jogo (que se termina rapidamente, com muita pena minha) foi criado para promover Together We're Heavy, sendo que a banda sonora e o imaginário icónico está a cargo da banda.



27.5.07

Banda Desenhada: The Walking Dead

Rick Grimes é um polícia de província, casado e com um filho. Vivendo uma vida calma e recatada, Grimes é alvejado por um criminoso no único dia em que teve de disparar um tiro contra alguém. Algumas semanas mais tarde, Grimes acorda no hospital. Ao seu redor não existem outros pacientes. Não há enfermeiras nem médicos nos corredores. As crianças não brincam na rua. A sua família desaparecera. A casa do seu vizinho está ocupada por duas pessoas estranhas empunhando caçadeiras. E, por todo o lado, o cheiro a putrefacção emana. Rick Grimes perdera tudo na vida menos a própria vida, que está prestes a ser roubada por uma horda de mortos-vivos. Começa assim a melhor série de banda desenhada relacionada com zombies de sempre, The Walking Dead.







O autor é Robert Kirkman, grande fã de filmes de zombies, especialmente dos realizados pelo grande George A. Romero. Kirkman pega no universo zombie criado por Romero e expande-o, levando a que esta série seja uma homenagem a filmes como Night of the Living Dead e Dawn of the Dead (já aqui analisado há quase dois anos atrás), mas podendo também ser encarada como um relato de acontecimentos paralelos no mesmo enquadramento destes filmes. Kirkman, frustrado com o carácter definitivo dos finais da maioria dos filmes de zombies, criou The Walking Dead como um relato alargado do Apocalipse, no qual as suas personagens têm tempo para crescer e mover-se dentro do possível, sem a pressão dos créditos finais. Kirkman demonstrou interesse em que The Walking Dead durasse para sempre, mas como tudo acaba um dia, contenta-se por esticar a série até ao limite do aceitável. Por enquanto a qualidade da mesma está neste momento ao mesmo nível do seu início: Altíssima. O argumento é rico em voltas e reviravoltas, e a arte, a preto e branco, reduz algum impacto visual mais grotesco dando profundidade às personagens. Tal como uma novela, em The Walking Dead existe um equilíbrio de um acontecimento bom por cada 15 acontecimentos maus, que levam o leitor a pensar que mais poderá acontecer aquele bando de desgraçados.









Apesar de este ser um livro de zombies, o ponto fulcral de The Walking Dead não são os mortos. A atenção da série está quase exclusivamente virada para os vivos, com especial ênfase para as suas reacções face à catástrofe com que se viram obrigados a lidar e as suas estratégias de sobrevivência. É claro que por aqui se encontram sangue, tripas e corpos em decomposição, mas o mais importante da série é mesmo a evolução de cada personagem quando confrontados com a falta de comida e combustível, a neve do inverno, a procura de um local seguro para poderem viver, a gravidez, o nascimento e a perda de entres queridos. São os diferentes traços de personalidade que separam as pessoas dos mortos-vivos. Há de tudo, desde o polícia bom ao polícia mau, o casal americano xenófobo, o senhor de idade com as suas "sobrinhas", adolescentes suicidas, campónios que guardam zombies no celeiro enquanto a cura para a sua condição clínica não chega, assassinos... Pessoas boas, pessoas más, pessoas que fazem falta quando são devoradas num mundo onde claramente são uma espécie em vias de extinção.




Editado pela Image, The Walking Dead continua a sair regularmente para o mercado. Os TPB 1 até ao 6 estão disponíveis nas lojas de banda desenhada importada (os meus vieram da Ghoul Gear), e seguramente, mais ainda estarão a caminho. Leiam-nos com cautela e em doses pequenas se forem capazes: The Walking Dead é demasiado viciante para a saúde das nossas carteiras.

22.5.07

Livros: O Principezinho

Li O Principezinho pela primeira vez tinha eu 8 anos. Achei a história divertida, mas não lhe prestei muita atenção. Na altura gostava mais do Tio Patinhas do que de livros com muitas letras. Voltei a ler O Principezinho aos 16 anos, e fiquei aprisionado pela mensagem do livro. Passei a comprar O Principezinho compulsivamente, de tal forma que a senhora da livraria da minha terra já sabia ao que vinha quando entrava pela porta a dentro com uma nota de 5 contos ganhos merecidamente pelos meus serviços como servente de pedreiro, o meu primeiro emprego num belíssimo historial de exploração patronal. Ofereci O Principezinho a toda a gente que conhecia: Aos meus pais, ao meu irmão, aos meus amigos, às minhas namoradas, ao cão da vizinha. Cheguei a traduzir passagens do livro para Inglês (estupidez minha, já que este livro é o segundo mais traduzido no mundo, atrás da Bíblia) em cartas dirigidas a uma Belga que acabou por se tornar "só amiga". E no entanto, nunca possuí uma cópia daquele que é o meu livro favorito de sempre. Até que anos depois, já a febre d'O Principezinho passada e a mensagem esquecida, a minha mãe resolve oferecer-mo. "Deste este livro a tanta gente, é justo que o tenhas também", disse-me ela. Este post é escrito com a Dona Elisete Baratizo no pensamento. Obrigado, mãe!

10.5.07

Sortido: Borscht

Há uns longos e saudosos meses atrás, mais propriamente em Dezembro de 2006, o shôr psiquiatra aconselhou-me vivamente a tirar umas férias para descontrair longe de tudo e de todos. Como animal social que sou, convenci um velho amigo a vir passear comigo por aí, na sua Volkswagen modelo "Mil Novecentos e Oitenta e Poucos". Esse meu amigo convidou por sua vez uma amiga dele, que por força das circunstâncias acabou por se tornar minha amiga também. A amizade é uma doença contagiosa que se apanha uns dos outros.

As férias foram passadas no litoral Alentejano. Desses dias, recordo o frio que passámos, as conversas longas e interessantes, a vodka pura com duas pedras de gelo e uma rodela de limão, as cervejas com torresmos e aquela que ficou apelidada de Sopa de Bife com Natas, conhecida além fronteiras como Borscht.

O Borscht é um prato nascido na Ucrânia, e tradicionalmente associado aos países do Leste da Europa. Baseado fortemente na beterraba (que garante à sopa a sua característica cor-de-rosinha e um forte sabor a terra), um bom Borscht é o equivalente Kosovar à nacional sopa da pedra, pois à beterraba podem ser adicionados praticamente todos os ingredientes existentes. A receita altera-se de país para país, consoante a abundância de leguminosas e gosto gastronómico de cada nação. A título de exemplo, em Hong-Kong a beterraba é substituída por tomate, e na Polónia existe ainda uma variante de Borscht à base de farinha de centeio. Nos Estados Unidos (como não poderia deixar de ser), pode-se encontrar nos supermercados Borscht para Microondas.

Oficialmente, a variante Portuguesa desta sopa não existe. Atento a este grave problema, contactei a minha amiga de road-trip (Olá Sara!) para me escrever a receita daquela sopa que nos acarinhou o estômago e a alma. As restantes linhas são da sua responsabilidade:

Borscht à Portuguesa

- Para 3 pessoas (Sara, Jay e Carca) no meio do nada numa caravana com as condições mínimas de sobrevivência

Ingredientes:

- 1 frango pequeno
- 2 batatas
- 1 cenoura grande (ou 2 pequenas)
- 1 beterraba grande
- sal
- 1 pacote de natas
- 1 cebola pequena
- Azeite

Falar com o frango já depenado e dizer-lhe que ele vai servir para canja. Cozê-lo com sal em água suficiente para dar para 3 pratos de sopa para cada um dos esfomeados.

Descascar as batatas e cenoura aos quadraditos (nota: podem ser outros legumes….mas estes foram os que se arranjaram… com cogumelos também é fixe)

Assim que o frango estiver cozido, retirá-lo da panela e nessa água cozem-se os legumes.

O Jay desfia o frango e vai deixando uns perdigotos enquanto sopra para que seja tudo mais rápido porque estamos cheios de fome. A Sara vai descascando a beterraba e o Carca está no meio dos sacos-cama à procura de um ralador…

BABRUSNY….encontrado…

Faz-se um refogado e coloca-se a fritar a beterraba já raladinha… mexe-se até ficar naquele ponto que só nós é que sabemos..ai a fome!!!!

Juntam-se as natas à beterraba ainda ao lume e começamos a ver um espesso creme cor-de-rosa muito bem mexido porque a isto tudo se juntou muito amor e carinho.

Já com os legumes cozidos, à beterraba feita em creme junta-se tudo na panela e deixa-se estar a apurar, enquanto vamos provando de sal…

E já está!

Bom apetite!


Nota: E depois de se comer a sopa de Bife com Natas, os matchis ficam a beber cerveja enquanto a cozinheira lava a loiça e limpa a carrinha!