7.11.08

Livros: O crocodilo que voa

"Está para sair um livro com entrevistas suas... Esse livro é uma merda! Isso é uma aldrabice. É bom para andar por essas pequenas editoras."



O crocodilo que voa é um compêndio de entrevistas feitas a Luiz Pacheco, escritor libertino, pederasta, ex-presidiário, bisexual e uma das personagens mais ricas do universo literário Português. Um livro que reúne 16 anos de entrevistas, acompanhando Pacheco de lar de idosos em lar de idosos. Um livro onde o entrevistado conta as aventuras sexuais com magalas à beira-Sado, fala das suas ex-mulheres que o enganaram e que enganou e da quantidade de filhos que não lhe fala nem quer saber dele. Um livro onde um senhor de idade se queixa da quantidade alarmante de doenças com que padece. Um livro onde o entrevistado discorre sobre os seus pares, desde os plágios de Fernando Namora e as invejas de Vergílio Ferreira, aos assédios de Natália Correia à sua esposa aquando da estadia de Pacheco no Limoeiro. Um livro onde se fala da qualidade superior do disco "O Bicho", de Iran Costa!

A grande maioria das entrevistas são hilariantes, pela sinceridade de Pacheco e pela sua sagaçidade mental que não se viu diminuída pelo passar dos anos. Quase como uma biografia, O crocodilo que voa conta uma história de Portugal recente e alternativa, pelo olhar e língua afiada do Divino Marquês. Imperdível.

4.11.08

Pretty

3.11.08

5 versões nacionais

Não sendo propriamente um top, não havendo nenhuma ordem preferencial, aqui ficam cinco artistas e bandas nacionais fazendo versões de outros cinco artistas e bandas nacionais (e de um artista internacional):


MP3: Nuno Prata - Fala do Homem Nascido (original de Adriano Correia de Oliveira)


MP3: Margarida Pinto - Capitão Romance(Original de Ornatos Violeta)


MP3: Clã - Bairro do Oriente (Original de Rui Veloso)


MP3: Quinteto tati - Gota D'água(Original de Chico Buarque)


MP3: Balla - Oublá (Original de Mão Morta)

2.11.08

Pretty

24.10.08

Discos: Los Campesinos! - Hold On Now Youngster & We Are Beautiful, We Are Doomed

"We're undeveloped, we're ignorant, we're stupid, but we're happy..." - Los Campesinos! - You! Me! Dancing!


Dá-me um gozo tremendo descobrir bandas como os Los Campesinos! desde a sua génese até aos dias de hoje, em que editam o seu segundo disco! São as maravilhas da internet, ferramenta que nos permite acompanhar grupos como este, como se se tivessem juntado na minha garagem e não no País de Gales...

Os Los Campesinos! ("os los" não fica bonito, mas escrevo em Português e não em Castelhano, portanto...) são um grupo de moçoilos e moçoilas apaixonados pelo chamado Twee Pop e pelo Punk Hardcore (comprove-se na edição do single The International Tweexcore Underground, onde fazem versões de Heavenly e Black Flag), que adoram gritar e colocar distorção nas suas guitarras ao mesmo tempo que adoçicam as suas composições com violinos e xilofones. Toda esta mistura deixa uma sensação de que algo não está bem, como misturar azeite e água ou rojões à transmontana com caldeirada de cherne... Estranhamente, funciona pela originalidade.

Depois de um disco pirata, um EP e vários singles, no início desde ano foi editado o primeiro album do colectivo, Hold On Now, Youngster.



Hold On Now, Youngster reune a nata dos EPs editados anteriormente e junta-os a um punhado de novas composições igualmente vigorosas. Com um cuidado a nível lírico de qualidade superior para um grupo em que a média de idades anda pelos 20 anos, e títulos bem humorados como This Is How You Spell "HAHAHA, We Destroyed the Hopes and Dreams of a Generation of Faux-Romantics" e Broken Heartbeats Sound Like Breakbeats, os LC! colocam o pé no acelerador, só abrandando o ritmo quase insano na faixa escondida 2007: The Year Punk Broke (My Heart). Músicas curtinhas e orelhudas, apesar da convulsão musical.

A este disco junta-se agora um segundo, editado no final deste mês (e por isso mesmo ainda não o ouvi nem o saquei ilegalmente da internet... coff,coff...) , de seu nome We Are Beautiful, We Are Doomed.



Menos imediato que o seu antecessor, We Are Beautiful, We Are Doomed é ainda assim um disco bem disposto. A interacção rapaz-rapariga das vocalizações chega para colocar um sorriso no rosto e é o antídoto perfeito para estes dias cinzentos. Destaque para Ways to Make It Through the Wall e The End of the Asterisk. Gravado em 11 dias, esta edição que dificilmente chegará ao nosso país vem numa caixa feita à medida, juntamente com um DVD caseiro, um poster e uma fanzine de 32 páginas, prova viva da dedicação dos LC! ao DIY.

Site: http://www.loscampesinos.com/

MP3: My Year in Lists
MP3: The End of the Asterisk
MP3: How I Taught Myself to Scream (faixa inédita oferecida aos membros da mailing list dos Los Campesinos!)

23.10.08

Discos: dEUS - Vantage Point

Primeiro, há-que deixar uma coisa bem esclarecida: os dEUS acabaram. Os dEUS de The Ideal Crash e do sublime In a Bar Under the Sea deixaram de existir quando todos os membros que gravaram estes discos abandonaram a banda. Ficamos com Tom Barman, o vocalista de sempre, e com os seus amigos. Ficámos mal servidos? Ao ouvir o anterior Pocket Revolution, poderíamos assumir que sim. Mas eis que Vantage Point reacende a esperança na banda da Antuérpia.



Vantage Point, o "difícil segundo disco" que na verdade é o quinto dos dEUS, é uma pequena maravilha que cresce a cada audição. O rock espacial de Oh Your God, a doçura de Eternal Woman, a sexualidade auditiva de Slow e o destaque maior para a descarga energética de The Architect transformam o album num pequeno prazer para os ouvidos mais atentos.

Bastante distinto dos trabalhos anteriores (e a falta que um violino faz), o album peca por apresentar uma segunda metade um pouco mais fraca em relação às primeiras músicas, causando algum desinteresse... Vantage Point ainda não é aquele grande discaço de dEUS que queremos, mas não anda muito longe. Há esperança para o sexto-terceiro disco!

Entretanto, os dEUS estiveram novamente em Portugal esta semana, mas desta vez fiquei em casa. Se alguém viu algum dos concertos e quiser contribuir com uma pequena resenha, a caixa de comentários é já aí em baixo.

Site Oficial: http://www.deus.be/

MP3: Favourite Game
MP3: The Architect

19.10.08

RESSACA KOSOVAR - Zombie Wars & Rise of the Footsoldier

As ressacas kosovares tiveram origem há muito tempo atrás, nos meus tempos de estudante universitário. Na altura, tanto eu como os meus colegas de casa como os penetras regulares passávamos as tardes inteiras deitados em colchões espalhados pelo chão da sala, comendo porcarias e visionando filmes pela televisão, com destaque natural para películas de Charles Bronson, nosso muy amado guia espiritual, enquanto recuperávamos da noite anterior e ganhávamos coragem para a piela nocturna seguinte. No auge das ressacas kosovares, posso concerteza afirmar que passei perto de uma semana sem ver a luz do sol. Mas depois o tempo passou, começamos a descobrir que afinal também havia vida para além da ressaca e - pasme-se - terminámos os nossos cursos e seguimos os nossos caminhos.

Acontece que actualmente, o hábito das ressacas kosovares está a voltar em força, agora com novos intervenientes por força da minha localização geográfica actual, tudo gente ávida por ver filmes bonitos e comer porcaria gostosa. Os afazeres profissionais de cada um empurraram a ressaca kosovar para o Domingo, graças a Nosso Senhor o dia consagrado ao descanso.

Estes momentos de gloriosa indigência impelem-me para pela enésima vez reabilitar o meu espaço tão neglicenciado. A ressaca kosovar terá as seguintes condicionantes:

1 - Ter lugar na tarde seguinte a uma animada noite de copos (especialmente aos Domingos);

2 - Haverem coisinhas para comer;

3 - Ter pelo menos dois ressacados para comparar opiniões e ressacas;

4 - Visionar pelo menos um filme (eu tento sempre puxar a brasa à minha sardinha e tentar ver um filme mau, mas na verdade qualquer filme é passível de ser analisado).

Os filmes serão pontuados pela escala de Bronson, que vai de 0 (sem efeitos sobre o ressacado) a 5 (super-filme de ressaca). Não interessa se os filmes são grandes obras do cinema ou bostas fumegantes, o que interessa é o efeito dos mesmos sobre os nossos corpos maltratados pela cerveja e o rosé da noite anterior.

A sessão de hoje teve como intervenientes a Madalena, o Gineto, o Jimmy e eu próprio. Entre o manancial de coisinhas boas para comer, encontrava-se pão de alho, croissants de doce de ovo e a essencial bolacha maria. A sessão da tarde iniciou-se com:



Zombie Wars é o melhor filme de Zombies dos anos 80 filmado em 2006. É mal realizado, mal interpretado, mal filmado, mal escrito. As mudanças entre planos parecem ter sido feitas em Powerpoint. As decapitações (que abundam) são criadas (e mal) com o mesmo efeito de computador. O orçamento é claramente reduzido (o filme alterna entre um acampamento no mato e uma aldeola perdida sabe-se lá onde) mas o que impressiona é a convicção nas caras e nas atitudes daquelas pessoas em que estão a fazer um bom filme. Há ali amor à 7ª Arte!

Um acampamento de soldados (existem 12 acampamentos no total, mas só temos a oportunidade de conhecer um) tenta sobreviver ao holocausto zombie, fazendo investidas regulares no mato para tentar encontrar sobreviventes. Depois de encontrarem um grupo de senhoras atraentes e mudas, um dos actores principais é capturado pelos zombies e levado para a sua aldeia-fantasma. Ora neste local os mortos-vivos, que apesar de apenas grunhirem e arrastarem-se como qualquer morto-vivo que se preze, estão a fazer criação de seres humanos para se abastecerem de carne humana. É esse o twist do enredo. Os mortos, que não falam e sangram abundantemente, criam pessoas para terem sempre carne fresquinha para comer. E dão-se ao trabalho de dar banho aos humanos para estes não cheirarem mal. E alimentam-nos com cenouras. Zombies. Alimentam. Pessoas. Com cenouras. Medo!

Veredicto: Zombie Wars, apesar de mau, não agride o jovem ressacado por aí além. Consegue-se ver relativamente bem, até porque conta com pouco mais de uma hora de duração. E assim, o Bronson-meter acusa:




(um Bronson semi-nú em 5)


Passemos então para o filme seguinte:



Ah, Rise of the Footsoldier, de 2007! Nada como um pouco de ultra-violência para despoletar a ressaca! Neste filme, baseado em factos verídicos, acompanhamos a linda carreira do simpático Carlton Leach, desde o tempo de hooligan bruto e estúpido até à nobre profissão de gorila da máfia, passando naturalmente por porteiro de discoteca, segurança, correio de drogas e brutamontes que gosta de pregar pessoas ao chão.

Rise of the Footsoldier começa muitíssimo bem, com litros de sangue e machadadas na cabeça, mas infelizmente deixa fugir o gás todo e fica a saber a Coca-Cola Zero. Desvia-se do seu propósito inicial e perde-se a meio com a introdução desastrada de imensas personagens secundárias que nada acrescentam ao filme e que acabam despachadas rapidamente. O final do filme cheira a "oops, gastámos o orçamento todo em sangue falso, vamos acabar isto num instante que ainda conseguimos apanhar o Pingo Doce aberto e preciso de comprar uns iogurtes".

Veredicto: Footsoldier gostava de ter sido perfilhado por Scorcese, mas claramente não foi, e acabamos com um filme decente de Gangsters com violência da boa mas também com um ritmo um bocado atabalhoado que prejudica a sua fluidez, mas potencia o desconforto do jovem ressacado. Charles Bronson aprova com:





(dois Bronsons semi-nús em 5)




E é tudo na ressaca kosovar desta semana, esperamos que hajam mais em breve e que eu tenha paciência para documentá-las. Saravá!

3.7.08

Discos: Sigur Rós - Með Suð í Eyrum Við Spilum Endalaust

Sigur Rós, a banda Islandesa mais internacional do momento, volta à carga este ano com o seu quinto album de originais.



O mais recente de Sigur Rós, baptizado com um impronunciável Með suð í eyrum við spilum endalaust é um disco que merece ser ouvido. E faz por merecê-lo por ser completamente diferente dos registos anteriores, sem perder as características etéreas que são a sua imagem de marca. O primeiro avanço, Gobbledigook, é alegria e delírio puro, assim como Við spilum endalaust. Nota-se neste disco uma banda à procura de novos portos, largando a melancolia e abraçando a esperança. No entanto, é em faixas mais aproximadas aos Sigur Rós de antigamente que este album brilha. Festival representa tudo o que de bom podem entregar os Islandeses. Destaque ainda para All Alright, a primeira canção dos Sigur Rós cantada em Inglês.

Em suma, temos aqui um disco que agradará certamente aos fieis da banda, e ao mesmo tempo com capacidade para alargar ainda mais o culto. Vale a pena embarcar em mais um capítulo e deixar-se levar ao sabor da maré. É um delírio, é um deleite, é um prazer. Concerto no dia 11 de Novembro, no Campo Pequeno de Lisboa.

Site Oficial: www.Sigurros.com

MP3: Festival

27.6.08

Re-abertura

Era uma vez um rapaz que tinha um blog. E o rapaz gostava de o ter. Todos os meses, esse rapaz enchia o seu lar digital com resenhas de discos, filmes, livros e pedacinhos de etc. E as pessoas gostavam. E o rapaz ficava feliz.

E depois as coisas descambaram. A vida começou a correr menos bem ao rapaz, os posts começaram a rarear, as pessoas foram deixando de gostar do que o rapaz escrevia, e o rapaz foi deixando de gostar de ter um blog. E então o blog começou a perseguir o rapaz, qual tamagotchi, implorando por comida e atenção. E o rapaz tomou uma atitude:



E enquanto os coveiros tapavam a campa e as carpideiras cuspiam nas pedras, o rapaz mudou. Mudou de ares, mudou de amores, mudou de mentalidade. E, eventualmente, voltou a ser feliz. E o seu blog ergueu-se da campa e saltou para nova morada.

Resumindo, reactivei o Contraculturalmente, mas com algumas diferenças:

1 - O blog vai deixar de ter obrigatoriamente um número fixo de temas mensais. Se me apetecer passar um mês inteiro a falar de música, ficarei um mês inteiro a falar de música.

2 - O blog vai deixar de ter número fixo de posts por mês. Há-de ficar à míngua muitos meses...

De resto, vou tentar recuperar alguns dos posts do blog antigo (os que interessam) para o arquivo deste, antes de o apagar de vez. E vou tentar escrever coisas novas. Já lá vai um tempo, mas como diz Nuno Prata, "há futuro enquanto conseguirmos rir". E eu rio-me com pouco.