17.12.08

30 discos preferidos de 2008 (20-16)

Porque me apetece que a ordem seja esta, aqui fica a lista dos meus 30 discos preferidos editados em 2008. A terceira parte vai do número 20 ao 16.


20: Bonnie 'Prince' Billy - Lie Down in the Light



Desde 2003 que Will Oldham vem editando pelo menos um album por ano sob o pseudónimo de Bonnie 'Prince' Billy. Lie Down in the Light é mais Country que Folk, para ser ouvido junto à fogueira.

MP3: Easy Does It


19: Chad VanGaalen - Soft Airplane



Pouco sei sobre este artista plástico Canadiano, o que torna este disco num achado. Voz estranha, música reconfortante.

MP3: Willow Tree


18: Isobel Campbell & Mark Lanegan - Sunday at Devil Dirt




A menina dissidente dos Belle & Sebastian junta-se novamente ao senhor dissidente dos Queens of the Stone Age e fazem mais um grande disco de baladas, a trazer à memória Nick Cave quando este se dedicava mais aos duetos.

MP3: Seafaring Song


17: The Raconteurs - Consolers of the Lonely



Um grande disco de Rock and Roll que vai sendo esquecido injustamente. Jack White foi brincar aos zero-zero-setes com a Alicia Keys e a promoção deste album foi o que se (não) viu.

MP3: Salute Your Solution


16: Cat Power - Jukebox



O segundo disco de versões de Charlyn Marshall é menos minimalista que The Covers Record, continuando a seguir a sonoridade de The Greatest. Este é mais para ser ouvido à lareira, com uma garrafa de tinto e boa companhia.

MP3: Aretha, Sing One For Me

16.12.08

30 discos preferidos de 2008 (25-21)

Porque me apetece que a ordem seja esta, aqui fica a lista dos meus 30 discos preferidos editados em 2008. A segunda parte vai do número 25 ao 21.


25: Hercules and Love Affair - Hercules and Love Affair




Mais uma proposta para as pistas de dança, o album de estreia dos Hercules and Love Affair conta com os préstimos de Anthony Hegarty, finalmente saído da depressão (espera-se).

MP3: Time Will


24: Gnarls Barlkey - The Odd Couple



O segundo disco dos Gnarls Barkley é a meu ver bem superior ao primeiro, que continha uma bastardização de uma canção dos Violent Femmes e Crazy, um dos meus ódios de estimação mais recentes. Aqui está tudo mais coerente e limpinho.

MP3: Run (I'm a Natural Disaster)


23: Islands - Arm's Way



Onde os Gnarls Barkley melhoraram, os Islands pioraram. O seu segundo disco fica a anos-luz do album de estreia. Ainda assim, Arm's Way tem algumas boas malhas, nomeadamente The Arm e Abominable Snow. Pena essas músicas já existirem previamente à edição deste disco.

MP3: Abominable Snow


22: Peixe : Avião - 40.02



A crítica nacional que é muito dada a comparações afirma que os Peixe : Avião são os Radiohead Portugueses, mas eu acho que os Peixe : Avião são os Peixe : Avião Portugueses.

MP3: A Espera é um Arame


21: The B-52's - Funplex



Os B-52's regressaram, e com eles trouxeram a mesma fórmula de sempre. Divertido e inconsequente, os velhinhos vieram ensinar as novas gerações a dançar. Em boa hora.

MP3: Funplex

15.12.08

30 discos preferidos de 2008 (30-26)

Porque me apetece que a ordem seja esta, aqui fica a lista dos meus 30 discos preferidos editados em 2008. A primeira parte vai do número 30 ao 26.


30: Twinsoul - The Time is Now



Os Twinsoul aparecem nesta lista porque são meus amigos e porque não irão aparecer em mais nenhuma lista este ano. É sempre bonito celebrar quando os amigos fazem algo de produtivo, e este EP mostra-se promissor. Rock do bom, rapaziada! A edição de autor pode ser adquirida aqui.

MP3: In a Good Mood


29: Justice -



Electro-House bem feito, deram às pistas de dança um dos temas do ano, o delicioso D.A.N.C.E.

MP3: D.A.N.C.E.


28: Lenka - Lenka



Princezinha Pop à procura do lugar ao Sol. Ainda não foi desta, Lenka.

MP3: The Show


27: We Are Scientists - Brain Trust Mastery



São bons, estes cientistas, mas a espaços fazem-me lembrar os A-HA e isso causa-me calafrios.

MP3: Ghouls


26: Xiu Xiu - Women as Lovers



O album encarado pela banda como o mais acessível. Talvez tenha perdido um pouco de interesse por essa mesma razão, mas ainda assim continua esquisito q.b.

MP3: You Are Pregnant, You Are Dead

3.12.08

Comics Will Rott Your Brain



Uatafak?

5 concertos em 2008

Ainda estamos a um mês de 2009, mas já dei por encerrada a minha temporada de concertos, e deixo aqui a lista dos cinco que mais me impressionaram, por ordem cronológica. As fotos que dizem "espanta-espíritos" foram roubadas descaradamente à Rita Carmo. Já que é para roubar, rouba-se a quem sabe. As outras foram encontradas pela internet fora. Alguém me quer oferecer uma máquina fotográfica pelo Natal?

18 de Janeiro: The Go! Team @ Lux




Alguns problemas iniciais com o som, mas de resto uma bomba de energia que deixou o público do Lux a suar as estopinhas. Grandes animais de palco todos eles, com destaque para a vocalista Ninja e para o gajo da harmónica que não parava um segundo. Pontos altos em Flashlight Fight, Panther Dash e Huddle Formation, que meteu toda a gente a cantar.


29 de Abril: José González @ Aula Magna



José González, Sueco de ascendência Argentina, quase esgotou a Aula Magna naquela noite Primaveril ainda bem fria. Ora completamente sozinho, ora acompanhado por um percussionista e uma vocalista, José encheu a sala com o poder hipnotizante da sua guitarra acústica, um deleite mesmo quando o artista a afinava entre canções. Destaque para a versão de Teardrop e para Abram, a abrir o encore.


10 de Julho: MGMT @ Optimus Alive 2008



Uma boa surpresa, estes MGMT, no palco secundário do Optimus Alive. Bons em palco, se bem que um bocado queimaditos na cabeça. Um deles passou uma boa parte do concerto a rabiscar no braço. Desconhecia esta banda, o que tornou este concerto ainda mais especial. Destaque para Time To Pretend, Pieces of What e para as unhas que uma Irlandesa insistia em cravar nos meus sovacos (repetidamente). Ainda hoje as sinto.

10 de Julho: Rage Against The Machine @ Optimus Alive 2008



Ver um concerto de Rage Against The Machine era um sonho de adolescência. O colectivo não desiludiu e encheu o recinto do Optimus Alive. O pó tornava a atmosfera irrespirável, tal era o alvoroço generalizado. Fiz um amigo no Mosh. Concerto à antiga! Destaque para Testify, Bulls on Parade e Bullet in The Head.

11 de Novembro: Sigur Rós @ Campo Pequeno



Tivesse eu visto apenas o concerto de Sigur Rós no Campo Pequeno em 2008 e ficava satisfeito. Quase duas horas de espectáculo, um aplauso ensurdecedor antes do encore, dois regressos ao palco para agradecer (que a ASAE do Campo Pequeno não deixa tocar depois da meia-noite, ouvia-se). Projecções voluntárias e involuntárias, confettis, alegria! Quem diz que a música dos Islandeses é deprimente simplesmente não os compreende. Foi pena que as meninas das cordas e os meninos dos sopros não tenham comparecido. E Jónsi tem mesmo um grande vozeirão! Corações ao alto com Ný Battery, Glósóli, Festival, All Alright. O concerto de 2008.

1.12.08

Discos: Neutral Milk Hotel - In The Aeroplane Over The Sea

Jeff Mangum está vivo!!!!!


Recebi a notícia neste momento, e ainda estou a recompor-me do choque. Jeff Mangum está vivo, de saúde, não envelheceu um dia desde a sua última aparição e voltou aos concertos! Que grande presente de Natal antecipado!

Jeff Mangum é o mentor e principal impulsionador da banda Neutral Milk Hotel, banda formada como veículo de suporte para as canções do senhor. Formados em 1993, os NMH editaram dois discos na sua curta carreira, o experimental On Avery Island em 1996 e In The Aeroplane Over The Sea, em 1998, que teve sucesso limitado aquando a sua edição. E depois, sem avisar, sem se despedir dos seus colegas de banda, Mangum desapareceu. E as suas aparições passaram a ter uma conotação fantasmagórica, tantos eram os que teorizavam sobre a sua morte.

Até que, este ano, o colectivo Elephant 6 (do qual fazem parte Olivia Tremor Control e Of Montreal) criou uma mini-digressão. E, na primeira noite, no meio do caos e de um palco pejado de músicos, lá estava ele. Jeff Mangum, meio dissimulado, berrando ao microfone. Vivo.

O video abaixo chama-se Engine, a primeira música dos Neutral Milk Hotel interpretada por Mangum desde a sua última aparição pública, em 2001. A qualidade de imagem é muito escura, só ficando iluminada de vez em quando com os flashes das máquinas fotográficas, mas o som está perfeito. Engine é o lado B do single Holland, 1945.



Nos anos em que Jeff Mangum esteve desaparecido, In The Aeroplane Over The Sea cresceu. E cresceu. E continuou a crescer. E, 10 anos passados sobre a sua edição, ainda cresce e chega a novos ouvintes, tão fresco como em 1998.



In The Aeroplane Over The Sea é completamente lo-fi. A distorção de guitarras soa a uma fritadeira antiga. As músicas alternam entre baladas acústicas, músicas proto-punk carregadas de instrumentos e marchas fúnebres. Ouvem-se trompetes e serrotes musicais. E Jeff Mangum desafina. Bastante até. A sua voz chega mesmo a ser irritante à primeira audição. Mas, em termos de feeling, é difícil encontrar um disco mais puro que este. Triste e negro, mas que me inunda de felicidade e sentimento de satisfação desde os primeiros acordes de The King of Carrot Flowers, pt 1 até ao som que se ouve no final de Two-Headed Boy, pt 2, quando Jeff pousa a guitarra e parte.

Melódica e liricamente, este disco roça a perfeição. As músicas são cheias e ficam no ouvido, e Mangum estava verdadeiramente inspirado quando criou as composições que se colam umas às outras quase sem se notar. Todo o conceito de Aeroplane anda à volta da vida e morte de Anne Frank, a famosa menina judia que permaneceu escondida na Holanda durante dois anos até ser capturada pelos Nazis e mandada para o campo de concentração de Bergen-Belsen, onde viria a falecer duas semanas antes da chegada dos aliados. O seu diário constitui um dos livros mais lidos de sempre, e um dos melhores testemunhos dos horrores nazis.

Já comprei In The Aeroplane Over The Sea duas vezes, mas acabei por oferecer as minhas cópias a alguém que precisasse mais de descobrir esta banda. Ainda assim, tem lugar cativo no meu leitor de MP3, e escuto-o do principio ao fim muito regularmente. Poderei afirmar que é um dos discos da minha vida. Por ser perfeito e completo e genial e tocante. Descubram-no ou redescubram-no.

Site: www.neutralmilkhotel.net

MP3: In The Aeroplane Over The Sea

Um montão de MP3 ao vivo dos Neutral Milk Hotel e de Jeff Mangum a solo pode ser encontrado aqui, cortesia The Elephant Six Recording Company.

30.11.08

5 momentos South Park

A série South Park terminou agora a sua 12ª temporada, tendo completado em Agosto o seu 11º ano em exibição. Em Portugal, estamos às voltas com repetições da sexta série. O que é lamentável é que ninguém parece importar-se muito com isso, especialmente agora, em que a série está com um humor ainda mais cáustico, refinado e melhor que nunca.

Mas não há-que desanimar, fiel leitor com um domínio aceitável do idioma de Shakespeare. O site oficial, southparkstudios.com, está já há algum tempo a oferecer para visionamento em streaming, não uma, não duas, mas TODAS AS SÉRIES de Southpark, incluíndo os episódios mais recentes.

Não sendo propriamente um top, não havendo nenhuma ordem preferencial, aqui ficam cinco dos meus momentos favoritos de South Park.

Towelie:

Uma das minhas personagens favoritas da série é Towelie, a toalha viciada em Marijuana. Este clip é retirado do episódio em que todas as consolas de South Park são roubadas por uma organização criminosa, e apenas Towelie tem acesso ao código de entrada da base dos vilões.



Cartman no Congresso:

No inicio de South Park, Kenny morria em todos os episódios. Mas, a dada altura, o rapaz do capuz laranja acabou mesmo por falecer de vez (ou seja, durante duas temporadas). Numa tentativa de salvar o seu amigo, o habitualmente maléfico Cartman dirige-se ao congresso dos Estados Unidos com este apaixonante discurso.



Aquecimento Global:

O aquecimento global chega alegadamente a Colorado, causando o pânico geral.



Roda da Sorte:

Adoro este. Tão simples, e ao mesmo tempo tão ofensivo.



Os animaizinhos da floresta:

Os animaizinhos da floresta estão em perigo, e só Stan os poderá salvar, assassinando a terrível pantera. Na cena em baixo, os queridos animaizinhos da floresta agradecem a Stan.

28.11.08

Filmes: The Machine Girl

Andava eu a guardar este filme para uma qualquer ressaca kosovar há já algum tempo, mas os meus amigos são uns mariquinhas que só gostam de ver filmes em inglês e as minhas amigas não podem ver muito sangue a não ser que o filme seja uma comédia romântica sobre menstruação, o que me levou a adiar o visionamento de The Machine Girl até ao limite do tolerável. Cheguei então a uma estrada bifurcada, com dois caminhos:

Caminho A = Mudar de amigos

Caminho B = Ver The Machine Girl sozinho

Optei pela hipótese B, até porque os amigos estão difíceis de arranjar e cada vez vão sendo menos. E não me arrependi. A experiência que tive com The Machine Girl dificilmente seria a mesma se o visse acompanhado. O que eu vi, meus caros, foi a obra-prima do cinema de série B, em toda a sua resplandecente glória!



Analisemos o argumento... Ami e Yu são dois adolescentes entregues a si mesmos, após o suicídio dos seus progenitores. Ami age como uma mãe para Yu, estragando-o com mimos, como por exemplo fritando-lhe frango para o pequeno-almoço. Yu, no entanto, está constantemente a meter-se em sarilhos (ai ai, o malandreco do Yu), acabando por ficar a dever dinheiro à Yakuza. Ora os membros da Yakuza não são famosos pelas suas boas maneiras, e acabam por atirar Yu e o seu amigo Takeshi do alto de um prédio. Contorcendo-se de mágoa, Ami vai tirar satisfações a casa dos pais de um dos assassinos do irmão... Os pais, além de negarem o envolvimento do seu filho na morte de Yu, espancam brutalmente Ami e ainda lhe fritam um braço. E é aqui que as coisas começam a descambar! Ami, para além de decapitar o filho do casal, coloca a sua cabeça na sopa, empala a mãe, fazendo-lhe jorrar litros de sangue para dentro da panela, bem como a sua língua e intestinos, e depois ainda presenteia o pai com um duche vindo directamente do pescoço da senhora!

Um bocado mais à frente, a Yakuza captura Ami e retira-lhe o braço frito anteriormente. Ami foge, e vai dar consigo na garagem dos pais de Takeshi. Miki, a mãe de Takeshi (que apesar de ter um filho de 20 anos não aparenta ter mais de 25, a chamada Junior Milf) é uma exímia lutadora de Kung Fu, e Mukuru, o pai, é um inventor que cria uma metralhadora implantável no coto da vingadora.

E depois disto tudo, é a loucura. Oh não, o que eu descrevi até agora ainda não é nada! De aqui em diante temos:


O Gang de Ninjas Junior, que quando é despachado dá origem ao...



Gang dos pais de luto, formado pelos pais dos Ninjas Juniores, que por sua vez são derrotados por...


Miki e a sua motoserra, enquanto Ami luta com...



O chefe da Yakuza e a sua guilhotina voadora!!!!



E a esposa do chefe, armada com o seu soutien-broca!!!!!!!!!

É o delírio! É a loucura! O meu cérebro escorre lentamente pela minha narina direita, e sorrio de contentamento! The Machine Girl é a obra cinematográfica mais irreal e imbecil do circuito de cinema alternativo! Com mais sangue que Kill Bill, mais estilo que Planet Terror, mais substância que O Crime do Padre Amaro, The Machine Girl é uma experiência divertidíssima que vem mostrar que o cinema Asiático também consegue reunir força suficiente para rivalizar com os Americanos. A não perder! Mesmo! Pelo amor aos santinhos todos!

27.11.08

Discos: Bodies of Water - A Certain Feeling & Ears Will Pop and Eyes Will Blink

Mais uma empresa familiar, os Bodies of Water, formados pelo casal David e Meredith Metcalf, editaram este ano o seu segundo longa duração, A Certain Feeling.



Uma verdadeira comunidade no sentido em que toda a gente canta e novos membros vão sendo recrutados na estrada (literalmente, recrutados na borda da estrada), os Bodies of Water produzem um Indie Rock de características épicas, a trazer à memória Jesus Cristo Superstar ou os duetos erótico-nojentos do Meatloaf (mas em melhorzinho, entenda-se). Há por aqui também alguns ecos Zappianos...

O segundo esforço desta banda é assim uma salganhada de sons e estilos diversos. Exemplo, a faixa número dois, Under The Pines, inicia-se com um orgão, passando para uma guitarrinha das Arábias, arrancando numa cavalgada frenética ao pôr-do-sol, para depois descansar a ressacar de um ácido marado antes de partir a cavalo mais uma vez. Há ambição neste disco, mas na minha opinião espalha-se um bocado por querer dar um salto maior que as pernas.

A Certain Feeling deixa no ar um certo sentimento a Arcade Fire dos pobres. É bom, mas já ouvimos isto noutro lado. Escute-se a primeira faixa, Gold, Peach, Tan, and Grey para entenderem onde quero chegar. Poderei no entanto estar a ser um pouco injusto com a banda, uma vez que o primeiro album também não me entrou logo à primeira e agora já o aprecio bastante. E por falar em primeiro album...



Ears Will Pop & Eyes Will Blink, de 2007, é certamente menos trabalhado que A Certain Feeling, mas ganha em honestidade e sentimento. A muralha de vozes requer alguma habituação, é certo, mas uma vez acomodados, não há como não se deixar levar por malhas como Our Friends Appear Like Dawn ou a minha preferida I Guess I'll Forget The Sound, I Guess, I Guess. É um bonito disco, um bocado religioso ou espiritual a mais para o meu gosto, mas ainda assim suficientemente inspirado e diferente para merecer uma audição atenta. Esperemos que A Certain Feeling cresca dentro de mim como Ears Will Pop cresceu.

Site: www.bodiesofwater.net

MP3: Gold, Tan, Peach, and Grey
MP3: I Guess I'll Forget the Sound, I Guess, I Guess