Flashforward para o último dia de 2008. Troquei de emprego, a vida amorosa continua caótica como sempre, e mudei-me para a localidade onde nasci, a minha "casa". E, enquanto me preparo para ir trabalhar na véspera de passagem de ano e tento não me chatear muito com isso, resolvi desenterrar o Emoh. E, pelo nó na garganta que insiste em apertar-se, o disco de Lou Barlow não foi a única coisa que desenterrei.

O senhor Lou Barlow é uma figura importante do Rock Independente e do Lo-Fi que me é muito querida, pela sua carreira nos regressados Dinossaur Jr. e pelos seus esforços paralelos em Sebadoh, Sentridoh e The Folk Implosion. É também um escritor de canções compulsivo, fazendo-as natural e prolíficamente e lançando-as sem se preocupar se as suas composições chegam ao público alvo. Em Emoh, Barlow pega em algumas canções de Sentridoh e embrulha-as na estética sonora de The Folk Implosion, resultando num disco acústico na sua quase totalidade e muitíssimo bem produzido se tivermos em conta a habitual sub-produção dos seus trabalhos.
O album beneficia da voz harmoniosa de Barlow e da doçura da sua guitarra acústica para criar um uma manta molhada. Deveria transmitir calor e bem-estar, mas ao invés traz uma sensação de desconforto. Emoh é nostalgia e sentimento de perda. É a incessante procura de porto de abrigo. É dor, raiva e arrepios na espinha. É emoção fora de moda. E termina com uma balada sobre gatinhos para que tudo volte a fazer sentido e a valer a pena. Uma casa não é um lar, mas anda lá perto.
Site Oficial: www.loobiecore.com (com uma galeria dedicada inteiramente aos gatos dos seus fãs)
MP3: Holding Back The Year (Feliz 2015, pessoal!)
MP3: The Ballad of Daykitty































