Disco fresquinho, editado recentemente. O mais recente da Canadiana Julie Doiron, brilhante escritora de canções que timidamente vai vendo o seu talento sendo reconhecido.
I Can Wonder What You Did With Your Day é já o oitavo album de Doiron, exceptuando Eps e colaborações com outras bandas e distingue-se dos seus anteriores trabalhos predominantemente acústicos por abraçar uma sonoridade Rock mais lo-fi, uma tendência já demonstrada no anterior Woke Myself Up, de 2007. A voz suave e característica de Julie consegue sobrepor-se às distorções da guitarra e baixo, criando uma combinação sonora muito curiosa, suja e no entanto apelativa. A comprovar em Borrowed Minivans, a título de exemplo.
O novo disco de Doiron acaba por servir também um pouco de resumo da sua carreira. No meio da distorção temos alguns temas acústicos de primeira apanha (The Life of Dreams é fantástica) e ainda uma faixa em Francês, trazendo à memória Désormais, o seu disco inteiramente cantado no idioma de Eric Cantona. O único senão que tenho a apontar a este disco é o mesmo que se aplica a toda a discografia de Julie Doiron, a sua curta duração, ultrapassando por muito pouco a marca dos 30 minutos. As músicas sabem sempre a pouco e fica a sensação de estarem incompletas. Mais uma válida razão para ouvir ICWWYDWYD as vezes que forem necessárias para total satisfação.
Gerard Way é uma personagem irritante. Vocalista da banda emo My Chemical Romance, Way é, juntamente com o ouriço alemão dos Tokyo Hotel e do actor oportunista Jared Leto (porquê, rapaz? Até entraste no American Psycho e tudo... Porquê arruinares a carreira a brincar aos rockstars?), um dos principais responsáveis pela moda das meninas vestidas como góticas e permanentemente deprimidas por serem "emocionais", mas que depois vão para os concertos destes artistas aos gritinhos como se dos Backstreet Boys ou do Tony Carreira se tratassem. Mas, enquanto que Leto e o Sonic germânico arderão no inferno do esquecimento, com vidas vazias mas uma conta bancária bem choruda, Gerard Way possui um importante factor de redenção: contra todas as espectativas, a sua banda desenhada, The Umbrella Academy, é uma das melhores da década. Sem exagero.
Há muito tempo atrás, por todo o mundo, exactamente às 21:38, quarenta e três crianças especiais nasceram de mães insuspeitas das suas próprias gravidezes. Enquanto que a maior parte morre instantaneamente, pelo menos 7 dessas crianças sobrevivem, para serem adoptadas por um extra-terrestre mascarado de filantropo. Este pai adoptivo, frio e calculista, treina as crianças para salvarem o mundo. A história começa muitos tempo depois, após o final desta equipa intitulada The Umbrella Academy, irmãos desavindos reunidos à volta da campa de um pai que nunca os amou. Os irmãos entretanto adultos demonstram personalidades muito próprias. Número um, o homem forte com corpo de gorila, está perdidamente apaixonado pela irmã número três, que possui o interessante poder de contar uma mentira que automáticamente passa a ser verdade. Número dois odeia toda a sua família e tem o poder de suster a respiração indefinidamente. Número quatro comunica com os mortos. Número cinco consegue viajar no tempo, e é o mais adulto do grupo, apesar de ter ficado permanentemente com o corpo de uma criança de 5 anos. Número sete não possui qualquer poder especial. Mas é a personagem mais importante da Umbrella Academy.
O argumento, brilhantemente ilustrado pelo Brasileiro Gabriel Bá, é inventivo e surreal, e as surpresas e reviravoltas sucedem-se a um ritmo que nos agarra por completo. O primeiro Trade Paper Back, Apocalypse Suite, está disponível numa das 5 (ou 6) lojas de banda desenhada ainda existentes e persistentes em Portugal. O segundo volume, Dallas, está para sair entretanto. Way, mereces a minha admiração pelo respeito e gozo com que escreves banda desenhada. És o maior entre os ouriços e os actorezecos!
Os Port O'Brien nasceram do amor e dedicação do casal Van e Cambria. Van, um pescador de salmão, escrevia as suas canções nos rigores do Alaska. Cambria fazia o mesmo no meio dos fornos de uma pastelaria em São Francisco. Quando Van chegava a terra firme, juntavam e moldavam as composições em novas músicas. Deste processo criativo surgiu All We Could Do Was Sing.
All We Could Do Was Sing está liricamente ligado ao imaginário marítimo. Fisherman's Son trata da história pessoal de Van, pescando juntamente com o seu pai. Don't Take My Advice ilustra a constante luta entre a vontade de assentar e o desejo de correr o mundo. O imaginário dos Port O'Brien, apesar de ligado à água salgada, é rico em histórias e fábulas, fazendo lembrar, com as devidas distâncias, a escrita de Colin Meloy, dos Decemberists.
All We Could Do Was Sing é meio folk, meio country (aqua-country?), melancólico a espaços e efervescente nos seus momentos mais conseguidos. Há aqui gente a tocar tachos e panelas, o que é sempre sinal de um bom disco! Ideal para tempos de crise, onde a única coisa que se pode mesmo fazer é cantar ou, à falta de cordas vocais afinadas, gritar. Um achado. Destaque natural para o momento Kelly Family do album, I Woke Up Today, a overdose de alegria dos Port O'Brien.
História verdadeira: Nos idos anos 60, o magnata da laranja Alfonso Alrugo decide fundar a sua produtora cinematográfica. Desta fábrica de sonhos saíram grandes clássicos intemporais da 7ª Arte como "A Pomareira de Palermo", "Elas Gostam é de Força IV" e "João Broncas, o Eterno Repetente". No inicio de 1964, Alrugo trava conhecimento com o realizador Gianfranco Gatti e o actor Franco Franchetti. Dá-se então inicio à produção de Italian Spiderman, baseado no best-seller da Reader's Digest, "A Morte usa Chapéu". Três anos passados e 15 milhões despendidos mais tarde, Italian Spiderman estava pronto.
Porém, o estúdio de Alrugo estava de rastos, financeiramente. Sem dinheiro para distribuir a fita, Alfonso envia a única cópia existente para os EUA num cargueiro, que nunca chega ao seu destino. Em 1969, Alfonso Alrugo desiste da sua produtora e regressa à citricultura. Gianfranco Gatti passou para a pornografia Hardocre e Franco Francheti morreu trespassado por um peixe-espada. Por desejo de Alfonso Alrugo's no seu leito de morte, os seus netos Vivaldi e Verdi Alrugo lideraram uma expedição no Atlântico numa tentativa desespertada de encontrar a fita perdida do épico Italiano.
Em 2006, após quatro anos de buscas, o navio afundado foi finalmente recuperado, e os netos de Alrugo passaram dois anos a restaurar Italian Spiderman à sua glória original. Desde 2008 que a obra de Gatti e Francheti se encontra exposta na internet, ficando para sempre segura nos anais da história.
História fictícia: Italian Spiderman é um filme Australiano contemporâneo que se faz passar por filme Italiano dos anos 60, inspirado no género Giallo (filmes de mistério com componentes de terror e erotismo, tipicamente italianos). Esta obra é uma paródia à apropriação de personagens populares americanas por outros países, como Superhomem Turco, o Superhomem Indiano e o surreal Santo, o lutador de Wrestling Mexicano e o Capitão América Turco lutam contra o Homem-Aranha Maléfico Turco (não estou a inventar), mas Italian Spiderman vence onde os outros Spidermen de outros países falham, por ser incrivelmente cool. Mesmo. Italian Spiderman é um homem à séria! Ele anda de mota, ele corre mais que uma mota, ele controla mentalmente galinhas e pinguins, ele atira o bigode como um boomerang, ele toca trompete, ele vence concursos de surf, ele seduz as mulheres com a sua dança sensual. Italian Spiderman é um portento de masculinidade! Viva!
O filme é muito divertido, principalmente para quem conhece os clichés deste género de filmes. Pode ser encontrado partido em 10 pedaços no youtube, ou arrumados comodamente no site oficial, www.alrugo.com. E sim, a fantástica banda sonora está também disponível, e pode ser ouvida aqui.
E pela vossa saúde, ponham os olhos neste trailer!
Porque gosto dos Radiohead e por ficar feliz por tantas bandas lhes prestarem homenagem fazendo versões das suas músicas, aqui ficam 5 covers da banda de Thom Yorke, por 5 artistas distintos. A ordem é aleatória. As músicas poderão ser guardadas clicando no botão direito do rato e escolhendo a opção "guardar como". Se o Windows for pirateado da versão Brasileira, a opção é "salvar como". Se o sistema operativo for Mac não sei o que aparece. Se for Linux provavelmente tira a música automáticamente ao mesmo tempo que lhe faz um café, massaja-lhe as costas e lhe pergunta como correu o seu dia.
Super Hit de Verão em qualquer esplanada à beira-mar por esse Portugal fora, a revisão Funk do afamado produtor musical surpreende tanto pela frescura como pela ira causada nas bilis dos puristas de Radiohead (e é tão bonito ver um fanboy irritadinho)!
Idioteque é dos temas mais frenéticos e esquizofrénicos dos Radiohead, e uma presença obrigatória nos seus alinhamentos. A versão acústica dos/das Calico Horse soa a canção de embalar.
Creep é provavelmente a canção mais afamada dos Radiohead, e consequentemente a mais revisitada por outros artistas. Os Weezer tocam-na ao vivo. Os Pretenders também. Até o Prince a tocou no ano passado! Mas gosto especialmente desta versão acústica do Damien Rice, numa rádio sem arame nem edição.
As Northern State são conhecidas como as Beastie Boys no feminino, daí a surpresa deste surpreendente No Surprises, sem pingo de Hip-Hop mas carregada de açúcar. Esta versão está incluída como lado B na compilação OKX, criada pelo site Stereogum e que celebrou os 10 anos de Ok Computer. Pode ser ouvida legalmente em streaming aqui ou descarregada ilegalmente aqui.