(Este post é palavroso e foge um bocadinho ao que se costuma escrever por aqui. Falam-se de coisas pessoais. Se não vos apetecer não leiam.)
Há não muito tempo, um amigo meu de longa data telefonou-me, e enquanto falávamos dos episódios mais risíveis das nossas respectivas vidas amorosas, ele sugeriu que eu os colocasse aqui. Disse-lhe que não, que este blog não serviria para expor a minha vida pessoal, nunca o fiz nem nunca senti necessidade de o fazer. Quando a minha vida pessoal estiver demasiado complicada, paro com o Contraculturalmente e regresso juntamente com a bonança, aliás como o fiz durante pouco mais de um ano. Mas este caso em particular merece ser colocado aqui, até porque poderá servir de aviso a muito boa gente.
Há tempos, tive uma espécie de relacionamento afectivo com uma antiga paixão de outros tempos, entretanto mãe solteira. Durou o tempo que teve de durar e terminou amigavelmente, sem quezílias de parte a parte. Recentemente, essa mesma rapariga telefonou-me a comunicar que está novamente grávida. Ao que eu respondi "Fixe, parabéns! Quem é o pai?". Ela respondeu que era o pai da criança anterior. E eu disse "Porreiro, então voltaste para ele!", ao que ela respondeu que nunca o tinha deixado. Pelos vistos não era assim tão mãe solteira como eu pensava. Tudo bem, andou a fazer de mim parvo, não me chateio com isso e a questão nem é essa. A questão é que de repente entendi a razão pela qual recebi todas aquelas ameaças de morte através do Hi5.
E então eu coloquei a mim próprio a pergunta "para que é que eu preciso de um Hi5? Que vantagens trás para a minha vida o Social Networking? O que traz de bom e de mau ter informação pessoal afixada na internet? E porque é que as pessoas povoam as suas páginas com corzinhas e luzinhas e bolinhas e centenas de fotografias a fazer poses sensuais ou cómicas? Porque se metem tão a jeito para levar palmadinhas virtuais nas costas? Necessitamos assim tanto da aprovação dos outros?". Cheguei à única conclusão possível, não preciso daquilo para nada, e resolvi fazer o meu "suicídio social". Apaguei a página. Não pude deixar de sorrir enquanto o fiz. Subitamente vi-me envolvido por um sentimento de paz que me soube muito bem. Deixar de existir é bom.
A exposição pessoal através meu Hi5 servia para:
1 - Receber ameaças de morte de um gajo que nunca vi mais gordo; 2 - Bisbilhotar a vida de uma ex-namorada com a qual já nem sequer falo (e, sabendo que ela fazia o mesmo, apagar o meu Hi5 foi um favor que fiz aos dois); 3 - Albergar centenas de pessoas com quem no máximo troquei um "Olá", juntamente com dezenas de seres que nunca conheci nem nunca conhecerei pessoalmente.
Acontecia-me por vezes certas pessoas adicionarem-me ao Hi5 delas, para depois passarem por mim na rua, virarem a cara e não me dirigirem a palavra. Pessoas que, não sendo minhas amigas, achavam-se no direito de serem "amigas do Hi5" por reconhecerem a minha cara. Depreendo que o Hi5 é como as antigas cadernetas de cromos ou as colecções de Pokemons, onde o que interessa é ter mais e mais. O Hi5 é uma competição para ver quem tem mais "amigos", levando a que a meu ver a palavra perca parte do seu significado. Porque, no fundo, todo o Social Networking que precisamos encontra-se num terço das listas telefónicas dos nossos telemóveis.
Alguns amigos meus, também dissidentes do Hi5, falaram-me do Facebook. Diziam que o Facebook era diferente, que servia para juntar pessoas que já não se viam há muito tempo (aliás, era esse o objectivo inicial do Hi5), para colocá-los novamente em contacto uns com os outros. Lá acedi e registei-me no site. Reparei em três factores:
1 - O Facebook tem um aspecto menos pimba que o Hi5, de resto é basicamente o mesmo. Possui um chat incorporado na página, mas não funciona lá muito bem; 2 - Uma amiga minha do estrangeiro entrou em contacto comigo! Altamente! E estivemos a falar do que cada um de nós anda a fazer da vida! Que bom! E depois reparo que ela está online no meu MSN... Aliás, como tem estado desde há anos a fio, apesar de não conversarmos muito desde há uns tempos para cá... Porque estava ela a conversar publicamente comigo num site quando o podia fazer em privado pelo MSN? Para que as outras pessoas pudessem bisbilhotar a nossa conversa? Estranho; 3 - Entrei num site de jogos online onde estou registado. Estive um bocado por ali a brincar. Quando saí, fui ao Facebook e lá dizia "Carca has been playing on Kongregate". Senti a minha privacidade a deixar cair o sabonete durante um duche comunitário...
Portanto, o Facebook para mim também já foi à vida. Quanto à nova moda, o Twitter, subscrevo as opiniões expressas neste video abaixo:
Sinceramente, interessa a alguém saber que eu estou neste momento a comer um prato de Nestum com mel? E é tudo o que me apraz dizer sobre o Social Networking. Cuidadinho, meninos e meninas, toda a gente tem inimigos, mesmo sem o saber... E todos os nossos inimigos têm Hi5... Ou Facebook...Ou Orkut...
Até gosto da Katy Perry. As suas músicas têm um condão Pop muito apetecível, e a menina possui uma atitude de louvar entre as suas congéneres. Gosto do seu single mais recente, Hot & Cold. No entanto, a versão original empalidece face à espectacularidade da versão dos Ucranianos Los Colorados! Nada que possa dizer fará justiça a esta cover. Ouro! Confirmem.
Creepy-chan. Saltou do olho do cú da internet para a fama. Nunca tinha seguido o America's Next Top Model da Tyra Banks, mas agora sou fã! Allison FTW!
Mirah, respeitada e reverada artista judia de Philadelphia, dona de uma interessante carreira já com mais de 10 anos, edita em 2009 o seu mais recente registo.
(a)spera é apresentado como o quarto album de Mirah, apesar de na verdade ser o oitavo registo de originais, contando com as colaborações com a Black Cat Orchestra. E talvez por essa mesma razão, por ter passado os anos mais recentes em colaborações com outros artistas e com remisturas electrónicas dos seus temas mais antigos, transparece neste album um sentimento de alegria muito forte, do regresso ao seu habitat natural.
O que mais chama a atenção em (a)spera é a maturidade demonstrada nos arranjos das faixas, modestos mas seguros. Longe está já o gravador de 4 pistas dos primeiros registos, como se pode constatar na épica The Forest, uma das faixas mais fortes do disco, e na jazzística Gone Are The Days. Todos os discos de Mirah possuem um momento único, uma música que me leva invariavelmente a proferir a frase "Foda-se, esta gaja é demais". O momento FEGED de a(spera) é Country of the Future, uma misturada de sonoridades étnicas que passam pelo Country, Bossa-nova e musica dos Balcãs e que não tem nada a ver com o resto do disco, destacando-se por essa mesma razão. Aliás, (a)spera é mesmo isso, um monstruário da destreza musical de Mirah, o casamento feliz de sonoridades e melodias aparentemente adversas.
Afirmo categoricamente, com conhecimento de causa e sem qualquer tipo de reservas que (a)spera é o melhor disco alguma vez editado por Mirah Yom Tov Zeitlyn e recomendo-o vivamente. Um disco tão variado sonoramente terá com certeza algo a dizer a praticamente todo o amante de música. Pode ser encontrado nas lojas da especialidade, na categoria "Discaços do caraças".
Site oficial: A Mirah não tem site oficial mas está intimamente ligada à K Records.