29.4.09

Discos: Kath Bloom and Loren Mazzacane Connors - Sing The Children Over & Sand On My Shoe

Kath Bloom é uma cantora folk do Connecticut. Loren Mazzacane Connors é um guitarrista talentoso e sub-valorizado, tendo atingido a maior visibilidade da sua carreira através de colaborações com Thurston Moore e Jim O'Rourke dos Sonic Youth. Em 1976, Bloom e Connors juntaram-se numa parceria que durou oito anos e deu origem a sete albuns e alguns singles. Em 2008, dois dos discos mais importantes desta parceria, Sing The Children Over e Sand On My Shoe foram reeditados em conjunto.



Sing The Children Over e Sand On My Shoe, editados em 1982 e 1983 respectivamente, são belíssimas obras folk, de uma simplicidade desarmante. Apenas com 2 guitarras entrelaçadas, a voz de Kath Bloom e os murmúrios de Loren Mazzacane Connors apelam ao nó na garganta, aquela tossezinha na alma que só a música nos consegue fazer sentir. A guitarra de Mazzacane canta a mesma dor que Bloom, que toca no seu instrumento os mesmos gemidos que Mazzacane. Uma parecia dinâmica e honesta no limiar da perfeição. Bloom e Mazzacane são a sua música.

Ambos os discos são assombrosamente belos, mas Sand On My Shoe destaca-se por ter sido inteiramente escrito por Kath Bloom, enquanto que Sing The Children Over contém alguns temas tradicionais norte-americanos. A voz sofrida de Bloom e a técnica superior de guitarra da Connors conferem a estes trabalhos um poder crú a fazer lembrar os Blues à beira-rio do passado. Dois discos que caíram no esquecimento mas que podem ser redescobertos agora, numa edição dupla remasterizada em cd e com algumas faixas bónus.

Site Oficial de Loren Connors: www.fvrec.com/lorenconnors
Myspace de Kath Bloom: www.myspace.com/kathbloomchapter

MP3: Nobodys Fault But Mine
MP3: Baby Now
MP3: This River

28.4.09

Music Catch 2 é o jogo mais Zen do universo

Apresento-vos Music Catch 2, o jogo de computador mais relaxante de todos os tempos.



O jogo pega no já de si muy zen conceito da primeira entrega e eleva a jogabilidade a outro nível, adicionando mais composições e opções de jogo, para além da espectacular opção de podermos escolher qualquer música, desde que esteja alojada na internet. Experimentei esta opção com a Father & Son do Cat Stevens e não consegui tirar o sorriso idiota da minha cara durante a total duração do jogo. A saber: vermelho é mau, tudo o resto é bom. Joguem-no, e garanto que a seguir vão ter um enorme desejo de dizerem aos vossos entes queridos o quanto gostam deles.

Experimentem-no aqui.

27.4.09

5 momentos de La Blogothèque

O site Francês www.blogotheque.net tem vindo a fazer um excelente trabalho com a sua série Concerts a Emporter (concertos Take-Away), onde músicos estrangeiros são convidados a interpretar as suas músicas em cenários improvisados, ou deslocados do seu habitat natural. Tanto sucesso possui este conceito, que surgiram entretanto alguns imitadores, para gáudio do fã de música informado. Mas o original é (quase) sempre o melhor, e aqui ficam 5 das minhas actuações favoritas na Blogothèque:

1 - Sigur Rós: Með Suð Í Eyrum

Uma arrepiante interpretação do segundo single retirado de Með Suð í Eyrum Við Spilum Endalaust (resenha aqui) num café parisiense. Divertida é a conversa que antecede a actuação, com os clientes do café a fugirem com medo do que pudesse vir. (Música Islandesa? Não gosto!)



2 - Arcade Fire - Neon Bible & Wake Up



A interpretação de Neon Bible por uns Arcade Fire apertados num elevador garantiu-lhe o estatuto de música preferida do segundo album (resenha também está aqui). A apoteose de Wake Up cantada no megafone em plena plateia do Olympia abrilhantou ainda mais a performance. Épico!

3 - Cold War Kids - Saint John

Os Cold War Kids parecem estar nos bastidores de uma qualquer sala de espectáculos, e entregam uma interpretação bastante energética de Saint John, a faixa mais forte do seu disco de estreia, Robbers & Cowards (resenha aqui... Mais uma vez).



4 - Bon Iver - Flume

Bon Iver é excelente e sou capaz de lutar com qualquer homem ou mulher que diga o contrário. Quem não se sentir tocado pelo ambiente e interpretação deste Flume tem o coração no lugar do pâncreas.



5 - Sufjan Stevens - The Lakes of Canada

Tenho especial predilecção por este video. Num telhado qualquer Americano, numa manhã obviamente fria, Sufjan Stevens arrisca a vida para nos trazer uma doce versão de The Lakes of Canada, um original de The Innocence Mission. Provavelmente o meu video preferido de toda a série.



Mais artistas em situações invulgares:

Concerts a Emporter

In a Van

Black Cab Sessions

(Behind) Closed Doors

22.4.09

Discos: Elizabeth Cotten - Freight Train and Other North Carolina Folk Songs and Tunes

Elizabeth Cotten nasceu em 1895. Desde tenra idade, começou a brincar com os instrumentos musicais de seu lar e aos 8 anos já sabia tocar banjo à sua maneira muito peculiar. De pouco lhe serviu esta habilidade, pois o inicio do século XX não era fácil para uma pobre negra de North Carolina. Cedo começou a trabalhar como doméstica, até ser descoberta pela família a quem limpava a casa, 25 anos depois da última vez que tocara numa guitarra e num banjo.

Cotten começou a actuar e a gravar as suas canções já bem depois dos 60 anos. Sendo canhota, Cotten aprendeu a tocar banjo com as cordas "ao contrário", ou seja, com o encordoamento para destro, utilizando o polegar para fazer as vezes dos outros dedos. Mais tarde, quando passou as suas composições para guitarra, inadvertidamente acabou por criar um novo estilo de tocar o instrumento. Inicialmente tentando tocar guitarra como se de um banjo se tratasse, Cotten desenvolveu um dedilhado muito próprio. De referir também que Elizabeth nunca afinava a guitarra, nem nunca aprendeu uma pauta, tocando de ouvido. Elizabeth não sabia sequer o nome das notas! E os seus acordes são quase surreais, pela ginástica de dedos envolvida.



Freight Train and Other North Carolina Folk Songs and Tunes
, o seu disco de estreia, é uma das poucas obras de Elizabeth Cotten existentes em cd, contendo alguns dos temas mais emblemáticos da sua carreira, como Freight Train (escrita aos 12 anos e tocada regularmente durante oito décadas!) e Going Down The Road Feeling Bad. É um disco de Blues crú, sem qualquer produção, só Cotten sentada na sua cama, dedilhando a sua guitarra, cantando pontualmente, uma avózinha a tocar só para nós. Uma óptima escuta para os fãs de guitarra acústica.

Elizabeth Cotten actuou até aos oitenta e muitos anos. Faleceu em 1987, com a bonita idade de 92 anos.

MP3: Oh Babe It Ain't No Lie

20.4.09

Filmes: Corre Lola Corre



Esta história passa-se à muito muito tempo atrás, no tempo em que os Limp Bizkit eram a maior banda do mundo (Lembram-se? Que vergonha...) . Manni fez merda. A sua carreira de traficante de droga estava a correr tão bem, e de repente vê-se a dever à máfia 100000 marcos alemães. Sem mais a quem recorrer, Manni telefona à sua namorada, Lola, que se prontifica em ajudá-lo. Lola tem 20 minutos para pedir o dinheiro ao seu pai, caso contrário Manni assaltará uma mercearia. Sem outra alternativa, Lola corre Berlim fora, contra o destino.

Os 20 minutos de corrida são multiplicados por três, levando a um igual número de cenários distintos: E se Lola chega tarde demais? E se Lola chega cedo demais? E mesmo se Lola chegar a horas, será que isso é o suficiente para salvar Manni? Por três vezes, somos confrontados por pequenas alterações no percurso da protagonista, e o seu efeito nas vidas das pessoas directamente influenciadas pelo enredo da história. Acção-reacção. O bater das asas de uma borboleta em Berlim pode originar um tsunami nas Filipinas. Corre Lola Corre (Lola Rennt, no original) é frenético, graças a uma edição de imagem violenta, mas impele-nos a reflectir sobre o peso das escolhas que fazemos na vida. E apesar de todas as personagens se tornarem irritantes de tão estúpidas que são, é esse mesmo aspecto que garante credibilidade ao filme, humanizando Lola e os seus pares.

O único aspecto que arrasta Corre Lola Corre para os anos 90 é a horrível banda sonora, uma pastiche de Euro-Rave-Trance-Scooter muito em voga na época. Mas desengane-se quem achar que isso reduz o interesse na película. Corre Lola Corre é uma explosão de adrenalina, o filme ideal para ser visto imediatamente antes de qualquer actividade física. É rápido, excitante, inteligente e visualmente apelativo, mesmo já com 10 anos em cima. Um bombom. Ainda nem sei como é que Hollywood não o arruinou com um remake...

17.4.09

Discos: Emmy The Great - First Love

Emma Lee-Moss. Menina artista. Gosta de brincar à apanhada, ao pião e às palavras. Escritora de canções. Cantora de segredos. Auto-intitulada a maior. Emmy The Great, diz ela. E nós acreditamos. Como se tivessemos hipótese de discordar.



Emmy The Great palmilhou muito terreno até chegar a este First Love, editado já em 2009. Emigrou de Hong Kong para Londres. Lançou singles atrás de singles desde 2005 até agora, abriu concertos para gente como Martha Wainright e Tilly and the Wall, solidificou a escrita, montou uma banda, tocou, tocou, tocou, tocou.

Em termos musicais, First Love é um disco de Pop acústico competente. As músicas, inicialmente intimistas, têm uma apetência para se transformarem quase inocentemente em composições épicas, e a voz de Emmy é segura e confiante. O que se destaca em First Love é mesmo a soberba qualidade da escrita da menina. Com um vocabulário rico, sentido de humor refinado e habilidade para conseguir tirar rimas impossíveis da cartola, Emmy prova que é a maior sem necessitar de recorrer à regra dos três simples. Dylan faz lembrar bom Belle & Sebastian e conta-nos de como as mulheres nunca conseguirão apreciar a música de Bob Dylan como os homens o fazem. Bad Thing Coming, We Are Safe encara a decapitação com um sorriso nos lábios. 24 é de uma honestidade desarmante ("I would marry you for money but i don't suppose you'll ever have enough"). E a dúvida que nos atormenta a todos, depois de um acidente automóvel, em MIA, "I remember how you were the one who told me that her name was either MIA or M.I.A.". Absolutamente deliciosa é a faixa-título, uma reinterpretação de Hallelujah, "the original Leonard Cohen version" segundo a letra. "You were stroking me like a pet
but you didn't own me yet", canta Emmy. Uma Emmy forte, segura de si mesma, assustadora apenas para quem não gosta de mulheres inteligentes. Emmy the Great, verdadeiramente. Descubram-na, vale toda a pena.

Site Oficial: www.emmythegreat.com

MP3: Bad Things Coming, We Are Safe
MP3: First Love

16.4.09

Pretty



Joanna Newsom. Bonita, e toca harpa que se farta. Novo album (duplo) a sair algures durante 2009.

15.4.09

5 momentos do Batman dos anos 60

Michael Keaton é um canastrão, Val Kilmer parece um bácoro pronto a ir ao forno, Christian Bale precisa de uma caixinha de pastilhas Bimil e de George Clooney só vem à memória os seus bat-mamilos. Para mim, Batman só há um. O original, o melhor, o mais insano, o inenarrável Adam West.



E celebrando a carreira de Sir West, aqui ficam cinco momentos da série "Batman", dos anos 60, conhecida por ter sido das adaptações de banda desenhada mais loucas de sempre! Esta lista está limitada a cinco entradas, mas as possibilidades são praticamente infinitas. Cada momento do Batman de Adam West é puro ouro! Ver para crer.

BAT-BOMBA! Batman descobre uma bomba na casa de pasto! Que fará o cavaleiro das trevas para conseguir desenvencilhar-se do engenho?



BAT-TUBARÃO! Batman é abocanhado por um terrível tubarão! Como se salvará o campeão do bem e justiça?



BAT-DANÇA! Batman é seduzido por uma mulher estranhamente atraente! Conseguirá o paladino de Gotham City dançar com a sua sedutora sem que as outras pessoas à sua volta se atirem para o chão de tanto rir?




BAT-DENTES!
Robin cai para a morte! Conseguirá Adam West salvar o seu companheiro e ainda ensinar uma bonita lição acerca dos benefícios de uma boa higiene oral?



BAT-AIJESUSCOMOÉPOSSIVELDEIXAREMPASSARISTO!

Batman vê-se a braços com um problema de... A sério... Desisto...

13.4.09

Banda Desenhada: Bat-Manga!

Na década de 1960, a série Batman, com o insano Adam West no papel principal e Cesar Romero no papel do primeiro e único Joker com bigode, foi um sucesso planetário, contra todas as leis do bom senso. A bat-mania que se seguiu atingiu especialmente o Japão, de onde prontamente surgiu a adaptação ao formato manga, agora traduzida para Inglês e trazida para o Ocidente numa antologia de seu nome Bat-Manga!



Alegadamente, a manga de Batman era tão obscura que nem os responsáveis pela DC Comics sabiam da sua existência, tendo existido apenas durante um ano e nunca reeditada até agora. O que é compreensível. Bat-Manga! é uma mistura de estilos orientais e ocidentais de banda desenhada, uma técnica ainda por apurar nos anos 60. Os cenários Americanos têm resultados hilariantes quando adaptados à cultura Japonesa (e vice-versa). O lettering é muito básico, assim como a arte e o papel, embora de boa qualidade, imita claramente as folhas originais da manga, conhecidas por terem utilidade nula aquando numa situação de aperto no mato.

O que tem então Bat-Manga! de especial, poderá passar-vos pela cabeça? Simples. Bat-Manga! combina a loucura de Batman dos anos 60 com um estilo de banda desenhada conhecido por conter tentáculos violadores em 95% dos livros. Demente! E gigantesco, também! A antologia conta com 384 páginas plenas das aventuras mais clinicamente instáveis do nosso cavaleiro das trevas favorito! Batman contra Godzilla! Batman contra Go-Go, o mágico do circo! Batman contra o robot dos Power Rangers!



E o melhor disto tudo é que as histórias são mesmo divertidas e agradáveis! Mesmo que não o comprem, se passarem pelo Bat-Manga! numa livraria, desfolhem-no. E deixem-se envolver pela insanidade. Porque há mais, muito mais, dentro deste canhenho do que a imagem apresentada abaixo...