29.5.09

Livros: Contra a Felicidade

"Não há alegria sem mágoa, o sol cheio de vida não existe sem a lua cravada de cicatrizes" Eric G. Wilson



A felicidade. A felicidade! A felicidade... O que é ser-se feliz? A felicidade é encontrar um ponto estável num mundo em constante mutação. Um contrasenso. A felicidade genuína não existe! Ou existirá, porventura, mas momentaneamente. Um sorriso pode fazer um momento melhor, mas não um mundo melhor. Porque enquanto o homem não saber aceitar que a melancolia faz parte do seu âmago, e que é uma emoção que não deve ser abafada mas sim libertada, nunca seremos verdadeiramente pessoas felizes.

Citação:

"Tentar ser sempre feliz é, necessariamente, reprimir a tristeza inevitável. Entoando com persistência: «Eu estou bem», «eu estou bem», eles empurram a melancolia para o fundo. Aí, no inconsciente, os sentimentos sombrios vão apodrecendo. Claro que não permanecerão para sempre nas profundezas, regressando sempre sob formas monstruosas - em comportamentos neuróticos como a constante lavagem ou limpeza das mãos, em pesadelos perversos e devaneios indecorosos."

E é este o tema central deste livro, oportunamente intitulado Contra a Felicidade com o sub-título Em Defesa da Melancolia, de Eric G. Wilson. Um livro que, apesar por pecar por se dirigir imensas vezes à realidade Norte-Americana, de onde provém o autor, defende o estado melancólico como algo natural e até essencial para a plenitude da condição humana. E, através de exemplos práticos, demonstra como um estado de melancolia potencia um surto enorme de criatividade nas pessoas, da estranha vitalidade que alguém sente quando finalmente deixa de lutar contra a tristeza que o vai minando. Não é à toa que o melhor disco dos Smashing Pumpkins se chame Mellon Collie & The Infinite Sadness, nem que Moby Dick esteja impregnado de melancolia até à medula óssea da grande baleia branca. É da melancolia que nasce a vida, é preciso aceitá-la como parte de nós, é preciso não recalcar as emoções, amar as pessoas que amamos, chorar pelas pessoas que perdemos, perdoar as pessoas que nos desiludem, procurar que as pessoas que desiludimos nos perdoem. Viver sem fantasmas. Porque não existe nada de errado em nos sentirmos melancólicos. Um livro de auto-ajuda diferente dos outros, que nos leva a aceitar a nossa natureza, através de uma emoção conotada como "negativa". Eu, que na vida pessoal sou uma pessoa divertida e até algo energética, aprendi a aceitar e abraçar a melancolia como uma parte muito importante do meu ser. Recomendável, até para quem se acha feliz.



Confidência: não é à toa que às vezes escrevo o conteúdo mensal do meu blog num dia, aproveito os dias que estou na merda e canalizo a energia para o meu blog. Não que o Contra seja grande coisa, mas a ideia que quero passar é que, quando se sentirem em baixo, canalizei as emoções para algo que vos dê prazer fazer. Irá confortá-los com uma felicidadezinha...

28.5.09

Tudo o que interessa saber sobre os Estados Unidos, capitulo XIV: Indiana

Indiana, o estado da hospitalidade

Capital: Indianapolis

Animal: Cardeal (Cardinalis cardinalis)

Lei idiota: É proibido tomar banho entre Outubro a Março

Artista: Michael Jackson (Nem me arrisco a colocar aqui um MP3 dele, já sei que os lobos maus dos direitos de autor vêm cá e sopram-me a casa abaixo)

Miss Indiana: Brittany Mason



26.5.09

Armed with this small butterfly net only I will face the world alone and never be lonely

Ainda não me decidi se esta é a musica mais bonita ou mais triste que alguma vez ouvi, mas tocou-me bem fundo, pela candura e pelo significado da letra. A música deve ser descarregada aqui (botão direito do rato, guardar como). Não é meu costume colocar letras de músicas aqui no meu blog, mas esta é mesmo genial, e segue em baixo:

Calm that wicked wind,
to pick you up
and carry you off eastward,
though i did release you
for to seek a warmer sky

Should you be blown back
know that i will always run to greet you,
still surprised to catch you
every time

Armed with this small butterfly net only
i will face the world alone
and never be lonely

So calm that wicked wind,
and if you go, you could be gone forever
i will wait awhile here
by and by and by and by...

Armed with this small butterfly net only
i will face the world alone
and never be lonely

Up and up you go
for to steal the secrets of the heavens
Will you share them with me
my bright and brilliant spy?

And should you be blown back
know that i will always run to greet you
still surprised to catch you
every time
Still surprised to catch you
by and by and by and by...





(dedicada ao amor da minha vida)

25.5.09

Tudo o que interessa saber sobre os Estados Unidos, capitulo XIII: Illinois

Illinois, o estado da pradaria

Capital: Springfield

Animal: Aquele peixe com 3 olhos que aparece nos Simpsons

Lei idiota: Se não se andar com pelo menos um dólar no bolso, pode-se ser preso por vagabundagem (já repararam que os emigrantes Portugueses na América dizem "uma dóla" em vez de um dólar?)

Artista: Miles Davis (MP3: When I Fall In Love)

Miss Illinois: Ashley Bond


24.5.09

Mais algumas impressões sobre o MANIFesta

Ontem, choveu. Muito. Constantemente. O tempo, que até então tinha estado tão agradável e primaveril, ficou uma bosta. Resultado: os Deolinda, por receio que a chuva lhes estragasse o espectáculo, cancelaram. Ainda se tentou arranjar um palco coberto noutra localidade perto, mas nem o palco se adequava nem faria sentido muda-los para outro sítio. A banda não actuaria. Foi chato, fiquei desiludido primeiro, depois frustrado por ter convocado tantos amigos que viriam de longe para os ver, mas acabei por aceitar o facto como algo que acontece e que não há nada a fazer. Não foi possível ver os Deolinda, paciência. Por morrer uma andorinha não se acaba a Primavera. Houveram mais bandas.

O problema foi que a malta da organização (e não o grupo de voluntários, que envolvia pessoal ligado à Cerci, a uma associação de desenvolvimento local e à câmara municipal) optou por não avisar o público. Era praticamente impossível fazê-lo em tão curto espaço de tempo, certo, e houve um anuncio sobre o cancelamento na rádio local, mas o cartaz a anunciar "Deolinda hoje às 22:00" ainda está neste momento junto ao palco principal. A multidão que veio regressou a casa desinformada, desiludida e frustrada. Muita gente de fora que veio ao MANIFesta para apanhar um bocadinho de chuva à espera de um concerto inexistente e ir embora. Uma pena.

No palco secundário, arriscou-se e a noite Hip-Hop avançou mesmo. Iniciou com o grupo de dança Boa Onda e Escolhas vivas, vindos do Algarve, interrompeu-se com a actuação dos Hot Pink Abuse (um percalço no alinhamento, já que a sonoridade nada tinha a ver com Hip-Hop, mas esta actuação teve de ser antecipada por motivos de saúde de um dos membros da banda) prosseguiu com Woyza e os mais esperados da noite, os Dealema.

Memórias a reter: O catering super-reforçado, que deu para as bandas todas e para os voluntários, graças ao cancelamento dos Deolinda (always look on the bright side of life, diziam os Monty Python), o facto de ter curtido imenso os Hot Pink Abuse apesar daquele público não ser o deles, o facto de ter curtido concertos de Hip-Hop (não é a minha praia, mas desta vez gostei mesmo) e de me ter divertido à brava, a beleza da Woyza (Ai meu Deus, a mulher é tão tão tão tão linda, mesmo das pessoas mais bonitas em termos faciais que alguma vez tive o prazer de privar), a simpatia do namorado dela, El Puto Coke, que também actuou, a boa onda do Maze dos Dealema e o facto do gajo ser mesmo um grande MC, o chá de cidreira que fui pedir encarecidamente a uma senhora que não conhecia de lado nenhum (obrigado senhora) para que a vocalista de Hot Pink Abuse melhorasse a sua condição de saúde e actuasse, a odisseia que foi encontrar ganza para alguns elementos de uma das bandas (tarefa aparentemente tão fácil, mas, aparentemente, o haxixe este Sábado estava mais escasso que o petróleo no Beato), o facto de ter de subir ao palco duas vezes, uma para anunciar os miúdos do Algarve e outra para preparar um público complicado e meio impaciente para a desconhecida Woyza, referindo a sua participação no último registo dos Dealema, o grande Zé, manager desta gente toda e o gajo mais boa onda de todos os tempos. Todas as pessoas que conheci e que comigo deram no duro para que aquilo funcionasse. A apreciação do meu trabalho, traduzida em:

- Uma salva de palmas no backstage pelos Hot Pink Abuse;
- A claque de apoio que tive da segunda vez que subi ao palco (Obrigado pessoal do Bairro Santana!)
- Muitas palavras de apreço e amizade pelas espectaculares pessoas da associação que representei sem realmente fazer parte dela;
- Este disco:



Devidamente autografado pela artista. Em vinil!!!

Pontos negativos: O facto de só ter conseguido ir a uma conferência. A feira do livro estava fraquita. Tanta alcoól a passar-me à frente e eu sem puder beber por motivos de saúde. A malta da entidade organizadora Animar (tirando o gajo alto dos óculos que está à frente daquilo e de quem infelizmente não me lembro do nome, da Mónica que esteve incansável no palco 2, e de mais duas ou três pessoas que se encontravam no secretariado) ser uma cambada de incompetentes que nada faziam e pouco se preocuparam em fazer. Como alguém referiu, eles eram os trapezistas, que recebem os aplausos, nós, os voluntários, somos a rede que os ampara quando caem. E caíram muitas vezes.

Acabando o meu serviço, ainda fui ver uma banda de covers de uns amigos antigos e conversar até ao nascer do sol com uns amigos recentes. E ainda tive energia para escrever este post.

Estou exausto, mas a experiência foi muito compensadora a nivel pessoal, e sinto-me uma pessoa mais rica em termos humanos. Voltaria a fazer tudo de novo, já amanhã, mesmo mal conseguindo mexer as pernas. Acho que descobri a minha vocação...

23.5.09

Algumas impressões sobre o MANIFesta

Há muitos, muitos, muitos anos atrás, era eu um jovem provinciano a descobrir o que era o Rock and Roll, vieram actuar à minha localidade uma banda de Almada chamada Braindead. Foi o meu primeiro concerto e adorei. Era mesmo muito puto, mas vibrei realmente, a banda causou-me uma fortíssima boa impressão e despertou-me um gosto pela música que obviamente mantenho, como sabe quem vem acompanhando este blog.

Segui a banda como pude, nomeadamente através dos clips que passavam pela televisão e pelo Blitz. Quando a banda acabou, fiquei realmente muito triste. E genuinamente preocupado com o futuro de todos aqueles rapazes. O baixista e o baterista rumaram para os Da Weasel, e têm a vida feita. A maior parte dos outros membros perdeu visibilidade. Preocupava-me especialmente com o membro dos Braindead que melhor impressão me causara, com um talento tão óbvio que até um puto como eu que pouco contacto tinha tido com a música até então notava. Até que vi este videoclip. Minuto 3:16...



Foda-se, o Vasco Vaz nos Mão Morta! Lindo! Foi como se um familiar tivesse ganho o totoloto. Fiquei felicíssimo pelo rapaz.

O que nos remete para o dia de ontem do MANIFesta. Como referi no post anterior, sou uma das pessoas responsáveis pela logística dos palcos. E hoje calhou-me Mundo Cão. Vasco Vaz toca nos Mundo Cão. Vasco Vaz é o meu ídolo de adolescência. Eu conheci uma das pessoas que mais admiro na música portuguesa. E fiz questão de referi-lo. Hoje, sou uma pessoa feliz.

Memórias a reter: Quilómetros percorridos à procura duma merda de um banco para a bateria, que o roadie da banda se havia esquecido. O Pedro Laginha com sorriso de puto feliz a limpar o backstage com uma mangueira dos Bombeiros. Jantar com a banda. Conversas com o baterista de Mão Morta sobre o porquê de fazer mal misturar fruta na comida. A simpatia e acessibilidade de todos eles, desde banda a equipa técnica. Dita Von Teese + sapatos com tacão em forma de dildo. Muita conversa sobre música, um dos meus tópicos preferidos. Um concerto do caraças, bem melhor do as minhas espectativas. Vasco Vaz, no final do concerto, a dizer-me "espero não te ter desiludido com o concerto hoje, é que ainda é dos primeiros do album novo". A humildade do rapaz. De todos eles, na generalidade. CD autografado para a minha prima. Uma prima feliz! E uma amizade refeita com um amigo desavindo. A música une as pessoas!

Palco 2: Agrupamento Musical Lauro Palma. Uma representação aproximada da banda.



Urge ver esta banda ao vivo! Mesmo! As letras são espectaculares! A presença em palco é espectacular! As músicas são espectaculares! A falange de apoio é espectacular! É tudo espectacular! São os maiores! Oiçam, mas sobretudo, vejam-nos ao vivo! Eles tocam a troco de cerveja ou dinheiro para gasóleo. Levem estes rapazes às vossas aldeias, vilas, cidades! Eles trazem a festa com o seu "despimpa"! Os maiores! Super-fã.

Noutros assuntos, totalmente não relacionados com este post:



Outro gajo que é o maior!

Hoje é o último dia. Acho que, apesar de praticamente esgotado fisicamente, ainda me aguentava mais uns 5 ou 6 dias na boa a trabalhar no arame deste circo. O corpo humano é uma máquina impressionante, quando se pensa que se vai desmaiar de cansaço, eis que surge um boom de adrenalina e siga trabalhar com um sorriso nos lábios!

22.5.09

MANIFesta

Sem perceber como nem porquê, vi-me envolvido nisto.



Algo muito positivo, com debates, conferências, e animações várias. O programa completo encontra-se aqui. A mim, calhou-me a logística dos palcos, e tem sido uma experiência extremamente recompensadora, especialmente para um insomniaco que nem com auxílio de ansiolíticos consegue dormir. Ontem estive a conversar com o Júlio Pereira sobre o quão divertido era o Zeca Afonso e discutimos qual dos CSIs era o melhor. UXU KALHUS deram um espectáculo do caraças e também se revelaram pessoas 5 estrelas, especialmente os simpatiquíssimos guitarrista e flautista. Tentem vê-los ao vivo se puderem.

Hoje há Mundo Cão e Agrupamento Musical Lauro Palma, amanhã há Deolinda, Dealema, Woyza (uma cantora galega de R&B) e Hot Pink Abuse. É tudo grátis. Quem estiver por perto de Peniche, apareça que vale muito a pena, mesmo. Quem não sabe onde fica Peniche, procure no mapa pela costa algures entre Lisboa e Leiria. É aquela verrugazinha no nariz de Portugal.

18.5.09

Esta é para o meu amigo Rui

O meu amigo Rui ia correr um porradão de quilómetros mas depois teve um percalço e não conseguiu... Assim, aqui vai um teledisco amador de uma música que sei que gostas e que te acompanhou noutra aventura a solo que te levou a percorrer a costa Portuguesa de lés a lés de bicicleta!



Viste que o vídeo é estúpido mas anima? Um abraço, pánler!