3.6.09

Feira do Disquinho à Pala, dia terceiro: joiejoiejoie

Artista: joiejoiejoie
País: França (mas habita na Bélgica)
Site: joiejoiejoie.free.fr/html/index.html
Album: Green EP (2008)
Destaque: Hyper Green (MP3)



Clément Marion é um Francês radicado na Bélgica, que edita a sua música com o nome de joiejoiejoie. Green EP é o seu segundo trabalho, gratuito. Um disco curtinho, dedicado à cor verde, bucólico como o campo, bom para se deitar na relva a observar as nuvens a passar com uma palhinha na boca. Mesmo calmo e bucólico, joiejoiejoie não deixa de ser experimental e as faixas mais fortes do EP, Escalope de Dinde e Hyper Green, deixam um travo aos Animal Collective do tempo dos Sung Tongs. O que é bom sinal, claro.

Green pode ser descarregado aqui. Podem sacá-lo comodamente num ficheiro compactado ou incomodamente musica a musica.

joiejoiejoie edita os seus trabalhos pela Poni Republic, uma netlabel dedicada a música experimental, representando artistas maioritariamente francófonos e da América do Sul. No antigo site da editora poderão encontrar o primeiro EP deste artista, caso estejam interessados. É radicalmente diferente, mais ambiental e experimental, mas igualmente bom. No antigo site poderão também encontrar uma bonita compilação chamada Ride Your Poni, que contém faixas da maior parte das bandas representadas pela netlabel. Aconselho. Para que conste:

Site antigo: www.ponirepublic.com/catalogue.htm
Site novo: ponirepublic.blogspot.com (um blog sai mais em conta)

2.6.09

Feira do Disquinho à Pala, dia segundo: Feromona

Artista: Feromona
País: Portugal
Site: www.feromona.net
Album: Uma Vida a Direito (2008)
Destaque: Conversa de Cama (MP3)



Diz-me o meu amigo last.fm que os Feromona são um Power-trio de rock português de Lisboa, e que existem já desde 2003. O album Uma Vida a Direito já anda por aí desde 2008 mas como tenho andado distraído só dei por eles graças ao teledisco da Psicologia que tem passado na Sic Radical.

O estilo da banda remete-me para os Ornatos Violeta (mais o "Cão" do que o "Monstro"), uma comparação que os dignifica. Possuem garra e um estilo lírico muito rico e irónico, e iria jurar que o vocalista era do Porto, não tivesse lido antes a biografia da banda. Quem viu o teledisco acima referido, desengane-se. A banda é muito melhor do que aparenta pela amostra visual, e o disco é uma surpresa a todos os níveis. Bisturi, Paquiderme Magrinho e principalmente a faixa inicial, Conversa de Cama, merecem todo o destaque possível.

O disco pode ser descarregado gratuitamente através do site da banda, após o preenchimento de um pequeno formulário. Quem quiser saltar o formulário pode descarregá-lo directamente aqui. Saca, Baby!

1.6.09

Feira do Disquinho à Pala, dia primeiro: Tsui

Artista: Tsui
País: EUA
Site: tsuimusic.com
Album: Half Man Army (2007)
Destaque: Shorthand (MP3)



Eu mantenho este blog há tanto tempo que já não me lembro se referi os Tsui ou não. Acho que os descobri durante o meu ano sabático, se bem me lembro. Os Tsui são na verdade o projecto a solo de Mark Kraus, songwriter de Brooklin, que já nos idos de 2007 resolveu editar o seu Half Man Army gratuitamente pelo seu site. E, passados dois anos, eu pergunto-me, como é que mais pessoas não conhecem este trabalho? Half Man Army é o trabalho de um homem-banda, simples, bem composto sonoramente, frágil nas vocalizações mas apaixonado na entrega. Um disco destes que agradará sobremaneira a fãs de Elliott Smith, não merece a obscuridade à qual foi votado e este rapaz devia pelo menos dar montes de concertos na sua localidade, mas pelo que vejo pelo no seu site, até no seu local de origem Mark Kraus mantém o low-profile. Half Man Army é um disco belíssimo, simples, puro e grátis. O segundo trabalho deverá sair este ano.

Pode ser descarregado gratuitamente em tsuimusic.com, ou, se clicarem com o botão direito do rato e escolherem a opção "guardar como", aqui.

31.5.09

A Feira do Disquinho à Pala!

Este blog está a precisar que lhe dedique amor, e é mesmo isso que eu vou fazer. Vou injectar amor no meu blog com uma seringa das farturas! Das grandes! Uma fartura de amor! Vou começar a oferecer disquinhos à pala a toda a gente!!! Não, não vou colocar aqui rapidshares e megauploads de álbuns que ainda nem sequer estão no mercado (já tenho o novo dos Sonic Youth a ganhar "pó" no meu disco por vergonha de o ter sacado antes de estar à venda) nem nada que se pareça.

Durante este mês de Junho, irei indicar-vos sobre projectos novos ou menos novos, conhecidos ou desconhecidos, que andam por aí a fazer pela vida e que merecem toda a visibilidade possível. E, a cereja no topo da fartura do amor, que oferecem os seus trabalhos gratuitamente a quem se quiser dar ao trabalho de os escutar. Haverão projectos de Portugal, do Brasil, da Suécia, dos Estados Unidos e de outros cantinhos do planeta Terra. E este mês passará para os anais da história como:

(Este cartaz foi feito para mim pela Mariana. A Mariana é fixe! Obrigado, Mariana! Agradeçam todos à Mariana se fazem favor!)


Ou se calhar não passará nada pelos anais de história nenhuma. Se calhar é hipérbole! Hipérbole não será, é mesmo só exagero. Amanhã arranca o primeiro disco. Já de 2007 mas grandiosamente bom e injustamente subvalorizado. O médico receitou sacar os discos todos desta Feira. São grátis e merecem a escuta.

Sendo assim, até amanhã, gente boa.

29.5.09

Livros: Contra a Felicidade

"Não há alegria sem mágoa, o sol cheio de vida não existe sem a lua cravada de cicatrizes" Eric G. Wilson



A felicidade. A felicidade! A felicidade... O que é ser-se feliz? A felicidade é encontrar um ponto estável num mundo em constante mutação. Um contrasenso. A felicidade genuína não existe! Ou existirá, porventura, mas momentaneamente. Um sorriso pode fazer um momento melhor, mas não um mundo melhor. Porque enquanto o homem não saber aceitar que a melancolia faz parte do seu âmago, e que é uma emoção que não deve ser abafada mas sim libertada, nunca seremos verdadeiramente pessoas felizes.

Citação:

"Tentar ser sempre feliz é, necessariamente, reprimir a tristeza inevitável. Entoando com persistência: «Eu estou bem», «eu estou bem», eles empurram a melancolia para o fundo. Aí, no inconsciente, os sentimentos sombrios vão apodrecendo. Claro que não permanecerão para sempre nas profundezas, regressando sempre sob formas monstruosas - em comportamentos neuróticos como a constante lavagem ou limpeza das mãos, em pesadelos perversos e devaneios indecorosos."

E é este o tema central deste livro, oportunamente intitulado Contra a Felicidade com o sub-título Em Defesa da Melancolia, de Eric G. Wilson. Um livro que, apesar por pecar por se dirigir imensas vezes à realidade Norte-Americana, de onde provém o autor, defende o estado melancólico como algo natural e até essencial para a plenitude da condição humana. E, através de exemplos práticos, demonstra como um estado de melancolia potencia um surto enorme de criatividade nas pessoas, da estranha vitalidade que alguém sente quando finalmente deixa de lutar contra a tristeza que o vai minando. Não é à toa que o melhor disco dos Smashing Pumpkins se chame Mellon Collie & The Infinite Sadness, nem que Moby Dick esteja impregnado de melancolia até à medula óssea da grande baleia branca. É da melancolia que nasce a vida, é preciso aceitá-la como parte de nós, é preciso não recalcar as emoções, amar as pessoas que amamos, chorar pelas pessoas que perdemos, perdoar as pessoas que nos desiludem, procurar que as pessoas que desiludimos nos perdoem. Viver sem fantasmas. Porque não existe nada de errado em nos sentirmos melancólicos. Um livro de auto-ajuda diferente dos outros, que nos leva a aceitar a nossa natureza, através de uma emoção conotada como "negativa". Eu, que na vida pessoal sou uma pessoa divertida e até algo energética, aprendi a aceitar e abraçar a melancolia como uma parte muito importante do meu ser. Recomendável, até para quem se acha feliz.



Confidência: não é à toa que às vezes escrevo o conteúdo mensal do meu blog num dia, aproveito os dias que estou na merda e canalizo a energia para o meu blog. Não que o Contra seja grande coisa, mas a ideia que quero passar é que, quando se sentirem em baixo, canalizei as emoções para algo que vos dê prazer fazer. Irá confortá-los com uma felicidadezinha...

28.5.09

Tudo o que interessa saber sobre os Estados Unidos, capitulo XIV: Indiana

Indiana, o estado da hospitalidade

Capital: Indianapolis

Animal: Cardeal (Cardinalis cardinalis)

Lei idiota: É proibido tomar banho entre Outubro a Março

Artista: Michael Jackson (Nem me arrisco a colocar aqui um MP3 dele, já sei que os lobos maus dos direitos de autor vêm cá e sopram-me a casa abaixo)

Miss Indiana: Brittany Mason



26.5.09

Armed with this small butterfly net only I will face the world alone and never be lonely

Ainda não me decidi se esta é a musica mais bonita ou mais triste que alguma vez ouvi, mas tocou-me bem fundo, pela candura e pelo significado da letra. A música deve ser descarregada aqui (botão direito do rato, guardar como). Não é meu costume colocar letras de músicas aqui no meu blog, mas esta é mesmo genial, e segue em baixo:

Calm that wicked wind,
to pick you up
and carry you off eastward,
though i did release you
for to seek a warmer sky

Should you be blown back
know that i will always run to greet you,
still surprised to catch you
every time

Armed with this small butterfly net only
i will face the world alone
and never be lonely

So calm that wicked wind,
and if you go, you could be gone forever
i will wait awhile here
by and by and by and by...

Armed with this small butterfly net only
i will face the world alone
and never be lonely

Up and up you go
for to steal the secrets of the heavens
Will you share them with me
my bright and brilliant spy?

And should you be blown back
know that i will always run to greet you
still surprised to catch you
every time
Still surprised to catch you
by and by and by and by...





(dedicada ao amor da minha vida)

25.5.09

Tudo o que interessa saber sobre os Estados Unidos, capitulo XIII: Illinois

Illinois, o estado da pradaria

Capital: Springfield

Animal: Aquele peixe com 3 olhos que aparece nos Simpsons

Lei idiota: Se não se andar com pelo menos um dólar no bolso, pode-se ser preso por vagabundagem (já repararam que os emigrantes Portugueses na América dizem "uma dóla" em vez de um dólar?)

Artista: Miles Davis (MP3: When I Fall In Love)

Miss Illinois: Ashley Bond


24.5.09

Mais algumas impressões sobre o MANIFesta

Ontem, choveu. Muito. Constantemente. O tempo, que até então tinha estado tão agradável e primaveril, ficou uma bosta. Resultado: os Deolinda, por receio que a chuva lhes estragasse o espectáculo, cancelaram. Ainda se tentou arranjar um palco coberto noutra localidade perto, mas nem o palco se adequava nem faria sentido muda-los para outro sítio. A banda não actuaria. Foi chato, fiquei desiludido primeiro, depois frustrado por ter convocado tantos amigos que viriam de longe para os ver, mas acabei por aceitar o facto como algo que acontece e que não há nada a fazer. Não foi possível ver os Deolinda, paciência. Por morrer uma andorinha não se acaba a Primavera. Houveram mais bandas.

O problema foi que a malta da organização (e não o grupo de voluntários, que envolvia pessoal ligado à Cerci, a uma associação de desenvolvimento local e à câmara municipal) optou por não avisar o público. Era praticamente impossível fazê-lo em tão curto espaço de tempo, certo, e houve um anuncio sobre o cancelamento na rádio local, mas o cartaz a anunciar "Deolinda hoje às 22:00" ainda está neste momento junto ao palco principal. A multidão que veio regressou a casa desinformada, desiludida e frustrada. Muita gente de fora que veio ao MANIFesta para apanhar um bocadinho de chuva à espera de um concerto inexistente e ir embora. Uma pena.

No palco secundário, arriscou-se e a noite Hip-Hop avançou mesmo. Iniciou com o grupo de dança Boa Onda e Escolhas vivas, vindos do Algarve, interrompeu-se com a actuação dos Hot Pink Abuse (um percalço no alinhamento, já que a sonoridade nada tinha a ver com Hip-Hop, mas esta actuação teve de ser antecipada por motivos de saúde de um dos membros da banda) prosseguiu com Woyza e os mais esperados da noite, os Dealema.

Memórias a reter: O catering super-reforçado, que deu para as bandas todas e para os voluntários, graças ao cancelamento dos Deolinda (always look on the bright side of life, diziam os Monty Python), o facto de ter curtido imenso os Hot Pink Abuse apesar daquele público não ser o deles, o facto de ter curtido concertos de Hip-Hop (não é a minha praia, mas desta vez gostei mesmo) e de me ter divertido à brava, a beleza da Woyza (Ai meu Deus, a mulher é tão tão tão tão linda, mesmo das pessoas mais bonitas em termos faciais que alguma vez tive o prazer de privar), a simpatia do namorado dela, El Puto Coke, que também actuou, a boa onda do Maze dos Dealema e o facto do gajo ser mesmo um grande MC, o chá de cidreira que fui pedir encarecidamente a uma senhora que não conhecia de lado nenhum (obrigado senhora) para que a vocalista de Hot Pink Abuse melhorasse a sua condição de saúde e actuasse, a odisseia que foi encontrar ganza para alguns elementos de uma das bandas (tarefa aparentemente tão fácil, mas, aparentemente, o haxixe este Sábado estava mais escasso que o petróleo no Beato), o facto de ter de subir ao palco duas vezes, uma para anunciar os miúdos do Algarve e outra para preparar um público complicado e meio impaciente para a desconhecida Woyza, referindo a sua participação no último registo dos Dealema, o grande Zé, manager desta gente toda e o gajo mais boa onda de todos os tempos. Todas as pessoas que conheci e que comigo deram no duro para que aquilo funcionasse. A apreciação do meu trabalho, traduzida em:

- Uma salva de palmas no backstage pelos Hot Pink Abuse;
- A claque de apoio que tive da segunda vez que subi ao palco (Obrigado pessoal do Bairro Santana!)
- Muitas palavras de apreço e amizade pelas espectaculares pessoas da associação que representei sem realmente fazer parte dela;
- Este disco:



Devidamente autografado pela artista. Em vinil!!!

Pontos negativos: O facto de só ter conseguido ir a uma conferência. A feira do livro estava fraquita. Tanta alcoól a passar-me à frente e eu sem puder beber por motivos de saúde. A malta da entidade organizadora Animar (tirando o gajo alto dos óculos que está à frente daquilo e de quem infelizmente não me lembro do nome, da Mónica que esteve incansável no palco 2, e de mais duas ou três pessoas que se encontravam no secretariado) ser uma cambada de incompetentes que nada faziam e pouco se preocuparam em fazer. Como alguém referiu, eles eram os trapezistas, que recebem os aplausos, nós, os voluntários, somos a rede que os ampara quando caem. E caíram muitas vezes.

Acabando o meu serviço, ainda fui ver uma banda de covers de uns amigos antigos e conversar até ao nascer do sol com uns amigos recentes. E ainda tive energia para escrever este post.

Estou exausto, mas a experiência foi muito compensadora a nivel pessoal, e sinto-me uma pessoa mais rica em termos humanos. Voltaria a fazer tudo de novo, já amanhã, mesmo mal conseguindo mexer as pernas. Acho que descobri a minha vocação...