13.8.09

Banda Desenhada: Preacher

Não é nada de novo, mas só recentemente dei uma chance ao universo do Preacher, de Garth Ennis e Steve Dillon.


E, devo dizer... Esta é a séria de banda desenhada mais kick-ass de todos os tempos! Mesmo! As melhores personagens, as histórias mais decadentes, as paisagens mais reles! Excelência!

Preacher conta a estória de um pastor evangélico bebedolas e fumador inveterado, que por razões que não interessam para agora (e que estragariam metade da piada de ler a obra), vê-se a braços com o poder da palavra divina. Ou seja, tudo o que Jesse Custer diz é lei. Imaginem o que acontece quando o pastor diz a alguém GO FUCK YOURSELF!

Junto a Custer está Tulip, a sua namorada, assassina contratada com predilecção por armas de fogo, e Cassidy, o vampiro mais gloriosamente decadente (que ataca pescoços como quem morde um pernil) da história da vampiragem, e por conseguinte o meu vampiro favorito. E este trio de gente feliz tem aventuras a rodos, em busca de Deus, que está de férias algures pela Terra. Pelo caminho vão encontrar gente tão divertida como o temível Saint of Killers, ou o vilão mais estúpido do Oeste Arseface, ou mesmo a assustadora avó de Custer e John Wayne himself, assim como um número avultado de personagens ricas em pormenor e decadência.

Preacher mistura em doses generosas humor negro, ultra-violência, temática Western e Religiosa, Vietnam e guerra de independência da Irlanda, depressão e repressão, e uma panóplia de tabus e taras sexuais de fazer corar a mente mais aberta. Inteligente, violento, polémico, nojento e divertido, Preacher é um must para qualquer fã da 9ª arte. Toda a obra encontra-se em 9 volumes nas lojas da especialidade.

12.8.09

Livros: Uma Pequena História do Mundo

Destaque para o ternurento livro Uma Pequena História do Mundo, de E. H. Gombrich, Austríaco por nascimento, Britânico por naturalização e cadáver por falecimento.



Uma Pequena História do Mundo consiste na narração factual e condensada da História do planeta Terra, desde a Pré-História até aos tempos modernos. Escrito a pensar num público infanto-juvenil, este livro consegue fugir a esses escalões etários, sendo uma leitura fresca e interessante para públicos de todas as idades. Sempre apresentando o ponto de vista do autor, para o bem (Uma Pequena História do Mundo chegou a ver a sua publicação suspensa pelos Nazis por o considerarem "demasiado pacifista") e para o mal (no capítulo final, escrito já posteriormente à edição original, o autor desculpabiliza-se por ter sido parcial em alguns capítulos, chegando mesmo a identificar os mesmos), por aqui aprendemos sobre a origem dos dias da semana, dos feitos de Alexandre, o Grande, da batalha de Maratona, da cavalaria, da Idade das Trevas e da luz que surgiu no Renascimento, até ficar tudo novamente escuro com o fumo das fábricas da Revolução Industrial, contrastando com o vermelho das guilhotinas da Revolução Francesa.


O que encanta neste livro é a capacidade de Gombrich para nos narrar os acontecimentos como um avôzinho conta uma estória de embalar aos netos, de forma divertida, descontraída, simples e acima de tudo, cativante! Para ser lido em voz alta às crianças da família!

11.8.09

Dia feliz/Dia triste

Hoje descobri que corro mais do que o meu pai.

19.7.09

Uma questão de perspectiva





Lição aprendida apreendida em Surviving the World.

6.7.09

Filmes: Tales of the Black Freighter

Eu consegui sobreviver sem ir ver Watchmen! A campanha de Marketing foi excelente, com vídeos virais de extrema qualidade e posters de sonho, e o trailer prometia fidelidade à obra, mas quando se trata da adaptação cinematográfica de um dos livros que incluo no meu Top 5 (ao lado das obras de literatura que moldaram o meu espírito e me tornaram na pessoa que sou hoje), sei simplesmente que ficaria desiludido com o resultado final. Não tenho ilusões de que um dia acabarei por ver a adaptação cinematográfica de Zack Snyder, mas, por agora, passada que está a febre Watchmen, e ficando o filme aquém das expectativas em termos de crítica e receitas, dou-me por feliz por ter resistido. Só eu sei o quão desiludido fiquei com a adaptação da Laranja Mecânica (continuo a achar que falta violência no filme e que o livro é muitíssimo mais agressivo).

No caso do Tales of the Black Freighter, no entanto, fui incapaz de resistir.



Tales of the Black Freighter é uma banda desenhada dentro da banda desenhada de Watchmen. É uma história que traça paralelismos com a história principal, mas que por motivos de quebra de fluidez narrativa e dimensão total do filme, foi cortada, acabando por ser editada em DVD.

Um filme de animação competente, Tales of the Black Freighter conta com a prestação narrativa de Gerard Way, que, depois de The Umbrella Academy, traz-me a sua segunda boa surpresa através do seu contributo nesta curta metragem. Começo a achar piada ao talento deste senhor noutros campos que não o musical.

A história, essa, que pode ser apreciada pela primeira vez integralmente (no livro, há partes que são deliberadamente cortadas), versa sobre um capitão de uma Nau, único sobrevivente de um ataque do temível Black Freighter, e dos seus esforços para regressar a casa e salvar a sua família da perdição do navio maldito. Um poderoso exercício sobre como a solidão e o desespero podem levar a pessoa mais íntegra à loucura. Perde um bocado de gás quando o realizador toma algumas liberdades criativas (a inclusão de mais personagens falantes tira força às acções do protagonista), mas ainda assim Tales of the Black Freighter é uma pequena pérola de animação que pode ser apreciada como um todo. Deste filme tenho a certeza que, mesmo nunca o admitindo publicamente, Alan Moore sinta uma pontinha de orgulho.

Clicai aqui para se saber o que eu achava de Watchmen em 2006. Nada mudou desde essa altura na minha opinião.

5.7.09

Pretty




Regina Spektor. Album novo chama-se Far e é bonitinho, mas ela é mais.

30.6.09

Cerimónia de Encerramento da Feira do Disquinho à Pala

Final oficial da Feira do Disquinho à pala, uma iniciativa que julgo proveitosa para quem dela usufruiu. As palavras carinhosas e o feedback que foram transmitindo pelo blog, pelo mail e pessoalmente levam-me a pensar que esta ideia já seria uma vitória antes mesmo do primeiro disco da Feira ser divulgado. Numa iniciativa como esta ganham todos, ganham as bandas e artistas, ganham as netlabels, ganham os amantes de música.

Ao todo, passaram pela Feira 22 bandas e artistas, representando 9 países.

Portugal, 7 representações:

- Feromona;
- b (fachada);
- Azevedo Silva;
- Norton;
- Os Azeitonas;
- João Coração;
- Stealing Orchestra.

EUA, 5 representações:

- Tsui;
- Havalina Rail Co;
- Tim Fite;
- The Bastard Fairies;
- The Bran Flakes.

Brasil, 3 representações:

- Instiga;
- Graveola e o Lixo Polifônico;
- Perdeu a Língua.

Suécia, 2 representações:

- Double Dan;
- Billie the Vision & The Dancers.

França, Alemanha, Hungria, Holanda e Colômbia com uma representação cada:

- joiejoiejoie (França);
- Anois (Alemanha);
- M.W.D. (Hungria);
- Paper Tiger (Holanda);
- Lucrecia (Colômbia).

Netlabels representadas na Feira do Disquinho à Pala:

- Poni Republic;
- 23 Seconds;
- Merzbau;
- Lastima;
- Aerotone;
- Budabeats;
- Beep! Beep! Back Up The Truck;
- Sinewave;
- Series Media;
- Illegal Art;
- You Are Not Stealing Records.

Quem estiver interessado em aventurar-se pelo mundo das netlabels, ou até quem sabe criar a sua própria editora discográfica virtual, não se esqueça de passar pelos seguintes sites:

- netlabels.org
- www.archive.org/details/netlabels

Espero que esta iniciativa vos tenha despertado uma pontinha de curiosidade em ouvir nova música, e que a escolha musical que resolvi trazer para esta Feira tenha sido adequada. Procurei incluir aqui apenas discos dos quais tivesse gostado. Por vezes durante a minha pesquisa senti-me como um mineiro, escavando por entre quilos de carvão até descobrir um raro diamante. Mas, pessoalmente, considero esta viagem bem proveitosa. O mérito vai todo para os artistas e netlabels acima mencionados. Um bem-hajam!

29.6.09

Feira do Disquinho à Pala, dia vigésimo primeiro: Stealing Orchestra

Artista: Stealing Orchestra
País: Portugal
Site: O estado oficial do site da banda é Fucked Up Right Now. Enquanto isso, www.myspace.com/stealingorchestra
Album: É Português? Não Gosto! EP (2001)
Destaque: O Pastor, a Droga e as Visões (MP3)



Eu simplesmente adoro este disco dos Stealing Orchestra! Pelas mais variadas razões:

- Porque foi o primeiro disco a ser editado pela primeira netlabel Portuguesa, a em tempos extinta mas novamente rescuscitada You Are Not Stealing Records, o que lhe garante um carácter histórico;

- Pela capa horrorosa e título apropriadamente auto-depreciativo;

- Pela sonoridade urbana, experimental, agressiva, e ao mesmo tempo rural, bucólica, popularucha;

- Pelos deliciosos títulos das canções (Conheci a Carla nos Carrinhos de Choque! Overdose no WC da Feira Popular! Ser Jovem Sem Droga, Acólito e Virgem!);

- Pelas homenagens (paródias?) a For Me Formidable (de Aznavour, Charles) e Maravilhoso Coração Maravilhoso (de Paulo, Marco);

- Pelo mash-up 8-bit das tradicionais Hava Nagila e Katiousha;

- Pela versão Fado da Mensagem da Dona Lina, um dos primeiros sucessos da internet Portuguesa, dos tempos do Vai Já Chamar a Tua Filha;

- Pelo tresloucado remix do hino dos Renegados de Boliqueime, O Gajo que Trocava Deus por uma Cerveja;

- E principalmente, pela faixa O Pastor, a Droga e as Visões, um tema que me remete imediatamente para os prados secretos bem no alto da Serra Amarela, no Parque Nacional Peneda-Gerês, onde passei tardes indolentes de papo para o ar a contar as nuvens com os meus então colegas de estágio, entretanto melhores amigos Rui e Hugo.

Por todas estas razões e mais algumas, É Português? Não Gosto! tem a honra de encerrar a Feira do Disquinho à Pala, pois por mais estranho e inacessível que possa parecer, não merece a obscuridade à qual está votado!

Felizmente, e apesar do silêncio por parte da banda (consta que preparam album novo), o espólio da You Are Not Stealing Records foi salvo e a editora voltou ao activo. A nova morada da You Are Not Stealing Records é youarenotstealingrecords.blogspot.com, e conta já com novas edições. É Português? Não Gosto! poderá ser descarregado aqui.

28.6.09

Pausa na Feira do Disquinho à Pala para compromissos gratuitos



Imprimir, afixar e apostar se sou levado primeiro pela polícia judiciária ou pelos senhores de bata branca. Contraculturalmente, a meter bichinhos nas cabeças das pessoas desde 2005.