17.11.09

5 capas (falsas) de Inglorious Basterds: A Banda Desenhada

Alguma alma iluminada resolveu criar as capas de uma suposta edição em banda desenhada da obra mais recente de Tarantino, Inglorious Basterds, a sua homenagem aos géneros Épico de Guerra/Western Esparguete. A estética é totalmente retro (reminiscente daquilo a que nos Estados Unidos se apelida de... Pulp Fiction), fazendo salivar tanto os fãs de Tarantino como os de Banda Desenhada. Os livrinhos abaixo apresentados não existem, mas aposto que alguns milhares de seres humanos não se importariam nada de poderem folhear as aventuras do Tenente Aldo The Apache contra o malvado General Hans Landa...











16.11.09

RESSACA KOSOVAR - Kickboxer, Dead Snow

Não têm existido Ressacas Kosovares na minha vida ultimamente... De há uns meses para cá, sensivelmente desde a última Ressaca Kosovar que data de Março deste ano, abandonei os meus hábitos nocturnos e hoje em dia praticamente não toco em álcool, primeiro devido a uma condição clínica, actualmente porque não me apetece. Se este quadro é para ser mantido ou não só o tempo o dirá. Sinto-me bem assim, mas volta e meia a saudadita de uma bela Ressaca Kosovar aperta... Há uma ou duas semanas atrás tive a oportunidade de passar por Setúbal, onde reencontrei os meus grandes dois amigos maiores do mundo, Ruiruim das corridas e Hugo Pucaneinho dos barquinhos, e o inevitável aconteceu... Ressaca Kosovar, antecedida pela primeira Bebedeira Kosovar de sempre!

Para comer, quilos de porcaria. Batatas fritas, gomas, chocolatinhos, bolachinhas, lixo desse. Para beber, caipirinha e shots de Tequilla. Entre a comida e a bebida, Space Yoghurt, uma variante de Space Cake mas com iogurte. O resultado foi explosivo! O que começou por ser um reencontro de amigos rapidamente se transformou em actos variados de selvajaria... Houve quem comesse sopa à mão, houve quem atirasse chocolates para trás dos armários sistematicamente, houve quem saísse à rua vestido de lycra para aterrorizar a vizinhança... Nada de incomum em encontros destes hooligans... Para acalmar os ânimos, já com a presença apaziguadora do Ti Bananas das bicicletes , sóbrio e ajuizado, visionámos um grande clássico do cinema de pancadaria.



Kickboxer, de 1989, versão sóbria: Campeão de Kickboxing Americano é atirado para uma cadeira de rodas pelo seu congénere Tailandês, irmão de campeão Americano treina muito, irmão de campeão Americano ganha contra campeão Tailandês. Aqui está o resumo de 85% dos filmes de pancadaria dos anos 80, e 50% da carreira de Jean-Claude Van Damme (os restantes 50% dividem-se entre filmes em que o senhor tem um irmão gémeo malvado e películas onde o visado é obrigado a alistar-se na tropa mas continua a dar mais pontapés que tiros).

Kickboxer, de 1989, versão delirante: Dois homens grandes e musculosos com calças justas e camisolinha de alças passeiam de barco pela Tailândia. Um deles tem cabelo à Paulo Futre e bigodinho marca registada Zezé Camarinha. O outro compra flores a uma senhora que passa por ele no barco ao lado. O bigodinho abraça o mais pequeno das flores, não ocultando a ternura que os une, enquanto o passeio de barco prossegue... Apesar de um deles ter um indisfarçável sotaque francófono (Bonjour! Mái neiman iz Keeeeert ande ai éme Amérriquene, n'est pas?) o outro falar a língua dos parolos do Texas (I'm the champion, i'm the champion, Keeeeert, go get some ice for the champion while the champion makes out with this girl that wants to make out with the champion), ambos os homens afirmam serem irmãos, pois a sociedade Asiática dos anos 80 ainda não está preparada para aceitar a diferença...

(Irmãos tão parecidos que nem a sua mãezinha os consegue distinguir)

O namorado irmão de bigode é o campeão Americano de Kick-boxing, e encontra-se oficialmente na Tailândia para defrontar o campeão local, Tong Po (o Turismo Sexual fica para segundo plano). Numa manifestação claramente homofóbica, Tong Po derrota o Americano de forma humilhante, reduzindo a sua coluna vertebral a estilhaços. Um Americano que por acaso tinha ficado por ali desde o final da guerra do Vietname recolhe o campeão vencido e o seu "irmão" sedento de vingança. O campeão vai para o hospital, o "irmão" para um mestre de Muay Thay que jurara nunca mais treinar ninguém, mas que depois de ver a cara de bebé chorão de Van Damme lá acede a treinar "só mais um, vá lá, prontos, e tal". Seguem-se lindos momentos de humor, nos quais o mestre tortura Van Damme como todos nós gostaríamos de fazer, esticando-lhe as pernas previamente presas em troncos, obrigando-o a passar largos minutos debaixo de água, ou atirando-lhe com cocos do alto das árvores. O ponto alto do treino é atingido quando o mestre leva Keeeeeeert ao bar local, embebeda-o e obriga o seu aprendiz a dançar totalmente fora de ritmo com as locais, como que para provar a Heterosexualidade do seu pupilo.

(Pareces uma enguia nojenta a dançar, mas não enganas ninguém com essa camisola de alças)

Pelo meio, Mai Lee, a sobrinha do mestre, tenta trazer Keeeeeert para o mundo da virilidade, conseguindo roubar-lhe um beijo, antes do nosso herói se vomitar todo de asco... Por esta afronta, Mai Lee paga bem caro com uma ternurenta violação por parte de Tong Po. Chegado ao dia do combate, o campeão do Kick-Box para-olímpico é raptado. Enquanto que o mestre e o Americando do Vietname o libertam à força do pontapé e do tiro, Keeeeeert luta na arena com Tong Po. O Tailandês enche a cara de Van Damme de pancada, ao ponto de quase sentirmos pena do Belga, até que chega a altura que todo o rapazinho fã de filmes de artes marciais dos anos 80 conhece de cor e salteado, a frase mais mítica dos filmes de Van Damme, O momento de Kickboxer:

(You scream like Mai Lee. Mai Lee gooooooooooooooooooooooooood fuck!)

Escutando isto, Keeeeert transforma-se em Super-guerreiro do espaço nível 3, faz 4 hadoukens e um paracetamol na cara de Tong Po, vence o combate, invasão de ringue, créditos que se faz tarde, The End.

Veredicto: Filme interrompido por várias idas à casa de banho, apertadinhos de xixi que ficámos de tanto rir. Comédia de ir às lágrimas, um mimo de filme, mau, muito mau, pior do que alguma vez nos recordávamos. Gloriosamente mau! Van Damme é um péssimo actor, o sotaque Francês só o acentua ainda mais. Mestre Bronson agradece por finalmente termos trazido um filme decente para a Ressaca Kosovar, e entrega de bandeja:


(cinco Bronsons semi-nús em cinco! Uau!)

No dia seguinte, heis que finalmente chega a Ressaca Kosovar... Depois do delírio que foi este Kickboxer, sabendo já de antemão que suplantar esta jóia seria tarefa impossível, resolvemos visionar uma película mais séria...



Dead Snow, de 2009. Um filme Norueguês de terror. Em Dead Snow, um grupo de jovens passa umas férias divertidíssimas numa cabana isolada numa montanha coberta de neve. Sem se saber como nem porquê, é encontrado na cabana um baú repleto de ouro Norueguês roubado pelos Nazis durante a Segunda Grande Guerra. Esse mesmo baú encontra-se enfeitiçado, levando a que se erga na neve um batalhão de Nazis Zombies congelados para o reaver!!!?!!!!?!!!

Passe o ridículo do argumento, Dead Snow surpreende pela sua qualidade! É extremamente bem realizado e montado, possui cenários belíssimos e pormenores de câmara inteligentes, e presta homenagem descarada aos clássicos do género Zombie. E possui Tchaikovsky na banda sonora!

Mas o mais importante neste filme são os zombies e as mortes! Cabeças espalmadas, desmembramentos, decapitações, bungie-jumping com intestinos, drama, acção, Zombies Anti-Semitas, Gore, Gore, Gore!!!!!

Veredicto: Muito divertido, Dead Snow entretem e deixa um gostinho de satisfação nos lábios do ressacado. Um amor de filme de terror! Charles Bronson gostou deste, filme, lembrando-se com saudade do tempo em que combateu na II Guerra Mundial (facto verídico, vão ver à Wikipédia se não acreditam, seus descrentes de Bronson!), e verte uma lágrima nostálgica enquanto premeia o esforço Norueguês com...



(Quatro Bronsons semi-nús em cinco)

E assim terminou mais uma Ressaca Kosovar. Havendo coragem, fígado e tempo, e reunindo-se as condições certas como acontecera desta feita, poderão haver mais. Se breve, se tarde, só o tempo o dirá. Mas se as poucas que existirem forem todas como esta, já me dou por contente!

13.11.09

Pretty

21.10.09

Never forget



6 anos a fazer falta.

20.10.09

Filmes: Eagle Vs Shark e Diagnosis: Death

Ainda os Flight of the Conchords. Para além do reconhecimento que a série de televisão vem granjeando, tanto Bret McKenzie como Jemaine Clement têm tido aventuras cinematográficas dignas de registo. Bret destacou-se primeiro, entrando nos filmes das pontas da Trilogia do Senhor dos Anéis, galardoados com um carrinho das compras cheio de Óscares. Quem não se recorda da sua soberba prestação como Figwit, o elfo figurante, durante a cena da formação dA Irmandade do Anel?



Aparentemente, por mais esquecível que fosse o seu papel, muita gente reparou nele, ao ponto de ser trazido de volta nO Regresso do Rei, desta vez com um papel mais importante, com duas falas, contrastando com as zero a que teve direito no primeiro tomo da saga. Muito antes dos Flight of the Conchords, Bret McKenzie já era um fenómeno com direito a sites de fãs dedicados à sua personagem enigmática, como Figwit Lives!

Menos galardoado, mas ainda assim integrante na selecção oficial dos Festivais Sundance e SXSW, é Eagle Vs Shark, de 2007, um filme de Taika Waititi e Loren Horsley com Jemaine Clement no principal papel.



Eagle Vs Shark é um drama mascarado de comédia romântica. Lily, empregada numa cadeia de Fast Food, escritora de canções sem público e semi-profissional do Hula-Hoop, no seu total desespero e petrificada por ficar sozinha, apaixona-se por Jarrod, mentiroso implausível, sociopata obcecado por vingar-se de um rufia que o atormentava no liceu a ponto de lhe telefonar a fazer ameaças de morte no período pós-sexo, um ser humano tão irritante e desajustado que nem a própria família gosta dele... Prova de que toda a gente tem mesmo mesmo mesmo direito a amar e ser amado.

Mais recente é o esforço conjunto não só da dupla Clement/McKenzie mas também de praticamente todo o elenco da série Flight of the Conchords, a comédia de terror Diagnosis: Death, de 2009.



Apesar da promoção, a presença das estrelas dos Flight of the Conchords resume-se a alguns minutos por parte de Jemaine e a um estatuto muito secundário no caso de Bret. Mas, não obstante, aqui temos um excelente filme de terror pontuado com humor de fino recorte. Andre, professor de liceu corrompível, sofre de cancro no rabo em fase terminal (quando falo de humor de fino recorte refiro-me a isto), e juntamente com outra doente acabadinha de atingir a maioridade chamada Jeniffer, aceita participar num tratamento experimental numa clínica sinistra... E, se conseguir sobreviver às alucinações e tormentos causados pelo tratamento (aparentemente), ainda têm direito a ser reembolsados! Pelo meio, surge um mistério envolvendo um antigo assassinato na clínica...

Eagle Vs Shark conta com momentos de humor brutais e violentos, mas prima essencialmente pelo desconforto causado por sermos todos um bocadinho cromos como Jarrod ou termos alguém próximo nas nossas vidas com atitudes assim... Diagnosis: Death possui momentos de terror muito bem conseguidos, mais pela força do susto fantasmagórico do que do gore, que também contém a espaços. Eagle Vs Shark contém belíssimas cenas inteiramente criadas através de Stop-Motion. Diagnosis: Death possui a segunda cena filmada a partir de um ânus humano simulado de que tenho conhecimento (a primeira encontra-se no filme A Fuga de 1977, realizado por Luís Filipe Rocha). Eagle Vs Shark vem embalado por uma belíssima banda sonora, misturando artistas internacionais como Devendra Banhart e M. Ward e pérolas Neo-Zelandesas como The Phoenix Foundation e Age Pryor. Diagnosis: Death aposta na tensão erótica entre uma menina em pijamas reveladores e uma enfermeira sádica.

Os filmes são imensamente diferentes, entre si e entre os demais. E ambos competentes, cada um à sua maneira, adaptados ao seu público-alvo. Duas boas apostas, com o selo de qualidade Flight of the Conchords. Kiwis rule!

13.10.09

5 cantigas dos Flight of the Conchords

Complementando o post anterior, deixo aqui cinco das minhas cantigas preferidas do 4º melhor duo Electro-Folk do país das Ovelhas e do Senhor dos Anéis.

The Humans Are Dead

Humor Retro-Futurista!




Foux de Fa Fa


Porque falar mal o Francês é passatempo Universal!



Albi, The Racist Dragon

Humor racista de fino recorte!



If You're Into It

A sinceridade é pedra fulcral em qualquer relação...



Jenny

Esta não entra na série, o que é uma pena, mas também se compreende, pois enquadrar isto num episódio seria esticar um bocadinho a corda... Uma das letras mais complexas dos Flight of the Conchords!

12.10.09

Séries: Flight of the Conchords

Os Flight of the Conchords, auto-intitulados "o quarto melhor duo Folk da Nova-Zelândia, ficando atrás da sua banda tributo, Like of the Conchords", é simplesmente a melhor coisinha saída dos antípodas desde... Sempre?



Os Flight of the Conchords são Bret McKenzie e Jemaine Clement, dois antigos colegas da Universidade que aliaram o seu gosto musical aos seus sentidos de humor dúbios, criando uma mistura que foi ganhando um culto pequeno, mas dedicado, na Nova-Zelândia natal desde 2000, passando pela Australia, e saltando para os países Anglófonos com sucessozinho e a partir daí, para a glória planetária relativa... O seu número, uma mistura de stand-up com concerto músical, deu origem a uma série de sketches radiofónicos para a BBC, 2 albuns (o terceiro sai este mês) e um EP galardoado com o Grammy para melhor disco de comédia e uma série televisiva com duas temporadas, a caminho da terceira... Assumindo-me desde já total e completo fã incondicional de tudo relacionado com Flight of the Conchords, destaco aqui a primeira temporada da série, por ser mais facilmente "encontrável" à venda em território nacional, com direito à preciosa legendagem em Português!



Os episódios giram em torno de Bret e Jemaine, dois pastores Neo-Zelandeses à procura do sucesso musical que insiste em escapar-lhes em Nova Iorque, parcialmente por culpa do manager Murray que se recusa em lhes marcar concertos depois das 7 da tarde por ficar escuro e ter medo dos bandidos, parcialmente por culpa da indiferença e preguiça dos Kiwis, mais interessados em engatar do que em actuar. Na equação temos também Mel, a única fã do Duo Folk, ao ponto de uma ridícula obsessão.

O humor é cru, violentamente cru, alimentando-se de silêncios. A interacção entre as personagens é tão indiferente e monocórdica que se torna hilariante, ao ponto de ir às lágrimas. E as letras das cantigas são excelentes, vivendo os episódios muito através delas. Cada música tem o seu teledisco, visualmente diferentes do resto da fotografia. Uma situação normal pode-se transformar numa orgia caleidoscópica de Reaggaeton (em Boom) ou num delírio psicadélico em The Pretty Prince of Parties.

A série, assim como o duo, precisa de espaço para crescer e ganhar o seu espaço no espectador, pesando a sua singularidade. Mas, para quem gosta do humor de Ricky Gervais, vai encontrar aqui muito com que se entreter. Recomendadíssissimo!

28.9.09

Livros: Clássicos da Humanidade

Chamada de atenção para a iniciativa do jornal Expresso. O semanário apresenta uma oportunidade de ouro para adquirir uma parte substancial da Colecção Clássicos da Humanidade a um preço muito convidativo.



A colecção Clássicos da Humanidade consiste na adaptação de obras literárias de grande valor para o Português actual. Já vem surgindo pela editora Sá da Costa há uns tempos, e agora é reunida pelo Expresso em edição de bolso e pelo preço simbólico de 1 euro cada (mais preço do jornal). Cá fora pelas livrarias e papelarias estão já os dois primeiros volumes. Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto, brilhantemente adaptado pelo Mestre Aquilino Ribeiro. Os Lusíadas, de Luís de Camões, só não leva selo de sacrilégio por apresentar o sub-título Contado às crianças e lembrados ao povo.

No mês de Outubro ainda teremos a oportunidade de ler Viagens de Gulliver (dia 3), A Odisseia de Homero (dia 9), a fantástica História Trágico-Marítima (um dos livros preferidos do meu pai, dia 17) e a Eneida de Virgílio (dia 24). 6 livros 6, todos eles épicos, todos eles adaptados, por 5 euros mais preço de jornal e seus habituais 30 quilos de suplementos. Ideal para fomentar o gosto pela leitura nas mentes mais jovens e impressionáveis.

24.9.09