11.12.09

5 concertos em 2009

Foi um ano bem bonito em termos de concertos, este 2009! Apanhei conjuntos e agrupamentos musicais sobejamente catitas, que debitaram cá para fora cantigas carregadas de garbo e que encheram a minha alma de felicidade! Aqui fica uma amostra dos cinco concertos que mais me marcaram. As fotos e imagens foram roubadas à cara podre pela internet fora, com os créditos mantidos nas mesmas, excepto na referente ao Festival MED, que está aqui para mostrar que eu também tenho jeitinho para a coisa:

26 de Abril: Foge Foge Bandido @ CCC



Uma oportunidade de ouro, grátis, para se ver um dos grandes cantautores do nosso País, numa sala digna (o Centro de Congressos das Caldas da Rainha, ainda a cheirar a novo). Uma amiga que partilhou comigo este concerto, desconhecendo a totalidade da obra de Manel Cruz nos Ornatos Violeta e Pluto, saiu no final do concerto nas nuvens, apelidando a experiência de "terapêutica". Foi grande!

27 de Junho: Siba e a Fuloresta @ Festival MED



Num outro blog que não este, escrevi sobre este concerto: "Samba e Forró com trompetes, tubas, clarinetes e velhos conservados em formol a tocar pandeiro e a desafinar, tudo conduzido por uma personagem totalmente Chico-Buarquiana, o tal de Siba. Um dia, quando for homenzinho, quero ter um chapéu e um bigode igual ao dele. A interacção com o público foi demais, chegando ao ponto de virem todos participar na festa para o meio da audiência. Um concerto muito especial, o meu preferido de todo o MED."

O que quer dizer muito num Festival com grande cartaz para quem é fã da "cena étnica". Rivalizar com Buena Vista Social Club e o esforço conjunto do grande Rabih Abou-Khalil com o fadista Ricardo Ribeiro não é tarefa fácil.

11 de Julho: Los Campesinos! @ Optimus Alive 2009



Sacanas dos putos, abafaram o Alive no único dia que tive oportunidade (e vontade) de ir. Concerto carregadinho de momentos. Alecks a chorar quando alguém do público lhe ofereceu o vinil de Crooked Rain, Crooked Rain Slanted & Enchanted dos Pavement (como presente de despedida, pois a menina que canta vai sair da banda para cursar medicina). As latinhas de Super Bock abertas teatralmente a cada paragem de Death to Los Campesinos! (a música do anuncio, para quem não conhece). Gareth empoleirado nas colunas em Sweet Dreams, Sweet Cheeks. Gareth, Neil e Ollie a fazer crowd surf! Mosh do bom! Alegria! Festa! Paguei 50 € só para ver Los Campesinos! Voltaria a fazê-lo sem reservas!

5 de Agosto: Faith No More @ Sudoeste



Gostava de Faith No More nos meus anos de catraio, sem exageros nem fanatismos. Continuei a seguir a carreira de Mike Patton com atenção após o final da banda. Olhei esta reunião com desconfiança. Mas acedi aos meus instintos e desloquei-me à Herdade da Casa Branca para os ver. E o que tenho a dizer é UAU! Isto sim, foi um concerto a sério, carregado de humor de gosto dúbio, destreza e garra. Entre os êxitos (Epic, Ashes to Ashes, Evidence) e as covers (Reunited, Easy, I Started a Joke), destaque para a brutalidade de Caffeine, Cuckoo For Caca e Be Agressive! Paguei 40 € só para os ver! Diria que teriam sido 40 € bem gastos, não tivesse encontrado mais tarde na mesma noite uma notinha de 50 €. Assim, digo que foram 10 € bem poupados...

4 de Novembro: Kings of Convenience @ Coliseu dos Recreios



No primeiro concerto que tive oportunidade de ver sentado no Coliseu de Lisboa, os Noruegueses tiveram a virtude de conseguir reduzir dois dos nossos muy irritantes hábitos latinos ao mínimo essencial: conseguiram, através do humor, que as habituais palminhas descompassadas que poluem os concertos em Portugal fossem substituídas por estalares de dedos, menos ruidosos e consequentemente com menos tempo de vida que o Tuga gosta é de se ouvir a fazer barulho, e fizeram respeitar ao máximo o pedido de não lhes serem tiradas fotos a não ser na altura devida (onde fizeram as caretas e o show-off apresentado acima). Compreende-se que qualquer flash é altamente distractivo num concerto que se quer intimista, e o que interessa no fundo são as memórias com que se sai da sala de espectáculos.

E falando de memórias, os Kings of Convenience apresentaram um espectáculo irrepreensível, misturando clássicos como Misread, Toxic Girl e I Rather Dance With You (com transformação de palco em discoteca invadida por parte da lotação esgotada da sala) com novas malhas como Mrs. Cold e a magnífica Boat Behind. Eirik Glambek Bøe, o tímido, foi muitíssimo comunicativo e cantou Corcovado em bom Português. Erlend Øye, o cenourinha, passeou-se pelo público, fez a sua dança pernalta e ainda tocou saxofone vocal. Um concerto muito quentinho e acolhedor.

8.12.09

Videojogos: Monkey Island

Em 1990, a principal preocupação da criançada era saber quantos jogos cabiam numa disquete (de alta densidade, que de baixa era coisa de anos 80). A troca de software era tão comum e a informação sobre pirataria tão escassa, que um pré-adolescente como eu poderia pensar que os jogos de computador haviam sido criados para serem distribuídos de mão em mão (há tempos descobri num site de Abandonware Francês uma versão do clássico Civilization com Savegames meus e dos amigos do meu irmão). A minha percepção mudou quando vi à venda um jogo chamado The Secret of Monkey Island. Comprei-o mais por curiosidade de ter um jogo pelo qual tivesse pago dinheiro verdadeiro do que por outro motivo. Duas coisas saltaram logo à vista: Primeiro, este jogo ocupava duas disquetes (uau)! Segundo, isto não tinha nada a ver com o que eu considerava um jogo de computador a sério! Não tinha tiros nem espadas nem corridas. Tinha sim muita conversa e um sistema "recolhe o objecto X para colocar no local Y", e estava tudo em Inglês. Assim, como o acesso aos jogos de computador era escasso apesar do sistema de troca por troca implementado com bastante sucesso, não tive outro remédio senão dedicar-me àquele jogo com afinco. E agradeço ainda hoje por isso. Por ter aguçado o meu gosto pela aprendizagem de línguas estrangeiras, e pela experiência de viver em primeira mão o jogo mais imaginativo e divertido que alguma vez tive oportunidade de jogar. Passou a ser o meu jogo de computador preferido na altura, e olhando para trás, ainda mantém esse título com distinção.



O jogo narra a história de Guybrush Treepwood, que se desloca a Melée Island com o objectivo de se tornar num estimado pirata. Para atingir esse fim, terá de passar por 3 desafios com distinção: derrotar o mestre espadachim da ilha num duelo de insultos onde ganha quem tiver a língua mais afiada("- Lutas como um leiteiro! - Que apropriado, tu lutas como uma vaca") , descobrir um tesouro escondido (recompensa: T-Shirt 100% algodão com a inscrição "Eu descobri o tesouro de Melée Island") e roubar um ídolo de ouro da casa da Governadora. Só que o pequeno aspirante a pirata não contava que a governadora, Elaine Marley, fosse a pétala mais airosa das Caraíbas. Mais, além de se apaixonar perdidamente pela formosa governadora, Guybrush tem ainda que se defender dos ataques do terrível pirata fantasma LeChuck, pretendente ao coração de Marley que pega fogo às suas barbas como hobby.

Mais capítulos se seguiram. Monkey Island 2: Le Chuck's Revenge era enorme e insano, The Curse of Monkey Island era colorido e pela primeira vez as personagens tinham voz, Escape From Monkey Island passou a série para 3D, mas faltou-lhe um argumento ao nível dos jogos anteriores, levando ao adormecimento das aventuras de Guybrush Treepwood.

No entanto, em 2009, a franchise renasceu com novo vigor, desta feita em formato "episódio". Guybrush e companhia regressam com toda a força em Tales of Monkey Island!



Tales of Monkey Island é um jogo dividido numa série de 5 episódios, sendo que o episódio final, Rise of the Pirate God, sai hoje mesmo para o mercado. Nesta nova série, Guybrush consegue finalmente destruir a maldição que paira sobre o seu arqui-inimigo, o Pirata Zombie Fantasma Morto-Vivo LeChuck. O problema é que esse mesmo mal é libertado pelas Caraíbas, infectando a totalidade da população pirata da região. Acossado por uma caçadora de tesouros e por um médico Francês que acredita que a maldição de LeChuck esconde o segredo para a vida eterna, Guybrush procura a lendária La Esponja Grande, um objecto mitológico capaz de libertar a região de todo o Voodoo com as suas propriedades esfoliantes.

Tales of Monkey Island conta com o aval do criador da série Ron Gilbert, o que atesta a qualidade da série. Não será exagero dizer que esta nova série de aventuras é a melhor desde o jogo original. O humor está mais apurado que nunca, o argumento é forte, com novas personagens interessantes e antigas personagens frescas, e cada episódio termina com um cliffhanger que nos deixa a salivar pelo próximo. Jogar Tales of Monkey Island é quase como ver uma boa série de televisão. E, boas notícias, a segunda série já está na calha.

Mas enquanto isso não acontece, podem passar no site da Telltale Games e descarregar as Demos jogáveis (ou adquirir o jogo inteiro), clicando aqui.

Alegria das alegrias, o jogo original foi alvo de um remake. Para além de novo grafismo e motor de jogo, The Secret of Monkey Island conta agora com prestações vocais e uma banda sonora retocada. Excelente porta de entrada para novas gerações de jogadores. O site de Secret of Monkey Island: Special Edition está aqui. Inclui uma simulação da luta de insultos!

6.12.09

Os Melhores Discos de 2009, segundo o Last.Fm, parte II

Regresso à análise dos 40 discos mais ouvidos no site Last.FM em 2009. Os dez primeiros discos podem ser encontrados aqui. A segunda parte versa sobre os discos que ficaram entre 30º e 21º no total. A meu ver, é uma amostragem inicialmente fraca mas que a meio ganha valor e qualidade. Esperemos que a tendência seja para manter.


#30 - U2: No Line In The Horizon

Género: U2

O que o Last.FM diz: "Perhaps unsurprisingly though, it is U2's back catalogue that dominate their charts."

O que eu digo: Os U2 andam a fazer o mesmo album há décadas, e desta vez nem sequer se deram ao trabalho de arranjar uma capa decente para o seu disco mais recente. Pormenor irrelevante para uma banda que esgota concertos em meia hora até em Portugal. Conteúdo musical não interessa, o que conta é poder-se dizer aos amigos que se esteve no estádio a ver o Bono a telefonar para o espaço.

Veredicto: Quem já ouviu um album de U2 já ouviu todos.

Teledisco: Magnificent



#29 - Guns N' Roses: Chinese Democracy

Género: Hard-Rock

O que o Last.FM diz: "Without question, one of the most eagerly anticipated albums of the last decade, Chinese Democracy had attained something of a legendary status after languishing for more than ten years in production hell. It was rumoured to be an experimental epic, a concept album, perhaps even a multi-disc release to rival the band's original plans for Use Your Illusion, and that legend became something Last.fm listeners found infectious; it is the only album outside of our Top Ten listened to by more than 1 million of you."

O que eu digo: Tecnicamente, Chinese Democracy é um disco de 2008. Sonoramente, Chinese Democracy é um disco de 1989. 13 anos de expectativas, gritaria, choradeira, despedimento colectivo da banda, dança dos guitarristas entra-sai-entra e troca de mimos entre Axl Rose e Slash resultaram na piada da industria musical que tanto divertiu o povo. Até que finalmente o album mais caro da história é editado. E, como seria de esperar, revela-se apenas mais um disco entre tantos.

Veredicto: Na adolescência, virou moda ir-se para a escola com bicicletas munidas de cabaz traseiro. Eu tinha uma azul, pesadíssima, com um cabaz azul-bebé de plástico. Fazia sucesso, mas era eclipsada pela do meu primo, com um cabaz de vime atrás e um cestinho à frente. Chinese Democracy vale pelas memórias que a capa me traz.

Teledisco: Não há, mas há um Teaser para o disco novo com músicas antigas


#28 - Nickelback: Dark Horse


Género: Não

O que o Last.FM diz: "An International success story, despite widespread critical panning, Nickelback returned at the close of 2008 with Dark Horse, an album which saw the Canadian rockers do, well, exactly what they usually do: produce a slick pop-rock record filled with the kind of anthems that slip effortlessly into radio playlists."

O que eu digo: Não.

Veredicto: Não.

Teledisco: Não.




#27 - The All-American Rejects: When The World Comes Down

Género: "Punk" Morangos com Açúcar

O que o Last.FM diz: "When The World Comes Down was released just before Christmas 2008, and you stayed loyal to the record over the year. Lead single 'Gives You Hell' has become a firm favourite; with its sing-a-long chorus attacking a disloyal ex and three versions of the accompanying promo video (in which the band instigate a colourful lawn war between suburban neighbours)."

O que eu digo: Nesta lista já vêm aparecendo vários discos de 2008, editados no cair do pano. Este dos All-American Rejects é mais um para juntar à lista do Rock apancalhado bem-comportadinho com baladas acústicas pelo meio. Para ser justo, existem aqui algumas malhas bastantes bem conseguidas. Quase que gostava da Fallin' Apart, por ameaçar fugir à formula ganhadora antes de resvalar para o refrão orelhudo igual às outras todas. O single Gives You Hell é também simpático.

Veredicto: Ph neutro. Escutar All-American Rejects não traz nada de mau ao Mundo. Nem de bom.

Teledisco: Gives You Hell


#26 - Bat For Lashes: Two Suns

Género: Synthpop

O que o Last.FM diz: "Two Suns, Bat For Lashes' second album, was released in April. In it Khan charts the journey of Pearl, an alter-ego she adopted while living in New York, a vapid, femme-fatale counterpoint to her own considered, holistic self. Single 'Daniel' was a crossover hit, spun on daytime radio, clubnights and TV spots, particularly in her native UK."

O que eu digo: Também sofre do síndrome "Eurythmics" como Florence + The Machine, mas a menina Bat For Lashes vai buscar as características mais irritantes da banda de Annie Lennox. O abuso e má aplicação do sintetizador causa-me urticaria. Ao ponto de me tornar violento e de lançar dois berros antes de atirar o disco pela janela! Argh!

Veredicto: Não gosto do som. Mas ela é gira! Mas não gosto do som. Mas ela é gira! Mas não gosto do som. Mas ela é gira!

Teledisco: Daniel


#25 - Passion Pit: Manners

Género: Rock Electrónico

O que o Last.FM diz: "Manners opened with the stellar 'Make Light', a rising, stomping track making the most of their clockwork rhythm section and Angelakos' wild and spindly vocals. 'Little Secrets' followed, a surprise airplay favourite for the band, while 'The Reeling' brought the band a sound sometimes compared to 'Star Guitar' — era Chemical Brothers."

O que eu digo: A música praticada pelos Passion Pit é nova, excitante, fervilhante! The Reeling é uma super-malha! Folds In Your Hands dá vontade de dançar, dançar, dançar! Make Light dá para abanar o pézinho, no mínimo. Passion Pit é feliz e dá felicidade. Excelente estreia! Rock para as pistas de dança. Quero ver isto ao vivo!

Veredicto: Passion Pit são bons e aprovo! Manners é um divertido e alegre abana-ancas. Mais disto por favor.

Teledisco: The Reeling


#24 - Röyksopp: Junior

Género: Synthpop, Electropop

O que o Last.FM diz: "Electronic duo Röyksopp hail from Bergen, Norway, and are the standard bearers of Scandinavian music."

O que eu digo: Isto sim, é um sintetizador utilizado devidamente, sem nos atirar para os anos 80 do século passado com violência tal que a espinal medula até espirra pelos olhos (Argh! Bat For Lashes! Grrrrrr!). Os Röyksopp vêm vindo a remisturar sabiamente tudo o que é bom com resultados bem acima da média, desde Beck a Queens of the Stone Age e Kings of Convenience. Surpreende este ser apenas o terceiro disco do colectivo. Lykke Li canta em Miss It So Much e Were You Ever Wanted. Karin Dreijer Andersson dos The Knife e Fever Ray canta em This Must Be It e Tricky Tricky. Destaque maior para Vision One, que remete para o Stevie Wonder dos anos 70. Destaque super-maior que o anterior, It's What I Want.

Veredicto: Electrónica de excelência. Para o ano sai a continuação, Senior. Esperemos que o nível se mantenha alto.

Teledisco: Happy Up There


#23 - A Day To Remember: Homesick

Género: Emocore, Screamo

O que o Last.FM diz: "Homesick wasn't a great experimental leap for A Day To Remember, but listeners lapped up tracks like 'The Downfall of Us All' and 'If It Means A Lot To You'. Videos, littering YouTube, show audiences throwing themselves around before the band, who have learned to play a tight and furious live set in their five years of touring."

O que eu digo: Meio Punk, com uns tiques Metaleiros. Estão dentro do que actualmente se convenciona Emo, mas o som não é choninhas, como a maior parte das bandas desse estilo, o que é bom presságio para o futuro desta gente. Hoje em dia não seria fã dos A Day To Remember, mas tivesse eu agora 15 anos estaria a ouvir isto sem dúvida. No meu Walkman preso por elásticos para não se desintegrar.

Veredicto: Se é este o Rock que os putos escutam hoje em dia, para mim está tudo OK.

Teledisco: The Downfall of Us All


#22 - Arctic Monkeys: Humbug

Género: Agora pelos vistos é Stoner-Rock

O que o Last.FM diz: "n 2009 the band released Humbug, their third full-length album, which they recorded with Josh Homme. You've played tracks from Humbug more then four and a half million times since it came out in August, falling especially hard for lead single 'Crying Lightning'. Sporting a surprisingly high-tech video, the track saw the band adopt a sound filled with space and echos, exactly the kind of production the man responsible for The Desert Sessions excels at."

O que eu digo: Os Arctic Monkeys tornaram-se num caso de sucesso por serem divertidos e catchy, apostando numa sonoridade que os caracterizava, sem contrato discográfico, só através de umas Demos colocadas no Myspace. Mas para a produção de Humbug, a banda foi buscar Josh Homme, senhor dos Queens of the Stone Age e Eagles of Death Metal. O resultado final agrada a quem é fã do produtor. Sonoramente está bem feito, mas não consigo sentir os Arctic Monkeys à vontade neste registo. Como se as roupas novas não lhes servissem.

Veredicto: O Mundo não precisa de mais uns clones dos Queens of the Stone Age. O Mundo não precisa que os Arctic Monkeys se transformem em clones dos Queens of the Stone Age. Humbug é competente mas não entusiasma.

Teledisco: Cornerstone


#21 - Grizzly Bear: Veckatimest

Género: Indie Rock

O que o Last.Fm diz: "Grizzly Bear released their third album — Veckatimest — to widespread acclaim as well as surprising commercial success; a sign that, in 2009, a huge number of listeners were happy to tackle apparently difficult work by relatively unknown bands."

O que eu digo: O terceiro disco dos Grizzly Bear recebeu finalmente a aclamação devida que vinha faltando. A estranheza sonora e ambiciosa conseguiu finalmente captivar as massas, e isso é algo de valor. Se os Arcade Fire conseguiram não havia razão para que os Grizzly Bear não conseguissem também. Veckatimest é um disco rico em pormenores musicais, de extremo bom gosto, calmo e relaxante. Há-de estar no topo das listas de melhores discos de 2009 um pouco por todo o lado de certeza.

Veredicto: Tem Groove, é culto, é cool. Veckatimest é soberbo e os Grizzly Bear encontram-se no pico de forma.

Teledisco: Two Weeks








A contagem regressará talvez no próximo final de semana. O Last.FM publicará a segunda parte da lista lá para Quarta-Feira, o que significará que voltarei à análise mais perto essa data. Assim queira Hypnotoad!



ALL GLORY TO THE HYPNOTOAD!!!!

5.12.09

Os Melhores Discos de 2009, segundo o Last.FM, parte I

Faço parte integrante da comunidade Last.FM desde 2006, e tenho muito a agradecer a este site, por me ter dado a conhecer dezenas e dezenas de bandas excelentes que de outra forma me teriam passado ao lado... O Last.FM funciona com um conceito semelhante ao do Pandora: à medida que vamos escutando os nossos MP3, o site vai buscar musica relacionada com os nossos gostos, sugerindo-a sem nunca impor nada. É certo que actualmente existem imensos sites que fazem exactamente o mesmo, e o Last.FM já foi muito melhor do que é hoje em dia (possuía um serviço de rádio extremamente apurado que entregava de bandeja música nova de qualidade, mas este serviço passou a ser pago para todos menos para os habitantes da Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos, o que levou a que muita gente tivesse abandonado a comunidade face à discriminação), mas eu sou fiel aos meus princípios e mantenho-me por lá, mais por gratidão do que por outra coisa.

Este mês, visto que nos aproximamos do final do ano a velocidade vertiginosa, o Last.FM apresenta a listagem dos 40 artistas mais ouvidos em 2009 pela comunidade. Esta listagem foi partida em 3 e vai sendo servida em doses semanais. Os primeira parte da lista, contendo os primeiros 20 discos, pode ser encontrada aqui.

Analisando esta primeira parte, chego à conclusão que andei muito distraído em 2009. Um bom pedaço dos nomes apresentados são-me totalmente alheios. Mas é para conhecer música nova que cá estou, e resolvi escutar todos os discos recomendados pelo site e opinar sobre os mesmos. Não é, claramente, a minha lista de discos preferidos, mas é o resultado de uma amostragem do que maior sucesso granjeou entre o público que realmente ouve música. Portanto respirem fundo, comam uma refeição ligeira, façam já o vosso xixizinho, e acompanhem-me enquanto me atiro aos primeiros 10 discos da lista dos Melhores de 2009!


#40 - Little Boots: Hands

Género: Electrónica, Eurodance

O que o Last.FM diz: "Little Boots hails from the North West England, and has been one of the overnight successes in British Pop in 2009. (...) As she quickly moved from lo-fi bedroom clips to big-budget, glossy pop-gloss videos, Little Boots' fans adjusted well: 'New In Town' — which featured on the Jennifer's Body soundtrack — 'Remedy' and 'Earthquake' all got high scrobble counts as their videos went live. Recently 'Stuck on Repeat' has shot to the top of the chart, after featuring in trailers for the latest series of Heroes, among others, while the track's Fake Blood Remix also crept into her Top Ten."

O que eu digo: Bêbado era capaz de dançar isto com gosto. não sendo a minha praia, sinceramente não está nada mau para o género. Algumas faixas são de fugir (Remedy parece saída dos tempos de Ace of Base ou Dj Bobo), algumas são até interessantes (Meddle e Ghost saltam à atenção). A participação de Philip Oakey dos Human League em Symetry não foi incluída aqui ao acaso.

Veredicto: Não é bom nem mau. Cansa. Ouve-se em doses pequeninas.

Teledisco: Remedy


#39 - Florence + The Machine: Lungs

Género: Art Rock, Indie Pop

O que o Last.FM diz: "British singer Florence Welsh started making a mark in early 2008, her London shows carving out a place for a theatric stage set-up and glam outfits long before her music became a fixture on TV soundtracks and idents. Her revolving backing group became known as 'The Machine' after an in-joke with longtime keyboard player Isabella Summers, resulting in the most improbably name-buzz band of 2009."

O que eu digo: Pretensioso, mas em bom. Há aqui uma vontade de se ser maior, que transparece na qualidade dos arranjos. Florence Welsh tem uma grande voz, mas não a utiliza devidamente. Assim, as melhores canções de Florence + The Machine são as mais comedidas, mais "humildes". I'm Not Calling You a Liar é uma boa faixa. Kiss With a Fist é ainda melhor. Girl With One Eye seria excelente se não se perdesse em exageros vocais. Mas o Hype em volta desta banda é merecido, há-que admiti-lo.

Veredicto: Quem gosta de Eurythmics vai delirar.

Teledisco: You've Got The Love


#38 - Kasabian: The West Rider Pauper Lunatic Asylum

Género: Rock alternativo com um toque de Psicadelismo

O que o Last.FM diz: "Since their debut album's release in September 2004, British band Kasabian have been stomping around the UK charts. Five years on and breakout single 'Club Foot' remains a Last.fm listener favourite, and their dubby, dance-influenced spin on guitar rock often results in comparisons to Primal Scream, Oasis and The Stone Roses."

O que eu digo: Os Kasabian são muito bons e este disco está bem conseguido. Existem em The West Rider Pauper Lunatic Asylum grandes canções, com destaque para a faixa de abertura, Underdog, brilhante cartão de visita para quase uma hora de Rock com inspiração oriental. Where All The Love Go? e West Rider Silver Bullet (com participação vocal da actriz Rosario Dawson) são também pontos altos, mas a minha preferia é mesmo a super-dançável Fast Fuse.

Veredicto: É um excelente disco, merece audições repetidas e desperta interesse em conhecer a restante discografia da banda, se bem que tenho ideia de não ter gostado do disco anterior...

Teledisco: Underdog


#37 - Regina Spektor: Far

Género: Pop ao piano, já foi Anti-Folk em tempos saudosos

O que o Last.FM diz: "Though she seldom strays far from her piano, Spektor's music remains fresh and challenging, and her attention to orchestration always brings out something new in her tracks. Vocal gymnastics are an excellent description of her live sets, which manage to whisper and scream within moments."

O que eu digo: Far desiludiu. A voz está lá, mas mais conformista. As letras continuam boas, mas tímidas ("I've got a perfect body, 'cause my eyelashes catch my sweat", em Folding Chair, é a minha letra favorita). A sonoridade é bem trabalhada, mas não cativa. Far é banal. Regina Spektor é neste momento um animal domado pela máquina discográfica, e isso é um total desperdício. O potencial desta artista é abismal!

Veredicto: Libertem Regina Spektor! Já!

Teledisco: Eet


#36 - The Fray: The Fray

Género: Pop-Rock orelhudo

O que o Last.FM diz: "The band released their second full-length record back in February, an eponymous effort that saw them embrace the same warm piano and comforting vocals of the first album. It was a winning formula, bolstered by a string section and subtle performances from The Fray's dual vocalists Isaac Slade and Joe King."

O que eu digo: The Fray é totalmente Radio-Friendly. You Found Me fartou-se de passar na rádio este ano. Never Say Never não passou tantas vezes porque não calhou. As restantes faixas do disco homónimo são todas potenciais singles. Ser-se Radio Friendly não acarreta aqui nenhum sentido pejorativo. Os The Fray são bons no que fazem. São como os Keane, têm o seu público e há-que respeitar. Dentro do género "Banda Pop-Rock que não agride nem entusiasma por aí além" até são os melhores. Eu gostei do disco deles, para ser sincero. O pianinho faz toda a diferença.

Veredicto: Afirmar-se como fã dos The Fray pode ser a chave para conseguir finalmente sacar aquela colega do escritório sem sal que não fode nem sai de cima.

Teledisco: You Found Me


#35 - Metric: Fantasies

Género: Indie Rock, New Wave

O que o Last.FM diz: "Formed ten years ago in the confines of a loft space in Williamsburg, Metric have been on the cusp of shattering pop charts since the release of Live It Out in 2005. Occasional members of Toronto's Broken Social Scene and flatmates of Brooklyn legends TV on the Radio and Yeah Yeah Yeahs, Metric have won over more than just friends in the Indie community and their rabid fanbase lapped up this year's Fantasies."

O que eu digo: Eu gosto dos Metric. Combat Baby foi o meu toque de telemóvel durante dois anos. O novo Fantasies tem algumas faixas excelentes, como Sick Muse e Gimme Me Sympathy. Pelo meio, tem também algumas faixas com menos apelo. Já vem sendo normal com os Metric, as faixas fortes ficam meio perdidas no meio de outras não tão poderosas.

Veredicto: Eu cá gosto.

Teledisco: Sick Muse


#34 - The XX: XX

Género: Dream Pop

O que o Last.FM diz: "Three-piece The xx hail from South London, England, graduates of the same school that brought the World Hot Chip, Four Tet and Burial. There must be something in the water: dark soundscapes, hollow spaces, and bleak whistles and beeps are common to the four groups but, in The xx, the music comes with whispered vocals and dream pop flourishes."

O que eu digo: Vários amigos meus sem relação entre si e com gostos musicais díspares me vêm recomendando The XX ao longo deste ano. Quando tanta gente me recomenda a mesma coisa, a minha tendência natural é para desconfiar. E assim sendo, não liguei puto aos XX. Só acedi a ouvir para poder dar o meu parecer nesta listagem. E pronto, admito, The XX é excelente! O disco é calmo, coeso, imaginativo, intimista, forte no departamento da escrita, nem uma única faixa mole no conjunto. Menos é mais, e as canções dos The XX movem-se livremente, umas palmas, uma linha de baixo, uma frase de guitarra, e já está. Adoro!

Veredicto: Espectacular!

Teledisco: Crystalized


#33 - Eminem: Relapse

Género: Hip-Hop, do mau

O que o Last.FM diz: "Laced with the trademark skits and half-stories fans have come to know Eminem for, Relapse wasn't the instant critical success his previous albums have been: Mathers made a big deal of killing his Slim Shady persona with the release of Encore and Curtain Call, and many expected Eminem to spend longer out of the spotlight."

O que eu digo: Existe Hip-Hop merecedor de mais atenção do que a dispensada a Eminem. Esta é a minha opinião desde há muitos anos a esta parte. Mas o circo MTV diz que é bom, e o rebanho continua a ir atrás. Se a personagem de Marshall Matters está enterrada, porque continua Eminem a descontar os seus problemas na mãe e na mulher? Dez anos a ouvir a mesma cantiga é extenuante. Admito que Eminem até poderá ter músicas boas, mas essas mesmas não andam aqui. E é tudo o que me apraz dizer sobre o assunto.

Veredicto: Relapse não presta.

Teledisco: Beautiful


#32 - Fever Ray: Fever Ray

Género: Electrónica

O que o Last.FM diz: "Better known as one half of The Knife, Karin Dreijer Andersson recorded Fever Ray in 2008 while the brother-sister electronic duo were on hiatus. The Swedish musician released an atmospheric classic; laced with darkness and abstract lyricism, there's a dream-like element to the album which live sets and promo videos have played up, while the monochrome sleeve art became a digital-woodcut, stamping the record into shop windows and scrobble charts."

O que eu digo: O disco de estreia da parte feminina dos The Knife soa a prolongamento do trabalho dos autores de Heartbeats, especialmente graças às vocalizações de Karin Dreijer Andersson e a alguns tiques sonoros. Mas, onde a música dos The Knife é luminosa, o que surge em Fever Ray é uma electrónica dura e lenta, escura. O single de avanço, If I Had a Heart, soa quase a Electro-Gótico, a puxar para os primórdios do sintetizador nos anos 80. A sensação que passa neste disco é a mesma de quando ficamos na cama a descansar depois de um dia inteiro a dormir, um estado de sonho desperto, preguiçoso.

Veredicto: Electrónica para meditar. Aprecio. Faz lembrar Björk, quando não faz lembrar The Knife.

Teledisco: When I Grow Up


#31 - Depeche Mode: Sounds of The Universe

Género: Pop Electrónica

O que o Last.FM diz: "Their twelfth release, Sounds of the Universe, came out in April. More than 3/4 million of you have played it so far, and singles 'Wrong' and 'Peace' have become entrenched in the band's top tracks scrobbled this year. Album plays peaked as the Tour of the Universe began to rumble on, despite being beset by delays and rescheduled shows due to health problems and vocal rest for singer Dave Gahan."

O que eu digo: Dave Gahan esteve vai-não-vai para morrer outra vez, mas Sounds of the Universe saiu cá para fora. E, com surpresa ou talvez não, este é mais um excelente disco do colectivo, que tem vindo a actualizar a sua sonoridade sabiamente sem perder as suas características. Um album coeso, que funciona como um todo. Surpreende pela qualidade e frescura.

Veredicto: Só a característica voz de Gahan ancora os Depeche Mode aos anos 80, porque sonoramente a banda continua actual e pertinente.

Teledisco: Fragile Tension





A contagem e análise regressa brevemente, com os discos situados entre 30º e 21º da listagem. Se não chover nem fizer frio.

3.12.09

Banda Desenhada: Chew

Chew, a nova banda desenhada editada pela Image, vai neste momento no seu número 6. Todos os números anteriores esgotaram e voltaram a ser impressos mais que uma vez. O primeiro Paperback, Taster's Choice, contendo os primeiros 5 números da série, está a ter um sucesso avassalador. E totalmente merecido.



Tony Chu é um cibopata. Um cibopata é uma pessoa que consegue sentir a vida inteira de tudo o que ingere. Por exemplo, se comer um hamburger, Tony consegue sentir tanto a ervinha que a vaca comia no prado como a martelada fatal no matadouro bovino e o processo que a carne levou até chegar-lhe ao prato. É uma habilidade muito rara, visto que só se conhecem mais 2 pessoas assim. Para controlar a sua dor, Tony praticamente só consome beterraba, o único alimento que não lhe causa ressonância psíquica.

Tony é um detective da Divisão de Alimentos e Estupefacientes. O seu trabalho é descobrir e desmantelar redes de contrabando de carne de aves. Desde que a gripe das aves dizimou dois terços da humanidade, o consumo de frango e perú foi considerado proibido. No entanto, graças ao seu "talento", Tony é promovido para uma divisão especial de homicídios sem solução. Nada está a salvo. Para solucionar os seus casos, Chew passa a ter de comer desde plantas ornamentais a animais de estimação, chegando mesmo a alimentar-se de pedaços de vítimas de assassinatos para identificar os seus carrascos.



Chew merece toda a atenção que lhe é dedicada. Não é todos os dias que se assiste ao nascimento de um detective canibal apaixonado por uma crítica de culinária capaz de provocar o vómito com os seus escritos. O ritmo é frenético, a atmosfera é meio Noir, meio animação exagerada, e o argumento é coeso e sabe para onde a história deve seguir organicamente. É divertido, perturbador, gráfico e extremamente refrescante! A proposta mais original e recompensadora da banda desenhada americana da actualidade. Temos livro para seguir religiosamente, espera-se que por muitos e bons anos. Para paredes estomacais fortes.

Aproveitem e passem pelo site Newsarama, onde podem ler o primeiro número de Chew (clicando aqui) em exclusivo e sem custos.

24.11.09

Pretty

18.11.09

Tudo o que interessa saber sobre os Estados Unidos, capitulo XVII: Kentucky

Kentucky, o estado da... Relva azul?

Capital: Frankfort

Animal: Esquilo (Sciurus carolinensis)

Lei idiota: É proibido pescar de arco e flecha

Artista: Bonnie 'Prince' Billy (4 cantigas em MP3 no Daytrotter)

Miss Kentucky: Maria Montgomery

17.11.09

5 capas (falsas) de Inglorious Basterds: A Banda Desenhada

Alguma alma iluminada resolveu criar as capas de uma suposta edição em banda desenhada da obra mais recente de Tarantino, Inglorious Basterds, a sua homenagem aos géneros Épico de Guerra/Western Esparguete. A estética é totalmente retro (reminiscente daquilo a que nos Estados Unidos se apelida de... Pulp Fiction), fazendo salivar tanto os fãs de Tarantino como os de Banda Desenhada. Os livrinhos abaixo apresentados não existem, mas aposto que alguns milhares de seres humanos não se importariam nada de poderem folhear as aventuras do Tenente Aldo The Apache contra o malvado General Hans Landa...











16.11.09

RESSACA KOSOVAR - Kickboxer, Dead Snow

Não têm existido Ressacas Kosovares na minha vida ultimamente... De há uns meses para cá, sensivelmente desde a última Ressaca Kosovar que data de Março deste ano, abandonei os meus hábitos nocturnos e hoje em dia praticamente não toco em álcool, primeiro devido a uma condição clínica, actualmente porque não me apetece. Se este quadro é para ser mantido ou não só o tempo o dirá. Sinto-me bem assim, mas volta e meia a saudadita de uma bela Ressaca Kosovar aperta... Há uma ou duas semanas atrás tive a oportunidade de passar por Setúbal, onde reencontrei os meus grandes dois amigos maiores do mundo, Ruiruim das corridas e Hugo Pucaneinho dos barquinhos, e o inevitável aconteceu... Ressaca Kosovar, antecedida pela primeira Bebedeira Kosovar de sempre!

Para comer, quilos de porcaria. Batatas fritas, gomas, chocolatinhos, bolachinhas, lixo desse. Para beber, caipirinha e shots de Tequilla. Entre a comida e a bebida, Space Yoghurt, uma variante de Space Cake mas com iogurte. O resultado foi explosivo! O que começou por ser um reencontro de amigos rapidamente se transformou em actos variados de selvajaria... Houve quem comesse sopa à mão, houve quem atirasse chocolates para trás dos armários sistematicamente, houve quem saísse à rua vestido de lycra para aterrorizar a vizinhança... Nada de incomum em encontros destes hooligans... Para acalmar os ânimos, já com a presença apaziguadora do Ti Bananas das bicicletes , sóbrio e ajuizado, visionámos um grande clássico do cinema de pancadaria.



Kickboxer, de 1989, versão sóbria: Campeão de Kickboxing Americano é atirado para uma cadeira de rodas pelo seu congénere Tailandês, irmão de campeão Americano treina muito, irmão de campeão Americano ganha contra campeão Tailandês. Aqui está o resumo de 85% dos filmes de pancadaria dos anos 80, e 50% da carreira de Jean-Claude Van Damme (os restantes 50% dividem-se entre filmes em que o senhor tem um irmão gémeo malvado e películas onde o visado é obrigado a alistar-se na tropa mas continua a dar mais pontapés que tiros).

Kickboxer, de 1989, versão delirante: Dois homens grandes e musculosos com calças justas e camisolinha de alças passeiam de barco pela Tailândia. Um deles tem cabelo à Paulo Futre e bigodinho marca registada Zezé Camarinha. O outro compra flores a uma senhora que passa por ele no barco ao lado. O bigodinho abraça o mais pequeno das flores, não ocultando a ternura que os une, enquanto o passeio de barco prossegue... Apesar de um deles ter um indisfarçável sotaque francófono (Bonjour! Mái neiman iz Keeeeert ande ai éme Amérriquene, n'est pas?) o outro falar a língua dos parolos do Texas (I'm the champion, i'm the champion, Keeeeert, go get some ice for the champion while the champion makes out with this girl that wants to make out with the champion), ambos os homens afirmam serem irmãos, pois a sociedade Asiática dos anos 80 ainda não está preparada para aceitar a diferença...

(Irmãos tão parecidos que nem a sua mãezinha os consegue distinguir)

O namorado irmão de bigode é o campeão Americano de Kick-boxing, e encontra-se oficialmente na Tailândia para defrontar o campeão local, Tong Po (o Turismo Sexual fica para segundo plano). Numa manifestação claramente homofóbica, Tong Po derrota o Americano de forma humilhante, reduzindo a sua coluna vertebral a estilhaços. Um Americano que por acaso tinha ficado por ali desde o final da guerra do Vietname recolhe o campeão vencido e o seu "irmão" sedento de vingança. O campeão vai para o hospital, o "irmão" para um mestre de Muay Thay que jurara nunca mais treinar ninguém, mas que depois de ver a cara de bebé chorão de Van Damme lá acede a treinar "só mais um, vá lá, prontos, e tal". Seguem-se lindos momentos de humor, nos quais o mestre tortura Van Damme como todos nós gostaríamos de fazer, esticando-lhe as pernas previamente presas em troncos, obrigando-o a passar largos minutos debaixo de água, ou atirando-lhe com cocos do alto das árvores. O ponto alto do treino é atingido quando o mestre leva Keeeeeeert ao bar local, embebeda-o e obriga o seu aprendiz a dançar totalmente fora de ritmo com as locais, como que para provar a Heterosexualidade do seu pupilo.

(Pareces uma enguia nojenta a dançar, mas não enganas ninguém com essa camisola de alças)

Pelo meio, Mai Lee, a sobrinha do mestre, tenta trazer Keeeeeert para o mundo da virilidade, conseguindo roubar-lhe um beijo, antes do nosso herói se vomitar todo de asco... Por esta afronta, Mai Lee paga bem caro com uma ternurenta violação por parte de Tong Po. Chegado ao dia do combate, o campeão do Kick-Box para-olímpico é raptado. Enquanto que o mestre e o Americando do Vietname o libertam à força do pontapé e do tiro, Keeeeeert luta na arena com Tong Po. O Tailandês enche a cara de Van Damme de pancada, ao ponto de quase sentirmos pena do Belga, até que chega a altura que todo o rapazinho fã de filmes de artes marciais dos anos 80 conhece de cor e salteado, a frase mais mítica dos filmes de Van Damme, O momento de Kickboxer:

(You scream like Mai Lee. Mai Lee gooooooooooooooooooooooooood fuck!)

Escutando isto, Keeeeert transforma-se em Super-guerreiro do espaço nível 3, faz 4 hadoukens e um paracetamol na cara de Tong Po, vence o combate, invasão de ringue, créditos que se faz tarde, The End.

Veredicto: Filme interrompido por várias idas à casa de banho, apertadinhos de xixi que ficámos de tanto rir. Comédia de ir às lágrimas, um mimo de filme, mau, muito mau, pior do que alguma vez nos recordávamos. Gloriosamente mau! Van Damme é um péssimo actor, o sotaque Francês só o acentua ainda mais. Mestre Bronson agradece por finalmente termos trazido um filme decente para a Ressaca Kosovar, e entrega de bandeja:


(cinco Bronsons semi-nús em cinco! Uau!)

No dia seguinte, heis que finalmente chega a Ressaca Kosovar... Depois do delírio que foi este Kickboxer, sabendo já de antemão que suplantar esta jóia seria tarefa impossível, resolvemos visionar uma película mais séria...



Dead Snow, de 2009. Um filme Norueguês de terror. Em Dead Snow, um grupo de jovens passa umas férias divertidíssimas numa cabana isolada numa montanha coberta de neve. Sem se saber como nem porquê, é encontrado na cabana um baú repleto de ouro Norueguês roubado pelos Nazis durante a Segunda Grande Guerra. Esse mesmo baú encontra-se enfeitiçado, levando a que se erga na neve um batalhão de Nazis Zombies congelados para o reaver!!!?!!!!?!!!

Passe o ridículo do argumento, Dead Snow surpreende pela sua qualidade! É extremamente bem realizado e montado, possui cenários belíssimos e pormenores de câmara inteligentes, e presta homenagem descarada aos clássicos do género Zombie. E possui Tchaikovsky na banda sonora!

Mas o mais importante neste filme são os zombies e as mortes! Cabeças espalmadas, desmembramentos, decapitações, bungie-jumping com intestinos, drama, acção, Zombies Anti-Semitas, Gore, Gore, Gore!!!!!

Veredicto: Muito divertido, Dead Snow entretem e deixa um gostinho de satisfação nos lábios do ressacado. Um amor de filme de terror! Charles Bronson gostou deste, filme, lembrando-se com saudade do tempo em que combateu na II Guerra Mundial (facto verídico, vão ver à Wikipédia se não acreditam, seus descrentes de Bronson!), e verte uma lágrima nostálgica enquanto premeia o esforço Norueguês com...



(Quatro Bronsons semi-nús em cinco)

E assim terminou mais uma Ressaca Kosovar. Havendo coragem, fígado e tempo, e reunindo-se as condições certas como acontecera desta feita, poderão haver mais. Se breve, se tarde, só o tempo o dirá. Mas se as poucas que existirem forem todas como esta, já me dou por contente!