14.1.10

Os meus discos preferidos da década 00-09, parte terceira

Este post é o contrário de pequeno. Se confundes antónimos com sinónimos, esta bicicleta não é para ti.



51- Lou Barlow - Emoh (2005)

A Wikipédia diz que é: Folk Rock lo-fi

"O album beneficia da voz harmoniosa de Barlow e da doçura da sua guitarra acústica para criar um uma manta molhada. Deveria transmitir calor e bem-estar, mas ao invés traz uma sensação de desconforto. Emoh é nostalgia e sentimento de perda. É a incessante procura de porto de abrigo. É dor, raiva e arrepios na espinha. É emoção fora de moda. E termina com uma balada sobre gatinhos para que tudo volte a fazer sentido e a valer a pena. Uma casa não é um lar, mas anda lá perto." Post original aqui.

Faixa Preferida: Legendary



52- Antony and the Johnsons - I Am a Bird Now (2005)

A Wikipédia diz que é: Dark Cabaret (?!?)

"I Am A Bird Now, que valeu a Antony And The Johnsons o Mercury Prize de 2005, é um album sobre o sofrimento. Aqui ouve-se nua e honesta a soberba voz de Antony, enquanto nos canta directo ao coração sobre os seus traumas, sobre a sua homossexualidade, amores desavindos e dores no coração. Comovente, e de uma violência lírica que contrasta com a candura do piano e o sussurro da bateria." Post original aqui.

Faixa Preferida: Bird Gherl



53- Bloc Party - Silent Alarm (2005)

A Wikipédia diz que é: Post-Punk

Silent Alarm é a enérgica estreia dos Bloc Party, e o disco possuía dois singles extremamente bem sucedidos: Helicoper, cuja remistura invadiu as pistas de dança com resultados favoráveis, e Banquet, banda sonora de uma campanha de telecomunicações. É claro que não é só de singles que este disco vive, e aqui encontram-se excelentes canções de Rock, bem construídas e imaginativas. Positive Tension e Luno são poderosas. No entanto, e apesar desta análise ser de acordo com os meus gostos e aberta a discussão, é tido e sabido que tudo o que os Bloc Party fizeram depois de Silent Alarm é bosta.

Faixa Preferida: This Modern Love é das melhores cantigas sobre prostituição de sempre. Melhor que as porcarias que o Sting impinge à populaça. Final Fantasy faz uma divinal cover disto ao violino.



54- Beck - Guero (2005)

A Wikipédia diz que é: Rock Alternativo. Oh Wikipédia, quando é que aprendes?

Guero é o disco mais divertido que Beck editou nesta finada década. Possui o seu maior sucesso em 10 anos, um E-Pro cheio de nananananas, é bailadeiro, vai buscar influências Brasileiras (como já havia feito em Mutations), tem Jack White no baixo e uma boa onda generalizada. Destaque também para o EP Hell Yes, que contém remisturas em 8 bits de alguns temas de Guero. Sempre quiseram saber como seria o jogo do Super Mario se tivesse sido Beck a fazer a banda sonora? Pois agora podem!

Faixa Preferida: Black Tambourine. Existe um lado B desta era chamado O Menina (sic) do qual gosto muito também.



55- Gorillaz - Demon Days (2005)

A Wikipédia diz que é: Rock Alternativo (outra vez), Electrónica

Se tirarmos o apelo da bonecada e os truques das aparições televisivas e o Hype à volta dos músicos e das participações especiais (Ike Turner? Uau, a sério?) e os concertos que, diz quem viu, são verdadeiramente espectaculares, ficam os discos. E ambos os albuns de originais dos Gorillaz são realmente muito bons, não há como negar. Demon Days ganha por ser mais graúdo que o seu antecessor, mais cuidado, menos Dan the Automator e mais Damon Albarn. Musicalmente entre a Electrónica a o Rock, há espaço para tudo na panela e ainda bem. Esperam-se mais Gorillaz no futuro.

Faixa Preferida: Kids With Guns



56- Sufjan Stevens - Illinois (2005)

A Wikipédia diz que é: Indie Folk, Baroque Pop

Sufjan Stevens mandou para o ar numa entrevista que iria fazer 50 albuns temáticos, um para cada Estado dos EUA. Entretanto voltou com a palavra atrás, mas antes disso editou dois discos desta empreitada, sendo um deles o melhor da sua carreira, Illinois. Liricamente ligado a esse estado, Illinois revela pomposidade nos arranjos, nos coros, nos instrumentos, nos gigantescos títulos de canções (The Black Hawk War, or, How to Demolish an Entire Civilization and Still Feel Good About Yourself in the Morning, or, We Apologize for the Inconvenience but You're Going to Have to Leave Now, or, 'I Have Fought the Big Knives and Will Continue to Fight Them Until They Are Off Our Lands!, por exemplo). Flautas, tubas, cornetas, coros angelicais e felicidade! Um dos discos mais bonitos da década. Viva a vida!

Faixa Preferida: Casmir Pulanski Day. É lamechas, é triste, mas foi a faixa que me fez regressar a este disco depois de o ter arrumado. Eleva a qualidade das restantes.



57- Gogol Bordello - Gypsy Punks Underdog World Strike (2005)

A Wikipédia diz que é: Punk Cigano

"Gypsy Punks Underdog World Strike é um album insano, pleno de humor e boa disposição, visível em títulos como Think Locally, Fuck Globally e Start Wearing Purple. O vocalista, no seu carregado sotaque de Leste, diverte-se apelidando todas as mulheres de "Sally" nas letras de Gogol Bordello, num misto de Ucraniano, Árabe, Espanhol e Inglês. Por detrás de toda a festa e alegria, existe também em Gypsy Punks Underdog World Strike um lado de consciência política que poderá escapar numa primeira audição. A música Immigrant Punk destaca-se pela critica ao tratamento recebido pelos emigrantes nos Estados Unidos (e no mundo, já agora)." Post original aqui.

Faixa Preferida: 60 Revolutions



58- Death Cab For Cutie - Plans (2005)

A Wikipédia diz que é: Rock Alternativo

Ben Gibbard veio lentamente a tornar-se numa das pessoas mais importantes na década que findou em termos de música independente. Quer pela credibilidade que o seu projecto lo-fi ¡All-Time Quarterback! lhe granjeou, quer pelo sucesso de Such Great Heights do seu projecto dançante The Postal Service, quer pelos discos de qualidade inegável que vem editando com os Death Cab For Cutie. Plans é o meu disco favorito desta banda, que conta com canções bem escritas, bem interpretadas, emocionantes e emocionais sem serem Emo, como Soul Meets Body, Summer Skin e Your Heart is An Empty Room. Grande disco.

Faixa Preferida: I Will Follow You Into the Dark



59- Sigur Rós - Takk (2005)

A Wikipédia diz que é: Post Rock

A música dos Sigur Rós tem o condão de pegar na minha mente e levá-la a passear por locais onde nunca sonhei estar, por locais onde fui feliz, por locais onde serei. Takk é o disco para gente iluminada que crê que a letra da canção é inferior ao sentimento que a mesma provoca, e a porta de entrada ideal para quem nunca ousou introduzir-se por este universo. Acessível pela melodia Pop, intrincado após audições repetidas. Divinal pelo todo.

Faixa Preferida: Glósóli. O teledisco é lindo.



60- Fiona Apple - Extraordinary Machine (2005)

A Wikipédia diz que é: Baroque Pop (se tem piano é barroco... Está bem visto, Wikipédia...)

Extraordinary Machine esteve por um fio para não acontecer mas felizmente aconteceu mesmo. Originalmente gravado em 2003, o disco foi recusado pela editora por ter pouco apelo comercial. No entanto, graças às maravilhas da Internet, as sessões de gravação saltaram cá para fora e, aliando o sucesso alcançado pelas mesmas à campanha orquestrada pelos fãs da artista, a editora permitiu que Apple regravasse o disco e o editasse. Extraordinary Machine fez um sucesso discreto mas apesar disso revelou-se uma pequena pérola com músicas suaves e delicadas, menos agressivas em termos líricos do que vinha sendo habitual. A única contribuição da cantora nesta década, o que é uma pena.

Faixa Preferida: Extraordinary Machine



61- Cansei de Ser Sexy - Cansey de Ser Sexy (2005)

A Wikipédia diz que é: Electroclash

Acusem os Cansei de Ser Sexy daquilo que vos apetecer. Que é básico, que é infantil, que é estúpido, que usam roupa foleira, que cheiram mal da boca, que têm os pés chatos. Tudo o que disserem é simplesmente inveja do sucesso planetário completamente meritório dos Brasileiros. O disco de estreia existe para divertir e a sua premissa é atingida facilmente, os sintetizadores possuem pormenores hilariantes, as letras são engraçadas, especialmente as em Português. Para dançar sem se pensar muito no que os outros pensam. Os Cansei de Ser Sexy marcaram a década, simplesmente.

Faixa Preferida: Music is My Hot Hot Sex. A parte da escuteira-mirim é uma delícia! Menção honrosa para Superafim, a música que vai contra tudo aquilo que gosto e que mesmo assim me conquista!



62- Animal Collective - Feels (2005)

A Wikipédia diz que é: Freak Folk, Rock Experimental

Ao longo da década os Animal Collective tiveram uma farta e aclamada carreira. E se a aclamação já vinha detrás, foi com Feels que explodiu. O disco tinha tudo para ser odiado. Ritmos estranhos, coros vindos do nada, gritos e a guitarra mais desafinada da história da música. Mas resultou. Descrito pela banda como um disco sobre o amor, Feels acaba por ser isso mesmo: uma expansiva declaração de amor à música Pop, demonstrada por caminhos nada convencionais, estonteante mas nunca desconcertante. Um album único na carreira da banda (uma vez que todos são ultra-radicalmente diferentes) e no mundo da música. Aquela guitarra desafinada, caramba!

Faixa Preferida: The Purple Bottle. Na versão ao vivo fazem um Medley desta canção com I Just Called to Say I Love You, de Stevie Wonder. O amor é isto e nada mais!



63- Suburban Kids With Biblical Names - #3 (2005)

"#3, o curioso disco de estreia dos Suecos, é simples, directo e estranhamente viciante. Às melodias acústicas são coladas batidas electrónicas, palmas, uivos, xilofones e tudo o que se soltar da imaginação da dupla. Deste caldeirão saem belas cantigas de fazer bater o pé no soalho. Grande parte das canções saltitam entre o alegre e o eufórico, apesar das vocalizações serem graves, por vezes soturnas." Post original aqui.

Faixa Preferida: Trees & Squirrels



64- JP Simões - 1970 (na internet diz 2007, no CD diz 2006. Vou confiar no meu CD)

A Wikipédia diz que é: Pop-Rock. Esta já não ouvia há muito tempo, tive de vir à Wiki Portuguesa para me recordar da gaveta para onde vai tudo o que não é Fado.

Primeiro disco a solo de "GêPê" e segunda entrada para o artista nesta listagem (a anterior tinha sido com Quinteto Tati). 1970 traz um artista maduro e vivido na voz, escritor de canções cada vez melhor e irmão Lusitano que Chico Buarque nunca teve mas sempre desejou. JP bebe a inspiração da música Brasileira, mas impõe um cunho muito Português na sonoridade e nos temas abordados. Produzido e arranjado pelo artista, 1970 é o retrato da sua geração, da promessa que a juventude traz e que se esfuma com a inevitável chegada da geração seguinte.

Faixa Preferida: Inquietação, versão de José Mário Branco. Se Por Acaso (Me Vires Por Aí) também me acalenta a alma.



65- Nuno Prata - Todos os Dias Fossem Estes/Outros (2006)

A Wikipédia: diz pouco sobre Nuno Prata e não cataloga o seu som. Vamos deixar estar assim.

Nuno Prata, antigo baixista dos Ornatos Violeta, entrega o seu primeiro disco a solo e surpreende pela qualidade da escrita (um bocado deprimente e deprimida, mas ainda assim, excelente). Todos os Dias Fossem Estes/Outros assenta musicalmente no baixo, mas é enriquecido com uma paleta de cores e sons, mor do multi-instrumentista e colaborador habitual Nicolas Tricot. Quase todas as músicas possuem assobio gingão, e os restantes Ornatos fazem coros em Alegremente Cantando e Rindo Vamos. A edição deste disco consiste num bocado de cartão enorme que não me cabe na estante, e por isso está sempre em destaque na minha colecção (boa estratégia).

Faixa Preferida: Vamos Andando (Só Temo Pelos Outros)



66- Mayra Andrade - Navega (2006)

A Wikipédia diz que é: Worldbeat, Afropop

De voz quente e olhar enfeitiçador, Mayra Andrade conquistou com a sua mistura da Morna de Cabo-Verde com o Jazz e Bossa-Nova e um cheirinho da Chanson Française. Tematicamente ligado à imigração sofrida pela própria artista e pelo povo de Cabo-Verde, Navega já zarpou com grande sucesso para fora da Lusofonia e o mérito é todo da menina. E o Creolo, depois de bem limpos e acostumados os ouvidos, não é nada difícil de entender. Mas mesmo que fosse indecifrável, a emoção com que Mayra canta chega para transmitir o sentimento das suas canções. Lindo.

Faixa Preferida: Poc Li Dente é Tcheu



67- Cat Power - The Greatest (2006)

A Wikipédia diz que é: Indie Rock

The Greatest virou repentina e surpreendentemente todas as atenções para Cat Power, uma desconhecida do público em geral e que no entanto editava na altura o seu sétimo disco. Bem cantado e sussurrado, ao piano com uma banda suporte marcadamente Country, The Greatest é produzido desleixadamente, como se artista não se importasse sequer com o resultado final. Se nunca se preocupara, porque havia de começar agora? Aqui acertou e teve aclamação, se não acertasse também não importava, como se viu com os discos que editou posteriormente. Um exemplo de integridade.

Faixa Preferida: Love & Communication



68- Arctic Monkeys - Whatever People Say I Am That's What I Am Not (2006)

A Wikipédia diz que é: Post-Punk

Viva a Internet, pois sem ela muita da música que se escuta actualmente seria abafada pela porcaria que a indústria discográfica continua a impingir mas já com menos sucesso. Vivam os Arctic Monkeys que disponibilizaram as suas músicas gratuitamente e que geraram burburinho tal mesmo sem venderem um único disco que os grandes não tiveram outro remédio senão abrir-lhes a porta. Viva o disco de estreia dos Arctic Monkeys que viu o seu lançamento antecipado tal fora o burburinho criado. Viva a vitória da boa música! Viva Whatever People Say I Am That's What I Am Not por tudo o que representa!

Faixa Preferida: You Probably Couldn't See for the Lights but You Were Staring Straight at Me. Vivam as músicas com títulos grandes!



69- Man Man - Six Person Bag (2006)

A Wikipédia diz que é: Rock Experimental

Os Man Man interessam tanto a fãs de Mr Bungle como a seguidores de Tom Waits. O som revela-se imprevisível como a banda de Mike Patton, as vocalizações e o ambiente vivem paredes meias com o mundo de Waits. Concertinas e caixinhas chinesas, grunhidos e lalalas, músicas sobre gigantes comedores de homens, pianolas e salganhadas, uma amplitude vocal invejável. E bigodes. O título deste disco vem do clássico filme "As Aventuras de Jack Burton nas Garras do Mandarim" (AKA "Os Aventureiros do Bairro Proibido" no Brasil).

Faixa Preferida: Feathers. Não tem nada a ver com o resto do disco mas é uma abertura do caraças!



70- Be Your Own PET - Be Your Own PET (2006)

A Wikipédia diz que é: Punk Rock

Gostei bastante de ter conhecido e acompanhado estes Be Your Own PET desde a sua génese ao ocaso. Gostei da sonoridade Garage Punk, da atitude Riot Grrl da vocalista, dos singles cheios de maravilha nos lados B, do imaginário de Filme de baixo orçamento nas letras das canções. Injustamente comparados aos Yeah Yeah Yeahs, os Be Your Own PET foram muito mais violentos, o seu som mais hiperactivo, as suas canções mais fracturadas, muitas vezes dispensando refrão. O album de estreia desta banda foi uma bomba de adrenalina muito bem-vinda. 33 minutos de Rock and Roll, baby!

Faixa Preferida: We Will Vacation, You Will Be My Parasol



71- Islands - Return to The Sea (2006)

A Wikipédia diz que é: Indie Rock

Islands é o nome da banda que Nick Diamonds fundou depois do abrupto final dos Unicorns, e Return to The Sea é o prolongamento do caminho iniciado pela extinta banda, mas com mais instrumentos e meios de produção. Exceptuando a única música do mundo que me causa vertigens (Where There's a Will There's a Whalebone, verdadeiramente horrível), o disco tem momentos muitíssimo bem conseguidos, divertidos e inconsequentes. A temática continua a ser a morte, mas desta vez é uma morte mais alegre, mais voluntária. Os restantes discos dos Islands não interessam, mas este é realmente muito bom.

Faixa Preferida: Don't Call Me Whitney, Bobby. Coloca-me o astral bem lá no alto.



72- I'm From Barcelona - Let Me Introduce My Friends (2006)

A Wikipédia diz que é: Indie Pop

Emanuel Lundgren escreveu um punhado de canções e depois foi buscar os amigos e os primos e os tios e o carteiro e pessoas que passavam na rua e meteu toda a gente a cantar afinadinho e a passear pelo Mundo fora. Amigos assim não se encontram facilmente. Também queria um destes... Musicalmente, os I'm From Barcelona colocam o gene Sueco a funcionar e os êxitos brotam naturalmente. Simples, mas eficaz.

Faixa Preferida: We're From Barcelona. A cair de bêbado a gritar a letra disto em Faro. Bons tempos.



73- Kimya Dawson - Remember That I Love You (2006)

A Wikipédia diz que é: Anti-Folk

O filme Juno recebeu bastante aclamação e a banda sonora fez tanto sucesso que teve direito a uma segunda edição só com músicas que ficaram de fora do alinhamento. Em ambos os discos está Kimya Dawson, tanto a solo como em pelo menos 3 bandas diferentes. Remember That I Love You é o disco que contribui com 5 canções para a banda sonora, e a amostra mais sólida do trabalho da senhora. Música acústica com letras que mandam o convencionalismo às urtigas. "My Rollecoaster" tem, entre outros, excertos de Metallica e Willie Nelson!!!

Faixa Preferida: I Like Giants



74- Camera Obscura - Let's Get Out Of This Country (2006)

A Wikipédia diz que é: Indie Pop

OS Camera Obscura são grandes, e todos os seus discos são excelentes. Mas Let's Get Out of This Country destaca-se por ter saído da sombra dos conterrâneos Belle and Sebastian e trilhado caminho próprio. Com arranjos cheios (cordas e mais cordas) e uma temática melancolicamente apaixonada, o terceiro longa duração da banda é uma experiência encantadora. Baladeiro como os discos de antigamente, apontado a pessoas com sensibilidade estética e romântica.

Faixa Preferida: Lloyd, I'm Ready to Be Heartbroken. Se alguém esteve a viver debaixo de um calhau durante estes anos todos, o Lloyd da canção é Lloyd Cole, autor do clássico Are You Ready to Be Heartbroken. Odeio ABBA (de morte, mesmo), mas há uma cover de Super Trooper muito boa no lado B do single Tender For Fears.




75- Final Fantasy - He Poos Clouds (2006)

A Wikipédia diz que é: Indie. Indie? Um gajo que só toca violinos e samples de violinos é apenas Indie? Estamos preguiçosos, Wikipédia?

Final Fantasy é o antigo nome artístico de Owen Pallett (agora assina com o nome que os Papás lhe deram), membro não-oficial dos Arcade Fire e principal contribuidor para os arranjos de cordas da mesma banda. Na sua carreira a solo, Pallett inspira-se no imaginário dos videojogos (como se o nome Final Fantasy não o denunciasse) e de Dungeons & Dragons. Pallett é um nerd, tal como os seus fãs. O violino é o seu instrumento de eleição e é em sua volta que os seus discos gravitam, mas as letras demonstram apurado sentido de amor (This Lamb Sells Condos é de rir). Não será um disco para todos os ouvidos, mas não deixa de ser curiosamente bom.

Faixa Preferida: Many Live -> 49 MP. Deliciosa é também a cover ao vivo de Fantasy (Mariah Carey).

13.1.10

Os meus discos preferidos da década 00-09, parte segunda

Este post é gigantesco. Se tiveres de ir sulfatar uma vinha ou adubar um batatal, vai já e volta mais tarde, já com as unhas limpas de caca.



26- Blur - Think Tank (2003)

A Wikipédia diz que é: Rock Alternativo e Experimental (fiquei surpreendido por não terem atirado com este disco para o saco da Britpop)

Think Tank constitui a única edição discográfica dos Blur nesta década, e é um disco marcante por não contar com o guitarrista de sempre Graham Coxon e por fugir à sonoridade atribuída à banda, o chamado Britpop (pronto, Crazy Beat é Brtipop, mas o resto não é). Think Tank é um disco mais denso e adulto que os seus antecessores, quer através de novas sonoridades (Jets e Brothers and Sisters poderiam ter entrado nos discos dos Gorillaz), quer graças a uma riqueza lírica sem precedentes. Out of Time é um hino ao desencontro, e Good Song é tal e qual como o nome indica. E a capa é linda! O meu disco de Blur favorito.

Faixa Preferida: Difícil escolher, mas vou salientar Out of Time porque sempre que a escuto fico a pensar em vidas passadas.



27- Lhasa - The Living Road (2003)

A Wikipédia diz que: Não tem classificação para a música da Lhasa. Eu digo à Wikipédia que, uma vez que gosta de atribuir rótulos genéricos ao que não sabe classificar, coloque esta artista no saco da World Music.

O meu disco favorito de Lhasa de Sela é o anterior e alegre La Llorona, mas esse disco foi editado em 1997. Nesta década, a cantora editou o sereno The Living Road em 2003 e o homónimo e triste Lhasa em 2009. Enquanto que o anterior disco versava sobre as Rancheras Mexicanas e tinha como inspiração Chavela Vargas, em The Living Road a sonoridade está mais aberta, abordando não só a omnipresente temática do México como também alguma música vincadamente Europeia. Desta feita, cantado em Castelhano, Inglês e Francês, este disco representa o momento de consolidação de uma carreira que foi estupidamente interrompida.

Faixa Preferida: Para el Fin Del Mundo o El Año Nuevo



28- Belle and Sebastian - Dear Catastrophe Waitress (2003)

A Wikipédia diz que é: Chamber Pop

Foi extremamente criticado aquando a sua edição, mas o tempo fez-lhe justiça e hoje em dia Dear Catastrophe Waitress é considerado um dos melhores da carreira dos Belle and Sebastian. Menos Folk que os anteriores, mais Pop rica em detalhes e apoiado com telediscos divertidíssimos (I'm a Cuckoo, Step Into My Office), este esforço da banda marca o primeiro disco sem a carismática Isobel Campbell no alinhamento depois do tiro no pé que foi Storytelling. A guitarra ganha protagonismo, as harmonias vocais estão apuradas, os sopros discretos mas seguros. Dear Catastrophe Waitress (e o divinal EP complementar Books) mete qualquer um bem disposto.

Faixa Preferida: Asleep On a Sunbeam



29- The Unicorns - Who Will Cut Your Hair When We're Gone? (2003)

A Wikipédia diz que é: Indie Pop

Os Unicorns chegaram, revolucionaram, e terminaram. Muita gente não deu por eles. Os que deram sentem a sua falta até hoje. O único disco a sério que a banda deixou como legado gira em torno da inevitabilidade da morte. Começa com I Don't Wanna Die, passa por vários fantasmas (Tuff Ghost, Sea Ghost) e pilhas de ossos (Jellybones, Les Os) e termina na aceitação que a vida termina na morte e nada há a fazer (Ready to Die). Pelo meio criam uma fervilhante Pop com bateria, baixo e teclados, e uma pontual guitarra. Tudo muito mal produzido, tudo muito mal tocado, tudo muito amador, tudo muito estranho, tudo muito brilhante!

Faixa Preferida: I Was Born (A Unicorn)



30- Chiara Mastroianni & Benjamin Biolay - Home (2004)

A Wikipédia diz que é: Folk, Pop

O músico Francês Benjamin Biolay une-se à sua então esposa Chiara Mastroianni (filha de Catherine Deneuve e Marcello Mastroianni) na criação do slow-burner da década, Home. Alternando entre a língua Francesa e Inglesa, o disco é relaxante e funciona perfeitamente. A candura vocal de Chiara e o registo "Gainsbourguaino" de Biolay, juntamente com arranjos que, não sendo grandiosos, revelam bom gosto e elevado sentido de estética, transformam este disco num daqueles que se vai ouvindo sem se ligar muito e quando se dá por ela está-se a cantarolar e conhecem-se as melodias todas.

Faixa Preferida: Folle de Toi



31- Quinteto Tati - Exílio (2004)
A Wikipédia diz que: nunca ouviu falar deste disco mas eu digo à Wikipédia que é Jazz/Bossanova/Cabaret/Música do cacete!

Exílio é filho enjeitado de JP Simões e seu habitual colaborador Sérgio Costa. Marcadamente distinto da anterior banda de ambos, Belle Chase Hotel, as canções dos Quinteto Tati, cantadas em Português quase na totalidade, versam sobre o falhanço e a desilusão, a centelha de glória que se encontra em qualquer história de decadência. A poesia de JP revela-se uma certeza. Vai Já Passar, JP aconselha a guardar os sonhos antes que os mesmos caiam no chão. Suor e Fantasia fala-nos sobre levitar sobre o Tejo. Exílio leva-nos com ele para o desterro. Eu por mim parto voluntariamente.

Faixa Preferida: Uma para o Caminho



32- Vetiver - Vetiver (2004)

A Wikipédia diz que é: Folk Naturalista (nudista?)

Os Vetiver vieram a reboque da onda Freak Folk, apesar de tocarem um estilo de Folk mais a puxar para o tradicional. O disco de estreia da banda é muito bonito e conta com a presença do "padrinho" Devendra Banhart em dois temas (Los Pajaros del Rio e Amour Fou). A voz do vocalista possui uma ressonância que reconforta a alma, como um cházinho e uma botija de água quente nos pés. Especialmente em Farther On e Oh Papa. Li muito livrinho com este disco a fazer o enquadramento sonoro.

Faixa Preferida: Father On



33- Gomo - Best Of (2004)

A Wikipédia diz que é: Indie Pop

Gomo faz Pop com elementos electrónicos, daquela que gera sorrisos inconsequentes nos lábios. Uma campanha engenhosa de Marketing (Quem é o Gomo, lembram-se?) e uma música fresca e alegre com uma estética sem precedentes no panorama Nacional venderam-me o artista e abracei a estreia Best Of com vigor, mesmo notando alguns problemas relacionados com o Inglês. Manel Plasticina toca guitarra em Feeling Alive. O album seguinte tardou a chegar, o que foi uma pena pois este projecto poderia ter chegado bem mais longe.

Faixa Preferida: Santa's Depression



34- Franz Ferdinand - Franz Ferdinand (2004)

A Wikipédia diz que é: Pós-Punk

Festa é isto! O disco de estreia dos Franz Ferdinand foi um tornado que seduziu com Take Me Out e conquistou com This Fire. Quem se deixou levar pela boa disposição dos Escoceses descobriu que o disco tinha muito mais para oferecer. Darts of Pleasure e Matinée tocaram nos pontos todos certos, e até havia espaço para faixas mais "estranhas" como Tell Her Tonight. Foi como provar um bombom do mais delicioso chocolate para depois se descobrir que o recheio era ainda melhor!

Faixa Preferida: Jaqueline



35- Joanna Newsom - The Milk Eyed Mender (2004)

A Wikipédia diz que é: Freak Folk

Certamente um gosto adquirido, pela peculiaridade da sua voz, Joanna Newsom possui o mérito de trazer a harpa até às massas! Quem se deu ao trabalho de experimentar nunca pode sair desiludido. Terno e mágico, algo que não devia existir nesta era mas que ao mesmo tempo faz todo o sentido, The Milk Eyed Mender é como se a intérprete tentasse domar um instrumento grandioso por natureza, num duelo desigual em quem ganha é o ouvinte. O album seguinte trouxe a aclamação, mas as pérolas estão aqui.

Faixa Preferida: Clam, Crab, Cockle, Cowrie é uma das minhas músicas favoritas de sempre. A versão que se encontra no EP Joanna Newsom & The Ys Street Band é ainda mais perfeita.




36- Iron & Wine - Our Endless Numbered Days (2004)

A Wikipédia diz que é: Folk

O primeiro disco profissional de Sam Beam é um compêndio de música boa, faixa após faixa de candura e amor numa voz suportada por arranjos de guitarra simples e quentes. Não há como não se deixar embalar por melodias como Sunset Soon Forgotten ou Naked As We Came. Um disco lindo para a paz de espírito. A descobrir neste artista são também os seus EPS, editados com frequência e contendo material muitas vezes mais forte do que aquele escolhido para os seus albuns.

Faixa Preferida: Passing Afternoon



37- Devendra Banhart - Rejoicing in the Hands (2004)

A Wikipédia diz que é: Freak Folk

"Devendra, sozinho à guitarra, por vezes com alguns instrumentos extra adicionados posteriormente. A sua voz, estranha mas ao mesmo tempo bela, a sua falta de jeito com os microfones (por vezes a respiração encobre a guitarra), a sua guitarra desafinada, a sua tendência para inventar acordes, as letras imbecis, as letras lindíssimas, as melodias que se entranham nos nossos cérebros e corações. Devendra Banhart respira genialidade e sinceridade." Post original aqui.

Acrescento que o meu CD está autografado! Nhanhanha nhanhanha!

Faixa Preferida: Esta semana pode ser o The Body Breaks



38- Gomez - Split the Difference (2004)

A Wikipédia diz que é: Rock

"O 4º album dos Gomez, Slipt The Difference é um disco de Rock and Roll, cheio de melodias cantaroláveis e harmonias vocais que constituem a imagem de marca da banda. Os estilos musicais encontrados aqui vão desde ao Rock in your Face, à Indie-Pop, à Folk, ao Blues, ao Experimentalismo, às baladas. Nada escapa aos Gomez em neste album, e não encontramos aqui nem uma música fraca." Post original aqui.

Faixa Preferida: Catch Me Up



39- Feist - Let It Die (2004)

A Wikipédia diz que é: Indie Rock

Let It Die é um disco interessante, na medida em que consiste numa primeira metade de material original da cantora e de uma segunda parte composta por versões de músicas de outros artistas. Os discos da Feist têm uma faixa que faz estradalhaço e a deste disco é Mushaboom, com toda a gente que é gente na música a fazer a sua cover da canção, que diga-se de passagem, é daquelas que faz ninho no ouvido e só voa dali para fora passados muitos meses para voltar esporadicamente. A voz da menina arrebita-me os músculos da cara!

Faixa Preferida: Das dela, Gatekeeper. Das dos outros, When I Was A Young Girl



40- King of Convenience - Riot on an Empty Street (2004)

A Wikipédia diz que é: Indie Pop?

Os Noruegueses são muitas vezes comparados à dupla Simon & Garfunkel e se a comparação não é completamente descabida, é certamente redutora. A música dos Kings of Convenience deve tanto à Folk como à Bossa Nova, e as vozes dos dois cantores são mesmo muito parecidas, complementando-se na perfeição. As faixas deste album são do melhor que a dupla escreveu até à data, sendo este o seu disco mais acarinhado pelos fãs. A Feist também anda por aqui (em The Build-Up e Know How) e marca a diferença.

Faixa Preferida: The Build Up



41- Regina Spektor - Soviet Kitch (2004)

A Wikipédia diz que é: Anti-Folk

"Soviet Kitsch é um album que, pese a sua simplicidade, poderá soar estranho e pouco apelativo ao ouvinte ocasional. A amplitude vocal de Regina, que pode ir do som mais agudo ao mais grave em milésimas de segundo, bem como os grunhidos, zumbidos e murmúrios tornam cada música deste disco única e imprevisível. Mas, uma vez que a sua música ganha um lugar dentro de nós, torna-se muito difícil abandoná-la. Fica, cresce, evolui e eleva-nos." Post original aqui.

Faixa Preferida: Este album foi ouvido tantas vezes que já nem sei da qual gosto mais... Ultimamente dou por mim a ouvir a Somedays...



42- The Go! Team - Thunder Lightning Strike (2004)

A Wikipédia diz que é: Alternative dance, Indie Rock, Alternative Hip-Hop

Tom Sawyer, Caprisonne, meninas a saltar à corda, Pacman, cantilenas de recreio, filmes do Bruce Lee, sandes de manteiga de amendoim, Soldados da Fortuna (AKA Esquadrão Classe A), corridas de BMX, festas de bairro, parentes a passear na rua com um tijolo sonoro ao ombro, duelos de Break-Dance, jogar sempre Street Fighter 2 com o Ryu, brincar à cabra-cega. Ouvir Thunder Lightning Strike é regressar à infância/adolescência, sem lamechismo. Decerto a intenção da banda não seria essa, mas é esse o efeito que The Go! Team me causa. Não apareceu nesta década nada como isto! They came here to Rock the microphone!

Faixa Preferida: The Power Is On



43 - Arcade Fire - Funeral (2004)

A Wikipédia diz que é: Baroque Pop

Odiava Arcade Fire só porque sim, mas depois prestei a devida atenção a Funeral e passei a adorá-los. Funeral pode parecer um niquinho pretencioso, mas não existe sombra de dúvida que este é um daqueles discos marcantes para toda uma geração. Nascido da mágoa (o album foi gravado aquando o luto por vários familiares de membros da banda), Funeral transforma-se na grandiosa celebração da vida. As faixas deste disco provocam euforia e estados de alegria descontrolada em ouvido incautos. Tem dias que me dá vontade de vir para a rua e distribuir abraços depois de uma dose bem aplicada deste disco.

Faixa Preferida: Neighborhood #2 (Laika)



44- Interpol - Antics (2004)

A Wikipédia diz que é: Post-Punk

"Editado em 2004, Antics é um sólido e despretensioso album Rock. Mais animado que o antecessor, Turn On The Bright Lights (que ainda assim inclui a minha canção preferida deste grupo, I Love NYC), este disco possui uma aura magnética que atrai o ouvinte, e as letras e a voz encontram-se impregnadas de uma escuridão sarcástica que contrastam com a luminosidade do acompanhamento sonoro. Os riffs de guitarra, embora simples, resultam na perfeição. O mesmo se aplica à bateria e baixo. Simplicidade, ordem e eficiência." Post original aqui.

Faixa Preferida: Evil. Já ouviram bem aquela linha de baixo? Não é espectacular?



45- Pluto - Bom Dia (2004)

A Wikipédia diz que é: Rock Alternativo

Os Ornatos Violeta (tidos para mim como a melhor banda Nacional dos anos 90) acabaram mesmo mas o Manel e o Peixe juntaram-se para fazer um disco de Rock mais in-you-face do que qualquer coisa editada pela anterior banda. Com letras muito fortes e apuradas e uma sonoridade fervilhante, foi realmente uma lástima constatar que este projecto não teve a continuidade merecida, dando um carácter de raridade a quem teve a oportunidade de ver ao vivo. A malta dos Ornatos gosta é de projectos novos, mas desta vez quem é fã já não anda a dormir e vai ver todos os concertos que pode que esta gente tanto inventa nova música como se recolhe da cena musical e fica anos sem dar notícias. Então e Supernada, é para quando, afinal?

Faixa Preferida: Bem Vindo a Ti



46- Elliott Smith - From a Basement on a Hill (2004)

A Wikipédia diz que é: Indie Rock

O infeliz falecimento de Elliott Smith foi uma grave perda tanto para os seus fãs como para a música independente, e para confirmar isso mesmo temos From a Basement on a Hill. O album terminado postumamente pelo produtor Rob Schnapf (que felizmente pouco alterou das maquetes originais) contém algumas das letras mais negras da carreira de Smith, alternando momentos de Rock à flor da pele (Coast to Coast, Strung Out Again) com delicadeza desarmante (Let's Get Lost, Twilight, The Last Hour). Músicas não editadas destas sessões surgem de tempos a tempos entre a comunidade de fãs, e a sua inegável qualidade não surpreende ninguém. Elliott Smith estava no seu pico criativo e entristece-se saber que não haverá mais disto na próxima década...

Faixa Preferida: Escolha muito difícil. Acho que King's Crossing faz um resumo do sentimento que passa por todo este disco...



47- Le Tigre - This Island (2004)

A Wikipédia diz que é: Electroclash

Foi infelizmente o disco final das Le Tigre, importante grupo que fez maravilhas pelo movimento Gay e Lésbico nos Estados Unidos, criando música para quem é diferente e não se importa muito com isso. This Island é feito de momentos aconselháveis para quem gosta de soltar a franga, destacando-se Nanny Nanny Boo Boo e TKO. O clássico das Pointer Sisters, I'm So Excited, leva o tratamento Le Tigre e sai super-valorizado. Tenho um amigo que é igual à rapariga do meio da capa, exepto o bigode. Ele tem a cara limpinha.

Faixa Preferida: TKO



48- Death From Above 1979 - You're a Woman, I'm a Machine (2004)

A Wikipédia diz que é: Dance-Punk

Mais uma banda que deitou um album do caraças cá para fora e desapareceu. Os Death From Above 1979 eram só dois mas faziam grande alarido. Um com baixo e sintetizador, outro com bateira e voz igualmente explosiva. O seu disco é rápido e pesado, cheio de Groove e sensualidade e com uma atitude fuck-it-all. Rock visceral e cru, que termina rapidamente sem sequer darmos por falta do elemento fulcral de qualquer banda Rock. You're a Woman, I'm a Machine parte a loiça toda mesmo sem guitarras, mas também não fazem falta.

Faixa Preferida: You're a Woman, I'm a Machine



49- Clap Your Hands Say Yeah - Clap Your Hands Say Yeah (2005)

A Wikipédia diz que é: Indie Rock

"O disco destinado a nunca ser ouvido se a internet não se tivesse tornado naquilo que é hoje constitui um verdadeiro achado para todos os amantes de bom Rock independente. A voz fica situada entre um Thom Yorke e um Gordon Gano, o som é Indie-Rock alegre e descomprometido, uma colagem de sons e melodias já ouvidas algures no passado mas recicladas tão descaradamente que não deixa de garantir aos Clap Your Hands o estatuto de banda orgânica e verdadeira. A lista de influências é grande e palpável, mas os CYHSY aprenderam realmente com os melhores e a sua sonoridade não é em nada inferior à dos seus mestres." Post original aqui.

Faixa Preferida: In This Home on Ice



50- Bright Eyes - I'm Wide Awake, It's Morning (2005)

A Wikipédia diz que é: Indie Rock/Folk, e eu acrescento Country ao refugado

No mesmo dia, Bright Eyes edita dois discos: Digital Ash in a Digital Urn virado para a electrónica, e I'm Wide Awake, It's Morning, meio Folk meio Country. Enquanto que o primeiro não me entusiasmou minimamente, o segundo viveu no meu leitor de MP3 durante praticamente dois anos. Politico, declaradamente Anti-Bush, o disco tem também o dom de partir corações, tal a brutal honestidade lírica. "I could have been a famous singer if I had someone else's voice but failures always sounded better", escuta-se em Road to Joy. O teledisco de First Day of My Life tem a glória inédita de me ter colocado a chorar copiosamente. Mesmo, baba e ranho... I'm Wide Awake, It's Morning é a obra prima de Bright Eyes, a confirmação do talento prometido.

Faixa Preferida: São todas muito fortes. Gosto especialmente da Landlocked Blues, uma música sobre a morte de um amor.