13.1.10

Os meus discos preferidos da década 00-09, parte segunda

Este post é gigantesco. Se tiveres de ir sulfatar uma vinha ou adubar um batatal, vai já e volta mais tarde, já com as unhas limpas de caca.



26- Blur - Think Tank (2003)

A Wikipédia diz que é: Rock Alternativo e Experimental (fiquei surpreendido por não terem atirado com este disco para o saco da Britpop)

Think Tank constitui a única edição discográfica dos Blur nesta década, e é um disco marcante por não contar com o guitarrista de sempre Graham Coxon e por fugir à sonoridade atribuída à banda, o chamado Britpop (pronto, Crazy Beat é Brtipop, mas o resto não é). Think Tank é um disco mais denso e adulto que os seus antecessores, quer através de novas sonoridades (Jets e Brothers and Sisters poderiam ter entrado nos discos dos Gorillaz), quer graças a uma riqueza lírica sem precedentes. Out of Time é um hino ao desencontro, e Good Song é tal e qual como o nome indica. E a capa é linda! O meu disco de Blur favorito.

Faixa Preferida: Difícil escolher, mas vou salientar Out of Time porque sempre que a escuto fico a pensar em vidas passadas.



27- Lhasa - The Living Road (2003)

A Wikipédia diz que: Não tem classificação para a música da Lhasa. Eu digo à Wikipédia que, uma vez que gosta de atribuir rótulos genéricos ao que não sabe classificar, coloque esta artista no saco da World Music.

O meu disco favorito de Lhasa de Sela é o anterior e alegre La Llorona, mas esse disco foi editado em 1997. Nesta década, a cantora editou o sereno The Living Road em 2003 e o homónimo e triste Lhasa em 2009. Enquanto que o anterior disco versava sobre as Rancheras Mexicanas e tinha como inspiração Chavela Vargas, em The Living Road a sonoridade está mais aberta, abordando não só a omnipresente temática do México como também alguma música vincadamente Europeia. Desta feita, cantado em Castelhano, Inglês e Francês, este disco representa o momento de consolidação de uma carreira que foi estupidamente interrompida.

Faixa Preferida: Para el Fin Del Mundo o El Año Nuevo



28- Belle and Sebastian - Dear Catastrophe Waitress (2003)

A Wikipédia diz que é: Chamber Pop

Foi extremamente criticado aquando a sua edição, mas o tempo fez-lhe justiça e hoje em dia Dear Catastrophe Waitress é considerado um dos melhores da carreira dos Belle and Sebastian. Menos Folk que os anteriores, mais Pop rica em detalhes e apoiado com telediscos divertidíssimos (I'm a Cuckoo, Step Into My Office), este esforço da banda marca o primeiro disco sem a carismática Isobel Campbell no alinhamento depois do tiro no pé que foi Storytelling. A guitarra ganha protagonismo, as harmonias vocais estão apuradas, os sopros discretos mas seguros. Dear Catastrophe Waitress (e o divinal EP complementar Books) mete qualquer um bem disposto.

Faixa Preferida: Asleep On a Sunbeam



29- The Unicorns - Who Will Cut Your Hair When We're Gone? (2003)

A Wikipédia diz que é: Indie Pop

Os Unicorns chegaram, revolucionaram, e terminaram. Muita gente não deu por eles. Os que deram sentem a sua falta até hoje. O único disco a sério que a banda deixou como legado gira em torno da inevitabilidade da morte. Começa com I Don't Wanna Die, passa por vários fantasmas (Tuff Ghost, Sea Ghost) e pilhas de ossos (Jellybones, Les Os) e termina na aceitação que a vida termina na morte e nada há a fazer (Ready to Die). Pelo meio criam uma fervilhante Pop com bateria, baixo e teclados, e uma pontual guitarra. Tudo muito mal produzido, tudo muito mal tocado, tudo muito amador, tudo muito estranho, tudo muito brilhante!

Faixa Preferida: I Was Born (A Unicorn)



30- Chiara Mastroianni & Benjamin Biolay - Home (2004)

A Wikipédia diz que é: Folk, Pop

O músico Francês Benjamin Biolay une-se à sua então esposa Chiara Mastroianni (filha de Catherine Deneuve e Marcello Mastroianni) na criação do slow-burner da década, Home. Alternando entre a língua Francesa e Inglesa, o disco é relaxante e funciona perfeitamente. A candura vocal de Chiara e o registo "Gainsbourguaino" de Biolay, juntamente com arranjos que, não sendo grandiosos, revelam bom gosto e elevado sentido de estética, transformam este disco num daqueles que se vai ouvindo sem se ligar muito e quando se dá por ela está-se a cantarolar e conhecem-se as melodias todas.

Faixa Preferida: Folle de Toi



31- Quinteto Tati - Exílio (2004)
A Wikipédia diz que: nunca ouviu falar deste disco mas eu digo à Wikipédia que é Jazz/Bossanova/Cabaret/Música do cacete!

Exílio é filho enjeitado de JP Simões e seu habitual colaborador Sérgio Costa. Marcadamente distinto da anterior banda de ambos, Belle Chase Hotel, as canções dos Quinteto Tati, cantadas em Português quase na totalidade, versam sobre o falhanço e a desilusão, a centelha de glória que se encontra em qualquer história de decadência. A poesia de JP revela-se uma certeza. Vai Já Passar, JP aconselha a guardar os sonhos antes que os mesmos caiam no chão. Suor e Fantasia fala-nos sobre levitar sobre o Tejo. Exílio leva-nos com ele para o desterro. Eu por mim parto voluntariamente.

Faixa Preferida: Uma para o Caminho



32- Vetiver - Vetiver (2004)

A Wikipédia diz que é: Folk Naturalista (nudista?)

Os Vetiver vieram a reboque da onda Freak Folk, apesar de tocarem um estilo de Folk mais a puxar para o tradicional. O disco de estreia da banda é muito bonito e conta com a presença do "padrinho" Devendra Banhart em dois temas (Los Pajaros del Rio e Amour Fou). A voz do vocalista possui uma ressonância que reconforta a alma, como um cházinho e uma botija de água quente nos pés. Especialmente em Farther On e Oh Papa. Li muito livrinho com este disco a fazer o enquadramento sonoro.

Faixa Preferida: Father On



33- Gomo - Best Of (2004)

A Wikipédia diz que é: Indie Pop

Gomo faz Pop com elementos electrónicos, daquela que gera sorrisos inconsequentes nos lábios. Uma campanha engenhosa de Marketing (Quem é o Gomo, lembram-se?) e uma música fresca e alegre com uma estética sem precedentes no panorama Nacional venderam-me o artista e abracei a estreia Best Of com vigor, mesmo notando alguns problemas relacionados com o Inglês. Manel Plasticina toca guitarra em Feeling Alive. O album seguinte tardou a chegar, o que foi uma pena pois este projecto poderia ter chegado bem mais longe.

Faixa Preferida: Santa's Depression



34- Franz Ferdinand - Franz Ferdinand (2004)

A Wikipédia diz que é: Pós-Punk

Festa é isto! O disco de estreia dos Franz Ferdinand foi um tornado que seduziu com Take Me Out e conquistou com This Fire. Quem se deixou levar pela boa disposição dos Escoceses descobriu que o disco tinha muito mais para oferecer. Darts of Pleasure e Matinée tocaram nos pontos todos certos, e até havia espaço para faixas mais "estranhas" como Tell Her Tonight. Foi como provar um bombom do mais delicioso chocolate para depois se descobrir que o recheio era ainda melhor!

Faixa Preferida: Jaqueline



35- Joanna Newsom - The Milk Eyed Mender (2004)

A Wikipédia diz que é: Freak Folk

Certamente um gosto adquirido, pela peculiaridade da sua voz, Joanna Newsom possui o mérito de trazer a harpa até às massas! Quem se deu ao trabalho de experimentar nunca pode sair desiludido. Terno e mágico, algo que não devia existir nesta era mas que ao mesmo tempo faz todo o sentido, The Milk Eyed Mender é como se a intérprete tentasse domar um instrumento grandioso por natureza, num duelo desigual em quem ganha é o ouvinte. O album seguinte trouxe a aclamação, mas as pérolas estão aqui.

Faixa Preferida: Clam, Crab, Cockle, Cowrie é uma das minhas músicas favoritas de sempre. A versão que se encontra no EP Joanna Newsom & The Ys Street Band é ainda mais perfeita.




36- Iron & Wine - Our Endless Numbered Days (2004)

A Wikipédia diz que é: Folk

O primeiro disco profissional de Sam Beam é um compêndio de música boa, faixa após faixa de candura e amor numa voz suportada por arranjos de guitarra simples e quentes. Não há como não se deixar embalar por melodias como Sunset Soon Forgotten ou Naked As We Came. Um disco lindo para a paz de espírito. A descobrir neste artista são também os seus EPS, editados com frequência e contendo material muitas vezes mais forte do que aquele escolhido para os seus albuns.

Faixa Preferida: Passing Afternoon



37- Devendra Banhart - Rejoicing in the Hands (2004)

A Wikipédia diz que é: Freak Folk

"Devendra, sozinho à guitarra, por vezes com alguns instrumentos extra adicionados posteriormente. A sua voz, estranha mas ao mesmo tempo bela, a sua falta de jeito com os microfones (por vezes a respiração encobre a guitarra), a sua guitarra desafinada, a sua tendência para inventar acordes, as letras imbecis, as letras lindíssimas, as melodias que se entranham nos nossos cérebros e corações. Devendra Banhart respira genialidade e sinceridade." Post original aqui.

Acrescento que o meu CD está autografado! Nhanhanha nhanhanha!

Faixa Preferida: Esta semana pode ser o The Body Breaks



38- Gomez - Split the Difference (2004)

A Wikipédia diz que é: Rock

"O 4º album dos Gomez, Slipt The Difference é um disco de Rock and Roll, cheio de melodias cantaroláveis e harmonias vocais que constituem a imagem de marca da banda. Os estilos musicais encontrados aqui vão desde ao Rock in your Face, à Indie-Pop, à Folk, ao Blues, ao Experimentalismo, às baladas. Nada escapa aos Gomez em neste album, e não encontramos aqui nem uma música fraca." Post original aqui.

Faixa Preferida: Catch Me Up



39- Feist - Let It Die (2004)

A Wikipédia diz que é: Indie Rock

Let It Die é um disco interessante, na medida em que consiste numa primeira metade de material original da cantora e de uma segunda parte composta por versões de músicas de outros artistas. Os discos da Feist têm uma faixa que faz estradalhaço e a deste disco é Mushaboom, com toda a gente que é gente na música a fazer a sua cover da canção, que diga-se de passagem, é daquelas que faz ninho no ouvido e só voa dali para fora passados muitos meses para voltar esporadicamente. A voz da menina arrebita-me os músculos da cara!

Faixa Preferida: Das dela, Gatekeeper. Das dos outros, When I Was A Young Girl



40- King of Convenience - Riot on an Empty Street (2004)

A Wikipédia diz que é: Indie Pop?

Os Noruegueses são muitas vezes comparados à dupla Simon & Garfunkel e se a comparação não é completamente descabida, é certamente redutora. A música dos Kings of Convenience deve tanto à Folk como à Bossa Nova, e as vozes dos dois cantores são mesmo muito parecidas, complementando-se na perfeição. As faixas deste album são do melhor que a dupla escreveu até à data, sendo este o seu disco mais acarinhado pelos fãs. A Feist também anda por aqui (em The Build-Up e Know How) e marca a diferença.

Faixa Preferida: The Build Up



41- Regina Spektor - Soviet Kitch (2004)

A Wikipédia diz que é: Anti-Folk

"Soviet Kitsch é um album que, pese a sua simplicidade, poderá soar estranho e pouco apelativo ao ouvinte ocasional. A amplitude vocal de Regina, que pode ir do som mais agudo ao mais grave em milésimas de segundo, bem como os grunhidos, zumbidos e murmúrios tornam cada música deste disco única e imprevisível. Mas, uma vez que a sua música ganha um lugar dentro de nós, torna-se muito difícil abandoná-la. Fica, cresce, evolui e eleva-nos." Post original aqui.

Faixa Preferida: Este album foi ouvido tantas vezes que já nem sei da qual gosto mais... Ultimamente dou por mim a ouvir a Somedays...



42- The Go! Team - Thunder Lightning Strike (2004)

A Wikipédia diz que é: Alternative dance, Indie Rock, Alternative Hip-Hop

Tom Sawyer, Caprisonne, meninas a saltar à corda, Pacman, cantilenas de recreio, filmes do Bruce Lee, sandes de manteiga de amendoim, Soldados da Fortuna (AKA Esquadrão Classe A), corridas de BMX, festas de bairro, parentes a passear na rua com um tijolo sonoro ao ombro, duelos de Break-Dance, jogar sempre Street Fighter 2 com o Ryu, brincar à cabra-cega. Ouvir Thunder Lightning Strike é regressar à infância/adolescência, sem lamechismo. Decerto a intenção da banda não seria essa, mas é esse o efeito que The Go! Team me causa. Não apareceu nesta década nada como isto! They came here to Rock the microphone!

Faixa Preferida: The Power Is On



43 - Arcade Fire - Funeral (2004)

A Wikipédia diz que é: Baroque Pop

Odiava Arcade Fire só porque sim, mas depois prestei a devida atenção a Funeral e passei a adorá-los. Funeral pode parecer um niquinho pretencioso, mas não existe sombra de dúvida que este é um daqueles discos marcantes para toda uma geração. Nascido da mágoa (o album foi gravado aquando o luto por vários familiares de membros da banda), Funeral transforma-se na grandiosa celebração da vida. As faixas deste disco provocam euforia e estados de alegria descontrolada em ouvido incautos. Tem dias que me dá vontade de vir para a rua e distribuir abraços depois de uma dose bem aplicada deste disco.

Faixa Preferida: Neighborhood #2 (Laika)



44- Interpol - Antics (2004)

A Wikipédia diz que é: Post-Punk

"Editado em 2004, Antics é um sólido e despretensioso album Rock. Mais animado que o antecessor, Turn On The Bright Lights (que ainda assim inclui a minha canção preferida deste grupo, I Love NYC), este disco possui uma aura magnética que atrai o ouvinte, e as letras e a voz encontram-se impregnadas de uma escuridão sarcástica que contrastam com a luminosidade do acompanhamento sonoro. Os riffs de guitarra, embora simples, resultam na perfeição. O mesmo se aplica à bateria e baixo. Simplicidade, ordem e eficiência." Post original aqui.

Faixa Preferida: Evil. Já ouviram bem aquela linha de baixo? Não é espectacular?



45- Pluto - Bom Dia (2004)

A Wikipédia diz que é: Rock Alternativo

Os Ornatos Violeta (tidos para mim como a melhor banda Nacional dos anos 90) acabaram mesmo mas o Manel e o Peixe juntaram-se para fazer um disco de Rock mais in-you-face do que qualquer coisa editada pela anterior banda. Com letras muito fortes e apuradas e uma sonoridade fervilhante, foi realmente uma lástima constatar que este projecto não teve a continuidade merecida, dando um carácter de raridade a quem teve a oportunidade de ver ao vivo. A malta dos Ornatos gosta é de projectos novos, mas desta vez quem é fã já não anda a dormir e vai ver todos os concertos que pode que esta gente tanto inventa nova música como se recolhe da cena musical e fica anos sem dar notícias. Então e Supernada, é para quando, afinal?

Faixa Preferida: Bem Vindo a Ti



46- Elliott Smith - From a Basement on a Hill (2004)

A Wikipédia diz que é: Indie Rock

O infeliz falecimento de Elliott Smith foi uma grave perda tanto para os seus fãs como para a música independente, e para confirmar isso mesmo temos From a Basement on a Hill. O album terminado postumamente pelo produtor Rob Schnapf (que felizmente pouco alterou das maquetes originais) contém algumas das letras mais negras da carreira de Smith, alternando momentos de Rock à flor da pele (Coast to Coast, Strung Out Again) com delicadeza desarmante (Let's Get Lost, Twilight, The Last Hour). Músicas não editadas destas sessões surgem de tempos a tempos entre a comunidade de fãs, e a sua inegável qualidade não surpreende ninguém. Elliott Smith estava no seu pico criativo e entristece-se saber que não haverá mais disto na próxima década...

Faixa Preferida: Escolha muito difícil. Acho que King's Crossing faz um resumo do sentimento que passa por todo este disco...



47- Le Tigre - This Island (2004)

A Wikipédia diz que é: Electroclash

Foi infelizmente o disco final das Le Tigre, importante grupo que fez maravilhas pelo movimento Gay e Lésbico nos Estados Unidos, criando música para quem é diferente e não se importa muito com isso. This Island é feito de momentos aconselháveis para quem gosta de soltar a franga, destacando-se Nanny Nanny Boo Boo e TKO. O clássico das Pointer Sisters, I'm So Excited, leva o tratamento Le Tigre e sai super-valorizado. Tenho um amigo que é igual à rapariga do meio da capa, exepto o bigode. Ele tem a cara limpinha.

Faixa Preferida: TKO



48- Death From Above 1979 - You're a Woman, I'm a Machine (2004)

A Wikipédia diz que é: Dance-Punk

Mais uma banda que deitou um album do caraças cá para fora e desapareceu. Os Death From Above 1979 eram só dois mas faziam grande alarido. Um com baixo e sintetizador, outro com bateira e voz igualmente explosiva. O seu disco é rápido e pesado, cheio de Groove e sensualidade e com uma atitude fuck-it-all. Rock visceral e cru, que termina rapidamente sem sequer darmos por falta do elemento fulcral de qualquer banda Rock. You're a Woman, I'm a Machine parte a loiça toda mesmo sem guitarras, mas também não fazem falta.

Faixa Preferida: You're a Woman, I'm a Machine



49- Clap Your Hands Say Yeah - Clap Your Hands Say Yeah (2005)

A Wikipédia diz que é: Indie Rock

"O disco destinado a nunca ser ouvido se a internet não se tivesse tornado naquilo que é hoje constitui um verdadeiro achado para todos os amantes de bom Rock independente. A voz fica situada entre um Thom Yorke e um Gordon Gano, o som é Indie-Rock alegre e descomprometido, uma colagem de sons e melodias já ouvidas algures no passado mas recicladas tão descaradamente que não deixa de garantir aos Clap Your Hands o estatuto de banda orgânica e verdadeira. A lista de influências é grande e palpável, mas os CYHSY aprenderam realmente com os melhores e a sua sonoridade não é em nada inferior à dos seus mestres." Post original aqui.

Faixa Preferida: In This Home on Ice



50- Bright Eyes - I'm Wide Awake, It's Morning (2005)

A Wikipédia diz que é: Indie Rock/Folk, e eu acrescento Country ao refugado

No mesmo dia, Bright Eyes edita dois discos: Digital Ash in a Digital Urn virado para a electrónica, e I'm Wide Awake, It's Morning, meio Folk meio Country. Enquanto que o primeiro não me entusiasmou minimamente, o segundo viveu no meu leitor de MP3 durante praticamente dois anos. Politico, declaradamente Anti-Bush, o disco tem também o dom de partir corações, tal a brutal honestidade lírica. "I could have been a famous singer if I had someone else's voice but failures always sounded better", escuta-se em Road to Joy. O teledisco de First Day of My Life tem a glória inédita de me ter colocado a chorar copiosamente. Mesmo, baba e ranho... I'm Wide Awake, It's Morning é a obra prima de Bright Eyes, a confirmação do talento prometido.

Faixa Preferida: São todas muito fortes. Gosto especialmente da Landlocked Blues, uma música sobre a morte de um amor.

12.1.10

Os meus discos preferidos da década 00-09, parte primeira

Este post é gigantesco. Se te assustas com coisas como "palavras" e "frases" arrepia caminho antes que te arrependas!



1- Manu Chao - Próxima Estación: Esperanza (2000)

A Wikipédia diz que é: Reggae Latino

Próxima Estación: Esperanza foi uma avalanche de alegria e festa que entrou pelo país adentro depois das sementes deixadas pelo anterior disco Clandestino. O segundo disco a solo do antigo vocalista dos Manu Negra continha músicas em Galego, Português e Árabe, mas a grande maioria vinha em Castelhano e Inglês. As músicas vinham com elementos sonoros que caracterizam qualquer disco de Manuel (aquele PIM), e é impressionante como o mesmo fundo musical serve para tantas composições diferentes. Para a história ficam os concertos de 4 horas. Me Gustas Tú e Mr. Bobby fizeram mover muitos esqueletos. O teledisco de Me Gustas Tú tinha a actriz Paz Gómez, que se tornou a minha paixoneta virtual desse Verão.

Faixa Preferida: Me Gustas Tú



2- Yo La Tengo - And Then Nothing Turned Itself Inside-Out (2000)

A Wikipedia diz que é: Rock Alternativo

Os Yo La Tengo tiveram uma década rica em edições de qualidade, com Summer Sun, I Am Not Afraid of You and I Will Beat Your Ass e o excelente Popular Songs, mas o meu disco favorito de todos é And Then Nothing Turned Itself Inside-Out. Um album extremamente calmo e etéreo, o mais Art-Pop da carreira, com alguns momentos de electricidade lá mais para o fim. Há por aqui vibrafone e caixas de ritmos a rodos. Um disco que me traz as melhores memórias, de longas sessões de estudo mas também de dançar You Can Have It All (uma cover de uma música Soul dos anos 70) na rua com uma amiga, ambos com os olhos raiados de sangue. Vida de estudante, há lá coisa melhor?

Faixa Preferida: Let's Save Tony Orlando's House. O título desta cantiga é uma homenagem aos Simpsons. Menção honrosa para Last Days of Disco e You Can Have It All.



3- Mirah - You Think It's Like This But Really It's Like This (2000)

A Wikipédia diz que é: Indie Rock

O disco de estreia da Mirah é e continuará a ser o meu favorito em relação a tudo o que a senhora fizer a seguir. É tão simples, tão lo-fi,tão perfeito na sua imperfeição! Tantas músicas cruas que teriam maior apelo com produção mais cuidada e melhores instrumentos, tanto engenho para produzir pérolas como Person Person, Pollen e Engine Heart com parcos meios...

Faixa Preferida: La Familia. "If we sleep together would you be my friend forever?" Mais honesto que isto é impossível.



4- Radiohead - Kid A (2000)

A Wikipédia diz que é: Rock Alternativo, Música Electrónica

Foi difícil decidir entre este e In Rainbows, mas Kid A ganha por ter trocado as voltas àquele tipo de fã que gosta sempre do mesmo album, sendo o tal "mesmo album" o anterior OK Computer no caso dos Radiohead. Tomem lá uma chapada e vão lá ouvir o som da moda, que nós agora vamos continuar a evoluir a nossa música. A substituição do Rock (que poderia tão facilmente ter resvalado para música de encher estádios, abençoados sejam), pela Electrónica foi uma excelente jogada na gestão da carreira, e olhando para trás, apesar da fria recepção inicial, Kid A deu-nos faixas memoráveis como Morning Bell, National Anthem e Everything In It's Right Place. Hoje é tido como um dos melhores da banda.

Faixa Preferida: Idiotheque. Queriam Rock, então tomem lá uma música construída com um sampler. E gostem!



5- At The Drive-In - Relatioship of Command (2000)

A Wikipédia diz que é: Post-Hardcore

Foi o último disco de gritaria que realmente gostei, os resquícios de uma adolescência dedicada ao som mais pesado. Mas, caraças, ainda gosto mesmo muito deste disco dos At The Drive-In! Todo ele com faixas muito fortes. Arcasenal é um murro nos dentes. Mannequin Republic é pontapé nas costelas. Rolodex Propaganda é partilhada com Iggy Pop. One Armed Scissor é a memória mais duradoura. Um album tão poderoso que rebentou com a banda. De Mars Volta não gosto.

Faixa Preferida: Pattern Against User



6- Daft Punk - Discovery (2001)

A Wikipédia diz que é: House (Daft Punk is playing in my)

A minha namorada da altura gostava disto, razão suficiente para eu não gostar (foi um namoro complicado). Mas anos mais tarde consegui dar o devido valor a Discovery, um pouco por culpa do filme de animação Interstella 5555: The 5tory of the 5ecret 5tar 5ystem, do qual este album é banda sonora, mas também pelo sucesso viral de Harder, Better, Faster, Stronger. Hoje em dia os Daft Punk são os maiores, apesar de não editarem nada desde 2005. A Internet tem destas coisas. Falando de música, Digital Love é Pop bonita e bem feita, Crescendolls fica bem em qualquer festa , Too Long poderia ser Funk. Aerodynamic tem um grande solo de guitarra!

Faixa Preferida: Harder, Better, Faster, Stronger. Não há como resistir ao apelo de dançar isto!



7- Nick Cave & The Bad Seeds - No More Shall We Part (2001)

A Wikipédia diz que é: Post-Punk. Não vejo onde.

No More Shall We Part é um belíssimo disco e o meu preferido de Nick Cave, pois aborda temas menos negros nas letras, possui arranjos musicais ricos, carrega no piano e no plano espiritual (Hallelujah, mas desta vez não é a do Cohen). Alguns dos temas são belíssimos. Love Letter e As I Sat Sadly By Her Side derretem. Pessoalmente, No More Shall We Part sai enriquecido depois de ter escutado o disco de Spoken-Word de Cave, The Secret Life of the Love Song, editado em 2000. Após a explicação cuidada e articulada de como a música de amor está ligada com o sagrado, o meu respeito pelo senhor consolidou-se.

Faixa Preferida: Fifteen Feet of Pure White Snow. Um amigo meu dizia na altura que esta música era sobre droga. Também não vejo onde.



8- Yann Tiersen - Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain (2001)

A Wikipédia diz que é: Avant-Garde

Le fabuleux Destin d'Amélie Poulain é um grandioso filme que deve ser visto pelo menos uma vez por ano pois os ensinamentos que dele brotam são tão facilmente esquecidos... A banda sonora de Yann Tiersen só engrandece ainda mais a obra prima de Jean-Pierre Jeunet. O uso de acordeão é omnipresente e remete com prontidão para território gaulês. O que menos pessoas sabem é que uma parte substancial das faixas deste album consiste em reinterpretações de canções dos discos anteriores de Tiersen, mas isso agora não interessa para o caso. Les Jours Tristes foi escrita a meias com o vocalista dos Divine Comedy, e uma versão com letra desta canção pode ser encontrada no lado B do single Regeneration.

Faixa Preferida: La Noyée



9- David Byrne - Look Into the Eyeball (2001)

A Wikipédia diz que é: Rock Alternativo. Quando a música tem guitarras mas não é bem Rock de estádio espeta-se com o selo "Rock Alternativo" e siga para bingo.

Like Humans Do vinha com o Windows XP e agradou o suficiente para o aventureiro a solo ir comprar o disco num Inô em Braga. O primeiro esforço do antigo vocalista dos Tó Quim Guedes nesta década que findou foi uma grande surpresa, pois até nem gosto particularmente da banda de origem. Pelo album fora escutam-se influências que vão desde o Soul à Bossa Nova (Vinicius Cantuária dá uma ajudinha). Look Into the Eyeball é todo ele composto por faixas muito boas, como The Revolution, Smile e Walk On The Water. E o olho da capa pisca mesmo!

Faixa Preferida: Everyone's In Love With You



10- Muse - Origin of Symmetry (2001)

A Wikipédia diz que é: Space Rock

Vi-os no Festival da ilha do Ermal em 2000, num concerto de meia hora poderosissíssimo, quando ainda eram uma banda a sério e não um show de lasers e confettis. No ano seguinte surge Origin of Symmetry, e é o delírio! Um disco carregado de baixo com guitarra a colorir, ao meu gosto. Feeling Good, popularizada por Nina Simone, é um momento alto do disco, mas as tendências maiores-que-a-vida já se deixavam adivinhar em Hyper Music e Megalomania. Sucesso maior em Plug In Baby.

Faixa Preferida: New Born é uma senhora música!



11- The Shins - Oh Inverted World (2001)

A Wikipédia diz que é: Indie Rock ou Indie Pop, depende de como se acorda de manhã.

Estive indeciso entre este e Wincing The Night Away, mas o Miguel Ângelo dos Delfins facilitou-me a vida ao afirmar que Australia era uma das suas músicas preferidas, de modo que a minha escolha recai sobre o disco que não tem a Australia. O som da banda remete para a Sunshine Pop praticada nos anos 60, e Oh Inverted World é realmente luminoso e feliz. Caring is Creepy e New Slang tornaram-se conhecidas graças ao filme Garden State no qual entrava o JD do Scrubs. Mas o album não é só isso. Tem também Girl On The Wing e a arrepiante Your Algebra, e um punhado de boa-disposição concentrada.

Faixa Preferida: New Slang. Há pela Internet adentro uma versão desta música cantada a meia com Iron & Wine que é um assombro.



12- The White Stripes - White Blood Cells (2001)

A Wikipédia diz que é: Garage Rock

Foi Elephant que lhes deu notoriedade, mas White Blood Cells é um album de Rock escorreito e bem mais interessante. Tem I Think I Smell a Rat, tem Dead Leaves In The Dirty Ground, tem I'm Finding I Harder to Be a Gentleman. Tem Fell In Love With a Girl e o seu teledisco pixelizado. E tem a divertida Hotel Yorba! Guitarra, voz, bateria, já está! Assim se faz o bom Rock! Quando ouvia este album no meu leitor de MP3 lembrava-me sempre da minha namorada, mesmo estando a anos-luz de colocar sequer a hipótese de namorarmos. Mas já éramos bons amigos e por isso White Blood Cells traz-me boas recordações.

Faixa Preferida: We're Going to Be Friends. Uma canção acústica que não tem absolutamente nada a ver com o resto do disco, mas o imaginário infantil desta canção reconforta-me.



13- CAKE - Comfort Eagle (2001)

A Wikipédia diz que é: Rock Alternativo

Os CAKE nunca foram pessoas dadas a grandes confusões, e continuam a editar discretamente os seus discos e a dar os seus concertos sem se chatearem muito com quem gosta e quem não gosta. Essa atitude agrada-me, e representa 50% das razões que me levam a regressar a esta banda uma e outra vez. As restantes 50% dividem-se no uso bem aplicado do trompete e do facto de isto ser um tipo de Rock que me agrada bastante. Não inventam a pólvora, mas eu gosto. Vi-os uma vez ao vivo em Coimbra debaixo de chuva torrencial e foi uma experiência memorável!

Faixa Preferida: Comfort Eagle



14- The Strokes - Is This It (2001)

A Wikipédia diz que é: Garage Rock

Os Strokes apareceram e de repente o Rock estava outra vez salvo e o mundo era bonito e aí é que foi um corropio de bandas a surgirem com "The" no nome mas os Strokes é que eram os "The" originais e os melhores de todos os tempos. Depois o Hype desapareceu e veio a moda das bandas com números no nome. Desaparecido o burburinho em torno da banda e olhando objectivamente para Is This It, encontra-se aqui realmente um fantástico disco que abriu caminho para muito do Rock que se escuta hoje em dia. Ritmado, com muito "djingaling", e a característica voz saturada por distorção. As músicas são todas orelhudas e possuem um apelo Pop. Fosse esta lista ordenada por preferência e Is This It estava lá para o topo.

Faixa Preferida: Hard to Explain



15- Eels - Souljacker (2001)

A Wikipédia diz que é: Indie Rock

Souljacker foi o disco em que E se mascarou de Unabomber e ficou de tal maneira irreconhecível que pensei que tivesse saído da banda quando vi o teledisco de Souljacker, Part I. Menos Pop que os anteriores albuns, foi por esse motivo recebido com maior frieza. Uma pena, pois Souljacker é uma pérola Rockeira, com distorção a sair por tudo o que é buraco, excepto Fresh Feeling que tem secção de cordas e poderia ter sido single.

Faixa Preferida: That's Not Really Funny



16- Lovage - Music To Make Love To Your Old Lady By (2001)

A Wikipédia diz que é: Trip-Hop, Acid Jazz

"Merriweather produz e sampla um ambiente extremamente sensual, de enorme bom gosto, apesar dos títulos infelizes de algumas músicas (Herbs, Good Hygiene & Socks, por exemplo) adornado pelas vozes de Jennifer Charles (dos Elysian Fields) e Mike Patton (será mesmo necessário explicar quem é?). As vozes de ambos os vocalistas dançam e provocam-se mutuamente, o erotismo cresce a cada batida, a cada gemido, a cada provocação lançada pelo casal..." Post original aqui.

Já sabia que a capa era inspirada em Gainsbourg, mas sabem de onde vem a inspiração para o título deste disco? Cliquem aqui (não apropriado para mentes impressionáveis).

Faixa Preferida: To Catch a Thief



17- Norah Jones - Come Away With Me (2002)

A Wikipédia diz que é: Jazz

O encantamento por Norah Jones foi curto (durou este album) mas intenso. Come Away With Me é um disco de Jazz versão piano, cantado com voz quente. A filha renegada de Ravi Shankar conseguiu sucesso planetário logo ao primeiro disco, que se vendeu que nem pãezinhos quentes com aclamação que dura até à actualidade. O facto de ser um xuxuzinho de cabelo negro e olhar doce também ajudou à festa.

Faixa Preferida: Feelin' The Same Way



18- Carla Bruni - Quelqu'un m'a dit (2002)

A Wikipédia diz que é: Folk

Carla Bruni fez uma agradável carreira como modelo na década de 90, e foi com surpresa que surgiu de guitarra a tiracolo e voz rouca e sensual. Quelqu'un m'a dit fez imenso sucesso na Europa, com Portugal nos lugares cimeiros da falange de apoio. Os arranjos eram simples, porém cuidados, a voz era perfeita para o enquadramento visual. Carla Bruni era a mulher ideal. Bela, inteligente, toca guitarra e fala Francês. E depois casa com o Sarkozy e o encantamento quebra-se. Bah!

Faixa Preferida: Le Ciel Dans Une Chambre, uma versão bilingue de uma antiga e afamada canção Italiana. A versão mais popular encontra-se aqui para visionamento.



19- Badly Drawn Boy - About a Boy (2002)

A Wikipédia diz que é: Folk

"About A Boy é simultaneamente um album e uma banda sonora para o filme com o mesmo nome (bastante bom, por sinal). Todas as canções cantadas por este senhor estão divididas por deliciosos interlúdios instrumentais. Destaco Silent Sight, Donna And Blitzen (que podia ser perfeitamente uma canção de Natal) e Above You, Below Me." Post original aqui.

Acrescento que este disco me traz memórias de tempos felizes e não é só a mim.

Faixa Preferida: Above You, Below Me



20- Tom Waits - Alice (2002)

A Wikipédia diz que é: Rock. A Wikipédia droga-se.

Foi uma guerra para decidir entre Blood Money e Alice, mas ganhou o segundo porque contém as seguintes canções: a) Alice, uma declaração de amor num lago gelado; b) No One Knows I'm Gone, o lamento de um moribundo; c) Kommienezuspadt, a faceta vaudeville de Tom Waits; d) Watch Her Disappear, a música mais sensual alguma vez feita em toda a história do cançonetismo; e) Fawn, serrote musical a terminar um disco melancólico de forma perfeita. Este album foi feito para servir de banda sonora à peça do mesmo nome, baseada no amor proibido entre Lewis Carroll e a menor Alice Liddell, musa inspiradora para o livro seminal Alice no País das Maravilhas.

Faixa Preferida: Muitas faixas deste album mexem comigo fisicamente. Vou arriscar a faixa título.



21- The Flaming Lips - Yoshimi Battles The Pink Robots (2002)

A Wikipédia diz que é: Pop Psicadélico

"Yoshimi Battles The Pink Robots é talvez o album mais acessível dos Lips. Um album conceitual na medida do possível, narra parcialmente a história de uma menina japonesa chamada Yoshimi (cinturão negro em Karaté), na luta contra os gigantescos robots cor-de-rosa que invadem a terra. O uso e abuso de sintetizadores transformam este album numa peça neo-retro (ou camp, se preferirem), onde o futurismo aqui apresentado é o mesmo sugerido nos anos 80. Melancólico e optimista ao mesmo tempo, Yoshimi é um belíssimo disco que cresce após várias audições. Pode parecer estranho a princípio, mas dêem-lhe tempo e ele acaba por entranhar-se." Post original aqui.

Faixa Preferida: Yoshimi Battles The Pink Robots Part 1



22- Queens of the Stone Age - Songs For The Deaf (2002)

A Wikipédia diz que é: Stoner Rock

Songs For The Deaf é um disco de Rock and Roll que emula uma viagem de carro pelo deserto e as várias rádios que se vão apanhando pelo caminho. Contendo gente de renome que vai do baixista dos Marylin Manson ao baterista dos Nirvana e ao vocalista dos Screaming Trees, este é um grande album de uma banda que só peca por querer ser mais do que é (vide este webcomic para se perceber onde quero chegar). O teledisco de Go With The Flow impressionou. Gosto especialmente das faixas berradas pelo baixista (Six Shooter e You Think I Ain't Worth a Dollar, But I Feel Like a Millionaire).

Faixa Preferida: Another Love Song



23- Beth Gibbons & Rustin Man - Out of Season (2002)

A Wikipédia diz que é: Folk

A colaboração da vocalista dos Portishead com o baixista dos Talk Talk deu ao mundo um album húmido e melancólico, Folk com cheiro a Jazz. O registo vocal que Beth Gibbons empresta a este disco eriça-me os cabelos da nuca. A sua voz aqui ganha espaço e protagonismo, um uivo ferido apontado directamente ao coração. Funny Time of Year, Mysteries e Show são prova disso. Out of Season gela-me o sangue.

Faixa Preferida: Mysteries



24- Architecture in Helsinki - Fingers Crossed (2003)

A Wikipédia diz que é: Indie Pop

Como gosto de todos os discos dos Architecture in Helsinki por igual, destaco o primeiro por ter sido a estreia. Fingers Crossed é uma salganhada de instrumentos (xilofones, tubas, ferrinhos), percussões (palmas, estalos de dedos) e vocalizações (até bebés de colo cantam). Um disco calmo (o mais relaxado da carreira), alegre, com a simplicidade da primeira infância. Oiço Architecture in Helsinki e consigo visualizar bolinhas de sabão.

Faixa Preferida: The Owls Go



25- Yeah Yeah Yeahs - Fever to Tell (2003)

A Wikipédia diz que é: Garage Punk

Yeah Yeah Yeahs caíram-me no goto porque Y-Control tinha um teledisco com crianças a brincar com um cão morto, e sinceramente, quem consegue resistir a brincar com um animal em putrefacção? Eu cá sei que não resisto! O disco de estreia dos Nova-Iorquinos é barulhento, sujo, fervilhante e sexy. Karen O é a personificação de Deusa Rock desta década. Em Date With The Night ela grita, em Maps ela embala, em Black Tongue ela geme. Musicalmente, Nick Zinner faz tudo menos cantar e tocar bateria, e é do seu engenho que esta banda vive. Uma estreia como poucas e um dos discos mais importantes do Rock do início do século XXI.

Faixa Preferida: Pin

11.1.10

Os meus discos preferidos da década 00-09: Introdução

Pumba, mais música!

Esta semana apresentarei à bruta a lista dos meus 100 discos preferidos editados entre 2000 e 2009. Porque a cada 10 anos é sempre altura de balanço e eu não vou ficar de fora da brincadeira! Em sei que já devia ter feito isto à mais tempo, mas perdi tanto tempo a deleitar-me com os discos que a coisa foi-se atrasando...

Fazem parte desta lista albuns dos quais gosto de pelo menos 90% das faixas, que ouvi repetidamente, e que recomendei a alguém vivamente a determinada altura da minha vida ou que me foram apresentados com carinho por pessoas por quem nutro estima. Deixo conscientemente de fora artistas dos quais gosto muito e que possuem faixas muito fortes mas cujos albuns editados nesta década não me deixaram memórias duradouras (Of Montreal, Elvis Perkins, Air, Au Revoir Simone, Lemonheads, Metric, tantos outros). Deixo também de fora discos que, embora tenha ouvido muitas vezes por minha iniciativa, escutei muitas mais vezes involuntariamente e hoje em dia causam-me urticaria. Se quiser ouvir Gotan Project basta-me ligar para o 118, e para ouvir Nouvelle Vague é só ir tomar um café a uma esplanada à beira-mar. Por razões de logística e porque tem de ser estabelecido algum critério, ficam de fora compilações, bandas sonoras com vários artistas, EPs e discos ao vivo. Outro critério, um disco por cada artista/banda.

Os discos serão apresentados por ordem cronológica de edição, quando possível, do mais antigo até ao mais recente. Cada disco terá uma pequena resenha na qual explicarei porque gosto do mesmo. Algumas resenhas serão recicladas de posts antigos deste blog, mas identificarei de qual post fiz o "copy-paste". Não serão muitos.

Vem aí um longa lista partida em quatro posts, com muitas palavras mas também com bonitas capas para distrair o olho do leitor preguiçoso. Serão 100 pequenas declarações de amor, 100 discos que mexeram e mexem ainda comigo, não serão perfeitos, não serão certamente consensuais (embora alguns sejam sensuais), mas são os meus discos favoritos editados nesta década que findou. Amanhã surgem os primeiros 25. Apareçam e tragam um lanchinho e uns headphones.

4.1.10

Notícia de merda

Cantora Lhasa de Sela morre aos 37 anos, vítima de cancro da mama.




Nevou mais de 40 horas em Montreal desde a partida de Lhasa...

3.1.10

Pretty



Feliz 2010!