3.11.10

The Walking Dead, Série 1, Episódio 1: Days Gone Bye

The Walking Dead estreou ontem na Fox Portugal. Aquando a sua estreia no Domingo passado no Estados Unidos, bateu todos os recordes de audiência, com mais de 8 milhões de pessoas sintonizadas! Impressionante, para uma série totalmente gore como esta, cheia de tripas, moscas, e sangue seco. Pessoalmente, tenho umas palvrinhas a dizer. Para quem ainda não viu o episódio em questão, este texto está forrado com SPOILERS. Cautela na leitura!





Sinopse: O primeiro episódio conta a história de Rick Grimmes, polícia de província, casado com Lori e com um filho, Carl. Rick, juntamente com o seu parceiro Shane, vê-se a braços com um tiroteio e é baleado. Enquanto recupera no Hospital do seu ferimento, entra em coma, acordando bastante tempo depois, sozinho. Nos corredores do Hospital existem cadáveres aparentemente devorados, e o pátio das instalações hospitalares está coberto de mortos, todos fuzilados. Vagueando pela cidade, Rick conhece Morgan e o seu filho Duane, que lhe contam o sucedido. Os falecidos já não ficam falecidos, e uma mordida de um morto-vivo é uma sentença de morte-vida (que palavra tão bonita). Ciente do perigo que corre, Rick decide ainda assim investigar a sua casa, chegando à conclusão de que a sua família deverá estar viva, pois tudo leva a crer que partiu levando pertences de valor sentimental como albuns de fotografias. Despedindo-se de Duane e Morgan, Rick parte para Atlanta à procura de Carl e Lori. Mas a cidade grande está morta e o episódio termina com um cliffhanger que, mesmo sabendo o que deverá acontecer a seguir, me deixou prontinho para ver logo o próximo episódio.

Diferenças em relação ao material-fonte: Muito ligeiras. Existe uma pequena cena que mostra o campo dos sobreviventes, chegando mesmo a mostrar o romance entre Lori e Shane. Essa cena serve para avançar mais rapidamente a narrativa. Pessoalmente, teria deixado esta surpresa para o episódio seguinte, mas compreendo que a história tenha de avançar de algum modo, uma vez que para já só temos mais 5 episódios pela frente. Surgiu também uma nova personagem, a mulher de Morgan, devidamente zombificada, que só vem dar carga emocional quando chega a altura de a abater, e que contribui para dar dimensão a uma personagem que, se a série for fiel aos livros, só voltará a surgir lá para a 5ªa ou 6ª série (esperando que dure até lá).

Opiniões: Gostei muito. Está totalmente fiel à Banda Desenhada, chegando ao pormenor ter ter zombies visualmente muito parecidos aos do livro. O desespero que se sente é palpável, e ainda a procissão vai no adro. Em termos de efeitos especiais, tudo está muito bem conseguido, e inclusivamente violentíssimo. Não é qualquer série que mostra uma criança de 10 anos a ser alvejada na testa, mas The Walking Dead claramente não é uma série qualquer. Interessante como as cenas de terror acontecem sempre em plena luz do dia. Tenho algumas dúvidas se o actor principal terá carisma suficiente para interpretar Rick Grimmes, mas vou-lhe dar o benefício da dúvida. Para já, irrita-me um pouco por ser muito parecido a um amigo meu que é cromo do futebol. Estou sempre à espera que algum zombie lhe passe a bola e o polícia comece a dar toques e a gabar-se de que é o melhor das Distritais.

Assim sendo, tal como aconteceu com a Banda Desenhada, estou agarrado. Todas as Terças-Feiras estreia um novo episódio na Fox (fortemente cortado para não ocupar muito espaço na programação, pelo que não será a melhor opção), e para os mais impacientes, a série sai aos Domingos nos Estados Unidos, com pessoas sem vida própria a legendarem os episódios 2 horas depois de surgirem nos torrents. Eu cá estarei para papar os episódios todos. We Are The Walking Dead.

30.10.10

The Walking Dead: Expectativas e Receios

Para quem anda distraído e não tem visto a publicidade na televisão nem os cartazes nas paragens de autocarro, está prestes a estrear uma nova série na Fox. Série essa, baseada num universo ficcional que me é muito querido, a banda desenhada The Walking Dead.



The Walking Dead, de Robert Kirkman, é um intenso conto de sobrevivência num Mundo virado do avesso. Neste caso, os antagonistas são Zombies, mas também podiam ser extraterrestres, lobisomens ou cães de loiça raivosos. Isso não é relevante. Interessa saber que as personagens convivem numa situação extrema e que os códigos morais e de conduta deixam de fazer sentido. Para mais informação sobre a banda desenhada, sigam o link (BANDA DESENHADA: THE WALKING DEAD). Poderão ver que a minha opinião sobre a série não mudou de 2007 a esta parte.

A banda desenhada venceu um prémio Eisner em 2010 (o equivalente aos Óscares para a Nona Arte) e a crítica especializada tem vindo a tecer os mais rasgados elogios à obra. A secção de banda desenhada do site IGN, que dedica parte do seu espaço a criticar livros, nunca deu uma nota mais baixa do que 8,5 em 10 a The Walking Dead. Em quase oitenta livros, isso quer dizer muito.

Em Novembro sai o 13º Trade Paperback, mas antes disso temos uma série televisiva de 6 episódios, e toda a gente ligada ao mundo dos livros aos quadradinhos deposita nela imensa fé. O próprio Kirkman realizou um episódio! Não há como falhar, dizem, mas eu não consigo deixar de ficar inquieto.

Os meus receios em relação a The Walking Dead são simples:

- Receio que a série não tenha sucesso e que isso dite o final da banda desenhada;

- Receio que a série tenha um sucesso de tal forma avassalador que a narrativa avance rapidamente até ficar a par com a banda desenhada, o que fará com que as histórias sejam escritas à pressa e a banda desenhada perca qualidade e definhe.

Atentos que acredito perfeitamente que a série será boa, com um material de base desta qualidade teria de tudo correr horrivelmente mal para que assim não fosse. Basicamente, gosto demasiado desta série e despendi tanto tempo com estas personagens que não gostava que tudo acabasse entretanto. Robert Kirkman, no primeiro volume da banda desenhada, referiu que o seu objectivo era criar uma história de zombies sem final à vista. Que as aventuras do grupo de Rick Grimes pudessem durar enquanto houvesse imaginação para as escrever. Criar uma série de televisão em torno de The Walking Dead poderá potenciar um final desse Universo. Ou não. Tudo depende de como as coisas forem feitas.

Para já, a série está criada e estreia amanhã nos Estados Unidos, e 2 de Novembro na Fox nacional. Eu tenciono vê-la e disfrutá-la ao máximo, porque, apesar dos meus receios, ver a Amy, o Rick, o Carl, a Michone, a Lori, o Glenn, o Dale, até o "maior filho da puta de todos os tempos" Governor, todos em carne (putrefacta) e osso (rachado), é a prova da inegável qualidade da obra de Robert Kirkman. The Walking Dead é a minha banda desenhada favorita, e como nerd que sou, fico feliz se lhe for feita justiça.

1.10.10

Provérbio do Borda D'Água para Outubro de 2010



Se o gajo do Borda D'Água manda é para ser feito!

29.9.10

Tudo o que interessa saber sobre os Estados Unidos, capitulo XXV: Missouri

Missouri, o Estado das Cavernas


Capital: Jefferson City

Animal: Mula (um animal tão miserável que nem merece nome científico)

Lei idiota: É legal ultrapassar o limite de velocidade nacional

Banda: Someone Still Loves You Boris Yeltsin



Miss Missouri: Candice Crawford



Facto Absolutamente Espectacular! Os Americanos pronunciam o nome deste Estado como Missoura. Os Americanos são parvos.

28.9.10

Pretty

23.9.10

5 canções de Daniel Johnston recicladas por outros artistas

Mais do que pelas suas interpretações, as canções de Daniel Johnston tem vindo a ganhar reconhecimento nas interpretações de outros artistas, sempre mais fáceis de digerir. No seguimento do meu post de ontem sobre o filme The Devil and Daniel Johnston, apresento cinco canções de Big Dan apresentadas por cinco artistas distintos.


De vários discos de tributo a Daniel Johnston, o mais conhecido é "The Late Great Daniel Johnston - Discovered Covered", um interessante documento contendo não só versões de gente bem conhecida como Eels, Violent Femmes, Beck, Death Cab For Cutie e TV on the Radio, bem como os originais de Johnston. É neste disco que encontramos a belíssima versão dos Sparklehouse com os Flaming Lips para Go.



Um dos momentos altos da banda sonora de "Where The Wild Things Are", a interpretação de Karen O para Worried Shoes atinge a leveza musical que a pureza da letra, uma das melhores de Daniel Johnston, pedia há muito. Sufjan Stevens tem também uma versão muito interessante, se bem que totalmente diferente, desta canção no disco de tributo "I Killed The Monster".




Também em Portugal e Brasil se venera o génio criativo de Daniel. No recente disco "Femina", no qual The Legendary Tigerman convida meia dúzia de vozes femininas para cantarem no seu disco, encontramos como bónus True Love Will Find You In The End, interpretada pela Brasileira Cibelle.




Os Yo La Tengo fizeram duas versões de Speeding Motorcycle: uma de estúdio, incluída no disco de covers "Fakebook", e outra a finalizar o EP "Here Comes My Baby", uma divertida sessão de rádio com Daniel Johnston a cantar pelo telefone (-"Daniel, let me introduce you to the band..." - "OK, Hi band!"). Esta é a versão de "Fakebook".




Daniel Johnston tem colaborado frequentemente com outro artista "especial", Jad Fair. Uma das suas canções conjuntas, Somethings Last a Long Time, aqui trazida pelos Built to Spill.








Bónus: Daniel Johnston interpreta Grievances num Taxi preto em Londres.

22.9.10

Filmes: The Devil and Daniel Johnston

Daniel Johnston. Quem não gosta, diz que é uma aberração. Quem gosta, diz que é um génio. Não há meio termo. Originalmente, pendi para a primeira hipótese, até entender que Daniel Johnston era muito mais do que músicas mal cantadas e mal tocadas. Pegando e adaptando a frase d'O Princepezinho, o essencial é inaudível para os ouvidos, e conseguindo-se escutar para lá das camadas de crueza doentia e genuíno lo-fi, encontram-se melodias deliciosas que nas mãos de gente mais capaz tornam-se grandes malhas, como se Daniel fosse o mineiro, bruto, feio e retardado que retira o carvão do buraco, para este se transformar em safiras quando chega às mãos dos ourives...

Um amigo meu que pende também para a primeira opção descobriu a existência do filme The Devil and Daniel Johnston, de 2005. Já tendo visto o filme e gostado bastante do mesmo, e com a esperança vã de também fazer com que a opinião deste meu amigo em particular se altere um bocadinho, apresento as minhas impressões sobre o documentário.



The Devil and Daniel Johnston é o apontamento biográfico de um artista Norte-Americano maníaco-depressivo com mania de grandeza, retratando o equilíbrio precário entre a loucura e a genialidade, com uma precisão mórbida alcançada por intermédio de cassetes de vídeo e áudio que o próprio Daniel gravou ao longo de toda a sua vida. Tudo servia para ser gravado: discussões com os pais, canções, orações, conversas de desconhecidos... Numa das partes mais perturbadoras do filme, Daniel desaparece a meio de uma sessão de gravação com os Sonic Youth, após ter sido preso por profanar a Estátua da Liberdade, e chegamos mesmo a ouvir os relatórios policiais, gravados pelo próprio no auge do seu delírio esquizofrénico.

O documentário conta-nos então a história de um artista com imenso talento aprisionado numa mente confusa, um garoto que cria melodias lindas com um orgão de plástico e um gravador estragado, um pianista muito capaz que abandona o piano e insiste na guitarra que simplesmente não sabe tocar, uma pessoa feliz, cheia de vida e com uma alegria contagiante, um fundamentalista católico que acha que todos os seus problemas são causados por Satanás, um artista plástico competente que expõe os seus quadros nas melhores galerias de arte, um ser frágil e doente que só quer ser deixado em paz, um génio que se coloca no mesmo patamar que os Beatles, um mau cantor com letras entre o pateta e o brilhante, uma pessoa com tanto para dar e transmitir que literalmente perde o juízo ao tentar partilhar tudo o que tem com o Mundo, um ser perturbado e violento, um louco preso a uma camisa de forças num asilo enquanto Kurt Cobain sai à rua com um T-Shirt com a capa de "Hi, How Are You?" e subitamente toda a gente pergunta "Quem é Daniel Johnston?"

A minha parte favorita do filme é quando a MTV vai à localidade de Daniel e este, agarrando a sua oportunidade, passa o dia inteiro a chatear os produtores da estação, mostrando a sua cassete e falando da mesma com entusiasmo a cada minuto, até que finalmente o deixam actuar em directo para toda a nação. Uma vitória, um momento de glória, felicidade genuína. Se o filme acabasse neste momento teria um final em cheio.

Mas, tal como a vida, The Devil and Daniel Johnston prossegue e acompanhamos o declínio mental de Daniel, perturbador e confuso, até ao actual estado sedado, mas feliz e funcional, rodeado por quem lhe quer bem. Há uma preocupação verdadeira que transparece para o público: o que será deste gentil gigante quando os seus pais, que sempre o acompanharam, falecerem? Este receio agudiza-se quando tomamos conhecimento do falecimento da sua mãe, no passado dia 16 deste mês.

The Devil and Daniel Johnston é um filme que nos faz rir, que nos comove, que nos leva a pensar sobre as nossas vidas, que nos assusta, que nos toca se o nosso coração estiver no sítio certo. Filme importante, melhor, essencial para qualquer fã de música dita independente. Artistas torturados do Mundo, vejam The Devil and Daniel Johnston e ganhem vergonha na cara!

Daniel Johnston = Génio.


Trailer:

21.9.10

5 canções para terminar o Verão em beleza

The Pains of Being Pure at Heart - Come Saturday




Belle and Sebastian - A Summer Wasting




Belle and Sebastian - Asleep on a Sunbeam




The Drums - Let's Go Surfing




Best Coast - When I'm With You





ADEUS VERÃO, ATÉ PARA O ANO!