28.12.10

2010 em revista, parte primeira: música

Como besta preguiçosa que assumo ser, apresento nesta semana, e já com 2011 a avistar-se lá ao fundo, algumas das coisas que devia ter colocado oportunamente no Contraculturalmente mas que fui deixando para amanhã. Lamento por isso, mas, lá está, mais vale assim tudo à bruta do que nada no regaço. Hoje falo de música.


Disco Português de 2010: Nuno Prata - Deve Haver



Temi que um disco como Deve Haver nunca tivesse oportunidade de nascer. E é um alívio ver Nuno Prata de regresso, com vontade redobrada de fazer música. E novamente acompanhado pelo inventivo músico Nico Tricot. O seu segundo disco fica a ganhar em relação à não menos magnífica estreia por ser mais conciso, mais directo. São onze originais e ainda temos direito a uma versão em Português da Used To Be dos Violent Femmes. As letras, honestas como sempre, estão menos zangadas e mais ácidas, até mesmo divertidas. E o trovador goza agora de algum reconhecimento, o qual esperemos que aproveite bem, que sacuda a timidez que lhe ata os joelhos e, já agora, que dê alguns concertos abaixo do Mondego.

Destaque para Como Foi?, Refrão-Canção, Essa Dor Não Existe e sobretudo para Um Dia Não São Dias Não.

Menções honrosas: A Last Day on Earth - Between Mirrors and Portraits, B Fachada - Há Festa na Mouraria, PAUS - É uma Água, Deolinda - Dois Selos e Um Carimbo, Orelha Negra - Orelha Negra, Corações de Atum - Romance/Hardcore, Linda Martini - Casa Ocupada, Lula Pena - Troubadour


Disco Estrangeiro de 2010: Deerhunter - Halcyon Digest



2010 foi um ano muito forte em singles, em canções orelhudas que marcaram a época. Mas no que de albuns foi lançado, ficou um pouco aquém. Posto isto, destaco o disco de Deerhunter porque foi aquele em que encontrei mais coesão como album e não apenas como aglomerado de canções sem ligação. E porque já estava na hora de dar destaque ao menino Bradford J. Cox! O rapaz é genial, além de editar com os Deerhunter ainda lança regularmente discos sob a designação Atlas Sound, passando literalmente a vida a oferecer canções no seu blog e a fazer compilações para os amigos! É cá dos meus!

Quanto ao disco, não consigo bem encaixar isto em nenhuma convenção musical pré-estabelecida. Não é bem shoegaze, não é bem Pop, não é bem Rock, não é bem psicadélico. É tudo isto mas não é nada disto. É calmo, é estranho, é bonito, é muito bom. E será continuamente ignorado, tal como o disco anterior o fora. Gerações vindouras irão pegar em Deerhunter de dar-lhes o devido reconhecimento que agora lhes vai faltando. Enquanto isso não acontece, Bradford continuará seguramente a lançar grandes discos pela calada. Destaque para Helicopter, Revival e sobretudo Desire Lines.

Menções honrosas: Arcade Fire - The Suburbs, Beach House - Teen Dream, MGMT - Congratulations, Crystal Castles - Crystal Castles II, Best Coast - Crazy For You, Los Campesinos! - Romance is Boring, Sufjan Stevens - The Age of Adz, Jónsi - Go, Girl Talk - All Day, Belle and Sebastian - Write About Love, Teenage Fanclub - Shadows, She & Him - Volume Two


O fim dos Da Weasel



Os Da Weasel acabaram, e eu não me importei nada com isso. A bem da verdade, devo dizer que tenho o CD do Dou-lhe com a Alma e tive o 3º Capítulo mas emprestadei-o a alguém e esqueci-me a quem. Era fã e gostava da atitude e das letras. Curtia da frontalidade do Pacman, da cena de ser ex-carocho, com Hepatite C, a falar de todos os assuntos com frontalidade, na primeira pessoa. Depois Armando Teixeira saiu da banda (e lembro-me de ele dizer na altura que os Da Weasel não tinham futuro) e o grupo mudou radicalmente, as músicas já não eram muito inventivas, as letras eram mais Pop. Fui-me desinteressando mas sempre que podia via-os ao vivo, era aliás muito difícil não os ver, pois tocavam em todas as semanas académicas durante o meu período estudantil. Acho mesmo que é a banda que mais vezes vi. Depois o vocalista começou a aparecer em jingles para anúncios de coisas que condenava nas letras, e a fazer músicas como aquele lixo da nina e a porcaria do uhuh-da-da-faz-faz-bebé e os discos foram-se banalizando ao ponto de não terem qualquer motivo de interesse. Ou seja, os Da Weasel passaram a existir pura e simplesmente como veículo fazedor e receptor de dinheiro. Depois veio a fase dos anedóticos projectos paralelos (o do Virgul então, Jasus Sinhori, e ganha prémios MTV, aquilo) e agora chegou o fim, em boa hora. Não vale a pena continuar a chicotear um cavalo quando o mesmo já cheira a podre. Armando Teixeira tinha razão, a banda Da Weasel terminou com o 3º Capítulo, a partir daí nasceu a máquina corporativa Da Weasel. É tudo.


O Não-concerto de 2010: Arcade Fire



Antes de falar do não-concerto de Arcade Fire, gostaria de também de me pronunciar sobre outro não-concerto, o de Phoenix, sintomático do que ainda estava para vir. Os Franceses vinham ao Optimus Alive!, depois foram cancelados mas a banda foi a última a saber, depois o regresso ficou prometido ainda para 2010. O ano termina para a semana e não vejo nenhum concerto anunciado... Menos 10 pontos para a credibilidade de Álvaro Covões.

Quanto a Arcade Fire, foi aquilo a que a minha avó apelida de uma pouca-vergonha. O concerto foi marcado, e com conhecimento prévio por parte da organização, na mesma semana em que a NATO veio a Portugal inventar mais umas guerras. Depois, Covões bate o pé e sai-se com o argumento "eu vi primeiro, daqui não saio daqui ninguém me tira". Depois as autoridades garantem que o concerto não se realizará. Depois Covões reforça a venda dos bilhetes. Depois o governo cancela o concerto por escrito, mas pelos vistos isso não chega para o patrão da Everything is New. Depois a banda mostra-se disponível para mudar a data do concerto. Depois Covões diz que não, e que só cancela se for indemnizado, e continua a vender bilhetes, estando a lotação do Pavilhão Atlãntico próxima de esgotar. Depois teve de ser o próprio manager da banda a dar a notícia do cancelamento.

Era tão, tão, tão, tão, tão bem-feita se os Arcade Fire viessem ao Super Bock Super Rock em 2011...


Música de 2010



Mas afinal já apanharam o gajo ou ainda anda a monte?


Música (decente) de 2010



Os Crystal Castles baixaram a guarda na sua progressiva destruição musical e fizeram uma grande cover duns chatos do Hair-Metal dos anos 80, com o timoneiro dos The Cure. E a versão sem Robert Smith também não está nada má.


Maior injustiça de 2010 e de muitos anos vindouros



Lhasa de Sela, 1972-2010. O Mundo da música empobreceu tanto...

26.12.10

5 concertos em 2010

2010 foi um Super ano para concertos. Se pensarmos bem, desde 2007 a esta parte que Portugal tem recebido praticamente tudo o que de música se faz pelo Mundo, desde pré-hypes que ainda agora editaram meio EP no Kansas e já estão a tocar na Zé dos Bois a nomes firmados na Pop mainstream e independente, passando, claro está, pelas reuniões duvidosas para encher bolsos, as quais todos engolimos com gosto, inventando desculpas para justificar a devoção, "não não, eles reuniram-se porque estavam com saudades de tocar e porque gostam de mim". Veio cá tudo, e espera-se que continue tudo a cá vir.

A minha época concerteira foi particularmente farta este ano. Desde Tindersticks em Fevereiro a MGMT na semana passada, sem esquecer bilhetes encontrados no chão para o Alive!, vivi belíssimos momentos musicais, dos quais destaco, muito a custo, cinco. Todas as fotos foram roubadas da Internet. A primeira é do Manuel Lino, a segunda é da Rita Carmo, a terceira é do Nuno Fontinha, a quarta é do Geraldo Santos, a quinta é do Rui Leal.


18 de Março: Yo La Tengo @ Aula Magna



Yo La Tengo foram duas horas de amor. Em 21 canções, tivemos de tudo: Uma boa fatia do excelente disco Popular Songs, barulheira da boa com Bad Politics e Sugarcube, Ira a brincar com os amplificadores em The Story of Yo La Tango, Ira sentadinho no público tocando I'm On My Way, hipnotismo com More Stars That There Are In Heaven, momentos de beleza etérea com The Hour Grows Late e numa das minhas preferidas, Our Way to Fall, e a requisitada You Can Have It All, desta feita sem dança patetinha. Dois encores, e a banda só não tocou mais porque ainda tinha de ir apanhar o autocarro para o Porto. Barriguinha cheia de música!


22 de Abril: Sonic Youth @ Coliseu dos Recreios



Um concerto de Sonic Youth significa romaria de todo o tipo de pessoas: à minha volta pude ver góticos, pessoas que apanharam o Dirty em final de adolescência e pensam que a banda nunca mais fez mais nada, Jesuses em ácido, garotada com borbulhas na cara e ar arrogante de quem já ouviu tudo, e, felizmente, muita gente que ali se deslocou para ouvir Sonic Youth e que sairia satisfeita mesmo se a banda apenas produzissem feedback com serrotes durante 4 horas. Felizmente não foi isso que aconteceu. O concerto centrou-se principalmente no recente The Eternal, ficando de fora, se a memória não me atraiçoa, apenas uma canção desse disco. Sendo The Eternal um dos meus preferidos dos jovens cinquentões, delirei durante a duração do concerto. Os encores presentearam os saudosistas com Sprawl, Cross the Breeze, Shadow of a Doubt e Death Valley 69, mas pessoalmente, os momentos mais vibrantes foram Anti-Orgasm e What We Know. Saliente-se que, preservando a minha habitual sorte em concertos, comprei 2 bilhetes e deram-me um grátis sem querer. Viva eu.


1 de Julho: Regina Spektor @ Cascais Cooljazz Fest



Pois eu que sempre pensei que seria dos poucos a conhecer Regina Spektor em Portugal, discreta que a sua carreira passa no nosso País, e heis-que constato com agrado que o seu primeiro concerto cá esgota num ápice! E foi tão bom como antecipava. Regina é daquelas pessoas que cativa com o sorriso, mesmo depois de pronunciar o mais violento palavrão. Simpatiquíssima, falou de como é bom correr na marginal, derreteu toda a gente com o seu "desculpe" depois de se enganar em Dance Anthem of the 80s, conquistou com a sua voz poderosíssima em Après Moi e Silly Eye Colour Generalizations (esta última à capella), meteu tudo a bater palminhas em On The Radio, tocou guitarra em That Time e Bobbin For Apples ("someone next door is fucking to one of my songs", dizia ela), tocou algumas das minhas favoritas como Musicbox (a pedido do público), Folding Chair, Hotel Song e Sailor Song, e despediu-se com uma tresloucada música country Love, You're a Whore. Brilhante estreia da pianista mais boa onda de sempre!

Tive a oportunidade única de ver Regina Spektor no lindíssimo Parque Palmela, deitado na folhagem, entre as árvores, e fui para a cama com os músculos faciais doridos, após horas sem conseguir contrariar um sorriso teimoso que fez da minha cara seu lar.


10 de Julho: Pearl Jam @ Optimus Alive!



Nos meus tempos de petiz, gostava dos Pearl Jam. Muito. Ao ponto de ter os discos todos, de mandar vir pelo correio compilações de raridades e concertos pirata, de trocar VHS, de ter extensas cassetes audio com os finais da Daughter, sempre diferentes. Era fã da banda, dos hard-core. Depois fui-me desligando dos Pearl Jam e começando a investir o meu tempo noutras bandas e sonoridades e, por alturas do Riot Act, deixei de ouvir Pearl Jam completamente. Saturei. De modo que, quando por obra do acaso me veio parar um bilhete para dia 10 do Optimus Alive! às mãos, encarei a oportunidade de rever Pearl Jam com alguma indiferença.

Começa o concerto. Um hit. Dois hits. Três hits. Depois Eddie Vedder anuncia que este será o último concerto dos Pearl Jam no futuro próximo e de repente sou uno com a banda e o público, agarrando a oportunidade de os celebrar mais uma vez, entoando as canções, abanando os braços, pulando, sorrindo, lembrando as cassetes, os CDs piratas, associando as canções a momentos há muito apagados na memória, recordando amizades cujo único ponto em comum era o amor à banda, vivendo. E no final do concerto, ao último acorde de Yellow Ledbetter, duas lágrimas rolaram pela minha face. De felicidade.

Continuo a não os ouvir em casa, mas naquela noite fiz as pazes com os Pearl Jam. Obrigado por tudo!


5 de Agosto: The Flaming Lips @ Sudoeste



Do concerto dos Flaming Lips já escrevi muito aqui. Foi sem sombra de dúvida o meu concerto favorito de 2010, arrisco mesmo a dizer que terá sido aquele em que fui mais feliz de sempre, aquele em que mais me deixei deslumbrar. São poucos os concertos em que entro em histeria, mas em Flaming Lips foram gritos de alegria do início ao fim. Confettis, balões, serpentinas, lasers, mulheres nuas, fumo, cores, um urso, música de estrelar cérebros. Quatro meses depois e ainda me apetece voltar para este concerto e fazer dele minha casa. Se já gostava muito da banda, agora sou fã incondicional.

Pode-se utilizar o argumento de que a banda é só pirotecnia, que de música tem muito pouco, que os U2 são "a melhor banda do Mundo" pelo grande aparato cénico e porque Bono telefona para o Espaço a meio do concerto para perguntar ao pessoal da estação espacial MIR se estão com frio. E eu discordo. Porque sim, os Lips fazem música estranhíssima, sem qualquer comercialismo (o Embryonic custa a digerir, talvez por não se conseguir descortinar qual a ponta por onde pegar), e sim, têm um grande aparato cénico, uma preocupação por fazer com que toda a gente dê o seu dinheiro por bem empregue. Mas, perdoem-me os fãs de U2, quem gosta de música a sério também merece um espectáculo assim.






Menções honrosas: Tindersticks, The XX, La Roux, Florence + The Machine, Faith No More, Foge Foge Bandido, Mike Patton's Mondo Cane, Beirut, Lykke Li
, MGMT

8.12.10

The Walking Dead, Série 1, Episódio 6: TS-19

E pronto, seis episódios depois, e termina a primeira temporada de The Walking Dead, com a promessa de regresso em Outubro com uma segunda temporada mais recheada de episódios e, espera-se, de suminho, que esta soube a pouco. Cá em cima está o tiroliroliro, lá em baixo está o tirolilóSPOILERS!





Sinopse: Estávamos no episódio anterior à porta do Centro de Controle Epidémico, no exacto momento em que o Dr. Carne-Para-Canhão abria a porta ao grupo de sobreviventes. Depois de alguns momentos tensos, Rick e seus compinchas são recebidos com um duche quentinho e um jantar de família, vinho incluído. Todos ficam um pouco tocados e Shane, com a maior bebedeira do grupo, tenta aproveitar-se de Lori, mas a única coisa que consegue são uns arranhões na cara. No dia seguinte há muita ressaca e nada de Guronsan. O Dr. Carne-Para-Canhão elucida então o grupo sobre o que acontece ao cérebro das vítimas após serem infectados e como todo o Mundo está condenado porque dependemos de combustíveis fósseis qualquer coisa que não interessa absolutamente nada para a história. Dale, casualmente, pergunta ao Dr. Carne-Para-Canhão que relógio de parede estranho é aquele, cujos números estão em contagem regressiva.

"Aquele relógio? Ah, não se preocupem. É só uma medida de contingência aqui do centro caso isto fique sem combustível, que por acaso é o que está a acontecer; quando os números chegarem a zero, vamos todos pelos ares. E não vale a pena tentarem fugir porque isto ficou trancado quando entraram aqui."

Depois de alguma choradeira, ameaças de morte e tentativas de fuga, o Dr. Carne-Para-Canhão sai-se com um "Ah, estava a brincar, as portas afinal abrem, se conseguirem rebentar com os vidros quadruplos das janelas estão safos. Se tiverem uma granada é capaz de dar jeito. Vão andando que eu fico aqui". Andrea, ainda destroçada pela perda da sua irmã, resolve ficar para trás. Dale, num bonito gesto de amor, após tentar persuadi-la para fugir, decide ficar também, mas Andrea vê neste acto uma razão para viver e ambos escapam. Uma personagem genérica daquelas que foram criadas só para a série fica também no Centro, mas ninguém se mostra muito preocupado com isso.

À medida que o grupo foge para parte incerta, o Centro de Controle Epidémico implode. Fim da primeira temporada.

Diferenças em relação ao material-fonte: Nada disto acontece na Banda Desenhada.

Opiniões: Tal como o final do episódio anterior, TS-19 não serviu para nada. Um verdadeiro desperdício de recursos, tempo e espaço. Tudo bem, este episódio consegue ser melhor que o anterior, mas não deixa de ser inútil. Tivemos bons momentos com o Dale e a Andrea, e o conflito interno de Shane, dividido entre a lealdade para com o amigo e a paixão que nutre pela mulher dele, mas no fim de contas, o grupo segue o seu caminho de barriga cheia e banho tomado, e todos podemos ignorar alegremente o Centro de Controle Epidémico. Num temporada normal, com 12 ou 14 episódios, um desvio destes é aceitável, todos estamos habituados a manobras de enchimento de enchidos. Mas com apenas 6 episódios para gastar, atirar para a fogueira episódio e meio com "isto" foi mal jogado e pouco satisfatório.

Finalizada a série, analisemos as personagens. Primeiro, as notas positivas. Glenn e Dale foram muito bem escolhidos e adicionam muito à série. Jim foi a grande surpresa da temporada, uma personagem sem grande impacto na história original aqui ganha bastante relevância. Amy foi competente, quanto mais não fosse por ser agradável à vista. Shane também não vai mal. Dos novos, Daryl é espectacular e poderia bem ter feito parte da banda desenhada. Os restantes novos, excepto Merle que voltará certamente na segunda série, não serviram de muito. Não gosto muito da actriz que interpreta o papel de Lori, mas os piores são mesmo Rick e Andrea. O actor que interpreta Rick não tem carisma. Rick Grimes na banda desenhada é um personagem forte, aparentemente seguro de si, capaz de arrastar multidões consigo. Na série, Rick Grimes é um choninhas que passa a vida a meter a para na poça, com cara de cachorrinho abandonado. Andrea está sempre com expressão de empedernida anal, e revela-se bastante desiquilibrada, ao ponto de apontar armas aos colegas, algo que não liga bem com a sua congénere desenhada.

Olhando para trás, tivemos uma estreia espectacular, 3 episódios muito bons, um episódio razoável que a meio descamba para a patetiçe e um final amorfo. O saldo é positivo, mas as perspectivas para a segunda temporada não são as mais optimistas, ainda para mais quando chega a notícia de que toda a equipa de argumentistas foi despedida na semana passada. Vamos esperar para ver. Entretanto já saiu o 13º volume da banda desenhada, e essa sei que nunca me desilude!

3.12.10

The Walking Dead, Série 1, Episódio 5: Wildfire

O quinto episódio de Walking Dead já passou há alguns dias, mas tenho demorado algum tempo a digeri-lo... Aqui fica a minha resenha. Os SPOILERS de hoje estão irritadiços, cautela!




Sinopse: O episódio começa com o campo dos sobreviventes devastado. Os mortos são enterrados e os mortos-vivos incinerados. Andrea aguarda pacientemente que a sua falecida irmã se transforme em zombie para dela se despedir, chegando mesmo a apontar uma arma a Rick (!?!?!?!) quando o mesmo se aproxima. Entretanto, todos descobrem que Jim fora mordido. As cabeças pensantes do grupo decidem procurar ajuda num tal de Centro de Controle Epidémico (!?!?!?!?!?!?!?!?!), mas Jim não aguenta a viagem e decide deixar-se ficar para trás.

Depois de uma emocionada e bem-conseguida despedida, passamos para aquilo que parece uma cena dos filmes do Resident Evil, com um cientista num bunker futurista (!?!?!?!?!?!?!?!??!?!?!?!), tentando descobrir a cura (!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?O QUÊ, CARALHOOOOOOOO!?!?!?!?) para a zombificação da Humanidade. No exacto momento em que desiste de encontrar uma solução e contempla o suicídio, o grupo vem-lhe bater à porta e o Homem da Ciência, comovido pelo Overacting do actor que veste a pele de Rick, decide abrir-lhes a porta.

Diferenças em relação ao material-fonte: Vou-me concentrar nas mais gritantes. É a segunda vez que Andrea aponta uma arma a Rick! Na banda desenhada, Andrea é uma personagem forte, que passa por muito, mas que encontra sempre força para continuar, e nunca deixa de ser afável para com os seus companheiros. Na série, Andrea é uma pessoa desequilibrada que aponta armas a todos os que têm opinião contrária à sua.

Quando o grupo parte, leva claramente um elemento a mais. Shane já deu indícios de que odeia Rick e que planeia assassiná-lo, mas com tanta personagem secundária criada para a série, essa situação ainda não ficou resolvida e, com apenas um episódio para o final, duvido que fique. O que nos leva para o maior desvio da série até à data: O Centro de Controle Epidémico.

Primeiro ponto divergente: ficamos a saber há quantos dias surgiu a infecção, e que a mesma é global. Segundo ponto divergente: ficamos a saber que há quem procure uma cura para o problema. Terceiro ponto divergente: Rick e o restante grupo procura asilo neste local. Quarto ponto divergente: a porta é-lhes aberta. Quinto ponto divergente: o meu interesse pela série evaporou-se no primeiro ponto.

Opiniões
:Um dos factores que faz com que a banda desenhada seja tão popular e consistentemente boa é que nunca se procura saber ao certo o que causou a epidemia, nunca se sabe há quanto tempo a mesma dura, nunca se sabe que esforços foram feitos para contê-la e curá-la, nunca se chega sequer perto de um "Centro de Controle Epidémico". Porque, simplesmente, o enfoque da série não é esse. Essas questões são abordadas marginalmente, pois o que interessa aqui é que a Humanidade chegou a uma situação irremediável e os sobreviventes terão de lidar com isso e seguir as suas vidas. São as pessoas que interessam, as suas maneiras de lidar com a crise e conquistar os obstáculos diariamente. O Centro de Controle Epidémico, além de arruinar o Status Quo, vem deturpar o próximo episódio, o último da primeira série e que será desperdiçado em laboratórios e teorias da conspiração que não servem para nada e que não vão levar a história a lado nenhum. Uma oportunidade perdida.

A morte de Jim foi muito bem conseguida. Aliás, Jim foi a maior surpresa da série, uma personagem que na banda desenhada não tem grande interesse e que aqui ganhou uma profundidade extra. Mas em relação às personagens e aos actores que as interpretam, guardarei as minhas opiniões para o próximo post. Não posso deixar de referir que o actor escolhido para o papel de Rick tem o carisma de um sabão Clarim.

Deste episódio não gostei.

26.11.10

Tudo o que interessa saber sobre os Estados Unidos, capitulo XXVI: Montana

Montana, o Estado-Tesouro


Capital: Helena

Animal: Truta (Oncorhynchus mykiss)

Lei idiota: Um ajuntamento de sete ou mais índios é considerado um ataque ou acto de guerra e é considerado legal abatê-los

Artista: Er... Hannah Montana?



Miss Montana
: Misti Vogt

24.11.10

The Walking Dead, Série 1, Episódio 4: Vatos

Quarto episódio de The Walking Dead e as coisas aquecem ainda mais. Sai uma rodada de SPOILERS para a mesa 5!





Sinopse:Em Atlanta, Rick, Darryl, Glenn e T-Dog seguem o rasto de Merle, sem sucesso. Resolvem então recolher um saco de armas que Rick havia perdido na sua primeira visita à cidade. No entanto, o saco é também cobiçado por um gang de Hispânicos que não é bem aquilo que aparenta ser. Glenn acaba por ser raptado por este gang, e o grupo terá de se empenhar para reaver o seu amigo. Entretanto no acampamento de sobreviventes, Jim cava como se não houvesse amanhã, mostrando sinais de fragilidade emocional. A única solução que o grupo encontra para obrigá-lo parar é amarrá-lo a uma árvore. Mais tarde, uma horda de zombies invade o acampamento e faz um festim. Muitas pessoas são mordidas e assassinadas, incluindo algumas personagens-chave. Agora as campas feitas pelo Jim já dão jeito, não é, seus ingratos?

Diferenças em relação ao material-fonte: Os dois terços iniciais não têm absolutamente nada a ver com os livros. O grupo de Rick demora bastante mais tempo a encontrar mais sobreviventes, e um gang de Hispânicos nunca surgiu na história até à data. A sua inclusão foi muito bem conseguida, no entanto. O final do episódio, com algumas devidas diferenças, está fiel.

Na última vez que escrevi sobre TWD, referi que existiam personagens em falta, nomeadamente Carol e Sophia. Pelos vistos ando distraído, pois Sophia apareceu neste episódio e a sua mãe Carol já havia sido apresentada, apesar de visualmente diferente da sua congénere desenhada e com uma história ligeiramente diferente, pois o seu esposo encontra-se vivo na série. Em relação ao marido, Ed, calhou-lhe a honra dúbia de ser o primeiro do grupo de sobreviventes a ser devorado pelos zombies. Parabéns Ed!

Opiniões:Acho muito interessante que seja dado o devido protagonismo do episódio a Jim. Esta personagem não fez história na banda desenhada, e vê-la a florescer na televisão e a ganhar peso na trama é uma experiência interessante, mesmo que o seu destino breve seja a morte. De salientar que este foi o primeiro episódio escrito pelo autor da banda desenhada, Robert Kirkman, sendo esta uma excelente oportunidade para desenvolver melhor esta personagem que, segundo o próprio, tinha mais para dar antes de bater as botas.

O gang de Atlanta causa um desvio na missão de salvamento de Merle, que acaba por ser abandonada completamente. Sabemos que Merle amputou a sua mão e queimou a ferida, e que provavelmente até lhes roubou a carrinha, mas essa parte do enredo não é resolvida satisfatoriamente. No entanto, a inclusão do gang levou a uns desenvolvimentos engraçados na trama e adicionou profundidade ao cenário apocalíptico, pelo que não me posso queixar.

O final do episódio, previsível para leitores da banda desenhada, foi intenso e dramático como seria de esperar. Tal como nos livros, há sempre alguma calma antes da tempestade, e Vatos não foi excepção. Tivemos laços entre personagens a serem estreitados para logo de seguida serem arrancados à dentada por mortos-vivos. É um final forte, agressivo, visceral, que eleva a qualidade geral do episódio. Muito bom.

22.11.10

Videojogos: Mega Drive Portátil

Como sempre fui uma pessoa de parcas posses, nunca fui capaz de acompanhar devidamente o avanço tecnológico em relação aos videojogos, pelo que acabei por investir o meu tempo em jogos mais antigos. A minha velhinha Mega Drive durou bem para lá da sua expectativa de vida, e hoje em dia as guerras Wii/PS3/X-Box passam-me bem ao lado, pois invisto o tempo destinado ao entretenimento electrónico em jogos retro. Assim sendo, foi com agrado que vi há não muito tempo no folheto promocional da E.Leclerc uma pequena consola que me deixou com a pulga atrás da orelha. A Mega Drive Portátil!



A consola é totalmente pirata (lançada pela empresa FIRECORE), e traz-nos quase sem mácula alguns dos clássicos da Sega, incluindo a opção de os jogar na televisão e, mediante a utilização de um comando USB, modo para 2 jogadores. O ecrã LCD de 2,8 polegadas, apesar de pequeno, tem uma resolução bonita. O som não é grande coisa, mas essa sempre foi uma das grandes falhas da Mega Drive em relação à sua principal concorrente Super Nintendo.

Dentro da Mega Drive Portátil temos os seguintes jogos:

- Alex Kidd
- Alien Storm
- Altered Beast
- Arrow Flash
- Columns 3
- Crack Down
- Decap Attack
- Dr Robotnick's Mean Bean Machine
- Ecco the Dolphin
- Ecco Jr
- Eswat
- Flicky
- Gain Ground
- Golden Axe
- Jewel Master
- Kid Chameleon
- Shadow Dancer
- Shinobi 3
- Sonic and Knuckles
- Sonic Spinball

Alguns destes jogos são clássicos, outros são menos bons. Na verdade, cerca de metade destes jogos não fizeram história, o que faz com que uma pessoa pense duas vezes antes de largar 50 € por esta pequena consola. Mas a Mega Drive Portátil esconde um trunfo para quem aprecia verdadeiramente a 16-bit da Sega: um leitor de cartões SD. Cartões esses que podem ser carregados com ficheiros *.bin. Que são os ficheiros utilizados na emulação de jogos de Mega Drive. Traduzindo, através de alguma marosca, a Mega Drive Portátil lê uma boa parte dos jogos criados originalmente para a Sega! Uma boa parte do que foi convertido para PC e que se encontra com relativa facilidade na Internet corre na Mega Drive Portátil! Perfeito!

Para os interessados, passarei a explicar a técnica. Atenção que a utilização de ROMS é ilegal caso não possuam o jogo original, só para que conste.

1º passo: Criar uma pasta intitulada GAME num cartão SD;
2º passo: Colocar os ficheiros previamente descarregados da Internet na pasta. Atenção que só ficheiros com a extensão *.bin funcionam, e visto que a maior parte dos ROMS vêm com a extensão *.smd, precisam de ser convertidos para a terminação correcta. Recomendo este conversor para a tarefa;
3º passo: Escolher a opção SD CARD na consola;
4º passo: Jogar.

Simples! Para os interessados na consola, a promoção termina em breve e decerto que a MD Portátil desaparecerá rapidamente dada a sua legalidade dúbia, pelo que há-que dar corda aos sapatinhos e agarrar uma destas pequenas maravilhas enquanto é tempo.

19.11.10

Discos: Girl Talk - All Day

Fresquinho, fresquinho: All Day, do mestre do Mash-Up e paladino da música livre, Girl Talk.




Girl Talk é um DJ Norte-Americano especializado num estilo musical que se chamou em tempos Bastard Pop e que actualmente dá pelo nome de Mashup. Este estilo musical consiste em misturar duas (ou mais) músicas sobejamente populares com o intuito de criar uma totalmente nova. Na fase embrionária do mashup, normalmente juntava-se a faixa vocal de uma canção ao instrumental de outra, mas hoje em dia utilizam-se tantos samples em cada faixa que por vezes torna difícil identificar a base musical. Actualmente este é um estilo legítimo com imensos seguidores, mas na sua génese fora bastante perseguido, uma vez que os artistas samplados nunca viram qualquer compensação pela utilização da sua música, dando origem a uma guerra entre o capitalismo da indústria discográfica e os DJs, com Girl Talk na linha da frente.

O que distingue Girl Talk de seus pares é o vastíssimo conhecimento musical, que lhe permite criar canções radicalmente diferentes utilizando apenas retalhos, dos obscuros aos automaticamente reconhecíveis. Basta ver a listagem de samples utilizados apenas no disco novo para se ficar com uma ideia da misturada sonora. Há quilos de Hip-Hop, Black Sabbath, M.I.A., Janes Addiction, Ramones e The Doors, e isto é apenas a primeira faixa de All Day. Mais à frente temos Portishead, Beck, Gloria Estefan, Daft Punk, Radiohead, Iggy Pop, Jackson 5, etc, etc,etc, etc. Impressiona especialmente quando se sabe que o DJ mistura tudo isto ao vivo, sem recorrer a faixas pré-gravadas. E só com dois braços.

O disco pode ser descarregado aqui. Caso os servidores estejam cheios, o site apresenta dezenas de alternativas para que ninguém fique privado desta pérola. De salientar que a restante discografia do artista está também disponível para descarga na página da Illegal Art. Bem vindos à festa de final de ano!