
Os Norte-Americanos Cold War Kids praticam, com o seu baixo pesado, piano desafinado, guitarra fora de tempo, muita bateria e percussão e uma voz que faz a espaços recordar Jeff Buckley, um tipo de música estranhamente viciante e orelhuda, quente e desconfortável ao mesmo tempo. A sua sonoridade é uma montanha russa musical e emocional, que nos eleva calmamente para depois nos descarregar sem travões pela encosta abaixo, atirando-nos enérgica e violentamente para a lama para nos lavar com um jacto de pressão logo de seguida.
Disco de estreia, Robbers & Cowards, de 2006.

Robbers and Cowards é um disco e ambiente denso e negro, sendo ao mesmo tempo de uma simplicidade crua que se vai complicando após repetidas audições. Como o título indica, o roubo e a cobardia são temas recorrentes nas letras de cada tema. A primeira faixa, We Used to Vacation, narra a história de um homem perdido na bebida, colocando a sua família em segundo plano. Passing the Hat fala de alguém que rouba esmolas à porta da Igreja. Saint John (a minha preferida) é sobre um assassino no corredor da morte, à espera de um perdão, apesar de ter feito justiça ao interromper a vida do violador da sua irmã. E a frase em Robbers, "robbing from the blind is not easy", diz tudo sobre a mesma.
Estranhamente (ou talvez não) o sentimento que passa de Robbers and Cowards, é o de uma banda de jovens honestos e criativos gerando música ao mesmo tempo que se divertem a tocar uns para os outros. É quase como ter o privilégio de poder entrar na sala de ensaios dos Cold War Kids e ouvi-los a brincar com sons e palavras como o fazem na sua estreia. Para ouvidos bem abertos.
Noutros assuntos, um EP ao vivo de seu nome Acoustic at the District poderá ser encontrado aqui. Não é tão bom quanto o album, e na verdade só comecei a gostar realmente dele depois de dissecar Robbers and Cowards. Um pitéu para quem já conhece Cold War Kids, dispensável para todos os outros.
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